Ao ritmo da gurizada, Grêmio vence e convence

Quando, aos 27 minutos, Éverton marcou mais um dos seus golaços, eu, extasiado, olhos arregalados diante da TV, murmurei arrebatado:

-Meus Deus, e eu vivi para ver isso. Eu vivi para ver isso.

Certo que Éverton já marcou gols tão ou mais bonitos, gols que são obras de arte esculpidas com agilidade, técnica, velocidade e talento incomum.

O clima tenso, o Grêmio dominando e a imagem do jogo anterior na Arena, onde o time paraguaio jogou assim, fechado e explorando a bola longa. Temia que a história se repetisse.

O golaço de Éverton jogou todo temor para longe, o que contribui para toda a emoção que me invadiu naquele momento.

Importante destacar, por dever de justiça, a contribuição de André, que impediu a movimentação de um zagueiro e viabilizou a metida de bola de Alisson na medida para o endiabrado Éverton envolver a zaga e superar a muralha Martin Silva.

Aliás, não fosse esse goleiro, a vitória seria muito mais tranquila. Cabe registro, também, que Paulo Victor foi impecável. Foi exigido apenas duas vezes, mas dois lances de quase-gol.

Paulo Victor, desacreditado no Flamengo, incorporou Marcelo Grohe no Grêmio. Como escrevi tempos atrás, Renato é o rei Midas do futebol. PV apenas confirma essa constatação.

No segundo tempo, com os paraguaios ameaçando o empate, Renato deu a estocada mortal. Ele ia colocar Luan, mas ao perceber que Alisson estava por demais desgastado (outra bela atuação), optou por Pepê para manter a marcação no setor direito e ainda contar com uma arma para contra-ataques em velocidade.

Não seu outra, aos 38, Pepê arrancou em velocidade do setor defensivo e tocou para Éverton, deslocado pela direita. Éverton traçou uma diagonal para o centro, venceu uma dividida com Piris e ficou à vontade para fulminar o goleiro paraguaio.

Já nos acréscimos,Martin cometeu o ‘crime’ de impedir um golaço de Jean Pyerre , ao desviar a bola que ia rumo ao ângulo esquerdo. O gol seria um prêmio à atuação iluminada desse jovem craque.

Outro craque que está sendo lapidado por Renato é Matheus Henrique, um fenômeno. Um clone de Arthur. Os dois crescem a cada jogo. São ‘imexíveis’.

Por fim, mais uma referência ao Éverton, que é o melhor atacante em atividade no país. Só não digo que ele é o melhor jogador hoje no futebol brasileiro porque seria desmerecer essa dupla que já está na história do futebol gaúcho: Geromel e Kannemann.

Correndo, e crescendo, por fora: MH e JP.

Passando a régua: além da vitória de lavar a alma e matar secador, que grande atuação do Grêmio. Que grande atuação!!!

E tudo no embalo da gurizada. ‘Gurizada medonha’, como repetia um vencedor de bilhetes de loteria na rua da Praia tempos atrás.

Noite de devolver a derrota sofrida na Arena

Tudo indica que o Grêmio vai enfrentar o Libertad nesta terça, 19h15, no Defensores del Chaco, com o mesmo time que começou o Grenal de domingo, na Arena.

É o que especulam os repórteres que acompanham o clube. Em princípio, eu começaria com Michel mais centralizado e Matheus Henrique e Maicon saindo pelos lados.

Sairia André, o centroavante que faz tudo certo, menos meter a bola pra dentro.

O trio mais ofensivo, digamos assim, teria Alisson, Jean Pyerre e Éverton. Seria um ataque de movimentação, revezando funções e posicionamentos.

Agora, como eu sou um poço de contradição e considero as pessoas muito coerentes, umas chatas, como dizia um velho companheiro de redação, tenho que fechar com a escalação do Renato.

E por que? Ocorre que Michel tem entrado mal nos jogos, parece pesado e sem explosão, longe daquele Michel de dois anos atrás.

Renato poderia começar, então, com Thaciano ou com Montoya. Rômulo não porque o time perderia muito em qualidade na saída de bola, fator que tem sido marca registrada de Renato. Volante quebrador de bola dificilmente emplaca com ele.

