A decepção causada pelo grande capitão tricolor

É inevitável. Não é raro a gente deparar com pessoas que por uma razão ou outra acabam, em algum momento, nos decepcionando. E isso ocorre em várias atividades.

No futebol, então, as decepções são comuns. Mas nada que me tire o sono, numa comparação com a política partidária.

É o dirigente, é o técnico, é o jogador. É importante frisar que a decepção só acontece com alguém em que se cria uma expectativa otimista. Quanto mais otimismo, maior a decepção.

Um caso emblemático: André. Não esperava muito dele, mas acreditei que ele poderia ser o goleador que o time precisava. Pior que ele é Diego Tardelli, este sim quase uma unanimidade. Maior decepção dos últimos anos, ao menos pra mim.

Os dois tiraram, e ainda tiram, um bom dinheiro do Grêmio, um dinheiro que está se tornando cada vez mais escasso em razão da pandemia, que amontoa vítimas pelo mundo, provoca fechamento de empresas e desemprego incontrolável e assustador.

Tudo isso já respingando no futebol.

E é aí que entra um jogador que conquistou meu respeito e admiração por suas ações dentro e fora de campo. Como esquecer a peitada no galinho vermelho num Gre-Nal? E sua liderança no vestiário e firmeza dentro de campo.

Realmente, o grande capitão do time que encantou o país e lavou minha alma.

Ele estava cotado para entrar na minha seleção tricolor de todos os tempos. Assim como não há lugar para traíra no meu time, está fechado o acesso para aqueles cuja conduta não é a mais adequada, diante da minha ótica.

A decepção com Maicon é extra-campo. Ele entrou na justiça do Trabalho contra o São Paulo (posso imaginar que fará o mesmo no Grêmio) cobrando adicional noturno e jogos aos domingos e feriados.

É o fim da picada! A bola do futebol já está murchando no meio da pandemia, e ficará no bagaço se Maicon tiver seguidores. Prevejo quebradeira de clubes.

Maicon, que venceu em segunda instância (na justiça do trabalho pelo jeito ela, a segunda instância, vale para condenar e mandar alguém pra cadeia), deve receber uns 700 mil reais.

Ele se defende dizendo que foi muito sacaneado por outros clubes, e até citou alguns. Nada, porém, que justifique essa cobrança a meu ver absurda, tão absurda quanto a decisão do juiz.

O Corinthians já está tomando providências. Vejam só:

“O Corinthians comunicou à Federação Paulista de Futebol, à CBF e à Rede Globo de que não deseja mais jogar aos domingos e também à noite. A medida visa evitar eventuais processos trabalhistas.

A decisão do clube acontece dias após o volante Maicon ganhar ação do São Paulo na Justiça devido à falta de pagamento de adicionais noturnos e atividades realizadas aos domingos e feriados no período em que defendeu o time paulista (de 2012 a 2015)”.

Chegou a hora de os clubes se unirem, se aliarem à CBF, as federações e as empresas que veiculam jogos de futebol.

Justiça trabalhista no futebol

Tive acesso a uma reclamatória trabalhista de um ex-integrante da comissão técnica do Grêmio.

Ele pede coisas que eu sequer imaginava ser possível. São uns 20 ítens. A maioria, pra mim, novidade.

Se ele for vitorioso será outro caso que irá gerar jurisprudência.

Penso que o jogador de futebol não pode ser tratado como um trabalhador comum. Mas também necessitam de amparo, principalmente a grande maioria que joga por dois ou três salário mínimos.

Agora, deve sempre prevalecer o bom senso.

O meu melhor Grêmio de todos os tempos (parte 1)

Muita gente aproveitando a quarentena para propor que cada um forme sua melhor equipe gremista e algo parecido.

Confesso que tenho enorme dificuldade para formar apenas uma seleção do Grêmio juntando jogadores de épocas diferentes.

Começo escrevendo sem saber qual o time que formarei como sendo o ‘meu’ Grêmio. Espero chegar a uma conclusão em seguida ou até a próxima quarentena (esse negócio de vírus não termina aqui, vocês sabem).

Na verdade, nunca dei bola pra isso, mas já participei desse tipo de distração algumas vezes, sempre depois e ou durante rodadas de cervejas ou chopes cremosos, como diria o David Coimbra.

