Tudo acontece no Gauchão, até torcedor proibido de usar a camisa do seu clube

Dentro de alguns anos, quando alguém escrever sobre o que levou o Gauchão à extinção, não poderá ignorar o que aconteceu nesta noite, em São Leopoldo. Foi ridículo.

Torcedores do Grêmio impedidos de entrar no estádio usando o manto sagrado tricolor. Decisão do STJD, que puniu a dupla por problemas ocorridos num clássico do ano passando, coisa que poucos lembram – eu sou um deles.

A decisão acabou ridicularizada, porque muitos ou todos os gremistas, heróis na verdade, usaram a camisa assim que passaram pelo crivo dos soldados da BM.

Com tanta violência por aí, soldados da BM fiscalizando ingresso de torcedores. Nem vamos considerar a (ir)relevância do jogo.

Se o Gauchão em andamento já é uma perda de tempo, o que dizer de um que já terminou?

Ora, custava anistiar os punidos? Pagaram um mico de graça.

O JOGO

Depois de golear o NH, domingo, esperava-se que o time reserva do Grêmio repetisse o desempenho e vencesse o esforçado Aimoré. Por 2 a 1 que fosse, mas vencesse.

O time ficou devendo. Mas o mais importante que jogadores como Matheus Henrique e Jean Pyerre confirmaram, e estão se afirmando rapidamente como duas opções de qualidade para jogos realmente importantes.

Juninho Capixaba marcou de novo, e de forma parecida com o gol contra o NH. Não sei se vale o investimento de 5 milhões de reais, mas é certo que se trata de um lateral diferenciado, com faro de gol.

Qualquer crítica mais dura ou elogio mais eloquente é precipitação. Inúmeros são os jogadores que se destacaram no regional e depois sucumbiram.

Está certo o Renato em aproveitar a competição para observar os jogadores que estão à disposição.

O Gauchão, que avança para a extinção, serve para duas coisas: testar jogadores e como provocação de final de temporada quando nenhum da Dupla conquistar algo melhor no ano.

Na discussão de bar, alguém vai lembrar: “Mas eu ganhei o Gauchão”, brindando com um latão de Polar, a ‘cerveja raiz’.

ALERTA

No post anterior alguns comentários envolvendo política, homofobia, etc. Já alertei os envolvidos.

Faço agora outro alerta: não vou tolerar baixaria aqui neste espaço. Provocação e alfinetadas na esfera do futebol, tudo bem.

Quem baixar o nível será excluído.

E assim será mesmo que só reste eu escrevendo para mim mesmo.

Goleada e algumas atuações alentadoras na estreia

A estreia do Grêmio, com um time reserva, não poderia ser melhor. A começar pelo resultado de 4 a 0, que sintetiza o que aconteceu: superioridade tricolor, que praticamente não deu espaço para jogadas de maior risco ao goleiro Paulo Vítor, agora como titular.

Não foi um bom jogo, em função do gramado irregular e também pelo fato de ser uma estreia e, claro, a qualidade de alguns jogadores.

Kaio, por exemplo, mostrou mais uma vez que é um jogador tecnicamente limitado. A insistência de Renato com esse jogador não se justifica. Renato acredita que Kaio possa fazer as funções de Ramiro. Não pode. Como marcador até vai, mas quando se trata de armar e chegar à frente ele decididamente compromete. Foi válida a tentativa. Inaceitável, agora, é insistir.

Mas esse é só um detalhe de um jogo em que o Grêmio, mesmo com um time desentrosado, acabou goleando, depois de alguma resistência do adversário.

A vitória começa pelo meio de campo, onde Matheus Henrique foi o grande destaque. O nome do jogo, na verdade, seguido de Jean Pyerre.

Importante destacar Juninho Capixaba, autor do primeiro gol, após jogada de Pepê (substituiu Alisson, que se lesionou cedo). O lateral-goleador mostrou mais uma vez que tem facilidade para jogar dentro da área ofensiva, mais do que na sua própria. Na defesa teve dificuldade com o rápido Bustamante, mas soube se sair bem.

O Grêmio começou a deslanchar mesmo com a entrada de Marinho no lugar de Kaio, que irritou Renato ao perder uma bola dentro da área, após boa jogada do time.

E Marinho não poderia ter entrado melhor. Em menos de um minuto em campo, no início do segundo tempo, recebeu passe de Thonny Anderson, de cabeça. Marinho desviou com categoria e fez 2 a 0.

Considero importante essa experiência de Renato com Thonny. Ele tem potencial para ser um camisa 9 eclético de muita qualidade. Na ausência de jogadores assim no mercado, vale apostar e dar sequência.

Aos 26, Pepê, que entrou muito bem, marcou o terceiro após assistência perfeita de Jean Pyerre.

