Gurizada avança na Copinha em meio à revolução no clube

Não sei se o Grêmio vai, finalmente, conquistar a Copa São Paulo de Futebol Júnior, a Copinha. Sei que é a segunda vez seguida que o clube chega às quartas-de-final, onde irá enfrentar o Vasco da Gama. Jogo duro.

Como foi duro também o jogo contra o Atlético Mineiro. A goleada por 4 a 1 dá impressão de que foi um massacre técnico e tático. Foi, na verdade, um jogo equilibrado. Mas o resultado foi justo.

Agora, o que importa mesmo é a formação de jogadores. O título será bem-vindo, até porque o rival da aldeia já conquistou a Copinha em quatro oportunidades.

É bom vencer. Estou na expectativa de título, mas se foi batido nessa caminhada, ficarei feliz se o time de juniores revelar uns dois ou três jogadores para o time principal. Mais do que isso é muito difícil.

Aqui vão os jogadores que mais me deixam entusiasmado. Começo por uma velha necessidade, a lateral-direita:

Vanderson joga muito. Marca forte e firme, sai jogando com qualidade e tem boa leitura de jogo. Seria o caso de já subir para evoluir com os titulares.

Outro que, apesar de seus 18 anos, parece pronto é o volante Diego Rosa. Chuta bem de fora da área, faz lançamento ao estilo Dinho e marca forte, sem ser violento. Está pronto para subir.

Acrescento ainda o goleiro Adriel, os meias Pedro Lucas, um articulador incansável, e o goleador Elias, fez dois no Atlético, totalizando cinco gols no torneio.

Destaco também o meia Rildo e o centroavante Fabrício, este principalmente pela visão de jogo: deu os passes para os dois primeiros gols, no momento mais complicado do jogo.

Enfim, não sei se seremos campeões, mas já dá para comemorar e enaltecer o excelente trabalho que vendo sendo feito na base.

REVOLUÇÃO

O presidente Romildo Bolzan segue seu trabalho de reformular o futebol gremista. Conseguiu livrar-se de Tardelli e hoje deve acertar o desligamento de André.

Fora isso, está trazendo novos profissionais. O tempo dirá se as escolhas são as melhores.

Espero que questões político-partidárias não se sobreponham aos interesses do clube.

TEXANO

Ricardo Wortmann, o homem que escancarou a existência da IVI, está publicando frases atribuídas aos texanos, que seriam o torcedores que apreciam o futebol mais truculento, do vigor físico, da garra e da bravura.

O texano legítimo, de raiz, gosta de volante que suja o calção de barro; considera que a figura do centroavante aipim é fundamental; e defende a ideia de “fechar a casinha”, ou seja, adora uma retranca.

Para esse pessoal, o time do Renato é faceiro.

Bem, eu defendo o esquema de jogo do Renato, assim como festejei o esquema de Tite na conquista da Copa do Brasil, em 2001. E, claro, comemorei e vibrei muito com o Grêmio do Felipão, mas ainda prefiro um time que procura acima de tudo jogar futebol.

Apesar disso tudo, sou considerado um texano. Segundo o RW, o texano envergonhado. Tudo na camaradagem de mesa de bar.

O problema é que agora ele está cometendo uma tremenda injustiça ao atribuir a mim uma das frases usadas pelos texanos:

“Depois dos 35 minutos não tem mais jogo”.

É uma baita injustiça não a mim, mas ao Cacalo, que, pelo que eu soube, é o criador da frase, soprada nos ouvidos do Felipão nos jogos mais encardidos, quando o time estava garantindo um “pontinho fora”, todo fechado atrás.

Revolução no vestiário abre caminho para mais mudanças

O presidente Romildo Bolzan surpreende com uma revolução no vestiário do Grêmio. Começou na semana passada com o desligamento de fisiologistas, fisioterapeuta e nutricionista. Hoje, foi a vez do preparador físico e do treinador de goleiros, ambos com quase duas décadas de clube.

Sobrou até para o competente assessor de imprensa João Paulo Fontoura, meu colega na editoria de esportes do Correio do Povo, há uns dez anos. JP deixa o Grêmio de cabeça erguida. Foi o único que peitou o presidente da FGF, Francisco Noveletto.

