O amargor da mídia diante das brincadeiras dos gremistas

A crônica esportiva gaúcha anda muito amarga nos últimos tempos, de uns dois anos para cá para ser um pouco mais preciso.

Foi só o Grêmio começar a ganhar que o pânico se instalou.

Aquela alegria esfuziante que se observava nos tempos das vacas gordas ficou pra trás, transformou-se em amargura, inveja e ranço diante do sucesso do grande rival.

Um sucesso mais festejado e exaltado fora do Estado do que aqui na aldeia, um reconhecimento raramente visto, porque a mídia do centro do país normalmente não enxerga além do seu umbigo.

As redes sociais, na verdade, estão mudando isso. A fiscalização dos torcedores é forte e constante. Seria tipo um quinto poder, subindo para o quarto.

Pois as redes sociais são implacáveis. Sobre pra todo mundo, é metralhadora giratória. E fica tudo registrado.

As provocações do Inter, inclusive institucionais, ao Grêmio, estão ali, firmes como um busto em bronze. Eternas.

Como esquecer que o Inter chegou a lançar uma camisa, uma réplica da usada pelo Ajax na decisão do Mundial de 1995, contra o Grêmio?

Quer algo mais institucional que essa ação concreta, clara, que gremista algum esquece?

Ah, o que faz a memória seletiva dos colorados da imprensa e dos gremistas envergonhados ou abduzidos.

Não podemos desprezar o texto cometido pelo ex-presidente Fernando Carvalho há uns quatro anos, em que ele comparava a rivalidade Grenal à rivalidade Barcelona/Espanyol. O Inter, evidente, seria o Barcelona, e o Grêmio ao inexpressivo Espanyol, ambos da mesma cidade.

São muitos os exemplos de brincadeiras institucionalizadas de uma maneira ou de outra pelos dois clubes, sem que alguém tenha saído ferido. A não ser por dentro…

Hoje, usando a infeliz e provocativa provocação (coisa de quem estava por cima), podemos dizer que a gangorra inverteu. Aqui se faz, aqui se paga.

A propósito, por onde anda Fernando Carvalho, antes tão ativo nas redes sociais e microfones de rádio?

Enfim, tudo isso pra dizer que essa indignação colorada diante das brincadeiras dos gremistas (no site do Grêmio ou não, isso é o de menos), em especial a do minuto de silêncio, não passa de uma bruta inveja somada a uma dor profunda.

Que, pelo jeito, vai durar e crescer muito ainda.

Grêmio ganha o Gauchão e garante o melhor técnico do país

O Grêmio começou a vencer o jogo no Bento Freitas quando Renato desviou  o foco da decisão para a proposta milionária do Flamengo.

Depois disso, quase não se falou no jogo final do Gauchão 2018. O assunto na mídia, nos bares, nas filas de banco, nas praças era, além da prisão de Lula, a decisão de Renato.

Tem gente na imprensa que apostou todas as fichas na saída de Renato. Houve até uma brincadeira nas redes sociais de que a oferta flamenguista era de 2 milhões por mês de salário para o técnico tricolor. A metade seria paga pelo Inter, que assim se livraria de Renato, hoje o maior pesadelo dos colorados.

Não são poucos os que gostariam de ver Renato multicampeão longe da Arena, aceitando-o apenas na forma de estátua.

Então, quem acreditou em mim, estava tranquilo, não se deixou influenciar pelas tais informações de cocheira de que Renato já teria tudo certo para ir embora, que teria desistido de alugar uma casa, etc.

E quem viu Renato comemorando no Bento Freitas feliz como uma criança, ou como um técnico que conquistava seu primeiro título, já podia adivinhar que a decisão estava tomada. Até porque assumir um clube tumultuado como o Flamengo, com um elenco que não foi por ele escolhido, era mesmo arriscado demais para um treinador que se consolida como o número 1 do Brasil e está em plena ascensão.

Renato não poderia recuar ao tempo em que era bombeiro, chamado apenas para apagar incêndio. Então, óbvio que ele ficaria.

Para alegria dos gremistas (entre os quais, imagino, até aqueles que o chamavam de Joel Santana) e decepção dos colorados, Renato segue no Grêmio, e projeta agora a conquista do Campeonato Brasileiro, que é o que lhe falta.

Se conquistar o Brasileirão, Renato estará repetindo Felipão, que entre 1994 e 1996, conquistou os mesmos títulos.