Quase no final, Matheus Henrique foi recompensado pelo esforço e pelo talento que mostrou no jogo, ao marcar o quarto gol.

É cedo para qualquer conclusão definitiva, mas está muito claro que alguns jogadores jovens podem evoluir muito. Para isso, nada melhor que enfrentar as agruras dos jogos do Gauchão.

Destaco, ainda, o zagueiro Paulo Miranda. Já o estreante Rômulo foi discreto e eficiente. Conhece a posição.

Por fim, gostei do árbitro Vinicius Amaral.

JúNIOR

O time júnior do Grêmio, pra manter a tradição, mais uma vez foi eliminado da Copa São Paulo.

São 50 participação sem um título sequer. O principal é que revele jogadores, e isso tem ocorrido, mas é difícil entender que não tenha um título sequer nas 50 edições do torneio.

Sobre a eliminação, o Corinthians foi superior e mereceu a vitória. Para isso, contou com erros do sistema defensivo. O lance do primeiro gol parece uma anedota daquelas sem a menor graça. Mas vale a pena ver.

O time jogou desfalcado. Sentiu muito a falta de Da Silva. Com seu goleador, talvez a história fosse diferente.

PROJEÇÃO

Mesmo sem os milhões que jorram no Flamengo e no Palmeiras, o Grêmio tem estrutura, comando técnico e material humano – a gurizada que está subindo tem qualidade e muito potencial – para fazer frente aos poderosos. Dinheiro é bom, mas não é tudo no futebol.

Será Da Silva o primeiro grande 9 da base depois de Alcindo?

O Grêmio nunca conquistou a Copa São Paulo de Futebol Júnior. Esteve perto uma ou outra vez. Uma que não esqueço foi quando a Portuguesa tinha um timaço, com um Dener surgindo para o futebol como um novo Pelé, como se costumava dizer sempre que aparecia um jovem negro habilidoso e rápido. O Grêmio parou ali. Foi vice. Sua melhor participação em termos de resultado.

Pelo que vi até agora do torneio, não há Dener ou algo parecido despontando. Portanto, existe alguma chance de título pra quebrar esse jejum que até pega mal pela grandeza do clube, e pela quantidade de talentos que revelou nesses anos todos.

Seria bom esse título da Copa SP, embora eu defenda que a prioridade de times das categorias de base não seja festejar títulos, e sim revelar jogadores que possam subir, ajudar o time a vencer competições e também mostrar futebol que desperte a atenção dos poderosos.

Nesse aspecto, o Grêmio tem obtido sucesso. Tem revelado jogadores e negociado alguns deles com valores que ajudam o clube a equilibrar as finanças e a manter girando a roda do futebol.

Muito diferente do Inter, que hoje não tem nenhum jogador despontando, apesar dos esforços da mídia para ‘vender’ Rodrigo Dourado como grande jogador.

A balança do futebol gaúcho também por esse enfoque – o de revelar talentos – pende para o tricolor.

Tudo isso para chegar ao jogo desta tarde em Osasco, onde a gurizada do Grêmio bateu o forte Audax por 3 a 0, resultado justo que coloca o time nas quartas-de-final.

Mas vamos ao que realmente interessa, ao menos pra mim: qual o potencial desses guris.

Destaco o goleiro Gabriel (sem o Chapecó); o zagueiro João Guilherme, o lateral Kazu (participou do primeiro gol e fez o terceiro), o meia Guilherme Azevedo (autor do segundo gol) e, claro, Da Silva.

O centroavante é o mais promissor, pelo que vi até agora.

É candidato a ser o primeiro grande camisa 9 da base tricolor desde Alcindo, que surgiu no início dos anos 60. E lá se vão mais de 60 anos.

Todos os outros que apareceram depois foram medianos para baixo.

Não me convidaram pra essa festa de ricaços

Não me convidaram pra essa festa pobre… Não me sai da cabeça essa frase do grande Cazuza, e eu fico cantarolando por aí, nem sei bem por que. Quer dizer, sei, mas com troca do adjetivo ‘pobre’ por ‘rica’.

Sim, tem uma festa rica rolando por aí. Não, não é em Jurerê Internacional com seu desfile de Ferraris, ou em Fernando Noronha com as belas atrizes globais, ou em Miami.

A festa a que me refiro acontece no futebol, mais exatamente em Rio e São Paulo, onde dois clubes navegam em águas mornas, límpidas e transparentes. Nelas Palmeiras e Flamengo deslizam em iates deslumbrantes, sem ligar para a crise no entorno.

E o entorno é de quase miséria. Os clubes com gestões responsáveis, como a do Grêmio, sofrem como eu, nos meus tempos de piá em Lajeado, louco para entrar numa festa, mas sem dinheiro até para o sanduíche de mortadela, esse mesmo que era distribuído fartamente na recente eleição.