Desconfio que a saída de JP possa ter sido em função da entrevista explosiva do goleiro Paulo Victor. A direção pode ter avaliado como erro a liberação do goleiro, que caiu em desgraça perante a torcida. PV foi uma ovelha cercado por uma alcateia faminta. Acuado, se defendeu do jeito que foi possível, sobrando farpas para todo lado.

De concreto apenas o trabalho bastante questionável de alguns profissionais na temporada passada, o que levou parte da torcida a saudar a decisão do presidente. Eu mesmo tinha restrições à preparação física do time.

Agora, por que Bolzan, esperou os treinamentos começarem? Não seria o caso de começar já com uma nova comissão técnica? O que aconteceu?

A única explicação que vejo e que se costuma fazer no futebol: limpeza da área.

Bolzan, talvez cansado de acumular funções, encontrou alguém que ele considera adequado para o trabalho no futebol. Pode ser um vice de futebol (cargo político).

Pela movimentação do presidente, aposto mais num dirigente remunerado, alguém experiente, com trânsito livre e com histórico recente de vitória.

Dentro desse raciocínio, penso que não se pode afastar a figura de Paulo Pelaipe, de excelente trabalho no Flamengo, de onde foi demitido sob fortes protestos da torcida.

Há outros nomes no mercado, mas penso que Pelaipe é o mais forte no momento. Isso não significa que eu defenda sua contratação.

Por fim, sou mais favorável a um vice político, tipo Adalberto Preis, que, ao lado de Ico Roman, tirou o Grêmio do atoleiro de 15 anos sem grandes títulos.

O volante ‘raçudo’ e os saudosistas dos anos 90

Aí a gente abre o jornal e depara com a ‘informação’ de que o Grêmio, a pedido do treinador Renato, busca um volante sul-americano ‘raçudo’.

Fiquei interessado, mesmo desconfiado de que seria mais um chute, uma especulação neste período de poucos fatos e infinitos boatos.

Não aparece no texto nada que sustente minimamente a afirmação. Diz apenas que o time perdeu dois volantes de marcação e que vai precisar de pelo menos um tipo o Michel e o Rômulo. E só.

É quase certo que virá um volante de mais pegada no meio, até como opção de jogo em algum momento. Mas o técnico gremista já deixou claro que sua preferência é por volantes de ‘saibam jogar’.

Esse tipo de matéria especulativa tem como principal objetivo preencher espaço no jornal/site.

Mas o tom enfático de que Renato pediu um volante raçudo, forjado nos campos ásperos da América Latina, remete para uma velha discussão sobre a forma de jogar do time.

Apesar de interromper um ciclo de 15 anos sem título, o time de futebol franco, arrojado e ainda por cima bonito, com poucas faltas, armado por Renato em 2016 tem alguns críticos, muitos deles com história no clube, com influência política, além de jornalistas.

‘Faceiro’ é a palavra mais usada por esse pessoal, que continua com os dois pés cravados nos anos 90, para definir o tipo de jogo desse Grêmio que voltou a ser campeão depois de tanto tempo e, ainda por cima, ‘Que sacrilégio!’ sem resquício de violência.

O declínio do time dá um novo gás a esse grupo, que tem Felipão como maior guru, e que mal disfarça admiração pelo técnico que não ouso dizer o nome, mas que anda esquecido, à espera de um telefonema. Esse grupo admira, ainda, Mano Menezes, Odair, e outros menos votados, além de defender o volante raçudo, o zagueiro espantador e o centroavante de carteirinha, cabeceador juramentado.

Então, esse tipo de matéria parece ter sido encomendada pelos saudosistas de um tipo de futebol que nos deu muita alegria, com certeza, mas que está virando peça de museu.

Ainda sobre lobby: nada supera o feito para repatriar Edílson. Impressionante, injustificável.

COPINHA

Por falar em volantes, quem sabe uma olhada mais firme para a gurizada da base. Tem cada volante bom surgindo…

GOLEIRO

É impressionante o lobby para trazer Vanderlei. Goleiro veterano, rumando para a aposentadoria, que, segundo os lobistas, viria para substituir Paulo Victor com vantagem.