Aliás, faz anos, uns 15 anos, que eu, David e outros colegas montamos uma seleção do melhor Grêmio. Foi após um jogo de futebol de salão entre CP e ZH (perdemos porque nosso único goleiro saiu no intervalo para ficar bebendo ao lado da cancha enquanto a gente se matava na quadra).

Bem, hoje eu não me limito a formar apenas um time. Preciso homenagear, por exemplo, o time dos 12 títulos em 13 anos, conforme definiu o Ricardo Wortmann.

Foi um Grêmio que eu, guri cheio de sonhos e expectativas, acompanhei pelo rádio (Guaíba) e pela Folha da Manhã ou Folha Esportiva na praça matriz de Lajeado, entre uma bergamota e outra ao lado do meu amigo Ricardo, hoje morador de Cruzeiro do Sul.

Sei de cor e salteado a escalação desse meu ‘melhor Grêmio’:

Alberto (o melhor goleiro que eu não vi jogar); Altemir, Airton Áureo e Ortunho: Cléo e Sérgio Lopes; Babá, Joãozinho, Alcindo e Volmir.

Tem ainda o goleiro Arlindo, além do Vieira e Milton Kuelle (jogadores modernos), e de Paulo Lumumba e Marino. São os nomes que me ocorrem.

Sobre o Marino, que fez 4 gols num Gre-Nal, indico, recomendo com entusiasmo, o site do RW, no qual Ricardo e Daison Santana fazem um trabalho admirável de resgate histórico de coisas que foram ‘esquecidas’ ou nunca devidamente valorizadas pela mídia red.

Bem, esta é a minha primeira seleção do ‘melhor Grêmio’.

Aguardo a seleção dos amigos.

Continuo com o assunto no meu próximo artigo. A qualquer dia, qualquer hora, neste mesmo lugar.

Quarentena à brasileira

O presidente, em reunião com seu colegiado, na semana passada, anunciou que estava fazendo o desligamento de um dos principais integrantes da equipe, mesmo contrariando a vontade do Treinador.

Era um processo de fritura que já vinha há meses. Todos sabiam que mais cedo ou mais tarde aconteceria o desfecho agora anunciado. Era inevitável.

Na linguagem do futebol, o profissional a ser afastado era ‘bruxinho’ do Treinador. Os integrantes do alto escalão tentaram dissuadir o presidente, mas sabiam que ele estava determinado a concretizar sua decisão a qualquer custo.

Ao ser informado que seu braço direito, homem de sua total confiança, seria afastado, o Treinador decidiu que abandonaria o trabalho em andamento. Convocou a mídia e anunciou sua saída, aproveitando para atacar o presidente, com quem aparentemente mantinha boa relação.

O presidente, em entrevista coletiva, alegou que o Treinador estava sendo negligente diante de uma série de situações. Exigia que seu subordinado cobrasse do capitão do time medidas mais fortes diante de alguns fatos ocorridos durante a quarentena causada pelo coronavírus, somando-se a problemas da temporada do ano passado.

Na verdade, o presidente, a exemplo de outros que o antecederam, queria ter acesso ao vestiário, insatisfeito com o rumo do trabalho comandado pelo treinador, que, por sua vez, firmou posição contrária.

O Treinador estava fechado com o grupo que o acompanhou numa campanha exitosa e que acabou resultando em sua nomeação como treinador de seleção, atendendo clamor popular. A população via nele uma espécie de salvador da pátria, por sua coragem, competência e postura ética.

Essas qualidades não foram suficientes para mantê-lo na linha de frente da seleção verde-amarela. Faltou-lhe, talvez, mais humildade e tolerância, e sobrou-lhe, sem dúvida, vaidade.

Entre mortos e feridos, quem perde somos todos nós, torcedores e secadores. Mesmo assim, tem gente esfregando as mãos e festejando.

Os dias eram todos iguais

Este seria o título de algo que eu fosse escrever dentro de alguns anos sobre a vida durante a epidemia. Ele resume como me sinto e como estou, perdido nas horas, nos dias, com dificuldade de adaptação a uma vida que escorre pausadamente como areia entre os dedos.

Na semana passada, levei um susto quando me disseram que domingo seria a Páscoa. Ontem, sábado, alguém comentou que terça-feira é feriado. Hoje é domingo, dia de assar uma carne. Mas me passei e comi um risoto (bom demais) feito pela esposa.

