A bolha amarelinha, Éverton e a falta que Luan faz até à seleção

Tem gente que ainda consegue ver a seleção brasileira com os olhos do passado, anterior ao vexame dos 7 a 1. Existe sempre a expectativa da vitória fácil e até de goleada contra equipes mais frágeis, como a Venezuela, por exemplo.

O empate de ontem, em Salvador, começou fora de campo. O pessoal não consegue deixar o salto alto e calçar a sandália da humildade. A goleada imposta pela Alemanha deu um choque de realidade, mas ao que parece não foi suficiente.

A soberba verde-amarela não envolve apenas os jogadores e a comissão técnica. Passa também pela torcida, esta sempre faceira à espera de gols e de show, e chega à imprensa.

Descrevo uma conversa que ouvi durante a jornada, acho que no intervalo, entre integrantes da equipe da TV Globo. Um repórter, todo felizinho, em tom jocoso, dizendo que havia perguntado ao treinador da Venezuela, antes do jogo, se ele acreditava que seria possível vencer o Brasil (só faltou o adjetivo ‘poderoso’ antes do ‘Brasil’ pelo jeito que foi formulada a pergunta).

O repórter, entre risos seus e dos companheiros, relatou que o técnico teria tido então que ‘se não fosse possível vencer ele nem teria vindo para o Brasil’. A resposta, mais do que natural, diria até que obrigatória, provocou risadinhas da equipe, que mantém o ufanismo até quando um jogo está em 0 a 0, que acabou sendo o placar final.

Se fosse um adversário um pouco mais qualificado do meio para a frente, e com um mínimo de ambição, o Brasil com certeza correria o risco de perder, o que seria trágico.

Então, o pessoal vive numa bolha, fora da realidade. A seleção mereceu vencer, sem dúvida, e até fez dois gols, ambos anulados corretamente pelo VAR (aliás, os árbitros estão enxergando menos ou estão transferindo a responsabilidade para o olhar eletrônico?

Destaque para Éverton, que mais uma vez entrou na parte final do jogo, e construiu com sua técnica, seus dribles e seu ímpeto de ir para cima da marcação, o lance que resultou no gol de Coutinho. O gol foi anulado porque tinha um infeliz impedido, mas restou para o mundo a bela jogada do cebolinha, saudado efusivamente pela torcida.

Éverton foi um dos poucos que escapou da vaia no final. Tite não tem mais como deixar o craque gremista no banco de reservas.

LUAN

Para concluir, a seleção está precisando de alguém que pense o jogo no meio de campo. Arthur pode ser esse cara, na função de um terceiro volante, misto de meia. Coutinho naufragou. Excelente jogador, mas não para ser o principal articulador ofensivo.

Ouso dizer que o Grêmio tem dois jogadores perfeitos para acertar o time: Maicon e Luan. O primeiro até já foi citado por Tite, mas o fator idade pesa demais. Maicon só na outra encarnação.

Restaria Luan, mas do jeito como ele está, fora inclusive do time tricolor, não tem chance. Não sei qual a influência do empresário de Luan nessa situação, mas o fato é que se Luan estivesse com todo o seu potencial, arrasando no Brasileirão, sua convocação seria quase inevitável, até para um treinador, igual a quase todos, que costuma morrer abraçado às suas convicções, às suas ovelhinhas.

De qualquer modo, eu, o mesmo que antes da Copa do Mundo já pedia Éverton na seleção, teria uma conversa com Luan para trazê-lo de volta ao seu parque de diversões, os campos de futebol.

Mas é um delírio meu. Para fazer isso, Tite teria de calçar a sandália da humildade e ter a mente aberta para buscar soluções improváveis. O problema é que os treinadores dificilmente saem do roteiro.

A política vitoriosa de aproveitamento de jovens da base Tricolor

Aproveitamento de jogadores da base. Está aí um tema, entre tantos outros, que divide torcedores ao ponto de provocar ataques verbais, ironias, deboches e até ofensas de cunho sexual, baixaria pura. É o que acontece também em parte da torcida do Grêmio.

