Time reserva sofre gol no ‘apagar das luzes’

O time B do Grêmio, no papel, é superior ao do Botafogo. Mesmo considerando a falta de entrosamento, que não pode ser tão grande porque eles, os reservas, jogam juntos nos treinos, é difícil entender  por que o time jogou tão mal no primeiro tempo, com alguns espasmos de qualidade.

No segundo tempo, o nível do jogo caiu, mas ainda assim o Grêmio teve chances de fazer o segundo gol. Havia a sensação de que a virada poderia ocorrer, era uma questão de detalhe, de acabamento da jogada. Mas quem acabou marcando, diante da ineficiência tricolor, foi o Botafogo, já no apagar das luzes como diziam os narradores do passado, logo após duas jogadas fortes do Grêmio.

Bem, não gosto de individualizar, mas uma coisa é certa: Marcelo Grohe não teria levado os dois gols que Paulo Vítor. A desculpa é falta de ritmo de jogo. Tudo bem, também é isso, mas há mais: Grohe é muito mais goleiro. O Grêmio não tem um reserva do tamanho do titular. Mas quais times contam com dois grandes goleiros? São raros.

Ainda no terreno da individualidade, Bressan demorou mas acabou dando uma entregada no final com aquela tentativa de afastar a bola com o peito, originando escanteio e fortalecendo a pressão final dos cariocas. E tem ainda o Marcelo Oliveira, de novo atabalhoado demais.

Luan foi jogado às feras. Sem Maicon e Arthur para dialogar, fica complicado pra ele. Mesmo assim, fez algumas boas jogadas e mais uma vez foi caçado no tornozelo.

Resumindo, o Grêmio perdeu um jogo em que poderia ter vencido, mas cujo resultado mais justo seria o empate.

O Grêmio patina no Brasileirão, mas ainda tem muita água pra rolar. É cedo para limpar o pó das cornetas.

 

O Grêmio e os pequenos torcedores do Flamengo

Num futuro mais ou menos distante, quando os árbitros serão robôs – para acabar com essa história de que o árbitro também é humano e com as ofensas às sagradas progenitoras -, haverá o empenho de historiadores e arqueólogos para descobrir como tudo começou, em que momento o Grêmio passou a ocupar a posição de clube de maior torcida no Brasil – inclusive com a fatia maior das cotas de TV da sucessora da Globo -, superando Flamengo e Corinthians, e deixando o seu antigo maior rival, o Inter, comendo a poeira do tempo.

Depois de anos de pesquisas, chegará o dia, então, que alguém encontrará o ‘elo perdido’, o instante exato em que o Grêmio começou a sua arrancada rumo ao topo, passando a ser conhecido como o Barcelona brasileiro, com torcedores em todos os cantos do planeta. Alguém encontrará algo tão estranho amanhã quanto a fita cassete hoje, o twitter. Num gigantesco acervo digital, o pesquisador irá deparar com um pequeno vídeo, datado de 27 de abril de 2018.

Nesse vídeo, um grupo de jovens jogadores da escolinha de futebol do Flamengo – clube até então com maior torcida no país -, encostados no alambrado do estádio da Gávea, gritando os nomes dos jogadores do Grêmio, citando um a um, com emoção e olhinhos brilhando de alegria diante de seus ídolos.

 

Aos poucos, em outros pontos do país, inclusive Argentina, Paraguai e Uruguai, ocorreriam episódios semelhantes. Crianças orientadas e influenciadas por seus pais para torcerem pelo clube local, passaram a pedir camisas do Grêmio. Jovens de todo o Brasil ostentavam com orgulho o manto tricolor, para desespero de seus pais.

No Rio Grande do Sul, a situação ganhou contornos dramáticos, com os filhos de colorados rebelando-se contra a pressão paterna e exigindo de presente uma camisa tricolor em troca da vermelha que lhes era imposta. Cenas dramáticas. Pais chorando diante dos filhos gremistas, que viam seus colegas de escola e amigos sempre sorrindo e festejando títulos, enquanto o Inter sofria nas profundezas, remoendo PDFs.

Exageros à parte, o Grêmio hoje repete o Grêmio da década de 90, quando os títulos, as consagradoras vitórias, os jogos com imensa exposição midiática, conquistaram jovens torcedores de outras equipes, em especial na faixa dos cinco aos dez anos. A história se repete, e hoje com mais amplitude diante da maior abrangência causada pelas redes sociais.