O problema é que Thaciano não é um jogador de guardar posição. Já o Montoya ainda não mostrou que merece ser titular.

Portanto, vamos de André, na esperança de que ele justifique o que se pagou por ele, algo em torno de 10 milhões de reais. André vem evoluindo, sem dúvida, mas ainda não fez o que mais dele se espera: gols, gols em profusão de preferência.

Quem sabe não será nesta noite ao som de guarânias como Recuerdos de Ypacaraí (https://www.youtube.com/watch?v=uWFZb3AY6tI ) que veremos aquele André matador dos tempos do Santos.

Depois de perder em casa para o Libertad, cabe ao Grêmio devolver o resultado na casa do inimigo para encaminhar sua classificação sem depender de ninguém.

É o que se espera do time que tem o melhor treinador das Américas, de 2017, e que ontem, no Paraguai, recebeu o troféu referente a esse conquista.

JP

O assessor de imprensa do Grêmio, João Paulo Fontoura, meu colega no Correio do Povo, lá por 2009, encarou o Noveletto.

O presidente da FGF e agora um dos vices da CBF tentou entrar em campo na hora das cobranças de pênalti. JP tentou impedir. Dizem que Noveletto queria conversar com o árbitro do jogo. Estranho. O fato é que para efeitos legais o jogo não havia terminado. É o que argumentou o JP. Os dois teriam batido boca. Noveletto jura que foi ofendido com palavrões.

Pode ser que sim, pode ser que não, mas JP me representa. Aliás, representa grande parte da torcida gremista.

Tem gente pedindo a cabeça do destemido assessor de imprensa. Espero que o Grêmio não ceda à pressão, porque antes de grande gremista, JP é um ótimo profissional.

Grêmio conquista o bicampeonato e vê nascer um novo ídolo

Ao defender três pênaltis em cinco cobrados, Paulo Victor saiu de campo como o maior responsável pelo título de bicampeão gaúcho. Quem foi à Arena, ou assistiu pela TV, viu o nascimento de um novo ídolo.

Nos dois grenais, PV fez defesas importantes, algumas com alto índice de dificuldade, lembrando seu antecessor, Marcelo Grohe. Nem o mais otimista dos gremistas acreditava que Grohe teria um substituto do seu tamanho em tão pouco tempo.

A conquista desse título passa por Paulo Victor, que afastou qualquer desconfiança que ainda poderia restar – os torcedores exigem muito dos goleiros – ao defender três cobranças e transferir a responsabilidade para os cobradores.

Em especial para o último a bater. E quem o técnico Renato indicou? André. Renato desafiou os astros e a santa que traz em sua medalhinha. Logo André, que havia desperdiçado o pênalti sofrido por Bruno Cortez (Cortez, vejam só) cobrando muito mal, facilitando para Lomba.

Nem quero imaginar o que aconteceria com André se ele perdesse. Mas o atacante teve sangue-frio. Sobraria também para Renato, que teve mais sorte que juízo. Mas ele confiou em seu centroavante, que deu a resposta que todos esperavam.

Na minha opinião, Renato já havia errado antes ao não sacar André para a entrada de Luan. Ele optou por Jean Pyerre, que poderia fazer uma boa parceria com Luan.

A substituição de Maicon por Michel foi correta. Mas repetiu-se o que aconteceu domingo: o Grêmio parece que ficou sem referência, confuso e com dificuldade para tocar a bola, chegando a sofrer um pequeno sufoco do rival. Maicon, enquanto em condições físicas, é insubstituível nesse time armado por Renato, que privilegia o controle da bola.

Não gosto de fazer cotação, mas vou abrir uma exceção:

Paulo Victor – 10

Leonardo- 8

Geromel – 9

Kennemann – 9

Bruno Cortez – 8

Maicon – 8

Matheus Henrique – 8

Jean Pyerre – 7

Alisson – 7

André – 6 (perde um ponto por ter errado o pênalti)

Éverton – 8

Os que entraram no decorrer do jogo ficam sem nota. Nenhum deles acrescentou grande coisa.

Arbitragem

Muito boa atuação do Jean Pierre. Foi como trabalhar sobre um barril de pólvora, ou um campo com minas. Muita tensão em campo.