Aliás, esses dias de confinamento, de prisão domiciliar sem tornozeleira, serviram para que eu descobrisse, depois de tantos anos, que ela até que é uma pessoa legal. Sério. Posso escrever isso porque ela não costuma ler o blog, rsrsrs.

Na real, eu poderia fazer churrasco todos os dias, se a carne de gado não estivesse custando tão caro. Não tenho nenhum compromisso, além das tarefas diárias como lavar a louça. Poderia tomar uma caipira na hora do almoço, como se domingo fosse.

Outro dia saltei da cama e me vesti às pressas. Colocava o sapato quando minha companheira de cativeiro me perguntou. Vais ao médico? Foi aí que caiu a ficha. Não, eu não ia ao médico. Aliás, ando fugindo deles desde que fiz a cirurgia de ressecção da próstata, dia 26 de novembro (nunca vou esquecer essa data). Não quero que descubram mais nada.

Vesti o abrigo de moleton, meu companheiro mais fiel. Só ando de calça ou bermuda de moletom com camiseta. Poderia doar boa parte das minhas roupas, especialmente as mais formais. Nesse aspecto a vida ficou mais barata, mais simples, como deveria ser e eu me esforço para que seja.

Hoje, meu tempo maior é ocupado em conviver intensamente com meu filho de quatro anos. Cansa? Quem teve filho sabe que cansa, mas sabe também o quanto é gratificante.

Acordo todos os dias em torno de 8 horas, como ele entrando no quarto e chamando os pais sem qualquer cerimônia. Um reizinho. Quer mamadeira, quer desenho na TV ou no celular, e por vai, dando ordens.

Eu e a esposa nos revezamos, mas eu fico a maior parte do tempo com ele. Ela cuida da empresa (@pastadicapri, no instagram). Uma empresa delivery, que vende através do iFood. Comida italiana, especializada em massas e risotos.

Aproveito para fazer esse comercial porque preciso arrumar mais clientes. A crise também nos pegou em cheio. Posso garantir que a comida é muito boa, com preço acessível.

Bem, então eu fico o dia todo às voltas com meu garoto, futuro camisa 10 da seleção brasileira. A escolinha dele está fechada. Eu agora sou a escolinha. Tudo isso para explicar por que fiquei tanto tempo sem escrever. Mais exatamente um mês desde o último artigo, 19 de março.

Sei que poucos perceberam minha ausência. E isso me faz lembrar que de vez em quando alguém pergunta sobre como está o CP. Quer dizer, nem percebeu minha falta. Eu respondo: “Olha, eu saí de lá em 2010, então não sei dizer como está o jornal”. O cara: “Que pena, eu gostava das tuas colunas”, Eu me divirto com essas situações.

Mas tudo isso só pra dizer que os dias, ao menos para mim, têm sido iguais, não muda nada. Não há diferença entre um dia de semana, um feriado ou um domingo. A mesma rotina.

Hoje, escrevo aqui porque consegui conciliar um tempo livre com mais vontade de escrever.

Prometo aparecer mais seguidamente.

Talvez até pra falar de Grêmio, futebol, coronavírus e a Organização Mundial da Saúde, que meteu os pés pelas mãos e se revelou uma entidade mais política do que técnica, ao menos no caso atual. A OMS sai do episódio com sua credibilidade (para dizer o mínimo) tão abalada quanto a de certas empresas de comunicação e certos jornalistas.

Renato, coronavírus e colunismo social na pausa do futebol

Não levo jeito para jornalismo social, mas pelo que tenho visto nos espaços esportivos (leia-se futebol) é o que nos resta. Fora isso, tem notícias ecoantes como ‘Cria do Boca contratado pelo Inter’, a ‘ascensão que o coronavirus interrompeu no Inter’, ‘Pepê pode render uma boa grana ao Grêmio’, “quais as maiores vendas na história do Grêmio’, etc.

Só friagem. Era de se prever. Sem jogos de futebol, nem treinos, há pouco o que fazer para preencher os espaços. Já passei por isso, e posso garantir que muitas vezes bate o desespero.

O editor grita lá do canto: “Duas páginas de Grêmio, uma e meia do Inter”. O repórter, coitado, que se vire.

Tudo culpa desse ‘vírus chinês’, como diz o Trump.