Os pequenos coloradinhos estão sofrendo. Muitos não vão resistir e irão trocar de time, ou, pelo menos, fazer como os guris flamenguistas, fascinados por esse Grêmio que vence e encanta a todos que gostam de bom futebol, independente de preferências clubísticas.

É o Grêmio conquistando o Brasil. Nunca imaginei que veria isso. Uma palavra resume o que nós gremistas estamos sentindo: ORGULHO!

BOTAFOGO

O Grêmio vai jogar com um misto quente. É o que eu imagino, apesar das notícias de que será um time reserva contra o Botafogo neste sábado.

Acho que não há necessidade de poupar todos os titulares. Mas se a decisão for essa, penso que não há o que reclamar.

O título da Libertadores está aí para referendar essa política.

Mas desconfio que Renato irá surpreender o Botafogo.

Há um lugar para Éverton na Seleção de Tite

O Tite é pago, e muito bem pago, para armar uma seleção capaz de ser campeã na Rússia e apagar a péssima imagem da Seleção Brasileira, outrora tão temida e respeitada, inclusive pelos árbitros, deixada na última Copa do Mundo com aqueles ecoantes 7 a 1.

Mesmo assim, como eu gosto dele como treinador, apesar de seu linguajar por vezes irritante com as palavras colocadas sempre com sonolenta precisão -, vou dar uma mãozinha pra ele, e sugerir três medidas.

A primeira, Geromel de titular na zaga. Com ele, os bebedores de chopp da seleção alemã não teriam passeado na área brasileira em 2014. Confesso que, na verdade, prefiro Geromel aqui no Grêmio, mas para ficar com as consciência tranquila como cidadão brasileiro passo esse conselho de amigo ao Tite. E alerto, sem Geromel as chances de título caem bastante. Depois não digam que não avisei.

A segunda, Alisson está entrando em parafuso. Levar cinco gols abala qualquer goleiro, ainda um tão jovem. Acho que Alisson pode ser mantido no grupo, mas não como titular. Se Tite quiser mesmo o título mundial terá de trocar de goleiro. Minha indicação é Cássio. Já faz muito tempo que eu o considero o melhor goleiro do país. Em segundo lugar, Marcelo Grohe. Agora, não quero Grohe na seleção, até porque seria para ser o terceiro na ótica de Tite, fã do Alisson. Então, caro Tite, o Alisson pode ser para ti o que foi Júlio César para Dunga. Pense nisso (pretensão minha, escrevo aqui achando que ele vai ler o que penso).

Por fim, a sugestão que pode fazer a diferença entre o título e a frustração. Tite, abra os olhos, solte a imaginação, não se deixe dominar pelo lado conservador que prevalece na maioria dos técnicos de futebol. Tite, convoque alguém que possa fazer a diferença, que possa surpreender.

Tite, convoque o Éverton. Ele pode ser seu grande trunfo, sua arma secreta, seu abridor de latas e de defesas fechadas, naqueles jogos encardidos. Éverton entra nos minutos finais, faz uma das tantas jogadas de seu repertório quase infinito, e decide o jogo. Eu acredito nisso.

Neste jogo contra o Goiás, vitória serena por 2 a 0, mais uma vez o time precisou do brilho individual, da criatividade, do lampejo de craque do ‘Cebolinha’, o patinho feio que virou cisne. Éverton abriu o placar depois de receber de Jael e, de chaleira, puxou a bola que escapulia, passou por dois e chutou de forma indefensável.

Mais um golaço do jovem atacante, o melhor em atividade no país.

Sei que a Seleção tem jogadores capazes de repetir esse tipo de lance, mas todos já são muito manjados.

Portanto, Éverton na Copa do Mundo.

Como diria o Jô Soares: “Bota ponta, Tite, bota o Éverton”.

O grande jogo nosso e o grande jogo dos europeus

E por falar em grande jogo, o que dizer de Liverpool e Roma? Esse sim um grande jogo, mais que isso, um jogo fenomenal. Festival de gols, de jogadas bonitas, de técnica apurada.

A Roma até que começou bem, mas acabou atropelada por Salah e Firmino. O egípcio detonou seu ex-clube, com dois gols e duas assistências.

O goleiro Alisson levou cinco gols de novo. Será que lembrou-se do Grêmio?

Mas aí seu time reagiu e conseguiu descontar para 5 a 2.

Enquanto isso, nós aqui enaltecemos Grêmio x Atlético Paranaense como um grande jogo, o melhor do Brasileirão até agora.

Concordo que foi um jogo fora da curva nesse campeonato de chutões, pancadas e de influências externas (a derrota do Palmeiras para o Corinthians passou por informações que vieram de fora do campo de jogo).