Agiu certo ao expulsar o técnico Odair e o marqueteiro argentino, que conseguiu levar o vermelho sem jogar.

Acertou também ao seguir o VAR e marcar o pênalti sobre Cortês. Vale o mesmo no lance do gol anulado de André, que pegou uma bola em que Marcelo Lomba bateu roupa e mandou para a rede.

Conclusão

Eu esperava um título conquistado sem tanta dificuldade, diante da superioridade técnica do Grêmio. Mas é preciso considerar que o Inter tem alguns bons jogadores. Destaco nesse jogo o Lomba, a dupla de área, o Dourado, Nico Lopez e Edenilson. O festejado Guerrero pagou parte dos seus pecados com a dupla de zaga gremista, a melhor do país.

Festa

A festa no final foi bonita. Titulares e reservas com os olhos brilhando de felicidade, muitos abraços e risos, mostrando que o ambiente gremista é dos mais saudáveis, o que ajuda a explicar o sucesso do time nesses três anos.

A onda midiática para favorecer o Inter e a volta de Luan

É avassaladora a onda midiática para tornar o Inter credor da arbitragem. Nos programas esportivos de rádio, apresentadores, produtores, repórteres e ouvintes colorados (entre eles conselheiros e ex-dirigentes) não cansam de levantar esta ou aquela decisão do árbitro Leandro Vuaden (de boa atuação no clássico) que teria beneficiado o Grêmio.

As decisões que favoreceram o Inter, é óbvio, são desprezadas e/ou ridicularizadas. Afinal, a campanha não é pela justiça, é para ajudar o Inter no confronto desta quarta-feira, 21h30, na Arena, a Casa do Grêmio.

A tentativa de condicionamento é escancarada, tendo início domingo nas entrevistas coletivas e permanecendo até agora. Sem dúvida vai continuar até que Jean ‘Damião’ Pierre assopre o apito. Espero que ele não se deixe iludir e se mantenha neutro, o mesmo vale para os integrantes do VAR.

Não será fácil resistir a esse tsunami de informações distorcidas e opiniões tendenciosas a favor do Inter, que hoje posa de vítima, quando se sabe que a arbitragem foi correta, com equívocos para os dois lados.

Espero ainda que JP não cometa o erro de Vuaden, que aos 15 segundos deveria ter dado amarelo para Rithieli, por uma entrada absurda na linha de meio campo, junto à lateral. Valeu a velha máxima que alguns treinadores aplicam: pode bater nos minutos iniciais que não dá nada.

Outra campanha em andamento é a tentativa de equiparar o técnico Renato ao D’Alessandro (está num site conhecido da praça) no sentido de que ambos querem ‘apitar’ o jogo. Ora, D’Alessandro, mais calminho desde que Maicon deu a real pra ele tempos atrás, apitava dentro de campo, competindo com o juiz de preto.

Já Renato só saiu do sério no lance em que MH foi ‘tratorado’ pelo Bressan argentino, sem sequer ser advertido. Foi na frente de Renato, e aí não teve como ficar impassível. Tem gente que queria a expulsão de Renato. Sobre a entrada de Cuesta, nenhum pio.

LUAN

Sobre o jogo final. Se tudo ocorrer normalmente, sem incidentes que possam interferir no resultado, ganha o Grêmio.

Acredito que Renato irá manter o time que empatou no BR. E faz bem. No jogo anterior eu queria Michel, saindo André. Agora, em casa, tem mais é que ir para cima e atacar, buscando o gol.

Luan, que voltou a treinar, estará no banco de reservas. Se as coisas não andarem bem, ele entra para resolver.

Sim, Luan é o cara para resolver qualquer encrenca, desde que esteja em plena forma física. É craque.

Grêmio confirma superioridade técnica e agora decide em sua casa

Mesmo jogando em sua casa, com apoio de sua torcida, o Inter jogou por um golzinho de cabeça, bola longa ou algum lance individual. A postura colorada foi um reconhecimento a melhor qualidade técnica do Grêmio.

Se foi assim no Beira-Rio, imagino como não será na quarta-feira, na Arena lotada de gremistas. Um retrancão daqueles.

