Goleada e algumas atuações alentadoras na estreia

A estreia do Grêmio, com um time reserva, não poderia ser melhor. A começar pelo resultado de 4 a 0, que sintetiza o que aconteceu: superioridade tricolor, que praticamente não deu espaço para jogadas de maior risco ao goleiro Paulo Vítor, agora como titular.

Não foi um bom jogo, em função do gramado irregular e também pelo fato de ser uma estreia e, claro, a qualidade de alguns jogadores.

Kaio, por exemplo, mostrou mais uma vez que é um jogador tecnicamente limitado. A insistência de Renato com esse jogador não se justifica. Renato acredita que Kaio possa fazer as funções de Ramiro. Não pode. Como marcador até vai, mas quando se trata de armar e chegar à frente ele decididamente compromete. Foi válida a tentativa. Inaceitável, agora, é insistir.

Mas esse é só um detalhe de um jogo em que o Grêmio, mesmo com um time desentrosado, acabou goleando, depois de alguma resistência do adversário.

A vitória começa pelo meio de campo, onde Matheus Henrique foi o grande destaque. O nome do jogo, na verdade, seguido de Jean Pyerre.

Importante destacar Juninho Capixaba, autor do primeiro gol, após jogada de Pepê (substituiu Alisson, que se lesionou cedo). O lateral-goleador mostrou mais uma vez que tem facilidade para jogar dentro da área ofensiva, mais do que na sua própria. Na defesa teve dificuldade com o rápido Bustamante, mas soube se sair bem.

O Grêmio começou a deslanchar mesmo com a entrada de Marinho no lugar de Kaio, que irritou Renato ao perder uma bola dentro da área, após boa jogada do time.

E Marinho não poderia ter entrado melhor. Em menos de um minuto em campo, no início do segundo tempo, recebeu passe de Thonny Anderson, de cabeça. Marinho desviou com categoria e fez 2 a 0.

Considero importante essa experiência de Renato com Thonny. Ele tem potencial para ser um camisa 9 eclético de muita qualidade. Na ausência de jogadores assim no mercado, vale apostar e dar sequência.

Aos 26, Pepê, que entrou muito bem, marcou o terceiro após assistência perfeita de Jean Pyerre.

Quase no final, Matheus Henrique foi recompensado pelo esforço e pelo talento que mostrou no jogo, ao marcar o quarto gol.

É cedo para qualquer conclusão definitiva, mas está muito claro que alguns jogadores jovens podem evoluir muito. Para isso, nada melhor que enfrentar as agruras dos jogos do Gauchão.

Destaco, ainda, o zagueiro Paulo Miranda. Já o estreante Rômulo foi discreto e eficiente. Conhece a posição.

Por fim, gostei do árbitro Vinicius Amaral.

JúNIOR

O time júnior do Grêmio, pra manter a tradição, mais uma vez foi eliminado da Copa São Paulo.

São 50 participação sem um título sequer. O principal é que revele jogadores, e isso tem ocorrido, mas é difícil entender que não tenha um título sequer nas 50 edições do torneio.

Sobre a eliminação, o Corinthians foi superior e mereceu a vitória. Para isso, contou com erros do sistema defensivo. O lance do primeiro gol parece uma anedota daquelas sem a menor graça. Mas vale a pena ver.

O time jogou desfalcado. Sentiu muito a falta de Da Silva. Com seu goleador, talvez a história fosse diferente.

PROJEÇÃO

Mesmo sem os milhões que jorram no Flamengo e no Palmeiras, o Grêmio tem estrutura, comando técnico e material humano – a gurizada que está subindo tem qualidade e muito potencial – para fazer frente aos poderosos. Dinheiro é bom, mas não é tudo no futebol.

Será Da Silva o primeiro grande 9 da base depois de Alcindo?

O Grêmio nunca conquistou a Copa São Paulo de Futebol Júnior. Esteve perto uma ou outra vez. Uma que não esqueço foi quando a Portuguesa tinha um timaço, com um Dener surgindo para o futebol como um novo Pelé, como se costumava dizer sempre que aparecia um jovem negro habilidoso e rápido. O Grêmio parou ali. Foi vice. Sua melhor participação em termos de resultado.

Pelo que vi até agora do torneio, não há Dener ou algo parecido despontando. Portanto, existe alguma chance de título pra quebrar esse jejum que até pega mal pela grandeza do clube, e pela quantidade de talentos que revelou nesses anos todos.

Seria bom esse título da Copa SP, embora eu defenda que a prioridade de times das categorias de base não seja festejar títulos, e sim revelar jogadores que possam subir, ajudar o time a vencer competições e também mostrar futebol que desperte a atenção dos poderosos.