Sem o dinheiro que abunda no Palmeiras e no Flamengo, o Grêmio sua para repor peças e reformular o grupo, enquanto os dois novos marajás do futebol brasileiro vivem numa bolha de felicidade, com dinheiro demais e, por enquanto, títulos de menos.

A esperança que tenho é que essa bolha estoure, porque esses dois clubes, em sua festinha de novo-rico, regada a champanhe francês, se credenciam para grandes conquistas.

Contratam quem eles querem. Ou quase. Pelo menos atormentam a cabeça dos dirigentes e fazem sonhar os atletas cogitados. Todos querem participar dessa festa.

Está cada vez mais difícil resistir. A ofensiva no momento, a mais forte, é em cima de Geromel e Kannemann, citado por Abel Braga, o milionário técnico do Flamengo. E ainda tem os argentinos, como o Boca, por exemplo, louco para desmanchar a melhor dupla de área do futebol sul-americano.

No caso do Kannemann, parece que é o empresário dele que tenta alguma transação. Ora, o Grêmio remunera bem demais seus principais jogadores. Penso que Kannemann deveria dar uma paratequieto em seu empresário. A não ser que esteja participando desse jogo menor, pequeno, que destoa do que ele já mostrou. A camisa do Grêmio parece uma tatuagem de nascença no Kannemann, mas que aos poucos está esmaecendo diante do seu silêncio.

Resta à direção do Grêmio fazer com que Kannemann e Geromel cumpram seus contratos em vigor – os contratos não são para preservar também os clubes?

É o que me resta enquanto acompanho de fora, olhando pela vidraça, a festança dos milionários do futebol brasileiro.

“Fiquei na porta estacionando os carros…”

Insistência em tirar Luan e Kannemann do Grêmio

É impressionante como qualquer murmúrio sobre saída de jogadores importantes do Grêmio, como Luan e Kannemann – os dois mais visados na boataria que emerge da falta de assunto – ganha dimensão desproporcional aos elementos contidos em cada ‘notícia’.

No caso de Luan, é de se lamentar que as especulações começaram nas entranhas do clube – até prova em contrário é isso mesmo – e foram regadas e adubadas por interesses diversos, sendo que o principal seria e pelo jeito ainda é mandar pra longe – Lua ou Marte, se possível – a individualidade mais coruscante (gosto de usar esse adjetivo que descobri tempos atrás lendo meu amigo David) em atividade no futebol brasileiro.

Acho que não preciso dizer para onde devem ir aqueles que trabalharam/trabalham para afastar Luan da Arena.

Mas tem ainda o Kannemann. Vira e mexe surge a ‘informação’ de algum clube interessado no grande zagueiro.

O que me deixa tranquilo é que os supostos interessados são argentinos. Ou seja, são clubes que não têm cacife para fazer uma proposta digna, à altura do futebol do nosso zagueiro. Então, não há o menor risco de sair algum negócio.

Hoje, canais da RBS (e talvez também alguns outros) anunciam que o Independiente insiste e estaria disposto a oferecer mais do que os supostos 5 milhões de dólares já ofertados, algo que eu duvido tenha realmente acontecido. E se aconteceu foi para pagar em parcelas a perder de vista.

O futebol argentino vive crise ou igual ou pior que a nossa, com exceção de alguns clubes que gastam em jogadores como se não houvesse amanhã.

O que me irrita é que a nossa imprensa dá guarida a qualquer boato, a qualquer especulação, sem maiores questionamentos, especialmente quando envolve algum craque gremista.

Normalmente, esse tipo de notícia vem acompanhado da citação de algum site do exterior – é o caso agora do TyC Sports – para tentar dar mais credibilidade à especulação.

Vou me preocupar quando o Barcelona ou o Real Madrid vierem atrás do Kannemann. Até lá, conto com ele para mais uma temporada, pelo menos.

Principalmente quando se trata de desfalcar o Grêmio.

Contratações não empolgam, mas também não desagradam

O Grêmio está indo bem nas contratações. Perdeu dois titulares, dois campeões, Marcelo Grohe e Ramiro, mas, até prova em contrário, as reposições são boas, e podem dar certo.

O goleiro Júlio César, apesar de histórico modesto, vem de uma temporada muito boa, sendo um dos principais responsáveis pelo não rebaixamento do precário time do Fluminense.

O volante/meia Montoya aparentemente é também um bom reforço, e seria o substituto de Ramiro, segundo alguns analistas – confesso que não tenho ideia de como ele joga.

Outro que nunca vi mais gordo é esse Rômulo. Mas já li boas referências a esse jogador. Sei que jogou no Spartak e que teve sua trajetória no Flamengo prejudicada por sucessivas lesões. Joga como volante e zagueiro.