A Copa do Brasil fica agora em segundo plano, mas ambicionada pelo volume da premiação.

O JOGO

Começo pelo fim. Que festa fizeram os jogadores do Grêmio. Parecia que haviam conquistado uma Copa do Mundo.

O Brasil entrou para jogar uma Copa do Mundo; o Grêmio, depois dos 4 a 0, jogou ao natural, marcando forte e atacando sem pressa, como sempre, ao ritmo de Maicon e Arthur.

Foram inúmeras chances de gol no primeiro tempo, mas a pontaria estava descalibrada. O Brasil criou duas ou três situações de perigo. Seus jogadores pareciam mais determinados a bater, com algumas entradas maldosas por trás. Luan, Arthur e Éverton eram os principais alvos.

No segundo tempo, logo na largada, o capitão do time, Leandro Leite, foi expulso. Havia levado um amarelo por uma entrada desleal em Luan, e recebeu o segundo ao puxar Jael por trás. Vuaden, que teve uma atuação surpreendentemente boa, acertou.

Espero que os analistas que acusaram de Daronco de estragar a festa no primeiro confronto mantenham a mesma posição agora. Mas uma goleada por 7 a 0, no acumulado, dilui qualquer secação.

No segundo tempo, depois de um domínio sólido, aproveitando a vantagem de um jogador a menos, o Grêmio administrou o jogo, sem forçar muito a busca do gol. Aos 36, depois de sua tradicional troca de passes para envolver o adversário, o Grêmio fez 1 a 0. Cícero, que recém havia entrado, desviou para a rede, após um chute cruzado de Thony Anderson.

Quatro minutos depois, Alisson, que havia substituído Ramiro, fez bela jogada pela esquerda e chutou colocado no ângulo, um golaço. Alisson se encaminha para assumir um lugar no time titular.

O terceiro gol foi de Léo Moura, o vovô da lateral-direita. Desta vez ele aguentou bem os 90 minutos, tanto que apareceu na área aos 44 para receber um lançamento magnífico de Maicon, dominar e desviar com categoria do goleiro.

Não poderia ser melhor o desfecho de uma competição colocada em segundo plano, mas que foi se tornando questão de vida ou morte em função de algumas provocações.

A frase de Renato sobre Jael, dias atrás, cabe também para a participação do Grêmio no Gauchão. O Grêmio estava quieto, desinteressado. Foi provocado. E deu nisso, o ambiente regional acabou ‘criando um monstro’,

Grêmio manda também na aldeia, e isso é muito bom.

 

Éverton, Maicon e a proposta ao Renato

Atenção, se você não tem pleno controle de suas emoções e costuma jogar ovos ou dar tiro quando irritado ou contrariado, por favor interrompa a leitura aqui.

Se o seu caso é ter rompantes incontroláveis de riso a ponto de sofrer dor de barriga ou sentir falta de ar, minha sugestão é de que também pare por aqui.

Bem, estão avisados. Antes de continuar, informo que ainda não estou senil – pelo menos é o que imagino – e até prova em contrário ainda tenho controle das minhas faculdades mentais.

Tudo isso para declarar duas coisas:

  • Éverton merece estar na Seleção, merece disputar a Copa do Mundo;
  • Maicon, hoje, é mais importante ao time do Grêmio que o Arthur.

Pronto!

Eu avisei, não me venham com churumelas, ou, mais modernamente falando, com mimimi.

Faz alguns dias que cheguei à essas conclusões, ousadas, admito, mas que ratifiquei no jogo contra os venezuelanos.

Começo pela mais polêmica e que deve estar provocando frouxos de riso em alguns, o que é aceitável. Não me ofendo.

Já aprendi que as pessoas de um modo geral demoram um pouco para perceber aquilo que eu constato, mas acabam chegando lá.

Éverton é o tipo de jogador capaz de quebrar a monotonia de um jogo, de romper retrancas, de iluminar o caminho do gol com um drible.

Não, ele nunca será um craque como uns poucos que andam por aí (no Grêmio por enquanto o único craque é Luan, mas Arthur tem tudo para atingir esse patamar).

Mas Éverton tem características raras. O que mais se vê hoje é atacante que toda a bola pro lado, pra trás, que não quer se comprometer com o drible, alguns até com medo de porrada, outros por acomodação ou ainda por orientação do técnico.