Agora, esse confronto na Arena de duas escolas semelhantes na proposta de tocar a bola para envolver o adversário teria sido realmente um jogaço de o Atlético ousasse mais. Ficou enchiqueirado no campo de defesa, muitas vezes com o time inteiro atrás da linha da bola em seu campo defensivo.

A verdade é que o técnico Fernando Diniz mostrou sabedoria ao armar uma retranca, repetindo o que fazem os adversários do Grêmio na Arena, para tentar ao menos o empate.

Diniz mostrou que, além de competente (mas ainda precisa mostrar mais ser tão festejado), tem sorte. Escapou de levar uns dois ou três gols no primeiro tempo, inclusive com um pênalti muito claro, daqueles que até o pipoqueiro fora do estádio vê.

A realidade do futebol brasileiro é essa. O torcedor precisa se conformar com o que a casa lhe oferece. O grande jogo nosso fica muito abaixo do grande jogo deles, os milionários europeus.

GANSO

A imprensa anuncia interesse do Grêmio por Ganso. A ‘informação’ rende debates, com críticas à direção por tentar um jogador que parece ter deixado seu futebol vistoso e inteligente num passado distante na Vila Belmiro.

Foram horas e horas de programas de rádio e centenas de notas nas redes sociais.

A direção, então, precisa desmentir aquilo que ela não disse.

E segue o baile. Até a próxima ‘informação’.

Agora, o que eu penso de Ganso? Aquele velho Ganso, o guri que disputava holofotes com Neymar, esse me serve.

MISTÃO

O Grêmio faz certo ao escalar um time misto, espero que seja quente. O exemplo do ano passado ainda está muito vivo. O Goiás é um time médio, dá pra vencer, mas é importante que sejam mantidos uns 5 titulares pelo menos.

Grêmio só empata diante de uma retranca com grife

O Grêmio enfrentou uma retranca daquelas, com tem acontecido desde que começou a empilhar títulos e belas atuações. A diferença é que foi uma retranca com grife, uma retranca glamourizada só porque sua defesa não dá chutão.

É um time que prefere correr o risco de ser desarmada a poucos metros da área, como aconteceu aos 5 minutos, quando a zaga entregou uma bola nos pés de Éverton, que enfiou de primeira para Luan dominar e acertar a trave.

Há quem elogie esse tipo de estratégia, de trocar passes e recuar para o goleiro, atraindo o time adversário para seu campo. Se ainda tivesse alguma jogada de escape para contra-ataques, mas nem isso…

Não sei se o Atlético PR joga sempre assim, o fato é que para mim não serve um treinador que vai me deixar com o coração na boca ao orientar seu time a trocar bola diante da área.

O Fernando Diniz realmente mostrou qualidades no seu trabalho, organizou um time médio e está conseguindo bons resultados, como este empate que caiu do céu para ele. Mas não gosto de radicalismo. Penso que tem horas que um chutão cai bem, o que remete ao velho jargão: bola pro mato que o jogo é de campeonato.

A favor do Fernando Diniz o fato de que o sistema dele, um genérico do sistema implantado pelo Renato, é que ele não conta com nenhum jogador no meio com as qualidades de Luan, Arthur e Maicon, os ‘três tenores’ gremistas.

Foram eles que encurralaram o Atlético, que se fechou como qualquer time do Celso Roth (que vem aí), com a diferença é que não apelou para chutões para afastar a bola. Então, uma retranca com grife.

Foi um belo jogo, que chegou a ter 80% de bola rolando. O Grêmio atacando, jogando todo no campo do adversário (só faltou o Grohe ali), e criando boas chances, desperdiçadas por excesso de preciosismo e chutes fracos ou desviados.

Luan, Éverton, Alisson e André tiveram chances de matar o jogo, ou ao menos fazer um golzinho que fosse.

O Atlético raramente chegou com perigo. Marcelo Grohe fez apenas uma defesa difícil. Contra adversários menos festejados que Atlético do Fernando Diniz, nós vimos o Grohe trabalhando bem, como na vitória sobre o Cruzeiro na primeira rodada.

A arbitragem também contribuiu para que o placar ficasse no 0 a 0. André sofreu um pênalti ao ser empurrado dentro da grande área, mas nem o juiz nem o bandeirinha sinalizaram a infração escandalosa.