Quem acompanha as redes sociais, incluindo este blog, sabe do que estou falando, o nível baixa mesmo e de tal forma que amizades (se é que dá pra se dizer assim) são desfeitas ou ficam estremecidas. Tudo, no final da contas, fruto da paixão pelo futebol.

São, a rigor, duas correntes. Há quem defenda que o clube não deve vacilar quando surge um jovem promissor, de talento diferenciado, mesmo que ele tenha apenas 16 ou 17 anos. É preciso colocá-los para jogar no grupo principal, pulando etapas de amadurecimento, tanto pessoal quanto como atleta. De fato, há casos que sustentam essa tese, mas são minoria. Coisa rara.

Os exemplos são muitos, variados e recorrentes. Eu, por exemplo, assumo que pedia Lincoln no time do Grêmio no lugar de Douglas, três ou quatro anos atrás. Lincoln não desabrochou, até em razão de problemas pessoais (quem sabe influência de sua ascensão meteórica, sem a base necessária) e Douglas, que eu considerava superado, acabou se tornando um dos protagonistas do time que conquistou a Copa do Brasil de 2016, enchendo de orgulho a nação gremista pela eficiência e beleza de seu futebol. Ah, de passagem: sem um camisa 9 aipim para atrapalhar.

É certo que existem exemplos apontando para o lado oposto, que guri talentoso tem que jogar o mais rápido possível. Mas, repito, são casos isolados, o que não impede que a tese tenha defensores ferrenhos, às vezes apenas para não dar o braço a torcer.

De minha parte, penso que a sabedoria está no meio, como dizia Aristóteles. Entre lançar açodadamente um jovem promissor, prefiro um trabalho de lapidação, de amadurecimento pessoal sem pressa e sem pressão.

Enfim, pra resumir, aplaudo a política de aproveitamento desses craques em potencial que o Grêmio vem adotando nos últimos anos sob o comando do presidente Romildo Bolzan, com participação efetiva do técnico Renato Portaluppi e dos profissionais da base.

Há casos que podem ser questionados, mas além da parte técnica para subir um guri da base existe outro fator que influi na decisão de não aproveitar mais cedo determinado jogador: ter um contrato de médio ou longo prazo. Então, antes de colocar o talento na vitrine, é fundamental garantir o investimento já feito com a ampliação do prazo contratual.

Assim, não raro um guri clamado pela torcida não joga porque tem esse aspecto a ser revolvido. Ele fica meio que escondido, fica na geladeira. Foi isso que fizeram, por exemplo, com Alexandre Pato, que só passou a jogar no time principal quando concordou em renovar o contrato com seu clube.

Para concluir, está provado pelos milhões de euros que já pipocaram no cofre do Grêmio, que a atual política de aproveitamento da base não apenas é a mais correta, como é exemplar, invejada por torcedores e dirigentes da maioria dos clubes brasileiros.

Mas isso não impede que a batalha continue nas redes sociais.

LUAN

‘O Grêmio não conta o que se passa com Luan para evitar sua desvalorização’. Este é o título da coluna digital assinada pelo narrador Pedro Ernesto. A frase por si só provoca calafrios na torcida e realmente assusta eventuais interessados. Enfim, é o “jornalismo especulação”, tipo zero informação, detonando Luan e prejudicando o Grêmio.

ÁGUA FRIA

O vice Duda kroeff despejou um balde de água fria na torcida gremista com sua frase que originou manchete: “Não vejo uma grande necessidade de contratarmos”.

Havia necessidade, por exemplo, de esperar dois meses pelo Paulo Autuori com a Libertadores em andamento?

Duda até pode pensar que reforços não são necessários, mas então que se cale e não forneça mais munição ao inimigo.