Éverton é o que Felipão costuma chamar de jogador atrevido. Um moleque com a bola nos pés, e que aparece do nada para receber o passe na cara do goleiro.

Eu, se fosse Tite, pensaria na possibilidade de convocar Éverton, o quinto gremista em condições de vestir a amarelinha no Mundial.

É claro que ele não vai convocar os cinco, até porque seria, de certa forma, enaltecer o trabalho de seu colega e rival Renato Portaluppi.

E eu sei, também, que os técnicos são conservadores. O novo os assusta.

Lembro de Renato no Grêmio, barrado pelo mestre Ênio Andrade, mesmo arrebentando nos treinos. Renato, mal comparando, era uma espécie de Éverton em seu início: ousado, atrevido e irreverente.

São muitos os exemplos. Cito apenas mais um: Zico. Em 1974, Zico começava no Flamengo pelas mãos do gaúcho Carlos Froner. Fazia atuações espetaculares, mas não foi convocado para o Mundial daquele ano.

Estava muito em cima, como agora. Mas Éverton, se continuar evoluindo vai chegar lá.

MAICON

Sem maiores explicações. Quem vê o Grêmio percebe que o jogo passa pelo Maicon, jogador que uns apressadinhos queriam longe da Arena, diziam que custara muito caro, etc.

Se eu tivesse que escolher, hoje, entre Maicon e Arthur, ficaria com o primeiro. Mas sei que o Arthur tem potencial para crescer muito ainda no futebol, enquanto Maicon a meu ver está no seu melhor momento profissional desde a conquista da CB de 2016. Chegou ao seu limite.

Mas como é bom contar com esses dois grandes jogadores no meio de campo para organizar e ditar o ritmo do time.

Melhor ainda é confirmar que é possível vencer sem volante brucutu, ou que suja o calção de barro, como costuma dizer o cornetadorw, criticando essa velha tradição do futebol texano (gaúcho).

RENATO

A proposta do Flamengo é de UM MILHÃO E CEM MIL REAIS POR MÊS, CONTRATO DE DOIS ANOS.

Ele recebe hoje em torno de 600 mil em média, contando os prêmios pelos títulos conquistados.

É de balançar. Mas eu acredito que Renato fica, por isso nem me alongo nesse assunto que tem feito a alegria dos colorados.

 

Grêmio, um elenco sem igual no país

O projeto ‘Tá na área’, do Movimento Multicampeão, contou com a ilustre participação do presidente Romildo Bolzan, que alguns apressadinhos, no início, definiram como um ‘cone’ ou um ‘pau-mandado’ do eterno presidente Koff, que, hoje está provado, até na escolha do seu sucessor teve sabedoria.

Em poucos meses, apesar de herdar dívida volumosa e o peso de 15 anos sem títulos, Romildo foi superando desconfianças e mostrando que estava ali para fazer história. Ele e seus companheiros de diretoria, que, aliás, fez questão de exaltar durante o encontro ocorrido segunda-feira à noite.

Foram muitos assuntos interessantes em pauta, todos abordados tranquilamente pelo presidente, que não se esquivou nem das perguntas mais ácidas e provocativas.

Vou me deter num ponto que ele defendeu: o fato, segundo ele, de o Grêmio ter hoje um elenco que não perde para nenhum outro no futebol brasileiro, e o reconhecimento da mídia do centro do país como poucas vezes se viu, ou nunca, em relação a algum outro time do Estado.

Realmente, não acho que nem o milionário elenco do Palmeiras seja superior ao do Grêmio. Se a comparação for time por time, vejo o time titular do Grêmio superior a qualquer outro.

Tem algum dos grandes de Rio, SP e Minas com cinco jogadores em nível de seleção?

O Grêmio conta hoje com Marcelo Grohe, Geromel, Arthur e Luan como jogadores aptos a disputar a Copa do Mundo, e que só não estão lá por critérios do técnico. A opinião pública nacional, em especial a imprensa do centro do país, apoia esse quarteto na seleção, a começar pelo influente Galvão Bueno.

Um reconhecimento que a gente só percebe com muito esforço na mídia gaúcha, que, na verdade, em alguns casos, parece ressentida com esse sucesso.

Bem, fora esses quatro, que formam uma espinha dorsal vencedora, quase imbatível, tem ainda o Kannemann, que já faz por merecer uma oportunidade na seleção da cambaleante Argentina.