O que preocupa é que apesar de sua superioridade, envolvendo o adversário enquanto MAICON esteve em campo – o time caiu quando o capitão teve de sair por desgaste físico, como vem ocorrendo, e não fosse PAULO VICTOR poderia até ter perdido um jogo em que foi soberano tecnicamente.

PV teve uma atuação de provocar inveja no ídolo Marcelo Grohe. As dúvidas que eu tinha a respeito desse goleiro foram desfeitas. Ele fez pelo menos duas defesas excepcionais. Sei, muita gente ainda olha para ele com desconfiança. Natural, goleiro custam a conquistar os torcedores. Grohe, acredite, não deixou saudade para uns e outros.

Resumindo o jogo: o Inter com seu futebol pragmático esteve mais perto da vitória. Seu goleiro foi pouco exigido, diferente de PV.

Renato terá de armar um esquema para evitar que isso se repita. É legal armar um time ofensivo, mesmo fora de casa, com apenas dois volantes realmente de marcação, mas isso tem um preço. Eu diria que Renato teve mais sorte que juízo.

No finalzinho, ele ainda colocou Pepê no lugar de André, quando poderia ter colocado Thaciano, que marca mais e ainda ataca. Era o momento em que o Inter pressionava. O empate em casa não lhe servia.

O Grêmio dominando, atacando, e daqui a pouco uma bola alta na área e gol de Guerrero. É assim que os times tática e tecnicamente inferiores conseguem vencer os mais fortes. Portanto, é preciso ter alguns resguardos a mais.

Jogando na Arena é diferente. Aí já concordo com a escalação digamos mais ofensiva, como a deste domingo.

Só espero que André, de boa participação, mas de novo sem uma conclusão a gol, saiba aproveitar as raras chances que um clássico proporciona.

Tem um lance emblemático no começo do jogo. Bruno Cortez foi ao fundo e cruzou rasante e forte, a bola cruzou a pequena área e não apareceu o pé providencial de um matador, no caso, o sr André.

Cortez é um caso à parte. Muito criticado por mais uma vez errar cruzamentos – esse citado aí ele acertou, na minha opinião. Renato chamou a atenção dele na parada dos 20 minutos. Não adiantou, ele realmente cruza com deficiência.

Agora, nem tudo é branco ou preto, pode ser cinza. Na jogada do Patrick, aquela rente à linha de fundo, a bola foi tocada para a área, onde aparecia Guerrero para concluir. Não fosse a presença de Cortez na jogada, na risca da pequena área, seria gol, porque o peruano não conseguiu chutar com tranquilidade.

Alguém já disse que se Cortêz ainda fosse bom de cruzamentos estaria na Europa. Ele precisa treinar forte esse fundamento, porque o Grêmio nesse esquema precisa muito do apoio qualificado dos laterais.

No mais, a dupla de área foi impecável. Guerrero passou em branco, para frustração da mídia vermelha, que trata esse jogador como um semideus.

Leonardo foi discreto, mas eficiente. No meio, Maicon e, principalmente, Matheus Henrique, jogaram muito. Pena que Maicon não tenha mais vigor para suportar 90 minutos.

Outro destaque do jogo, Jean Pyerre sentiu no começo, mas logo ficou à vontade para exibir sua categoria.

Fico imaginando JP e MH jogando com Luan na do André. Renato disse que Luan ficaria fora por ‘dois ou três jogos”. Bem, o Gre-Nal será o quarto jogo. Quem sabe? No mínimo, Luan no banco para dar um pavor do rival.

Na frente, gostei do Alisson. Não foi brilhante, mas teve boa participação na frente e também no combate, na marcação. Tem ainda o Éverton, que infernizou a vida do Zeca e de todos os que tentaram tirar a bola dele. Faltou melhor acabamento em duas ou três jogadas.

Mas está claro que o título do Gauchão passa pelo talento de Éverton. O atacante mais perigoso do futebol brasileiro hoje.

Arbitragem:

se Vuaden estivesse mal intencionado, poderia ter aproveitado alguns lances para beneficiar o Inter. Como no lance do VAR, que Vuaden assistiu e manteve, acertadamente, a decisão de amarelar André, quando um pessoalzinho aí queria a expulsão.