Ora, são dois goleiros do mesmo nível. PV pode ter cometido erros, mas está longe de ser essa desgraça que os lobistas querem fazer parecer. Pelo contrário, é um bom goleiro.

Aqueles que detonam PV será que realmente acompanharam Vanderlei para garantir que ele é superior?

O melhor é investir nos goleiros da base, uma tradição do clube, aliás.

Por fim, está na hora de formar goleiros que joguem com o pé, tendência mundial.

Grêmio mantém um grupo forte para reiniciar

São raros os clubes no país que conseguem iniciar uma temporada com o time titular praticamente definido (dúvidas em duas ou três posições) e um grupo de bom nível.

Mesmo assim há espaço para qualificar e tornar o time ainda mais competitivo, brigando pelos títulos como tem acontecido desde 2016.

Raros são os clubes, também, que conseguiram manter um nível de rendimento nesses três anos e meio tão alto quanto o Grêmio. Alguns não reconhecem isso e vivem encontrando algum motivo para criticar.

Por exemplo, cobram da direção mais agilidade e celeridade nas contratações (‘Mas como, só dois reforços até agora?’). Não falta gremista irritado por que o time começa o ano sem as contratações que estariam faltando, na opinião deles.

É evidente que também sou a favor de começar com o grupo plenamente reforçado, mas não é fácil negociar com tantos atores envolvidos em cada negociação.

Sem falar na concorrência como a de um Flamengo, que contrata quem quer a hora que quiser.

Tem, ainda, aqueles torcedores revoltados por que o Grêmio começou a temporada somente a partir desta quinta, dia 9. É a ‘cultura da preguiça’ prevalecendo, dizem nas redes sociais.

Não vejo ninguém elogiando as dois ‘reforços’ dos mais importantes e que não está sendo contabilizados: a não contratação de Edílson e a não contratação de Pedro. Torço agora para que Vanderlei não seja contratado.

Impressionante o que tinha de torcedor e jornalista querendo ver Edílson de volta ao tricolor. Pelamordedeus! Sem comentários.

Já minha satisfação pela não vinda de Pedro se deve a três coisas:

-custa muito caro

-passou por uma cirurgia muito delicada

-um camisa 9 como ele já chega como titular, o que acaba prejudicando a aplicação e consolidação do esquema de ataque móvel, o meu preferido.

Centroavante de carteirinha somente alguém com cacife menor, para que ele chegue como opção, como alternativa de jogo, nunca como um jogador que ganha a posição de cara, só no nome.

Mas nossa cultura futebolística resiste a jogar sem o camisa 9 (Jardel deixou adoradores).

Não quero dizer que times com centroavante não funcionem, apenas entendo que o esquema com mais flexibilidade na frente é mais eficiente e competitivo hoje, além de ser mais agradável de assistir.

Saudade daquele time que ganhou a Copa do Brasil de 2016 e a Libertadores de 2017. Aliás, já sinto saudade de Luan.

Noites atrás sonhei com ele arrebentando no Corinthians. Sério.

Por fim, faltam sair alguns nomes. Eles estavam lá na Arena. Medo.

A LISTA

Goleiros
Paulo Victor
Julio César

Zagueiros
Geromel
Kannemann
David Braz
Paulo Miranda
Rodrigues
Marcelo Oliveira

Laterais-direitos
Victor Ferraz
Leonardo Gomes

Laterais-esquerdos
Cortez
Juninho Capixaba

Volantes
Maicon
Lucas Silva
Darlan
Thaciano

Meias
Jean Pyerre
Patrick 

Atacantes
Alisson
André
Diego Tardelli
Everton
Luciano

Jesus demorou mas respondeu a Renato

Em longa entrevista para uma emissora de TV de Portugal, o técnico Jorge Jesus finalmente respondeu ao seu colega brasileiro, Renato Portaluppi. A resposta chega com uns três ou quatro meses de atraso, o que me lembrou um velho ex-piloto de F-1, até hoje alvo de brincadeiras e piadas.