Esse grupo constituído por jogadores que pouco custaram ao clube e alguns formados em casa, trabalhados com competência pelo técnico Renato, se encaminha para conquistar seu quarto título em menos de dois anos.

Durante a reunião, Romildo por duas ou três vezes comentou que uma das preocupações da diretoria é trabalhar para que a transição de um time para outro, com venda e reposição de peças, ocorra de forma a não afetar os resultados de campo.

O objetivo é manter o Grêmio no topo, sempre disputando grandes títulos, o que, nós sabemos, não é fácil, mas também não é impossível.

 

Choradeira responsabiliza Daronco pela goleada

Diferente do Avenida, o Brasil de Pelotas entrou em campo determinado a bater, tanto para neutralizar jogadas como, e principalmente, para intimidar.

Em dois minutos de jogo, foram duas faltas, a primeira sobre Éverton, uma entrada por trás que poderia resultar em cartão amarelo, mas o árbitro Anderson Daronco deixou livre.

O técnico Clemer apostou na velha máxima de que juiz nos primeiros minutos apenas adverte, mesmo em lances que mais adiante ele aplicará cartão amarelo ou vermelho. Normalmente é assim que funciona.

O Brasil, portanto, entrou decidido a neutralizar o melhor futebol do adversário usando a violência, mesmo em lances banais. Mas os jogadores do Grêmio não se assustaram, continuaram partindo pra cima da marcação. Luan foi o alvo preferido das chuteiras, seguido de Éverton.

Aliás, Éverton o melhor em campo, seguido de Jael.

EXPULSÃO

O volante Sciola começou a ser expulso aos 33 minutos, quando Arthur bateu forte (a bola tinha endereço certo) de fora da área, e Sciola saltou para obstaculizar o arremate, mas abriu demais os braços. Daronco marcou falta e deu cartão amarelo para o jogador pelotense.

Minutos antes de terminar o primeiro tempo, Sciola, na ânsia de dar mais uma entrada dura em Luan, saltou com o joelho direito nas costas do craque gremista, uma falta grosseira, temerária e absolutamente desnecessária. Falta que merecia no mínimo cartão amarelo, que foi aplicado corretamente pelo Daronco, que teve uma atuação ótima na comparação com ele mesmo.

Bem, com um jogador a mais tudo ficou mais fácil para o Grêmio, que até ali enfrentava dificuldade para penetrar no bloqueio do Brasil, que, inclusive, chegou a levar perigo em dois ou três lances.

O que se ouve e lê desde esse momento é que o Grêmio foi ajudado pela arbitragem, que a expulsão foi um exagero, que não era lance para um segundo amarelo. É uma choradeira só.

Há um coro de comentaristas que entoam a mesma ladainha. Penso que quase todos, a começar pelo Maurício Saraiva, que escreveu essa pérola no globo.com:

“Sequer posso dizer que (Daronco) errou na expulsão de Éder Sciola ao fim de um primeiro tempo que o Brasil jogava estrategicamente à perfeição. Mas posso dizer, sim, que era uma expulsão que ele poderia evitar”.

A estratégia do Brasil, perfeita segundo ele, era fundamentada em matar as jogadas de qualquer jeito. E isso tem um custo, tem o risco de penalização. Foi o que aconteceu. A estratégia, portanto, não foi perfeita, porque resultou na expulsão de um jogador.

A lamentar também a posição do ex-juiz Márcio Chagas, que segue nessa mesma linha. O colorado Batista destoou desse coro de lamentações ao afirmar que a expulsão foi justa (capaz de perder o emprego).

DARONCO NÃO FOI VUADEN

O técnico Clemer talvez apostasse no fato de que o Grêmio sempre é prejudicado no Gauchão, e que Daronco repetiria Leandro Vuaden, que no último Grenal deixou os jogadores colorados, em especial Dourado, baixa a ripa nas canelas gremistas, principalmente em Luan.

Mas Daronco não foi Vuaden, e é por aí também que pode se explicar a vitória arrasadora do Grêmio.

Logo no primeiro lance do segundo tempo Éverton marcou 1 a 0, recebendo passe açucarado de Jael. Depois, aos 9, Alisson pegou rebote do goleiro após um cabeceio forte de Jael. Nesse lance, destaco que Jael ergueu o braço acenando para Maicon, que lançou na medida para o centroavante.