Além do mais, o elegante time paranaense perdeu a compostura em várias jogadas ao entrar no tornozelo de alguns gremistas, em especial os mais visados de sempre, Arthur e Luan. Poderia ter havido jogador expulso bem antes se o juiz fosse menos tolerante.

De qualquer forma, foi um grande jogo: Renato x Diniz, seu discípulo. A impressão que eu tenho é que Fernando Diniz ainda está no estágio daquele Roger Machado que começou esse tipo de jogo no Grêmio.

Se ele corrigir esse aspecto de ‘proibir’ seus defensores de dar chutão, tem futuro, inclusive no Grêmio.

Por fim, o Grêmio jogou muito bem, enfrentou um adversário de indiscutível qualidade como equipe, mas não marcou.

Tem gente que não entende isso e fica nas redes sociais corneteando. Para esses, só tenho a dizer que 15 anos foi muito pouco mesmo.

 

Grêmio enfrenta o ‘fenômeno’ Atlético-PR na Arena

O Atlético Paranaense está sendo tratado como se fosse a sensação atual do futebol brasileiro.

Não, a sensação do futebol brasileiro é o Grêmio.

Os paranaenses ainda têm um longo caminho a trilhar para alcançar o patamar onde o Grêmio se instalou e não demonstra jeito de sair.

Os dois se enfrentam neste domingo, 19h, na Arena. Pena que jogo tão importante não tenha merecido sequer citação na capa e contracapa da Zero Hora edição fim de semana. Difícil de entender…

Eu sou do tempo em que os jornais divulgavam os jogos em casa na capa para ajudar a levar público ao estádio. Então, não consigo entender. Na verdade, até consigo, mas não quero.

Voltando ao desafiante do dia: li e ouvi que o time comandado por Fernando Diniz, colega de Renato no Fluminense anos atrás, pratica um futebol revolucionário. Baaahhh…

Será que joga com doze? A verdade é que não há nada o que inventar no futebol, e quem tentar será chamado, pejorativamente, de inventor.

Nem o modo do Grêmio é revolucionário. É no máximo inovador no sentido de praticamente eliminar uma das características do futebol texano (denominação perfeita do cornetadorw para definir o RS), que é ‘truvisca na área que o beque faz contra’.

O time de Renato, a partir de uma base forjada por Roger Machado, minimiza o recurso do cruzamento, que muitas vezes só ocorre porque o time não tem recursos técnicos para fazer outra coisa. Nesse caso, é o famoso ‘se livrou da bola’.

Mas irei à Arena conferir esse ‘fenômeno’. Claro, na esperança de que o Grêmio, com um misto bem quente e a volta do craque Luan (veja antes que ele vá embora) e a ausência do Kannemann, expulso na primeira rodada.

INTER

Jogo de alto risco do Inter contra o Palmeiras. O time de Roger Machado pode afundar de vez o rival e seu treinador, até poucas semanas festejado pela mídia.

Ah, esse jogo também não foi citado na capa de ZH, apesar de sua relevância.

Inter cai na CB e derruba teses coloradas

Uma das coisas legais do futebol é que ele insiste em desmentir teses. Por mais que os ‘tesistas’ de plantão saibam disso, eles insistem, e muitos o fazem influenciados por sua paixão, o clube de coração que eles apregoam, sem corar, que ficou no passado, que hoje o que conta é o profissionalismo, a isenção, a imparcialidade. Blá-blá-blá…

Enfim, tudo aquilo que não é exatamente uma verdade, mas também não chega a ser mentira, porque há quem acredite mesmo que é isento, embora a realidade teime em escancarar que no final das contas o coração fala mais alto.

Quem leu ou ouviu os comentários que antecederam ao jogo contra o Vitória, saiu convencido de que o Inter, por ter supostamente mais qualidade individual’, garantiria a classificação na Copa do Brasil, a única competição que o Inter realmente poderia sonhar em conquistar, pensando inclusive na premiação milionária pelo título.

Pois o Inter, o favoritaço da crônica, perdeu no tempo normal, com o Vitória  (um time time modesto) metendo bola na trave até conseguir um pênalti, que existiu, a seu favor. Depois, nas penalidades, o time baiano tambem foi superior, apesar de sua equipe ‘tecnicamente inferior’ ao ‘poderoso’ time que está sendo forjado pelo novato, festejado,  Odair.

Vamos ver o que a ufanista crônica esportiva, em especial os cronistas colorados, vão dizer agora do treinador. Posso adivinhar que depois de tamanha frustração não faltará gente pedindo outro técnico. Os primeiros a pedir serão aqueles que mais o festejavam, podem conferir.