Só acho que Vuaden deveria ter aplicado o amarelo numa entrada violenta por trás em Alisson, um lance que provocou forte reação do Renato e gerou algum tumulto, bem controlado pelo juiz. Eu temia a arbitragem. Devo admitir que ele foi bem no atacado, errando aqui e ali, para os dois lados.

Quarta-feira é a vez de Jean Pierre. Vamos ver.

Gre-Nal se ganha congestionando o meio de campo

O adversário tem um time forte e competitivo. Admitir e reconhecer isso é o primeiro passo para vencer o Gre-Nal.

Tem ainda o fator local – aliás, acho que deveria haver torcida única para evitar confusão e, principalmente, para preservar os valentes gremistas que desafiam os astros ao correr o risco de ir ao Beira-Rio e ficar sujeito a pedradas e pauladas.

Ou, pior, ser vítima de atropelamento, tão assustadoramente comuns em dias de grandes jogos no estádio que invadiu a via pública sem qualquer reação do MP e outros órgãos.

Bem, além do rival que se qualificou e ganhou moral e confiança – fator anímico que muitas vezes decide jogos -, há, ainda, o Fator Arbitragem.

Dito isto, tudo está dito. Não carece de maiores explicações. Até alienígenas e espectadores do BBB sabem do que estamos falando.

Mas vamos para o jogo sempre na esperança de encontrar uma arbitragem que interfira o mínimo possível dentro de campo. Sim, tem os árbitros de vídeos. E daí?

Como diz o cornetadorw, lembrando o ‘professor’, vamos avançar.

Sei que serei chamado de texano, mas não posso evitar, é mais forte do que eu, velho combatente dos anos 70, de onde saí lacerado no corpo e na alma, mas feliz por ter sobrevivido ao massacre vermelho de dentro e de fora de campo.

Diante das circunstâncias, meu lado texano se manifesta neste momento em que o Grêmio se recompõe, se reconstrói e, diante disso, precisa ser pragmático. Ou seja, jogar mais robusto e encorpado no meio de campo.

Nada de deixar esses latifúndios verificados em jogos recentes.

Desde os tempos de Cláudio Duarte e seu ‘pega-ratão’, que eu não tenho dúvida de que Gre-Nal se ganha no meio de campo.

Por isso, rejeito veementemente a ideia que alguns defendem de repetir o time que bateu o Rosario e seu time misto no meio da semana.

Não, Michel é fundamental. Mas não no lugar do Maicon, como defendem alguns gremistas que ficaram impressionados com o time faceiro que deu certo contra os argentinos, mas que, decididamente, não pode ser repetido contra os vermelhos.

Meu meio de campo teria Michel, Maicon, MH e JP. Sei que muitos também defendem essa formação. São sábios.

Na frente, Éverton, claro, e Diego Tardelli. Não consigo imaginar André começando o jogo. Não quero imaginar. De que serve um centroavante que não faz gols, que tem menos gol que o lateral-direito, jogador que até poucos meses atrás era desprezado pelos torcedores, inclusive por mim.

Ah, mas André participa, abre espaço, preocupa os zagueiros e sei lá mais o quê. Tudo bem, é importante, mas insuficiente na minha opinião.

Centroavante bom é o que faz gol. E temos um aí nos arredores, como vimos nos últimos dias.

Jogo de alto risco. Mas penso que o Grêmio pode vencer, no mínimo empatar, com essa escalação.

Ah, ficaria mais tranquilo com Luan pelo menos como opção no caso de uma emergência. Ele no banco causa preocupação aos colorados.

Não tá morto quem peleia

A máxima gaudéria resume a situação do Grêmio. Antes do jogo contra o Rosário, as chances de classificação na Libertadores eram pequenas, missão quase impossível.

Depois, com a vitória por 3 a 1 (tomou um gol inaceitável no final) e a derrota do Universidad, conquistar a vaga continua difícil, mas nada que um clube tricampeão da América, com um time de alto nível, não possa atingir.

Agora, o time faceiro que Renato armou para vencer o clube argentino na Arena, com apoio da torcida, e com a necessidade de vencer a qualquer custo, não pode ser repetido contra o Libertad, no Paraguai.