Aos 24, Jael teve seu momento de craque: tocou de calcanhar para Éverton invadir a área e chutar com categoria, ampliando para 3 a 0. O quarto gol foi de Ramiro, batendo falta de longe. O goleiro Pitol, que vinha se destacando com grandes defesas, falhou feito: 4 a 0.

O Grêmio até poderia ter ampliado, mas o resultado já serve para dimensionar a diferença de grandezas em campo.

Por fim, gostei muito da dupla Arthur e Maicon. Os dois jogam por música formando um tripé de alta qualidade com Luan. Agora, é importante registrar que o time perdeu um pouco de poder de marcação sem Jaílson, que deve voltar no Bento Freitas com suas arquibancadas móveis, liberadas pelo Corpo de Bombeiros.

 

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Decisão contra um time que despreza o ‘troféu fairplay’

Prevejo dois jogos muito difíceis contra o Brasil na decisão do título gaúcho. O Grêmio, claro, é favorito, mas o time pelotense será um adversário duro de bater.

A começar pelo singelo fato de que o Brasil não tem inclinação para concorrer ao troféu fairplay.

Não é como o Avenida, que jogou limpo, disputas sempre na bola, sem maldade. Espero exatamente o contrário do time (bem) treinado por Clemer.

Na Arena, nesta quarta-feira, Luan jogou com total liberdade, marcado à distância. Saiu de campo praticamente sem levar uma entrada mais forte.

Muito diferente do que aconteceu no último Gre-Nal, por exemplo, quando o sr Vuaden foi conivente com a violência, livrando a cara principalmente de Rodrigo Dourado.

Pois é, o mesmo Vuaden que apitará um dos jogos da fase final. Como todos sabem, com Vuaden no apito o Grêmio ganhou apenas um clássico, e ainda assim foi pelo Brasileirão.

Expulsão de adversário do Grêmio só com falta de fratura exposta, e olhe lá. Teremos duas batalhas, literalmente.

A arbitragem será, sem dúvida, um complicador. Por isso, caberá ao Grêmio fazer o que não fez com o Avenida: aproveitar melhor as oportunidades criadas para ir com alguma folga para a decisão em Pelotas.

Mas como jogará o Brasil? Simples, vai armar um retrancão como fez o Avenida, com duas linhas de quatro (a primeira quase não ousou sair da área). Vai tentar explorar algum contra-ataque e, especialmente, vai tentar o gol em bolas alçadas pra área, em cobranças de falta e de escanteio.

É assim que os times mais fracos estão enfrentando o Grêmio. O próprio Inter apostou no jogo aéreo para fazer gol no rival superior.

Contra o Avenida, time modesto, mas que não dá chutão e joga com lealdade, o Grêmio voltou a tomar gol de escanteio.

Se o Grêmio fizesse a metade dos gols que sofre em cobranças de escanteio teria o ataque mais efetivo do planeta.

Eu diria que hoje é mais fácil o Lula ser preso do que o Grêmio fazer gol em cobrança de escanteio.

Então, fica o Grêmio dando show, jogadas bonitas, tabelas, dribles, etc, e o adversário fechadinho lançando uma ou outra bola pra área porque sabe que esse é o caminho.

Resumo: o Brasil vai bater muito, vai jogar fechado e vai explorar bolas pelo alto.

Mas com tudo isso deverá perder.

AVALIAÇÃO

O Grêmio, com um time misto, foi de novo muito superior ao Avenida, mas não traduziu esse domínio no placar. Ficou no 1 a 1.

Arthur fez o gol tricolor. O guri está fazendo aquilo que Renato cobrava dele: pisar na grande área. O resultado é que ele está se tornando goleador.

Fez uma grande partida, mas Luan esteve um décimo acima. Luan é o tipo do cara que vale a pena pagar ingresso para ver jogar. Arthur está no mesmo patamar. E só.

Lembro que no passado pensava assim sobre Renato, Tita, Dener, Valdo, Marcelinho Paraíba, e um que não gosto de citar o nome. Acho que é só.

Quem quiser me ajudar nessa lista mande sua contribuição.

TJD

Frase do Renato sobre a ridícula denúncia do tribunal noveletiano:

“Eu não tenho culpa se os colorados estão sofrendo com o sucesso do Grêmio, essa pessoa que me denunciou é colorada. Se essa pessoa que me denunciou está sofrendo por causa do clube dela, isso é problema dela e do clube dela”.

Coisa de ídolo.

Penso que a direção do Grêmio deveria bater forte também.