Minha premonição e o golaço de 50 milhões de euros

Quando Éverton pegou a bola pela esquerda e começou a enveredar para o meio, traçando uma diagonal manjada para nós e desconhecida dos bolivianos, eu preparei o grito de gol. Não deu outra, e foi um golaço.

Quando sugeri ao técnico Tite, aqui neste espaço e de forma inédita no país, a convocação de Éverton para disputar o Mundial, era exatamente nesse tipo de jogada que eu pensava.

Alguém para quebrar a rotina de um time Neymar-dependente é o que eu pregava. Alguém para entrar como arma secreta, elemento surpresa na monotonia em que se transformou a seleção nos últimos anos.

Agora, uma revelação: no início do segundo tempo de um jogo que assisti entre um bocejo e uma olhada no celular, pensei que Tite deveria colocar logo o Éverton no lugar de Neres, e mentalizei que Éverton entraria, faria essa mesma jogada tão conhecida de todos nós, e mandaria um torpedo para a bola alojar-se no canto esquerdo.

Acertei em cheio na minha premonição.

Amanhã, vou arriscar na megasena (por mais que eu suspeite que há falcatrua nesses sorteios de prêmio acumulado). Bem, uma coisa é certa: o passe de Éverton subiu alguns milhões de euros. Talvez já chegue aos 50 milhões de euros.

Fora esse golaço do nosso cebolinha, gostei muito desse centroavante, o Richarlison. Foi dele o passe para o segundo gol. É um atacante completo, com inúmeras qualidades.

No mais, foi um jogo chato porque a Bolívia só se defendia, não tinha uma jogada de contra-ataque e dependia do Moreno isolado na frente. Moreno que quando jogou no Grêmio já me parecia lento e arrastado.

O Brasil jogou muito melhor e venceu por 3 a 0 ao natural. Sequer foi um bom teste para avaliar o time armado pelo Tite, num esquema temerário contra adversários mais fortes: praticamente um 4-2-4, variando para um 4-3-3, aí puxando para um losango invertido (brincadeira).

Dois centímetros do VAR e as duas polegadas a mais da baiana Marta Rocha

O chefe da arbitragem da CBF, Leonardo Gaciba, afirmou nesta manhã, na rádio Gaúcha, que a ‘moderna tecnologia do VAR’ comprovou que o gol de Lindoso, o gol que abriu caminho para a vitória sobre o Bahia, foi válido.

Segundo o gaúcho Gaciba, o jogador colorado estava DOIS CENTÍMETROS atrás do penúltimo defensor do time baiano.

— A tecnologia utilizada dentro da cabine do VAR consegue trazer o exato posicionamento do lance e mostra que o jogador estava em posição legal. Provavelmente, se tivéssemos uma câmera exatamente na linha do impedimento, essa dúvida não existiria -, declarou.

A impressão que passa é que o impedimento foi tão ostensivo, tão clamoroso, tão claro e inegável, que mobilizou a CBF, a ONU, a Fifa, no sentido de defender o VAR, que a cada jogo do Brasileirão apresenta erros de todos os tipos.

O VAR seria realmente bom se conseguisse terminar o jogo praticamente imperceptível como devem ser as boas arbitragens. No Beira-Rio, o VAR foi o grande protagonista. Foram 4 minutos de espera para analisar o lance.

Não lembro de um lance de impedimento no campeonato ter paralisado um jogo por tanto tempo. O que me parece é que o pessoal envolvido nesse processo queria porque queria encontrar um meio de reverter a decisão do juiz Paulo Roberto Alves Jr. e de seu bandeirinha, o Bruno Boschilia.

Como deve ter se sentido o auxiliar depois de assinalar o impedimento com tanta convicção e firmeza? Ele não teve nenhuma dúvida.

Sr. Gaciba, a câmara que o sr lamenta não ter na linha do impedimento no momento da jogada são os olhos do Bruno Boschilia.