Renato terá de encorpar mais seu meio de campo. Maicon (de atuação espetacular para calar por alguns minutos, não mais que isso, seus críticos neófitos) e Matheus Henrique (este ninguém mais tira do time), vão precisar de alguém que marque mais, combata e não apenas cerque o adversário.

Bem, o primeiro passo foi dado.

Destaque para Éverton, que jogou como se tivesse dois ou três empresários/dirigentes europeus na Arena. Estava endiabrado, mas diminuiu o ritmo no segundo tempo, até para ajudar na marcação.

Outro que não sai mais é Jean Pyerre. Assumiu com personalidade a função do craque do time, Luan, e deixou Renato com um problema para quando o titular voltar. JP combateu, armou e criou jogadas ofensivas. De quebra, fez o primeiro gol, aparando cruzamento de Éverton.

Não há como ignorar a bela atuação de Leonardo. Marcou um gol em cruzamento de JP e outro, o terceiro, com um chutaço rasante, indefensável. Não conheço caso recente de tamanha evolução de um jogador.

De um modo geral, todos foram bem. André voltou a ser participativo, jogando para o time, mas ele não pode esquecer que centroavante não vive sem gols.

A dupla de área tricolor sentiu a pressão no final, quando a marcação gremista ficou mais vulnerável no meio. Thaciano substituiu Maicon (dor nos joelhos de novo) e nada acrescentou, uma decepção ao menos para mim.

Rômulo, que entrou no lugar de JP, apesar de ser jogador de marcação, pareceu meio perdido em campo. Alisson no lugar de Tardelli também não mostrou muita coisa. O titular está evoluindo, mas ainda abaixo do que dele se espera.

Destaque ainda para o goleiro Paulo Victor, com pelo menos uma grande defesa, além de intervenções seguras.

Quem ficou devendo mais uma vez é Bruno Cortez. Há de chegar o dia em que veremos um cruzamento dele resultar em gol ou ao menos grande defesa do goleiro. Fora isso, ele foi esforçado, combativo. E, o principal, não tem substituto.

Agora, pausa na Libertadores. Domingo tem Gre-Nal.

O Inter, que virou uma ‘máquina de time’ com a chegada de Guerrero, é o favorito. Ou não?

Ah, arbitragem de Leandro Vuaden.

‘Los invictos’ e o inimigo comum

Entrevistei Cesar Menotti em 1979, no torneio de verão de Mar del Plata, logo após o River Plate empatar com o Inter por 3 a 3, com um gol antológico de Alonso (meia da seleção argentina, que recém havia conquistado o Mundial). Ele entrou a drible na área, iniciando com dois chapéus, e concluiu. É como me lembro, talvez com algum exagero – culpa do tempo e da minha memória.

Foi entrevista de página inteira do antigo Correio do Povo. Texto reproduzido pela Folha da Tarde e Folha da Manhã – eu acompanhava o Inter pelos três jornais numa excursão pela Argentina.

Recém formado, mal havia ingressado na empresa – comecei lá em outubro de 1978. Cabeludo, barba desgrenhada, magro (‘pele e osso simplesmente, quase sem recheio’). Enfim, cara de tupamaro. Acho que foi por isso que Menotti me olhou meio estranho quando apertei sua mão e me apresentei num portunhol razoável – resultado de minha velha paixão pelo tango.

Tudo isso só pra dizer que é de Menotti uma das frases mais verdadeiras do futebol mundial

-Aí vem os invictos -, disse, referindo-se aos jornalistas que se aproximavam para uma entrevista coletiva, provavelmente após um resultado negativo do seu time.

Os jornalistas nunca perdem. Ajeitam, moldam e adaptam suas opiniões conforme o resultado.

A afirmação do técnico argentino, hoje com 80 anos, pode servir também para os torcedores.

Aqui mesmo neste espaço a gente vê torcedores pedindo este ou aquele jogador. Se o técnico não o escala, é porque tem algo estranho e suspeito por trás, ou porque precisa privilegiar seus ‘bruxos’, geralmente veteranos.

Se ele escala o jogador, e a resposta é insuficiente, o torcedor faz o mesmo que os cronistas remunerados – os torcedores são os cronistas amadores, que opinam e dão pitaco de graça.