Pois o coronavírus está por trás de um dos assuntos que mais polêmica causaram nesta semana: Renato Portaluppi jogando futevôlei no Leblon. Sempre que ele vai arejar a cabeça à beira-mar aparece alguém para cornetear. Acho que o Grêmio não deve mais contratar treinadores que aproveitam a vida, e tiram dela o que há de melhor.

Renato, com seu jeitão de adolescente enrugado, diz o que pensa, e não raro provoca reações adversas, raivosas até, como neste caso em que ele num dia fala em greve dos jogadores por causa do vírus e no outro aparece feliz da vida batendo uma bolinha no Leblon.

Li e ouvi tantas críticas e adjetivações rançosas que decidi conferir o que ele havia feito, qual crime havia cometido.

Mais grave que isso foi manter André de titular durante tanto tempo, por exemplo. E é esta parte do que Renato faz que me interessa e preocupa.

É óbvio que fosse outro treinador a repercussão seria mínima, mas tudo envolvendo Renato resulta em manchetes e tema para debates, enquetes, etc.

O material não serve nem para o colunismo social e/ou páginas de fofoca na mídia tradicional e na internet.

Se eu fosse fazer esse tipo de jornalismo – não nego que fiz algo parecido algumas vezes no meu passado de repórter – optaria por destacar a matéria em que Renato, com um chapelão pra lá de cafona ou modernoso, aparece ao lado de sua bela filha, Carol, numa piscina de cobertura,com o mar esplendoroso ao fundo.

Por fim, lembro que quando Renato deixou o Grêmio por 600 mil moedas, em quatro parcelas que o Flamengo sempre atrasou, eu disse:

O Grêmio perde seu craque maior e, nós, da imprensa, perdemos nossa maior fonte de notícias.

Não mudou nada. A diferença é que ele permanece no Grêmio, embora muita gente gostaria de derrubá-lo, a exemplo do que acontece com um outro cara que, como Renato, fala muito.

Grêmio vira jogo antes da pausa no Gauchão

O técnico Renato Portaluppi atendeu o clamor de uma parcela – minoritária mas atuante e insistente – da torcida, e escalou o time com Éverton, por óbvio, e Pepê, mantendo um centroavante, no caso Luciano.

Com isso, ficou um clarão no meio de campo -pelo menos uns dois ou três hectares que poderiam ser destinados ao plantio de alfafa, soja ou mandioca.

Com essa seca que assola o Estado, o São Luiz, sabiamente, preferiu aproveitar o espaço farto para fazer dois gols em menos de 20 minutos

Michel, o centroavante do time, marcou o primeiro, e já tem mais gols no Grêmio que o festejado Guerrero, ídolo escarlate, em grenais.

Não sei se o Renato queria mostrar para os seus corneteiros que começar um jogo, contra quem quer seja, com dois pontas que pouco marcam, é no mínimo temerário. Por isso, joga Alisson.

Pepê é superior ao Alisson, mas Alisson cumpre uma função tática importante no esquema do treinador. Portanto, Pepê continua sendo um trunfo de valor inestimável.

Bem, não adianta repetir isso, porque cada treinador de arquibancada e/ou de sofá sempre sabe mais que o treinador de campo, ainda mais se for um ‘treinador de rachão’ como afirmam os mais agressivos, que talvez nem gremistas sejam,mas sim colorados que sonham em torcer para o clube gaúcho de maior projeção mundial.

O ‘entregador de camisetas’, resolveu a questão do vazio agrário colocando Jean Pyerre no lugar de Orejuela, que a continuar assim é forte candidato a atuar como gandula pela direita.

Jean, que é lento na marcação e na luta pela bola, é craque com ela nos pés. Thaciano fechou a porteira do lado direito e ajudou a compor o meio com Matheus Henrique.

Fora isso, o time passou a jogar mais compenetrado. As chances de gol foram surgindo e desperdiçadas.

Éverton pifou companheiros umas quatro ou cinco vezes. Ele próprio perdeu um gol imperdível.

Mas a virada acabou acontecendo, como era de se esperar. Foi justa a vitória por 3 a 2, placar que poderia ser bem maior. Gols de Paulo Miranda, Thiago Neves (seu primeiro no clube) e Diego Souza.

Agora, uma pausa em função do vírus que assusta planeta.

Ah, muito boa a ação de marketing do clube. Repercussão mundial.