Os mesmos olhos que eu percebi arregalados quando os jogadores colorados, após a anulação do impedimento e a confirmação do gol, comemoraram junto dele, à beira do campo.

O que eu estou fazendo aqui?, parecia perguntar o auxiliar, questionando-se sobre o por quê da anulação. Agora ele já sabe, foram por causa do dois centímetros achados pelo VAR.

Marta Rocha

Os dois centímetros que beneficiaram o Inter, que tem sido favorecido por erros humanos dos deuses do apito e ameaça ocupar o lugar do Corinthians e do Flamengo, lembram as duas polegadas que tiraram o título de miss mundo da baiana (ora vejam só…) no concurso de 1954, nos Estados Unidos.

Marta Rocha virou uma torta deliciosa (recomendo a do Ponto Doce, na Cristóvão Colombo), e o jogo de ontem no Beira-Rio entra para a história como o jogo que começou a ser decidido por dois centímetros, nem mais nem menos.

E assim vai o VAR. Dias atrás escrevi que o VAR seria desmoralizado no futebol brasileiro. Está chegando lá mais depressa que eu imaginava.

Desfalques importantes não impedem boa atuação e vitória no Rio

Assim como o gol de Pepê, contra o Fortaleza, o golaço de Jean Pierre nesta noite, no Engenhão, fez acima de tudo justiça ao time que mais buscou o gol e que melhores oportunidades criou.

Ambos os gols na reta final, quando os minutos escoam rapidamente para quem joga pela vitória e deixam o torcedor aflito e angustiado.

Foi assim que eu me sentia quando Jean Pyerre cobrou a falta que ele mesmo havia sofrido ao tentar invadir a área a drible, entre pernas e chuteiras ferozes.

A cobrança perfeita, aos 35 minutos do segundo tempo, recompensou o esforço de um time que em nenhum momento se resignou com o empate, que até não seria um mau resultado diante de tantos desfalques.

As lesões de Geromel e Michel, no aquecimento, foram um balde de água fria na esperança da torcida tricolor. Realmente, foi um golpe. Soube de gente que saiu para jantar mais cedo com a namorada quando soube que dois dos principais jogadores desse Grêmio multicampeão (mensagem subliminar) também estariam fora.

E mais, que de novo Michel seria zagueiro, agora ao lado do novato Rodrigues, que acabou sendo um dos destaques do time pela simplicidade, segurança e até um tanto de ousadia no segundo tempo. Permanece no ar a pergunta, por que Renato demorou tanto a escalar esse zagueiro? Ele estava sendo preparado, é o que dizem.

A situação ficou ainda mais preocupante quando Rodrigues também se lesionou, no terço final do segundo tempo. Entrou o jovem Darlan, passando Rômulo (de boa atuação na frente da área) para a zaga ao lado de Michel.

Eu estava curioso em relação a Darlan, que alguns torcedores queriam no time há mais tempo, chamando Renato de tudo e mais pouco por não aproveitar o guri. Pois eu gostei de Darlan, mas pela amostragem é importante que por enquanto fique como opção. Ainda falta muito para assumir ou disputar a titularidade. Agora, com certeza trata-se de mais um jovem promissor formado no clube.

O time todo de um modo geral jogou bem. Dá gosto, por exemplo, ver Diego Tardelli jogar. Ele joga simples e objetivo, é rápido e tem muita habilidade. No momento em que ele deslanchar será ainda mais importante para o time.

Repito, o time jogou muito bem diante das circunstâncias. O goleiro Paulo Victor praticamente não foi exigido. Aliás, uma atuação surpreendente para um time que não contou com os seguintes titulares absolutos: Geromel, Kannemann, Maicon, Matheus Henrique e Éverton. Sem contar Luan, que parece ter perdido o brilho nos olhos para jogar futebol.

Ressalto também a preparação física. Não entendo dessa matéria. Só sei que não tem faltado pernas para o time, com raras exceções. Os gols nos minutos finais dos jogos contra Fortaleza e Botafogo sinalizam que a preparação física é boa, ao contrário do que afirmam alguns.