Os três são apostas daquelas que podemos considerar válidas, consistentes.

Agora, quem mais me deixa confiante é o Felipe Vizeu. Lançado pelo Muricy, que conhece muito de futebol, é jovem e promissor. E já com uma bagagem considerável apesar dos seus 21 anos.

Frase do Muricy:

— É um centroavante canhoto, que tem muita força física. É um camisa 9 que sabe jogar com a bola no pé, tem boa tabela e bom passe. Um jogador inteligente, que é muito perigoso dentro da área. Tem boa estatura e se destaca no jogo aéreo.

Sobre o Vizeu, ainda não vi ninguém da IVI (criação consolidada do cornetadoRW) lembrar que ele foi reserva do Guerrero e do Damião, dois marmanjos em final de carreira.

Bem, são quatro nomes. Pela lei das probabilidades é muito difícil que os quatro correspondam plenamente, porque em futebol mais se erra do que se acerta em termos de contratações.

Espero que todos tenham sido indicados e/ou aceitos pelo técnico Renato Portaluppi, porque confio mais nele do que nos dirigentes, com todo respeito a quem está trabalhando para repaginar o time gremista.

RENATO

Por falar em Renato, que bom que a cirurgia tenha sido um sucesso e logo ele estará de volta. Desconfio que o problema aconteceu porque Renato tem um coração grande demais. Tem esse jeito meio debochado e por vezes arrogante, que irrita até alguns gremistas que conheço, mas quem conhece o conhece um pouco mais sabe que se trata de uma boa pessoa, um ser humano generoso e amigo. O que talvez ajude a explicar seu sucesso.

NEVES

O meia acabou ficando no Cruzeiro. Foi um grande jogador. Hoje, está muito abaixo do que já jogou. Claro, seria importante, mas a um preço alto demais.

Grêmio teve mais sorte que juízo. Chegou o momento de apostar pesado no Jean Pyerre. Quem sabe não está em casa o articulador que irá juntar-se a Luan na armação e até finalização de jogadas de ataque?

Pyerre não tem a experiência do Thiago Neves, mas tem juventude, mais ambição e muita qualidade técnica.

LUAN

Precisamos continuar vigilantes. O grupo (pequeno mas insistente) dos que desejam Luan fora do Grêmio ainda não desistiram.

Nenhum deles assume publicamente, mas deixam pistas. Fiquem ligados.

Cheque em branco e a pressa em criticar

Depois de perder Ramiro, jogador fundamental no esquema do Grêmio vitorioso, eis que é confirmada a saída de Marcelo Grohe.

Bem, o time ficou menor em relação ao que terminou o ano de forma frustrante, é inegável. E isso é preocupante.

Confio no trabalho do presidente Romildo Bolzan, que, aliás, parece estar isolado no esforço de montar um time mais competitivo em relação ao que terminou o ano.

Sei que seria muito difícil segurar Grohe, goleiro de defesas fantásticas, históricas, e títulos que elevaram a auto-estima da nação tricolor. Ele recebeu uma proposta milionária, e vai se esconder no futebol árabe. Para quem já atingiu o topo, o mais indicado mesmo é ajeitar de vez o futuro, ao menos financeiramente.

Júlio César, de 32 anos, de participação decisiva para a permanência do Fluminense na série A, está acertando com o Grêmio.

Deixemos claro que o Grêmio, em princípio, perde qualidade. Como atenuante o fato de que o clube vai economizar uma boa grana em salários. Júlio César não chega a ser um goleiro dos mais caros.

É a política até agora exitosa de Romildo, sempre colocando em primeiro plano a viabilidade financeira do clube, sem, no entanto, descuidar de montar um time forte.

Por falar em política, é duro ler gente claramente identificada com a oposição – silenciosa até pouco tempo atrás – querendo tirar proveito do momento titubeante da gestão e criticando Grohe por não ter postado um texto de despedida nas redes sociais.

Apressados, esqueceram-se de que o primeiro milho é dos pintos. Na ânsia de atacar Grohe, e por tabela o presidente, disparam textos duros contra o gremista Grohe.

Foram rápidos demais no gatilho, porque não demorou muito para aparecer um texto emocionado do goleiro, publicado logo depois que ele apareceu vestindo a camisa do novo clube.

Repito, o momento é de preocupação mesmo. Mas nada que abale minha confiança no trabalho de Romildo e Renato, embora admita que não estou gostando da forma como está sendo conduzida a remontagem do grupo.

Não dou um cheque em branco para a direção, mas não vou usar espaço nas redes sociais para fazer politicagem. O que importa é o Grêmio, não as pessoas que eventualmente lá estão.