Em setembro do ano passado, Renato, que ainda não descobriu que manter a boca fechada por vezes pode ser melhor para ele, decidiu questionar Jesus, que começava uma arrancada rumo aos títulos do Brasileirão (prioridade anual de um grupo de gremistas que mal lotam uma Kombi – vou ser linchado depois dessa) e da Libertadores.

Jesus bateu forte, mas com elegância.

— Eu achei que só poderia responder isso com trabalho. O Renato também nunca saiu do Brasil. Nunca ganhou nenhum Campeonato Brasileiro. Mas tudo bem, o Renato é um treinador querido no Brasil. Antes de eu chegar, ele era o número 1 — afirmou o português.

Esse português decididamente não é o das piadas. Sabe ser fino e ácido. Gostei da frase final: “Antes de eu chegar ele era o número 1”. O Renato deve estar se revirando. Esse missa ainda vai longe.

Tudo começou com essa declaração de Renato, sentindo-se ameaçado na disputa pelo trono de melhor técnico em atividade no país:

— Concordo que o Flamengo está jogando o melhor futebol do Brasil junto com o Grêmio, mas o Jorge Jesus ganhou só dois ou três títulos portugueses. E saiu de Portugal, foi para a Arábia. Ele nunca treinou fora de Portugal um grande clube na Europa. Nunca conquistou nada e está com 65 anos — disse Portaluppi.

Não precisava, mas aí não seria o Renato, que não deixa nada pra depois.

O fato é que os dois têm um tanto de razão.

Agora, se olharmos a trajetória dos dois, Renato ganha fácil em termos de consagração e conquistas como jogador e treinador. Até estátua virou.  

Sem esquecer nunca que a carreira de Jesus, mediana como jogador e técnico (até esta passagem consagradora por aqui) se desenvolveu em Portugal, uma espécie de Goiás do futebol europeu.

Ah, os melhores momento do futebol português foram com dois brasileiros: Oto Glória, nos anos 60, e Felipão.

Mas o jogo não terminou, tem mais provocações por aí. É só uma questão de tempo.

Grêmio altera sua fotografia de forma criteriosa

O Grêmio começa a temporada dia 9, quinta-feira, com duas contratações. Supostamente, dois reforços. Isso o tempo irá dizer.

Tardeli e André também era dois ‘reforços’, mas foram contratações que acabaram decepcionando e frustrando. Se essa dupla tivesse dado a resposta que se esperava, o time por certo renderia mais e talvez estivesse hoje com pelo menos mais um troféu em sua invejável galeria de grandes conquistas, justificando o milionário investimento feito.

Mas futebol é assim mesmo. Os dirigentes mais erram do que acertam, porque o imponderável é uma nuvem escura que assombra cada iniciativa. Cada contratação é uma aposta, e isso vale também para jogadores de renome como os dois citados.

O que eu não aceito, e me deixa revoltado, são contratações caras feitas a toque de caixa, sem melhor apuração rigorosa e criteriosa sobre a vida do jogador fora de campo. Nem vou citar exemplos porque perderia meu tempo e o de vocês.

O passado ficou para trás, mas lança luzes para o presente e o futuro. Espero que os dirigentes (leia-se Romildo Bolzan) e seu braço direito no futebol, Renato Portaluppi, estejam contratando também cidadãos e fugindo dos chamados boleiros, como esses que gostam de infernizar a vida dos vizinhos com festas que varam a madrugada.

Ah, e por favor, RB e Renato, afastem-se dos jogadores que voltam ao Brasil com os bolsos cheios de dinheiro e que só chegam para fazer o tempo passar, milionariamente remunerados, zombando escandalosamente do

Cuidado, também, com os ex-jogadores que se oferecem a todo instante usando as redes sociais e a mídia tradicional para difundir ‘notícias’ de que estão em negociação e/ou estão disponíveis para voltar ao clube. Aqui, refiro-me ao Edilson, cujo futuro deve ser o Avaí ou algo assim, porque a história dele no Grêmio acabou.

Será um acinte esse possível retorno do Edilson, como defendem alguns neófitos ou inocentes úteis. Se eu já não tivesse cancelado meu título de sócio, rasgaria a carteira.

É impressionante o esforço de alguns setores da imprensa para recolocar Edilson no Grêmio.