Raciocinem comigo: se o Inter tem melhor time em termos de individualidades, a obrigação seria de confirmar a vaga. Se não conseguiu, algo falhou. Vão dizer: “Odair não soube tirar o máximo de cada uma de suas ‘estrelas’. Portanto, é ele o culpado”. A batata do Odair começa a assar.

GRêMIO

Domingo, na Arena, tudo indica que teremos um jogaço. O Grêmio, melhor time do país já faz algum tempo, contra o festejado Atlético PR, que acabou de eliminar o São Paulo da Copa do Brasil.

Vou conferir se o Atlético é tudo isso. Lógico que sou mais, muito mais, Grêmio. Mesmo que Luan não jogue.

Grêmio sem seus ‘três tenores’ perde parte do glamour

Do empate por 0 a 0 com o Cerro Porteño, em Assunção, nesta terça-feira, recolho algumas certezas:

  • o Grêmio titular sobra diante do Cerro
  • o Grêmio sem dois dos seus ‘três tenores’, no caso sem Luan e Maicon, segue um time forte, mas perde parte do glamour que conquistou o país
  • Agora, se o time tiver dois dos seus expoentes técnicos do meio, como foi contra o Cruzeiro, o padrão Renato de Qualidade fica preservado
  • Arthur, sem os parceiros, ficou sobrecarregado principalmente na função de articulador, apesar do esforço de Cícero para substituir Luan
  • o Grêmio, com seu misto quente, poderia ter vencido se o juiz não fosse tão conivente com a violência e se não tivesse pipocado no lance do pênalti sobre Éverton (aliás, Carlos Simon confirmou a infração e, pelo que soube, Diori Vasconcelos, disse que não foi, nenhuma novidade)
  • Foi um bom resultado, apesar de tudo. Afinal, o Cerro neste estádio, todo remodelado, é praticamente imbatível. Contribuiu para o empate o goleiro Marcelo Grohe, com duas grandes defesas.
  • O lance mais forte do Grêmio no ataque foi a bola de Geromel na trave direita, mas o time chegou com perigo inúmeras vezes.

Sobre o time: destaco o goleiro, a dupla de área, Jaílson, Arthur e Éverton. Gostei também do jovem Madson, que aos poucos revela boas qualidades. Merece apoio da torcida, não corneta. Pela combatividade incansável destaco o carregador de piano Jaílson.

Quem entra no lugar de Luan contra o Cerro?

Quem entra no lugar do Luan? Contra o Cruzeiro, Renato foi de Cícero, um jogador de sua total confiança. Venceu com alguma naturalidade, impondo seu futebol e tonteando o adversário. Cícero fez boa partida, embora para alguns aqui ele não passe de um ‘bruxinho’ do treinador.

Temos, então, o indicativo da permanência de Cícero mais uma vez na vaga de Luan. Alguns preferem Thony Anderson, mas eu acho que ele é muito jovem, inexperiente. Melhor que fique no banco. Além do mais, Cícero, que não aparece muito, preenche espaços, marca e aparece na frente com muita facilidade, surpreendendo a marcação.

Eu tenho uma dúvida apenas se Cícero não irá jogar mais adiantado, entrando no lugar de André, que não foi inscrito. A lógica indica Jael, mas esse jogo contra o Cerro exige certos cuidados.

Com Cícero mais avançado, entraria Jailson. Ocorre que o time paraguaio tem um argentino goleador na frente, o tal de Churin, um cara forte, que vai dar trabalho aos zagueiros.

O Kannemann conhece bem esse jogador, disse que é perigoso e que merece atenção especial. O zagueiro disse que o objetivo será impor o jogo, mas se não der, um pontinho não ficará ruim.

Por isso, penso que Renato comece com Jaílson. E talvez até mantenha Jael, saindo Cícero, que é o que prefiro, na verdade.

Mas estou aqui fazendo elucubrações sobre o que Renato está pensando. Se eu tivesse que apostar, diria que começa Jaílson, saindo Cícero.

No entanto, não apostaria mais que um cédula de 3 reais.

CARTOLA

Fiz 67 pontos, e isso que eu tinha Kannemann, expulso. Em compensação, tinha Arthur como capitão, o que vale nota em dobro.

CAMISA 12

Alguém lembra de ter lido ou ouvido a mídia gaudéria comentar/divulgar, após o jogo de domingo, sobre a agressão de integrantes da Camisa 12 colorada a dois torcedores do Bahia?

Pois é, fosse torcida do Grêmio mereceria destaque, discursos e lições de moral. A Camisa 12 acabou punida com 90 dias de suspensão.