Aqueles torcedores que preparavam artilharia pesada contra a direção, Renato e o time, terão de esperar o fim dessa Copa América. Detesto essas competições envolvendo a seleção brasileira, mas devo reconhecer que ela chega em boa hora para dar tempo de recuperar os jogadores lesionados.

Por fim, vale lembrar que o Grêmio venceu, fora de casa, um time que começou a rodada no G-4. Então, vamos comemorar essa vitória.

BLOG

Estamos iniciando uma nova fase do blog, que leva meu nome mas é de todos os gremistas bem intencionados, apaixonados, críticos e respeitadores das diferenças.

Lembrando sempre que este é um território gremista. Os rivais, decididamente, não estão aqui.

Atenção: novo espaço de debates

Este blog está mudando para melhor. Estamos lançando um espaço exclusivo para opiniões, análises e debates, sempre em torno do nosso clube, o Grêmio.

Diferente do modelo atual, somente poderão participar gremistas reais, com identidade comprovada perante o administrador do blog, ou seja, eu. As identidades serão mantidas em sigilo.

Serão disponibilizadas apenas 150 vagas. Então, é importante que o formulário seja preenchido o quanto antes para assegurar a vaga entre os leitores/debatedores.

Atenção, o blog poderá ser acessado normalmente, como é hoje, mas só aqueles torcedores cadastrados poderão opinar e participar dos debates.

Complete o pré-cadastro abaixo para solicitar um convite.

Grêmio joga uma bolinha de sagu, mas soma três pontos

Para não fugir tão abruptamente do assunto do comentário anterior, digo que o Grêmio jogou uma bolinha de sagu, nesta noite, em Caxias. Mas o que importa para quem flerta com o rebaixamento, pega na mão e troca beijinhos, é vencer, fazer três pontos.

Não adianta ter maior posse de bola e disparado um maior número de escanteios, que, conforme destacou o narrador lá pelas tantas, estava 7 a 1 para o Grêmio.

O Grêmio venceu por 1 a 0 e já respira mais aliviado. Precisa agora derrotar o Botafogo no Rio, uma parada mais indigesta. Se repetir a atuação deste sábado dificilmente irá ganhar.

O futebol é sempre cheio de lições e ironias. Lição: nunca sacar do time um jogador com a qualidade de passe e de lançamentos mortíferos, caso do Jean Pierre, a não ser por justa causa, uma causa muito justa.

Em jogos recentes, JP tem sido substituído, até porque havia caído de rendimento. O jogo no Centenário provou que na dúvida mantenha-se em campo o JP dos passes milimétricos e quase impossíveis, como foi o que resultou no gol de Pepê.

Ironia: Pepê entrou ali pelos 15 minutos. E só errou. Não lembro de uma jogada protagonizada por ele, em tese o sucessor de Éverton na função de abrir defesa. Mas foi esforçado, lutou bravamente, e acabou recompensado com o lançamento de JP, marcando, assim, o gol da vitória. Bendita vitória.

No mais, aos que criticam Maicon, mais uma vez ele teve atuação exemplar. O comentarista Paulo Nunes encheu a bola do capitão tricolor. E olha que a meu ver ele esteve abaixo de jogos anteriores.

Sobre o Patrick. Eu fico perplexo com gente que critica esse guri e sua escalação. Ele surgiu muito bem dois ou três anos atrás. Muita gente detonou o técnico Renato por tê-lo afastado do grupo principal – os motivos dessa decisão não interessam no momento. Patrick, depois do banho de humildade, está de volta, e que bom que isso. Entrou no decorrer de dois jogos.

Está sendo avaliado por Renato, que leva pau quando dá oportunidade aos jovens, e leva pau quando opta por cascudos. Por falar nisso, como está o Rômulo, que para alguns é ‘bruxinho’ do Renato?