Enfim, chegamos a Victor Ferraz e Lucas Silva. Não aprovo nem desaprovo – e isto não faz qualquer diferença -, mas fico com um pé atrás. Os dois nunca chamaram minha atenção, o que também não quer dizer grande coisa, admito, apesar do meu histórico de farejador de talentos.

Mas ambos vêm de dois grandes clubes. Lucas Silva tem passagem pelo Real Madrid, o que não é pra qualquer um. A imagem que tenho dele é de ser um volante/meia operário, como o Ramiro, talvez com um passe mais qualificado.

Espero que os dois possam ser considerados realmente reforços com o passar dos jogos, e reforços que acrescentem muita qualidade ao time.

Tem esse Caio Henrique, que está pra chegar, segundo leio. É outro que parece ser uma aquisição importante. Vamos ver.

O principal é que a direção está fazendo contratações cirúrgicas, seguindo o clamor da torcida.

É o Grêmio alterando sua fotografia.

Que tenhamos todos um ano de conquistas, valorizando mais o Brasileirão, sem deixar de seguir investindo nas Copas.

Muito chute e pouca informação no noticiário da Dupla Gre-Nal

Em contraste com o calor normalmente intenso nesta época, temos a friagem do notíciário. Abundam ‘notícias’ de compra e vende de jogadores, dando a impressão de que o mercado está em ebulição.

O que temos é um tiroteio de supostas informações – a maioria não resiste alguns dias e acaba evaporando como uma gota d’água no asfalto escaldante.

A época é propícia para os ‘chutes’ jornalísticos, com especulações de todo o tipo. Depois, ninguém mais lembra. Se alguém se der ao trabalho de conferir o que foi publicado em dezembro/janeiro vai levar um susto. É muita baboseira.

E por que isso acontece?

Vocês sabem o que é chegar ao jornal e encontrar páginas e páginas em branco, páginas serão preenchidas custe o que custar.

E aí começa valer tudo, ou quase tudo, só não pode (acho que já pode, né Raul?) ‘homem com homem e mulher com mulher’.

No meu tempo de jornalista esportivo no Correio do Povo, era matar um leão por dia. Hoje, é preciso matar mais leões ainda. Os sites na internet também precisam ser abastecidos. Nem sempre há preocupação em chegar informações que chegam voando por uma janela e saindo por outra.

É por isso, essa necessidade de municiar os sites dos grandes veículos impressos, que são são comuns alguns absurdos especulativos, opiniões sem embasamento, mas publicadas com a intenção de provocar algum tipo de reação e polêmica.

Por exemplo, um jornalista sugeriu recentemente que o Grêmio deveria insistir com Tardelli. Levou uma saraivada de críticas, algumas de baixo nível. Mas conseguiu aquilo que mais importa hoje na mídia: os cliques.

Não sei se é exatamente por aí, mas acho que o número de cliques ajuda a preservar empregos. Se é verdade, o pessoal tem que suar a camisa.

Interessante também como se transforma algo sem fundamento em notícia de capa e, muitas vezes, em fato.

Eu costumava fazer isso nesta época de transição de uma temporada para outra. Pensava num nome que eu gostaria de ver no Grêmio. Arrascaeta, em início de carreira no Uruguai, por exemplo.

Telefonava para um jornal ou emissora de rádio de Montevideo e perguntava se o Grêmio já havia entrado em contato com o Defensor. O cara do outro lado nada sabia, óbvio, mas se mostrou interessado.

Aí, eu transformava esse meu devaneio em notícia, sem maior destaque, mas com o nome do uruguaio no título. No outro lado, o colega uruguaio fazia o mesmo, parecendo que a ‘notícia’ tinha origem na imprensa uruguaia, o que dava maior dimensão e importância à minha ‘sugestão’ para a direção do Grêmio.

Quer dizer, esse tipo de coisa geraria muitos cliques. Afinal, se tratava de um suposto interesse tricolor por uma revelação uruguaia.

Fiz isso algumas vezes. Uma vez foi com o Dener, que acabou vindo parar no Olímpico. Mas isso é outra história, já contada aqui.

Então, meus amigos, companheiros aqui do blog, esse é uma época que não me dá saudade, porque não é fácil fechar uma edição diariamente sem notícias interessantes, situação agravada com os sites.