Briga generalizada diminui o brilho de um grande Grenal

O primeiro Grenal pela Libertadores foi uma síntese de tudo, ou quase tudo, que aconteceu no clássico desde 1909, quando o Grêmio aplicou 10 a 0 nesse que viria a ser seu maior rival no Estado.

Na realidade, faltou o gol para o resumo ficar completo, mas oportunidades apareceram, porque os dois times, cada um ao seu estilo e com suas características, foram incansáveis na busca da vitória.

Foi um jogo para assistir sem piscar, sob pena de perder algum lance relevante. Jogo vibrante, intenso, à altura de sua importância histórica.

Até que começou a patifaria. E foi quando o jogo se encaminhava para um final com empate, resultado excelente para o visitante.

Eu diria que a confusão veio em boa hora para o Inter. Pepê recém havia entrado, fazendo uma jogada sensacional. Driblou e desviou de 5 adversários, mas chutou sem muita força para a defesa de Lomba.

Em outro lance, Éverton escapou e lançou Luciano, livre. O atacante tentou encobrir o goleiro, mas a bola subiu demais. Talvez o gol ‘mais perdido’ do jogo.

O Grêmio sinalizava que iria crescer nos minutos finais, com boas chances de chegar ao gol.

Então, foi muito conveniente a confusão, que começou envolvendo um atacante de seleção, Pepê, e um obscuro lateral, Moisés, que entrou bastante pilhado no jogo.

Os dois tiveram uma rusga, num lance banal, mas que acabou alcançando dimensão calamitosa para os interesses dos dois clubes na Libertadores.

Se o juiz Fernando Rapalini, disciplinarmente um tanto negligente, tivesse dado um cartão amarelo para os dois de imediato, tudo terminaria de outra forma. Mas ele não se impôs e a situação fugiu ao controle.

Foram expulsos: Luciano, Pepê e Caio Henrique, pelo Grêmio; e Edenilson, Moisés e Cuesta.

É possível que a Conmebol amplie a punição aos brigões, jogadores que prejudicaram uma partida de alto nível técnico e tático.

O Grenal 424 entra para a história como um grande jogo, finalizado com uma briga generalizada, na qual não faltaram pontapés, socos, tapas e até tentativa de estrangulamento.

Depois da confusão, o Grêmio ainda teve uma bela oportunidade perdida. Com oito jogadores para cada lado, o Grêmio foi superior. A bola do jogo foi um chute de Lucas Silva, que acertou a trave após desvio de Lomba. Jogada foi do lateral Victor Ferraz ao estilo Léo Moura.

GEROMEL

O zagueiro era dúvida, mas eu cantei aqui que ele jogaria, não ficaria de fora nem que tivesse o coronavírus. E Geromel foi um gigante. Mais uma vez colocou Guerrero no bolso. Foi o melhor do jogo, ao lado do goleiro Marcelo Lomba.

ELE VOLTOU

A grande notícia do clássico foi a confirmação da recuperação plena de Jean Pyerre. O guri entrou no lugar de Maicon, lesionado, e mostrou que é dono de uma vaga no time gremista. Talvez no lugar do capitão.

Um bom problema para o técnico Renato resolver.

FICHA TÉCNICA

PÚBLICO: 53.389 (total)
RENDA: 3.496.713,00
ARBITRAGEM: Fernando Rapallini, auxiliado por Juan Pablo Belatti e Gabriel Chade (trio argentino)

Grenal por enquanto em clima de harmonia e amabilidades

Vamos ao que interessa: o Grenal de quinta-feira, na Arena, o primeiro pela Libertadores. Até já poderia ter ocorrido um ou outro confronto, mas não foi possível por falta de competência do rival. O Grêmio tem muito mais participações em Libertadores. Esteve ali à disposição, mas o rival não apareceu.

Em 2007 e 2011, os dois estiveram juntos na competição. Em 2007, o Grêmio foi finalista e o Inter caiu logo na largada, talvez assustado com a possibilidade enfrentar o tricolor. Mas deve ter sido por ruindade mesmo. Depois,em 2011, ambos caíram nas oitavas.

RONALDINHO E FERREIRA

A prisão de Ronaldinho e seu mentor, tutor, guru, guia, o Assis, está ocupando a maior parte do noticiário. Outro assunto, mais restrito ao RS, é o caso Ferreirinha.