Denúncia do tribunal gaúcho vira piada (de mau gosto)

Os auditores do Tribunal de Justiça Desportiva gaúcho, a partir de agora denominado TJD-RS, estavam se sentindo, imagino eu, escanteados, esquecidos.

Como a gente sabe, o circo do campeonato montado pelo sr Novelletto sempre teve participação ativa do TJD. Neste ano, com a competição se encaminhando para o final e nada de importante no tapetão, eis que os nobres auditores conseguiram o que queriam: mídia.

Não importa se a mídia chega pelo ridículo, não, isso não importa. O que interessa são os holofotes. Ah, os holofotes. Afinal, qual é a graça de ser auditor, não remunerado até onde sei, e não conseguir um espaço sequer nos meios de comunicação tradicionais.

Sobre holofotes, lá pelos anos 80, quando se julgava um caso de doping explícito no Gauchão, envolvendo um atleta colorado que se recusou a fazer o antidoping num Gre-Nal (quer dizer, um negócio sério).

Bem, o julgamento foi transmitido ao vivo pelas emissoras de rádio e pela TV Guaíba, salvo engano. Quanto mais holofotes ligados, mais tempo os nobres auditores demoravam para proferir o voto.

Debate daqui, debate dali, clima tenso, muita gente participando, eis que chegou a hora do voto final, de um auditor, um colorado da gema, de respeitabilidade na comunidade gaúcha.  Mas claro, isso de ter time, não influencia, como a gente percebe no MP.

Câmeras e microfones todos ligados para ouvir o voto, eis que o auditor, com toda a pompa possível, retira do bolso um papel dobrado, talvez um guardanapo. Era o que ele havia trazido de casa, tipo cagando e andando para tudo o que foi apresentado no julgamento. Voto favorável ao Inter, que restou absolvido.

Então, como exigir seriedade do TJD depois desse episódio? Se o campeonato todo é quase uma piada, e de mau gosto, a começar por um time que representava o Estado e o Brasil, ser punido com uma série de jogos no período das férias dos jogadores, o que prejudicou sua campanha.

Ou o fato de ter um árbitro que apitou uma dúzia de Grenais e o Grêmio ter vencido apenas um. Sem contar os jogadores gremistas que quase ficaram aleijados por conta da violência adversária sob os olhos negligentes desse mesmo juiz.

Então, só faltava mesmo o glorioso tribunal entrar no picadeiro. Essa de querer punir Renato e Kannemann pelo “amarelo forçado” no jogo contra o Avenida só não entra no rol das maiores piadas do campeonato gaúcho em todos os tempos, porque por trás da anedota pode estar a parte menor de uma grande armação para impedir que o Grêmio conquiste o título gaúcho, e recupere a hegemonia no noveletão.

Portanto, vou segurar o riso, mas que dá vontade de gargalhar, isso dá.

Ainda espero que alguém de bom senso retire essa denúncia ridícula, que tomou conta das redes sociais.

Por enquanto, mais firmo posição no sentido de que no ano que vem o Grêmio escale um time de transição do início ao fim do campeonato.

SASHA

Em 2015, o meia colorado admitiu que forçou cartão amarelo num jogo a pedido do técnico Argel. Alguém lembra de alguma denúncia do tribunal?

GALVÃO

Não me lembro de em algum momento desde que comecei a cobrir futebol, meados da década de 70, de um time gaúcho ser alvo de tantos elogios e até homenagens no centro do país. Elogios, aliás, que aqui são comedidos, salvo exceções. Há quem não consiga conter a inveja, mas faz parte.

No programa Bem, Amigos, de ontem, o Galvão Bueno defendeu a convocação de quatro jogador do Grêmio para a Copa do Mundo. Além de Arthur, que estava presente, mais Grohe, Luan e Geromel.

É o reconhecimento ao belo e efetivo futebol praticado pelo Grêmio há quase dois anos, sob o comando de Renato Portaluppi.

De minha parte, não iria ninguém. Cada jogador que for convocado desfalca o Grêmio em sete ou oito jogos do Brasileirão.

O Grêmio sempre em primeiro lugar.

Grêmio encaminha vaga e deve pegar o Brasil na final

Tudo indica que Grêmio e Brasil irão decidir o título do Gauchão. O Grêmio aplicou 3 a 0 no Avenida, sem maior esforço, e o time do Clemer pariu uma bigorna incandescente para empatar com o Zequinha no potreiro sintético do sr. Novelletto. O time pelotense escapou de goleada. Como castigo, o São José levou o gol de empate já entrando nos acréscimos.