Prestem atenção no noticiário da dupla Grenal e vejam se não tenho razão em não comentar e analisar o que está acontecendo.

Agora, se vocês quiserem minha opinião sobre alguma coisa específica é só colocar nos comentários abaixo.

VIRADA

Bem, se a gente não se encontrar mais, um bom 2020 para todos, com muita saúde, tolerância e realizações.

Por fim, não esqueçam: somos todos gremistas aqui. Nossa ‘briga’ é com eles…

SAIDEIRA

Não estou gostando da movimentação gremista no tabuleiro do mercado futebolístico. Estou preocupado.

Liverpool vence e Jesus sofre sua primeira perda no Flamengo

O Liverpool confirmou seu favoritismo e conquistou seu primeiro título mundial ao bater o Flamengo por 1 a 0. O time carioca saiu de campo de cabeça erguida, aplaudido por seus torcedores, enquanto os representantes dos veículos de comunicação, em especial os do Rio, choramingavam desolados.

A dor de perder uma decisão como esta, difícil de chegar, é imensa, uma navalha na carne. Senti isso contra o Ajax (a perde do titulo foi um crime, sem exagero) e contra o Real Madrid de Cristiano Ronaldo.

Quem ficou diante da TV assistiu a um grande jogo, com lances de gol nas duas áreas. O Liverpool chegou com mais perigo e criou as melhores oportunidades. O goleiro Diego Alves salvou o time com grandes defesas, além de sua reconhecida qualidade com os pés.

Aliás, penso que em breve não haverá nos clubes de ponta lugar para goleiro que não saiba jogar com os pés, a exemplo de Diego Alves e Alison, embora este seja um tanto abusado, acreditando demais em sua técnica.

No início da prorrogação, o gol de Firmino, numa bela jogada, bem ao estilo do futebol dos ingleses, saída rápida, bola vertical para a frente e a velocidade de execução dos atacantes.

Importante destacar que o Liverpool cresceu mais no jogo a partir das substituições de Jorge Jesus, que sacou Arrascaeta e Éverton Ribeiro. Segundo o técnico, os dois estariam cansados.

Ora, ora, na último jogo da temporada, apareceram reflexos de uma maratona imposta ao time titular. Houve também casos de jogadores com cãibra, como o goleiro Daniel e o Gabigol, de atuação modesta para quem prometia um gol ao menos em cada jogo. Hoje não teve gol do Gabigol.

As substituições que resultaram na queda de rendimento do time já estão dando o que falar no centro do país, no tambor do eixo Rio-SP. O pessoal saiu do estádio frustrado. Alguém precisa ser responsabilizado, como normalmente acontece no futebol, e os mais fanáticos e inconformados não vão engolir essa derrota sem protestar e culpar o técnico.

Agora, a maioria reconhece os méritos do técnico e do seu time. Jorge Jesus, que sofreu sua primeira perda no Fla, já inscreveu seu nome na história recente do futebol brasileiro. Seu sucesso em tão pouco tempo – mesmo considerando a qualidade superior de seus jogadores – já está inspirando outros clubes nacionais a investirem em treinadores de outros países.

Por fim, não importa o idioma que falem, o que esse pessoal que vai chegar precisa acima de tudo é mostrar serviço, e poucos terão grupos de tanta qualidade como teve o técnico português. Não existe mágica no futebol.

LIÇÃO

O Liverpool mostrou que jogar para a frente, com lançamentos longos e certeiros, verticalizando o jogo, pode ser uma alternativa ao futebol praticado pelo Grêmio, por exemplo, que é mais cadenciado. O ideal, a meu ver, é uma mescla.

Um raro deslize do presidente Romildo

Sempre tão diplomático e tranquilo nas entrevistas, o presidente Romildo Bolzan, a meu ver, pisou na bola durante entrevista à RBS, quinta-feira. Nunca pela decisão sensata e inteligente de não continuar com o Trio Desesperança em 2020, atendendo apelo das redes sociais.

O problema é que o zeloso presidente tricolor expôs demais os jogadores. Todo mundo sabe, agora, que o clube não deverá contar com Tardelli, André e Rômulo.