Nesse aspecto, o Grêmio tem obtido sucesso. Tem revelado jogadores e negociado alguns deles com valores que ajudam o clube a equilibrar as finanças e a manter girando a roda do futebol.

Muito diferente do Inter, que hoje não tem nenhum jogador despontando, apesar dos esforços da mídia para ‘vender’ Rodrigo Dourado como grande jogador.

A balança do futebol gaúcho também por esse enfoque – o de revelar talentos – pende para o tricolor.

Tudo isso para chegar ao jogo desta tarde em Osasco, onde a gurizada do Grêmio bateu o forte Audax por 3 a 0, resultado justo que coloca o time nas quartas-de-final.

Mas vamos ao que realmente interessa, ao menos pra mim: qual o potencial desses guris.

Destaco o goleiro Gabriel (sem o Chapecó); o zagueiro João Guilherme, o lateral Kazu (participou do primeiro gol e fez o terceiro), o meia Guilherme Azevedo (autor do segundo gol) e, claro, Da Silva.

O centroavante é o mais promissor, pelo que vi até agora.

É candidato a ser o primeiro grande camisa 9 da base tricolor desde Alcindo, que surgiu no início dos anos 60. E lá se vão mais de 60 anos.

Todos os outros que apareceram depois foram medianos para baixo.

Não me convidaram pra essa festa de ricaços

Não me convidaram pra essa festa pobre… Não me sai da cabeça essa frase do grande Cazuza, e eu fico cantarolando por aí, nem sei bem por que. Quer dizer, sei, mas com troca do adjetivo ‘pobre’ por ‘rica’.

Sim, tem uma festa rica rolando por aí. Não, não é em Jurerê Internacional com seu desfile de Ferraris, ou em Fernando Noronha com as belas atrizes globais, ou em Miami.

A festa a que me refiro acontece no futebol, mais exatamente em Rio e São Paulo, onde dois clubes navegam em águas mornas, límpidas e transparentes. Nelas Palmeiras e Flamengo deslizam em iates deslumbrantes, sem ligar para a crise no entorno.

E o entorno é de quase miséria. Os clubes com gestões responsáveis, como a do Grêmio, sofrem como eu, nos meus tempos de piá em Lajeado, louco para entrar numa festa, mas sem dinheiro até para o sanduíche de mortadela, esse mesmo que era distribuído fartamente na recente eleição.

Sem o dinheiro que abunda no Palmeiras e no Flamengo, o Grêmio sua para repor peças e reformular o grupo, enquanto os dois novos marajás do futebol brasileiro vivem numa bolha de felicidade, com dinheiro demais e, por enquanto, títulos de menos.

A esperança que tenho é que essa bolha estoure, porque esses dois clubes, em sua festinha de novo-rico, regada a champanhe francês, se credenciam para grandes conquistas.

Contratam quem eles querem. Ou quase. Pelo menos atormentam a cabeça dos dirigentes e fazem sonhar os atletas cogitados. Todos querem participar dessa festa.

Está cada vez mais difícil resistir. A ofensiva no momento, a mais forte, é em cima de Geromel e Kannemann, citado por Abel Braga, o milionário técnico do Flamengo. E ainda tem os argentinos, como o Boca, por exemplo, louco para desmanchar a melhor dupla de área do futebol sul-americano.

No caso do Kannemann, parece que é o empresário dele que tenta alguma transação. Ora, o Grêmio remunera bem demais seus principais jogadores. Penso que Kannemann deveria dar uma paratequieto em seu empresário. A não ser que esteja participando desse jogo menor, pequeno, que destoa do que ele já mostrou. A camisa do Grêmio parece uma tatuagem de nascença no Kannemann, mas que aos poucos está esmaecendo diante do seu silêncio.

Resta à direção do Grêmio fazer com que Kannemann e Geromel cumpram seus contratos em vigor – os contratos não são para preservar também os clubes?

É o que me resta enquanto acompanho de fora, olhando pela vidraça, a festança dos milionários do futebol brasileiro.

“Fiquei na porta estacionando os carros…”

Insistência em tirar Luan e Kannemann do Grêmio

É impressionante como qualquer murmúrio sobre saída de jogadores importantes do Grêmio, como Luan e Kannemann – os dois mais visados na boataria que emerge da falta de assunto – ganha dimensão desproporcional aos elementos contidos em cada ‘notícia’.