Grêmio e Brasil são, portanto, favoritos para a fase final.

O Grêmio cumpriu sua obrigação. Não acho que tenha feito uma boa partida, mas jogou o suficiente para decidir de forma confortável na Arena. O técnico do Avenida armou uma muralha diante de sua área.

A pressão gremista começou assim que a bola rolou. O Grêmio insistiu nos chutes de fora da área, já que o ferrolho era grande. E foi num improvável arremate com o pé esquerdo, que Ramiro abriu o placar. Um golaço. Logo depois, Jael cruzou, a bola bateu no braço de um defensor. Pênalti que Luan converteu.

O Grêmio meio que foi se desinteressando do jogo. Os jogadores se esforçavam para aparentar vontade de jogar, assim como eu agora diante do teclado escrevendo sobre um jogo praticamente de um time só.

Está certo, o Avenida reagiu, foi valente, e até teve duas boas chances de gol. Numa delas, Marcelo Grohe foi espetacular, salvando conclusão à queima-roupa. No segundo tempo, o Avenida chegou a esboçar uma pressão no início.

Mas aos 12 minutos Arthur abalou ainda mais o emocional do adversário. Ele tabelou com Éverton e na risca da pequena área, cercado de verde, num espaço de meio metro, livrou-se do zagueiro com um legítimo ‘paninho’ (essa é velha) e chutou para fazer 3 a 0.

Depois desse gol típico de futsal o jogo foi se encaminhando para o final.

Gostei que o técnico Renato deu oportunidade para Thonny Anderson e Hernane Brocador. Pena que os lançou tarde no jogo.

O principal destaque do jogo foi Luan, que cada vez mais me dá a impressão de que ele não joga, dá show.

E há quem não goste…

A facilidade com que alguns gremistas atacam Renato

Deixando a paixão de lado por alguns instantes apenas, o que não é fácil no universo pulsante do futebol, quero convidar os amigos gremistas a uma reflexão. Faço isso movido pelo espanto de ler aqui neste espaço, e em outros das redes sociais, e também na mídia tradicional, críticas muito duras ao desempenho do Grêmio e do técnico Renato no Gre-Nal de quarta-feira.

Faço parte da corrente majoritária que não gostou da decisão de começar o jogo com Cícero, mas não concordo quando alguns gremistas dizem que Renato faz isso por bruxismo. Renato deve ter suas motivações para não ter começado com Arthur ou Michel, ambos superiores a Cícero.

O que me impressiona é a facilidade com que gremistas logo tratem de atacar o técnico. E isso se dá constantemente em outras situações e opções do treinador, que, diga-se, conhece muito melhor que qualquer um de nós o que cada jogador pode render.

Cada um tem uma maneira de ver. Eu começaria com Michel. Preservaria Arthur, que visivelmente ainda não está 100% (mesmo assim supera Cícero). Muitos aqui iriam de Arthur.

Li e ouvi por aí que essa derrota poderia significar o início do fim de Renato como treinador do Grêmio. Só faltaram sugestões de nomes para o cargo. Um absurdo como esse atribuo a paixão febril e alucinante e/ou a um sentimento de não aceitação de Renato, o que é compartilhado por uma minoria como se percebe a cada resultado negativo do Grêmio.

Um pessoal que se esconde quando o Grêmio conquista uma Recopa, por exemplo, ou aplica goleada no rival. Mas que reaparece lépido e faceiro para atacar quem foi protagonista de três grandes títulos em um ano e meio. Três vezes mais do que foi conquistado nos últimos 15 anos.

Esse tipo de coisa me irrita tanto que prefiro nem polemizar. Não respondo. Sei que a maior parte não tem má intenção. Outros parceiros nesse fórum de debates se incomodam mais e retrucam, por vezes com excessos verbais. Faz parte, é a paixão do futebol.

Li comentários também no sentido de que o Grêmio fez uma partida muito ruim, para uns a pior dos últimos tempos. Exagero. O Grêmio não foi tão mal assim. Começou o jogo controlando o adversário, envolvendo com toque de bola. Depois, veio o gol na falha inaceitável do Bressan. Tem gente criticando a escalação de Bressan, mas colocar quem?