Por fim, Alex Moura por detalhe não teve o tornozelo quebrado. Justa a expulsão, que ocorreu somente após intervenção do VAR. De novo, o comentarista de arbitragem da TV, aquele que palestrou para o time colorado antes do Brasileiro, deu opinião desfavorável ao Grêmio ao afirmar que o lance era apenas para amarelo.

No ano que vem o Grêmio já sabe quem deve chamar para palestrar sobre arbitragem. Ou não sabe?

Pra não dizer que não falei de sagu

O texto abaixo foi publicado há alguns anos aqui no blog. Em sua coluna na Zero Hora, edição desta sexta-feira, o colunista mais lido do Estado faz considerações sobre o artigo e também sobre minha pessoa, o que muito me orgulha e emociona.

Confira: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/david-coimbra/noticia/2019/06/o-sagu-perfeito-cjwl7dras03p401oi2e7md2k2.html

Aqui o texto publicado há mais de seis anos e que já correu o mundo:

A arte de saborear e identificar um bom sagu

É preciso uma certa técnica em tudo na vida. É preciso arte, um tanto de requinte até para as coisas mais prosaicas, mais simples.

Até para comer sagu é necessário, fundamental, uma certa sutileza, apreço a detalhes que normalmente dispenso para qualquer outro tipo de alimento, salgado ou doce.

É que o sagu é a minha sobremesa preferida. Cheguei a essa conclusão depois de meio século de vida. Passei por outras preferências. Arroz de leite e pudim de leite condensado são dois exemplos. Já estiveram no topo. Hoje, é o sagu. Com creme de baunilha, claro.

O creme precisa ser… cremoso. Nem muito consistente, nem muito líquido.

O problema é que o sagu virou uma obsessão. Entro no restaurante e vou direto ver se tem sagu. Quase todos o tem. A maioria, porém, é desprezível.

Só pela cor já percebo que o sagu é ruim.

O sagu bom tem cor escura, cor de vinho tinto, forte. Aquele de garrafão. Já vi até sagu de refresco de uva. Um acinte, uma agressão.  

Depois de avaliar a cor, analiso a consistência. A parte líquida deve ser cremosa e as bolinhas firmes, mas macias, e não muito grandes. O sagu deve, obrigatoriamente, exalar um aroma de vinho tinto, com notas sutis de canela e cravo. Caso contrário, me afasto.

Um sagu bom é também sinalizador de um bufê de sobremesa de qualidade, o que é válido inclusive para o bufê de saladas e de pratos quentes.

Quem fizer o teste verá que tenho razão. Sagu bom é sinal de refeição saborosa.

Para saborear devidamente essa iguaria que passou no teste visual e de olfato, é preciso saber servir-se de modo adequado.

Eu ensino: pegue a taça, de preferência aquela de metal (normalmente meio amassadinha), coloque sagu até quase em cima. Depois, duas colheres de creme bem no meio. Eu costumo afastar aquela película mais sólida que se forma na superfície do creme. Se não der, vai assim mesmo.

Agora vem o momento especial, o ápice, é como o atacante na cara do gol. É preciso jeitinho, uma técnica apurada para degustar o manjar que está à frente, indefeso como um goleiro diante do goleador. Nesse momento eu sou o goleador, o matador.

É imperdoável misturar o sagu com o creme.

Mergulhe a colher no sagu e depois no creme, nesta ordem. Mas ambos ficam na mesma taça. O creme, valoroso coadjuvante, não pode ocupar mais do que 30% da colher. Eu costumo ficar nos 20, 25 por cento.

Bem, aí chegou a hora de avaliar o sabor. Normalmente, seguindo os passos referidos, não haverá decepção.

Se tudo der certo, é só mandar ver e ir pra galera.

DICA

O melhor sagu de Porto Alegre – pode haver igual, mas não superior – encontra-se no restaurante Romana Becker, preparado pelo meu amigo Astor, que recebe todos de braços abertos, sempre com um sorriso no rosto.