Ah, suspira o torcedor quando sua aposta não deu certo, ele foi mal escalado, jogou fora de sua posição. Enfim, há uma infinidade de desculpas.

Se a escalação dá certo, o torcedor estufa o peito. ‘Eu não disse?’.

Quero dizer que não há nada de errado nisso. Eu mesmo faço isso às vezes, e já fui mais cri-cri. Com o tempo, fui maneirando, e admitindo, com alguma resistência, que talvez, e só talvez, o profissional pago – e muito bem pago – para ajeitar meu time conheça tanto quanto eu. Vá lá, um pouco mais do que eu (caso do Renato agora, rsrs).

O problema é que tem gente não atingiu ainda esse nível de sabedoria futebolística, e fica aí corneteando de tudo que é jeito, até quando o time acumula vitórias e títulos.

Confesso que me irrito de vez em quando. Os urubulinos são poucos, mas ativos como militantes petistas. Não que os chapistas não o sejam, mas me parecem, com alguma exceção, mais tranquilos e sempre se mostram mais otimistas, reconhecendo o bom trabalho que está sendo feito.

Coisa que a turma da kombi reluta, talvez porque saiba que a qualquer momento tudo pode desandar, o que é muito natural, e o time fracasse dentro de campo.

E aí, finalmente, depois de três anos, eles estarão certos e irão encher a boca, ‘cheios de razão’, indignados com Renato, Romildo e cia: ‘Eu não disse?’.

LIBERTADORES

O Grêmio tem um grande desafio: somar 9 pontos nos três jogos que lhe restam na Libertadores. Creio que o time vence o Rosario, que estará bastante desfalcado, segundo a imprensa argentina.

Será o primeiro passo. Quem fora à Arena, por favor, apoie o time, e sequer murmure caso alguma lance não dê certo.

É a melhor maneira de ajudar o time neste momento difícil.

Hora de chapistas e urubulinos abraçarem essa causa. Até porque, o inimigo vem aí a mil – são três anos de tortura e muito sofrimento represado.

Esse é o nosso inimigo comum.

Renato encaminha o time com MH e JP

Renato começou a definir o time para o jogo contra o Rosário. E o time, pelo que vi, terá a dupla Matheus Henrique e Jean Pyerre, com Maicon de volante. Se o capitão não puder jogar entra Michel.

Portanto, a meu ver, o coração do time para o confronto decisivo de quarta-feira está escalado. Admito que há um pouco de desejo meu. Renato, com isso, atende a torcida. Se der errado, erramos todos. Ou não?

Pelo mostra diante do São Luiz, que mostrou ser um time ajustado, com ideia moderna de futebol, nada de chutões e cruzamentos lotéricos, como defendem alguns na aldeia, MH e JP devem jogar, nada mais justifica que fiquem no banco.

Entre Michel e Maicon, sou muito mais o segundo. Maicon foi bem, meteu algumas bolas preciosas, e não se arrastou em campo, como dizem seus críticos, que parecem saudosos de volantes brucutus.

O problema é que ele parece ter sentido alguma lesão. Aí, entra Michel, liberando mais MH para articular. O time perde em qualidade na saída de bola. Olha, acho que o Renato vai aproveitar e preservar Maicon para o Gre-Nal de domingo, no BR.

Agora, antes que os amargos e sábios de plantão puxem minha orelha, é preciso enfatizar que o São Luiz não serve como balizador de nada.

Não fiquei entusiasmado com a atuação do time, mas gostei de algumas coisas.

Por exemplo, André, que tem feito boas atuações, a deste domingo então foi excelente. Foi dele o cabeceio para Alisson fazer 1 a 0, cruzamento perfeito do MH. Depois, ao receber passe do JP, desvencilhou-se com técnica e agilidade de um zagueiro e mandou no canto, fazendo 2 a 0.

Está credenciado para começar contra o Rosário, até porque está se revelando um aipim que se movimenta com inteligência e não é fominha, é participativo.

No segundo tempo, Éverton fez o terceiro, depois de receber bola enfiada por JP, livrando-se com categoria do marcador. Este é o Éverton que o torcedor quer ver.