Esse gol, de pênalti, foi a grande chance do Inter no primeiro tempo desse ‘pior jogo’ do Grêmio. No segundo tempo, de novo o Grêmio começou melhor, mas o Inter no vamo que te vamo foi criando situações de perigo. E sempre chegando junto, em especial o Dourado, que merecia expulsão.

Até que veio o segundo gol, originado de uma falta que não aconteceu. Foi o que produziu o Inter contra o Grêmio ‘horroroso’ escalado por Renato, o ‘professor Pardal’. Marcelo Grohe, salvo engano, não fez nenhuma grande defesa. Já o goleio Lomba fez pelo menos duras defesas inportantes, uma num chute de Luan e outro em conclusão de Cícero.

Quer dizer, o Grêmio perdeu na casa do adversário – um time mordido e humilhado, louco por vingança – jogando um futebol médio, prejudicado pela atuação da atuação do sr Vuaden, que, decididamente, dá muita sorte ao Inter em clássicos.

Em resumo, o Grêmio não foi essa desgraça toda que muitos propalam, nem todos com boas intenções.

Ah, sem esquecer que o Grêmio entrou em campo para administrar a vantagem dos 3 a 0. É claro que isso não interessa a quem está sempre buscando alguma coisa para detonar o time.

COCHICHO

Não gostei de ver o Renato todo amiguinho do Dalessandro. Renato parece desconhecer a rivalidade e o que esse argentino debochado e desrespeitoso já fez.

Não se mandam flores aos inimigos.

AVENIDA

Domingo, 16h, o Grêmio terá de jogar mais do que jogou no Gre-Nal. O meu Avenida está invicto há um ano nos Eucaliptos.

Ah, Jean Pierre será o juiz…

 

Grêmio avança no Gauchão e torcida colorada comemora

Renato poderia ter começado com Michel no lugar de Maicon, mas optou por Cícero. Alguns defendem que Arthur seria a opção melhor, mas eu acho que é melhor ele voltar aos poucos, sem pressa. Jogo de muita pegada, um Inter que bateu como nunca, sabendo que teria no árbitro Leandro Vuaden uma espécie de Lula (‘não sei, não vi nada’), e o pau comendo.

Rodrigo Dourado só terminou o jogo em campo porque Vuaden não fez o que tinha de fazer, dar-lhe o segundo cartão amarelo em função de pelo menos três faltas duras depois de ter sido amarelado.

Então, diante disso, e prevendo o que aconteceria, Renato preservou Arthur para o segundo tempo. E fez muito bem, até porque eu quero Arthur inteiraço na Libertadores, no Brasileirão e na CB. Se é pra lesionar alguém que seja Cícero ou Michel.

Agora, penso que Michel deveria ter começado o jogo. Cícero foi um jogador apagado, especialmente se compararmos com Maicon, que faz o jogo passar pelos seus pés. Cícero não tem temperamento para isso. Não comprometeu, mas também não justificou sua escalação.

Mesmo assim, o Grêmio teve bons momentos no jogo, dominando, envolvendo o adversário, que só sentiu que poderia vencer quando Bressan fez aquele pênalti ridículo ainda no primeiro tempo. Nico Lopez bateu e converteu.

No segundo, o Grêmio começou tocando a bola, buscando o espaço para empatar. Aos poucos, o time colorado, na base da vontade e de lançamento para a área com bola rolando e escanteios, foi crescendo, chegando a encurralar o Grêmio. Até que veio o segundo gol, a partir de falta que não houve. Kannemann ainda levou cartão amarelo. D’Alessandro, que voltou a apitar, marcou 2 a 0.

Bem, aí a torcida colorada, um tanto desanimada ultimamente, enlouqueceu. Passou a acreditar fortemente que a classificação seria possível. A euforia não durou muito. Arthur entrou e ajudou a tranquilizar o time, controlando o meio de campo. O técnico Odair colocou três atacantes em momentos distintos, sacando defensores. Perdeu o meio de campo e nada ganhou na frente. Por pouco, o Grêmio não aproveitou a vulnerabilidade do adversário para descontar.

Se Renato tivesse arquitetado um plano para iludir a torcida, a direção e a imprensa colorada de que o time está no caminho certo para enfrentar desafios maiores, não poderia ter feito melhor. Os colorados de todas as instâncias deixaram o estádio eufóricos. Afinal, haviam vencido o time responsável por seus maiores pesadelos nos últimos dias.