Aqui entre nós, duvido que o prazo não seja reduzido.

 

 

Grêmio, um time para ver, rever e registrar na memória

Sem duas de suas principais estrelas – Geromel e Luan -, a constelação gremista bateu o atual campeão mineiro e da Copa do Brasil dentro do Mineirão, por 1 a 0, e mostrou mais uma vez que está jogando um futebol de outro planeta.

Não poderia ser melhor a arrancada tricolor. Mas está claro que o Grêmio é o adversário a ser batido, o grande desafio.

O Grêmio tem recebido elogios não apenas em território nacional. Ouvi, através das redes sociais, um narrador italiano encantado com o futebol implantado pelo técnico Renato Portaluppi, especificamente nesse jogo contra o Cruzeiro.

O lugar onde os elogios ao Grêmio são mais comedidos é justamente aqui na aldeia. Por que será?

Se fosse o Inter (que estreou batendo o Bahia por 2 a 0 em seu retorno à elite) a jogar algo parecido com o que o Grêmio está jogando (sonho de qualquer colorado), os elogios seriam fartos, abundantes, não tenho a menor dúvida disso.

CAIXA DE FERRAMENTAS

E olha que o time mineiro, dentro do padrão Mano Menezes de praticar uma mistura de futebol com luta livre, tentou intimidar, e, pior, até lesionar os melhores jogadores do Grêmio.

Logo de saída o ex-gremista Edílson apresentou armas para Éverton, numa tentativa de mostrar que estava disposto a abrir a caixa de ferramentas. Edílson parecia ter esquecido que Éverton não se assusta com cara feia, pelo contrário. Quanto mais apanha, mais humilha, a exemplo de Luan.

O Grêmio teve um amplo domínio sobre o Cruzeiro, um adversário forte que se viu desnorteado diante do toque de bola gremista. O técnico Mano Menezes, depois do jogo, praticamente confessou que usa de determinados procedimentos para marcar. Não chegou a dizer que orientou seu time a bater, o tal ‘chegar junto’ que de vez quando fratura uma perna ou algo assim, mas ficou próximo.

Já o craque do time, Thiago Neves, admitiu que marcar o time gremista é tarefa muito difícil para qualquer equipe. Quer dizer, o Cruzeiro fez o que podia, mas não conseguiu conter o atual campeão da América, título que Neves fez questão de lembrar para explicar a derrota em casa.

VIOLÊNCIA

Importante frisar o desempenho pífio do árbitro, que foi tolerante com o jogo violento dos mineiros. Por exemplo, Arthur foi caçado no momento de mais desespero do rival. Levou pelo menos uma entrada muito forte no tornozelo, sem que o infrator levasse sequer amarelo. Pior foi a entrada de Ariel, que atingiu as pernas de André de forma violenta, sendo que a bola estava há uns dois metros do atacante. Lance para expulsão, mas Ariel levou apenas o amarelo.

EXPULSÃO

Aos 30 do segundo tempo, o árbitro, tão permissivo de um lado, mostrou que tem pulso firme quando quer: expulsou Kannemann, que interrompeu uma arrancada perigosa de Arrascaeta rumo ao gol. Foi um vermelho bem aplicado, como seria no lance de Ariel.

Mesmo com um a menos, o Grêmio soube manter a tranquilidade, manteve seu ritmo e não se assustou. O goleiro Marcelo Grohe trabalhou pouco, apesar de alguns lances de perigo na área gremista.

ÉVERTON E ARTHUR

André estreou mostrando sua credencial de matador. Fez um gol de atacante leve e ágil e atento às possibilidades. Ramiro, de grande atuação, foi ao fundo num lance genial, cruzou com efeito, Éverton se antecipou, cabeceou no canto posto, onde entrava o goleador.

Por falar em Éverton, o que está jogando é algo fora de série, o que só reforça a convicção que manifestei dias atrás aqui: Éverton seria uma alternativa interessante para Tite na Copa do Mundo.

Éverton é jogador raro, um atacante com vasto repertório de dribles, arisco, rápido, impetuoso. Enfim, é jogador que justifica o ingresso pago, porque dá espetáculo, mas sempre com objetividade.

Outro que vale a pena sair de casa para ver na Arena é Arthur. Aliás, aconselho que não percam a oportunidade de ver esse time com suas individualidades em ação. Vejam antes que acabe.

É para ver, rever e registrar forte na memória para depois contar para os filhos e netos.

Meninos, eu vi!