O São Luiz chegou a merecer um gol. E ele só não saiu porque Paulo Victor fez uma defesa de reflexo e agilidade, digna de Marcelo Grohe. Mas não adianta, sempre vai aparecer um gênio para dizer que ele ‘chama gol’.

Gostei também da volta de Léo Moura. Enfim, lucidez e qualidade na lateral-direita. Pena que não dure muito.

No lado esquerdo, Capixaba mostra a cada jogo que ‘enganou’. Marcou mal e atacou sem competência. O adversário teve suas melhores chances ofensivas em cima dele. Tem sido uma constante. Lembrando que o titular também anda insuficiente. O pior é que Renato não toma providências para resguardar melhor esse setor – foi assim também contra o Universidad.

Neste aspecto, saudade de Pedro Rocha, que ajudava o lateral e ainda aparecia com força na frente.

Resta uma posição para o time ficar completo: o jogador pelo lado direito. Quem será o Ramiro (saudade do Ramiro dos melhores dias)? Tudo indica que será Alisson – como escrevi lá em cima, Renato aproveitou o jogo para definir o time.

Alisson não estava bem, mas fez o gol, e aí, para alguns, tudo muda. Como o jogo é em casa, até concordo com Alisson fazendo as jogadas pela direita, mas ajudando na marcação. Por mim, entraria o Thaciano, mas o Renato conhece melhor os jogadores e sabe quem está psicologicamente pronto para um jogo tão importante. Insisto, aqui de fora, eu escalaria Thaciano.

O ocaso de um sistema que encantou o país

Volto a usar o título acima, publicado anteriormente no dia 13 de março, logo após o fatídico jogo contra o Libertad.

Eu estava na Arena e senti que o Grêmio aquele das grandes atuações e conquistas já não existe.

Mais do que irritado com a derrota, fiquei triste por estar testemunhando o fim de um ciclo virtuoso. Então, desabafei minha angústia. Muitos aqui neste espaço democrático disseram que eu estava exagerando. Agora imagino que pensem diferente.

Essa sensação se repetiu contra o Universidad. O Grêmio ficou comum. Pode classificar-se na Libertadores? Pode, claro, mas é quase impossível.

Se o time tivesse perdido os jogos contra paraguaios e chilenos jogando um futebol convincente, pressionando o adversário, criando situações de gol, eu não estaria tão desanimado e cético.

Mas o Grêmio perdeu ao natural, ou ao menos sem mostrar um futebol digno de um campeão da América.

Confiram parte do texto com essa constatação tristemente pioneira do titular do blog, ou seja, eu, que não perco essa mania que tenho desde os tempos de Correio do Povo de antecipar aquilo que todos em seguida vão verificar e comentar.

O OCASO DE UM SISTEMA QUE ENCANTOU O PAÍS

Saí da Arena, terça à noite, muito irritado com a derrota
diante do Libertad. A irritação deu lugar à tristeza, à melancolia. Não sei se
o Grêmio será campeão da Libertadores – começo a duvidar muito -, mas de uma
coisa tenho certeza: o futebol que encantou o país, e conquistou até a simpatia
de rivais, está moribundo.

Não vi nesse jogo contra os paraguaios nenhum resquício, por
exemplo, daquele Grêmio que conquistou a Copa do Brasil de 2016 sob o comando
de Renato Portaluppi, e depois conquistou a América jogando bola. Sim, esse
Grêmio jogava bola, os outros jogavam só futebol.

Sinto saudade desse time. Um time que tocava a bola, cansava,
irritava os adversários, minava o moral dos jogadores. Por vezes, cansava até a
mim, que cobrava lançamentos longos e cruzamentos da linha de futebol, em vez
de ficar tramando a bola, costurando uma teia de aranha para golpear e engolir
o rival.

Mais títulos só não vieram por essas coisas do futebol.
Negociações de jogadores (Arthur) para manter girando a roda financeira do
clube e decisões dos cartolas e de arbitragens suspeitas, além de um ou outro
equívoco na formação do grupo.

É duro perder em função dessas coisas, mas faz parte.

O que dói mesmo é ter essa sensação que me aflige depois que vi o jogo
contra o Rosario e, principalmente, esse contra o Libertad.