Sem conhecer os bastidores da negociação, é difícil opinar sem correr o risco de ser injusto. O que está claro é que quem mais tem a perder é Ferreirinha. O Grêmio é grande demais para ser abalado, e o empresário tem outros atletas para representar e com eles ganhar um bom dinheiro. Na verdade, todos perdem com esse impasse.

EMPATE AMIGO

Mas o que interessa mesmo é o Grenal. Por enquanto, nada de provocações. Todos muito compenetrados, respeitando o adversário. Vamos ver se isso dura até a hora do jogo.

O que preocupa é o excesso de amabilidades. Li que os dois presidentes vão almoçar juntos. Acho que é algo inédito na história do clássico. Li, também, que o Renato torce para que os dois passem de fase. Não gosto disso. Se ele realmente pensa assim, o que duvido, deveria guardar para si.

Esse tipo de coisa pode gerar algumas maldades por parte dos torcedores, que podem começar a acreditar que serão dois clássicos em que ninguém ganha nem perde. Seria uma nova interpretação da velha frase do Dino Sani: no futebol se perde, se ganha e se empata. Passaria a ser: no futebol se empata e se empata.

Não resta dúvida que a dupla é superior a seus adversários na Libertadores, mas não a ponto de motivar uma marmelada em prol de dois empates. É claro que serão dois jogos às ganhas, como se dizia nos meus tempos de peladas em Lajeado.

Mas eu dispenso excessos como esse do Renato, que podem remeter para situação como a de um clássico recente em que o Grêmio poderia ter goleado mas acabou administrando o placar com ‘peninha’ do adversário, com Renato sinalizando que o jogo estava encerrado.

O Grêmio deve jogar focado na vitória e sempre sem esquecer que tem a volta.

O TIME

A grande dúvida é Geromel, que faz tratamento para jogar. Esse tem sangue nos olhos, ele vai pro jogo.

Outra dúvida seria no meio de campo. Com Jean Pyerre voltando e Thiago Neves confirmando que é apenas uma sombra do que já foi, resta a Renato repetir o esquema com três volantes. MH, Lucas Silva e Maicon. É um meio de respeito.

Na frente, Alisson, Diego Souza e Éverton. Como o Inter vai jogar fechadinho, com poucos espaços, Pepê, apesar da boa fase, fica no banco. Ele rende mais quando tem espaço para correr e fazer jogada em velocidade. Por isso, a opção ainda pelo Alisson. Hoje, ele é o jogador número 12.

Ronaldinho, que um dia foi ‘Gaúcho’

A sacada do histórico prédio do Correio do Povo, aquela de frente para a Rua da Praia, foi cenário de alguns episódios que de vez em quando eu recordo saudoso de um tempo que não volta mais, a não ser em pensamento.

Era a ‘sacada da editoria de Esportes’. Eu, o saudoso Paulo Moura e o Hiltor Mombach sentávamos lado a lado, de costas para a sacada e de frente para a redação fervilhante.

É justamente ali, na ‘nossa’ sacada, que os fumantes se encontravam para seguir com seu suicídio lento e gradual. É claro que sobrava fumaça para quem trabalhava nas imediações do ‘fumódromo’.

Um dia, eu que tenho dificuldade para conviver com fumantes, colorados e petistas, colei um cartaz alertando: Cuidado, abelhas! Funcionou por algumas semanas.

Pensei em alertar sobre morcegos, mas desisti.

Foi nessa mesma sacada, que anos antes, em 2001, eu tive um lampejo de sabedoria, logo após o gol de Ronaldinho, – que nessa época era Gaúcho e ídolo dos gremistas -, na Venezuela, que eu declarei, num brado retumbante:

-Ronaldinho é o melhor jogador do mundo, mas só será reconhecido quando jogar na Europa.

Bem, meses depois ele deixou o clube de forma sorrateira, como quem rouba. Cobri de perto esse episódio. Os colorados vibravam na redação e fora dela. O pior é que apareceram uns gremistas para justificar a ação dos Assis Moreira.

A cronologia dos acontecimentos está registrada numa matéria que fiz para o CP, publicada acho eu no final de 2001.

Foi nessa época, cheio de raiva, na mesma sacada do ‘brado retumbante’, que eu anunciei que Ronaldinho, não mais Gaúcho, terminaria sua vida com dificuldades financeira, na merda para ser mais claro.