Ressalto que vibrei com a notícia e tenho impressão até de ter ouvido foguetório ao longe na hora do programa.

Penso que Romildo tentou apagar o fogo na selva das redes sociais, onde já faz tempo são fortes e duras as críticas de um grande número de torcedores contra esses três atletas, em especial os dois primeiros.

Rômulo também não agrada, mas dele nunca se esperou muita coisa. O problema dele é que surgiu uma especulação de que o Grêmio compraria seu passe por R$ 5 milhões de reais, o que, convenhamos, merece repúdio e revolta da masse gremista.

O que faltou nessa história foi bom senso ao presidente – coisa rara. Ele esqueceu de uma velha cartilha do clube, herança dos anos 60. “Assunto de economia interna”, deveria ter respondido ao ser questionado sobre os três jogadores.

O que temos agora é que eventuais interessados vão poder barganhar e contratar qualquer um deles por um custo bem inferior ao que o Grêmio gastou e ainda gasta com eles, como, por exemplo, pagamento de remuneração compartilhada. Sem contar alguma eventual medida judicial pela exposição negativa dos profissionais.

Bem, depois de tantos acertos, como a renovação de contrato do Professor Renato Portaluppi, Romildo tem direito de cometer algum deslize de vez em quando.

Gurizada gremista vence Copa RS e revela talentos

Quando repórter esportivo, eu gostava de assistir aos treinos da gurizada, juniores e juvenis. Nem sempre era possível, mas eu tinha uma boa ideia de quem teria condições de aproveitamento no time principal.

Lembro, por exemplo, do Paulo Roberto, que jogava muito como volante. Lembro também do Luís Carlos Winck, que se destacava como volante. Cito esses dois porque foram acertos importantes que tive na época – é claro que errei também e ainda erro -e também porque ambos saíram do meio para a lateral, onde conseguiram projeção nacional. Poucos ganharam tantos títulos quanto PR.

Os dois são a prova de que o técnico Osvaldo Rolla tinha razão: lateral não se compra, se forma. Mas para isso é preciso gente competente, interessada e de olho clínico no futebol.

Mas vamos ao que interessa. Depois de muito tempo dediquei meu tempo – um tanto ocioso ultimamente – à missão de detectar quem tem futuro ou não no futebol, a partir do torneio Copa Ipiranga/RS, disputada no Estado, e que terminou com o Grêmio campeão.

O Grêmio ganhou cinco jogos e empatou dois. Tem o goleador, com cinco gols, Jonatha Robert, e o goleiro menos vazado, o Vinicius, com apenas três gols sofridos.

O título foi conquistado com a vitória por 1 a 0 sobre o Vasco, domingo, no estádio da PUCRS.

Sobre o jogo em si: o time do Vasco foi melhor. Não seria injustiça se conquistasse o título. Gostei muito do lateral-direito Nathan, entre mais uns dois ou três atacantes e meio-campistas.

Entre os jogadores do Grêmio começo com o goleiro Vinicius Machado. Ele foi bastante exigido na final, fez grandes defesas e mostrou tranquilidade. Está praticamente pronto para disputar posição de goleiro titular.

Sobre os jogadores com mais futuro do time tricolor, começando com o sistema defensivo:

-o zagueiro Ruan (tranquilo e firme na medida certa. Já pode subir para o grupo profissional e conviver com a dupla Geromel/Kannemann;

-os volantes Jonatha Varela e, principalmente, Lucas Araújo.

Não há necessidade alguma de renovar com Rômulo ou contratar algum outro volante que não seja de exceção. Não sei se é o caso desse do Atlético PR que estão sendo especulado.

no setor ofensivo eu destaco o Jhonata Robert (não foi tão bem na final) e o Léo Chú, autor do gol da vitória na decisão.

Diante da escassez de laterais, Felipe e Jefferson merecem ser observados com atenção.

O time campeão: Vinicius Machado; Felipe, Ruan, Emanuel e Jefferson; Jhonata Varela e Lucas Araújo; Hermandes (Fernando Henrique), Jhonata Robert (Elias) e Léo Chú (Jorge); Fabrício (Rildo) (João Marcelo).