Vale a pena conferir. Endereço: Marcelo Gama esquina Américo Vespúcio. Restaurante familiar, com uns 50 anos de existência. Mais detalhes no google.

Erros do Grêmio agitam os urubulinos e lotam a kombi

Se eu fosse mais paranoico do que já sou diria que o Grêmio errou tanto nos últimos tempos apenas com um objetivo: matar a esperança do tricampeonato no Brasileirão.

Claro que minha paranoia não chega a tanto – ou estou me subestimando? -, mas o fato é que o Brasileirão para a torcida gremista só não acabou porque o fantasma do rebaixamento sempre ronda os mais distraídos.

Aquilo que o torcedor mais queria, o título do campeonato/maratona – que para muitos deveria ser prioridade na temporada – foi adiado outra vez. E pelo jeito para o dia de São Nunca.

Essa frustração, somada a atuações instáveis do time e decisões inquietantes da direção e do técnico Renato Portaluppi, como essa folga no meio do ano, entre outras, irrita o torcedor mais pacato e menos crítico.

Temos então que o mesmo grupo que alçou o clube a títulos importantes em três anos acumula equívocos inexplicáveis, inaceitáveis.

Um exemplo singelo: insistir com Michel como zagueiro, mesmo tendo um zagueiro de ofício na base. O resultado foi a perda de pontos preciosos, que hoje colocam o time numa situação constrangedora e que mais adiante podem fazer ainda mais falta.

Assim, o gremista que andava com um sorriso de orelha à orelha até pouco tempo, hoje sofre com a corneta vermelha e ainda tem de conviver com gremistas raivosos, que não vacilam um segundo para dar pau no presidente Romildo Bolzan e no técnico Renato.

Esses gremistas conseguem irritar mais que os colorados, em festa sem ter ganho título algum, nem de peteca.

Esses gremistas são os urubulinos, sempre muito presentes nas redes sociais quando o time vai mal, e mais discretos e comedidos quando a fase é de vitórias, como essas que virão em breve.

Os urubulinos, apelido carinhoso desse grupo, pequeno mas barulhento, não são muitos. Mal conseguem lotar um fusca, como aconteceu quando o time conquistou a Copa do Brasil e a Libertadores, mas hoje, com a fase ruim, lotam uma kombi, da frota do Expresso Urubulino.

PASSAGEIROS DA KOMBI

Leandro Souza (motorista), Wilson Santos, Ancião, J.Carlos, Juninho Street, Antônio R., Henrique Martins, Jairo e Tiozaum.

Pedro de Lara, se reaparecer, vai atrás, sobre o motor.

Grêmio perde e se complica mais um pouco

Mesmo sem titulares importantes como Maicon, MH, Éverton e Kannemann, o Grêmio jogou um primeiro tempo como se estivesse em sua casa, não na casa do inimigo.

O Grêmio foi superior, teve duas chances claras de gol. Era para ter ido para o vestiário pelo menos com 1 a 0.

Agora, imperdoável o gol perdido por Montoya, que tem fã-clube aqui no blog, mas que até agora não justificou o investimento nele feito.

Ah, porque ele joga pela direita. E se jogasse pelo meio (aliás, foi pelo meio que ele perdeu um gol que até o André faria), ou pela esquerda? Faria diferença? É um jogador mediano, que se encontra na segunda divisão com facilidade e por preço baixo. Nem a tal garra argentina ele mostra.

No segundo tempo, o Bahia melhorou, até porque precisava atacar mais.

O Grêmio fez o possível com as peças disponíveis, de qualidade bastante inferior a dos quatro titulares citados. E o Bahia tem um time bem armado pelo Roger.

Mas isso não aparece na tabela. Não interessa se jogou bem ou mal, se a vitória não aparece.

A situação no Brasileirão está começando a ficar crítica.