Lembro-me que citei um personagem que costumava ficar junto à porta principal do prédio do CP. Era um homem negro, meia idade, baixa estatura, chapéu claro, terno branco, surrado, colorido de adesivos de tudo que é tipo. Ele ficava horas ali. Nunca conversei com ele, e me arrependo.

Mas a figura dele é a que me ocorre sempre que deparo com notícias como essa envolvendo documentos falsos no Paraguai.

E não tem como não lembrar do presságio na sacada do CP. Se eu fico feliz com isso, não, não fico. O tempo ameniza certas dores e decepções.

A PEDIDO

Eu não ia tocar nesse assunto, mas recuei depois de alguns pedidos de parceiros aqui do blog.

Aliás, sou receptivo a pedidos.

Grêmio estreia com vitória e futebol convincente

Se no ano passado o Grêmio sofreu para se classificar na fase de grupo (fez um ponto em nove no primeiro turno), desta vez tudo será diferente. A vaga deve vir sem sobressaltos, a exemplo do que aconteceu nesta noite, em Cali, onde o time comandado por Renato Portaluppi venceu por 2 a 0 sem muito sofrimento.

O caminho para os três pontos foi aberto aos 14 minutos, com um gol de Victor Ferraz, mandando para a rede a bola que roçou na barreira e caiu aos seus pés. O lateral, depois de rever o lance várias vezes, me pareceu em posição de impedimento.

Depois disso, o América aumentou a pressão e chegou com perigo algumas vezes. Teve até bola na trave. Aos 24, Éverton teve tudo para ampliar, mas chutou mascado para fora.

No intervalo, Renato substituiu Maicon por Thaciano, porque sentiu que perdia a disputa no meio de campo. Adivinho que muitos gremistas, técnicos da tela plana, do sofá e da cervejinha gelada,devem ter jogado mil pragas sobre Renato. Mas como, por que ‘esse entregador de camiseta’ não coloca o Pepê (ou o Thiago Neves ou a mãe do Badanha)?

Thaciano, sem o brilho de algumas estrelas cadentes, foi útil, muito importante pelos três pontos obtidos na Colômbia. E isso substituindo o grande capitão Maicon.

Aos 4 minutos, Matheus Henrique fez 2 a 0, após receber passe de Éverton, que assim como Maicon e alguns outros, sentiu o piso duro e irregular.

O América tentou reagir, mas o Grêmio, bem posicionado e aplicado taticamente, soube administrar a vantagem até o final do jogo.

INDIVIDUALIDADES

Vanderlei foi muito seguro, e passou isso para os companheiros.

Victor Ferraz foi bem, marcando com eficiência, mas arriscando pouco a jogada ofensiva.

A zaga foi excelente. David Braz cresceu ao lado de Geromel, que saiu mais cedo, lesionado.

Caio Henrique segue sem me entusiasmar. Por enquanto, é um carimbador de bola. Recebe no campo ofensivo, pisa na bola e dá um tapa para o lado ou para trás. Eu gosto de laterais mais atrevidos, que buscam a linha de fundo, ponto do gramado que Caio só vê de longe. Senti saudade do Cortez.

O time está perdendo a jogadinha com Cortez, Maicon e Éverton. Torço para que Caio tenha mais iniciativa individual nos próximos jogos.

No meio, MH dispensa comentários; Lucas Silva está se afirmando e se continuar evoluindo será titular do time. Maicon começou bem, mas caiu de rendimento. Renato colocou um jogador mais combativo.

Na frente, Diego Souza foi discreto, mas apareceu bem em dois ou três lances. Alisson foi um dos melhores do time. Isso não impede que muita gente reclame a ausência de Pepê.

Penso que Renato o colocaria no jogo, mas a lesão de Geromel pode ter alterado seu planejamento.

Aliás, sobre Pepê: ele foi o primeiro a abraçar Renato na comemoração pelo primeiro lugar. Estava sorridente, diferente de certos tipos que querem Pepê como titular a todo custo.

Claro, eu também queria Pepê, mas na metade do segundo tempo, para liquidar o jogo. Eu sacaria o Diego Souza, não o Alisson.

Já o Éverton alternou bons e maus momentos. É cedo para tirar conclusões definitivas, mas acho que Éverton sente a falta de um lateral que se projete mais e atraia a marcação, criando mais alternativas de jogada.

Mas esse é um problema que Renato, o quinto melhor treinador do mundo, sem dúvida, irá resolver.

Que venha o Grenal.