No caso de Luan, é de se lamentar que as especulações começaram nas entranhas do clube – até prova em contrário é isso mesmo – e foram regadas e adubadas por interesses diversos, sendo que o principal seria e pelo jeito ainda é mandar pra longe – Lua ou Marte, se possível – a individualidade mais coruscante (gosto de usar esse adjetivo que descobri tempos atrás lendo meu amigo David) em atividade no futebol brasileiro.

Acho que não preciso dizer para onde devem ir aqueles que trabalharam/trabalham para afastar Luan da Arena.

Mas tem ainda o Kannemann. Vira e mexe surge a ‘informação’ de algum clube interessado no grande zagueiro.

O que me deixa tranquilo é que os supostos interessados são argentinos. Ou seja, são clubes que não têm cacife para fazer uma proposta digna, à altura do futebol do nosso zagueiro. Então, não há o menor risco de sair algum negócio.

Hoje, canais da RBS (e talvez também alguns outros) anunciam que o Independiente insiste e estaria disposto a oferecer mais do que os supostos 5 milhões de dólares já ofertados, algo que eu duvido tenha realmente acontecido. E se aconteceu foi para pagar em parcelas a perder de vista.

O futebol argentino vive crise ou igual ou pior que a nossa, com exceção de alguns clubes que gastam em jogadores como se não houvesse amanhã.

O que me irrita é que a nossa imprensa dá guarida a qualquer boato, a qualquer especulação, sem maiores questionamentos, especialmente quando envolve algum craque gremista.

Normalmente, esse tipo de notícia vem acompanhado da citação de algum site do exterior – é o caso agora do TyC Sports – para tentar dar mais credibilidade à especulação.

Vou me preocupar quando o Barcelona ou o Real Madrid vierem atrás do Kannemann. Até lá, conto com ele para mais uma temporada, pelo menos.

Principalmente quando se trata de desfalcar o Grêmio.

Contratações não empolgam, mas também não desagradam

O Grêmio está indo bem nas contratações. Perdeu dois titulares, dois campeões, Marcelo Grohe e Ramiro, mas, até prova em contrário, as reposições são boas, e podem dar certo.

O goleiro Júlio César, apesar de histórico modesto, vem de uma temporada muito boa, sendo um dos principais responsáveis pelo não rebaixamento do precário time do Fluminense.

O volante/meia Montoya aparentemente é também um bom reforço, e seria o substituto de Ramiro, segundo alguns analistas – confesso que não tenho ideia de como ele joga.

Outro que nunca vi mais gordo é esse Rômulo. Mas já li boas referências a esse jogador. Sei que jogou no Spartak e que teve sua trajetória no Flamengo prejudicada por sucessivas lesões. Joga como volante e zagueiro.

Os três são apostas daquelas que podemos considerar válidas, consistentes.

Agora, quem mais me deixa confiante é o Felipe Vizeu. Lançado pelo Muricy, que conhece muito de futebol, é jovem e promissor. E já com uma bagagem considerável apesar dos seus 21 anos.

Frase do Muricy:

— É um centroavante canhoto, que tem muita força física. É um camisa 9 que sabe jogar com a bola no pé, tem boa tabela e bom passe. Um jogador inteligente, que é muito perigoso dentro da área. Tem boa estatura e se destaca no jogo aéreo.

Sobre o Vizeu, ainda não vi ninguém da IVI (criação consolidada do cornetadoRW) lembrar que ele foi reserva do Guerrero e do Damião, dois marmanjos em final de carreira.

Bem, são quatro nomes. Pela lei das probabilidades é muito difícil que os quatro correspondam plenamente, porque em futebol mais se erra do que se acerta em termos de contratações.

Espero que todos tenham sido indicados e/ou aceitos pelo técnico Renato Portaluppi, porque confio mais nele do que nos dirigentes, com todo respeito a quem está trabalhando para repaginar o time gremista.

RENATO

Por falar em Renato, que bom que a cirurgia tenha sido um sucesso e logo ele estará de volta. Desconfio que o problema aconteceu porque Renato tem um coração grande demais. Tem esse jeito meio debochado e por vezes arrogante, que irrita até alguns gremistas que conheço, mas quem conhece o conhece um pouco mais sabe que se trata de uma boa pessoa, um ser humano generoso e amigo. O que talvez ajude a explicar seu sucesso.

NEVES

O meia acabou ficando no Cruzeiro. Foi um grande jogador. Hoje, está muito abaixo do que já jogou. Claro, seria importante, mas a um preço alto demais.

Grêmio teve mais sorte que juízo. Chegou o momento de apostar pesado no Jean Pyerre. Quem sabe não está em casa o articulador que irá juntar-se a Luan na armação e até finalização de jogadas de ataque?

Pyerre não tem a experiência do Thiago Neves, mas tem juventude, mais ambição e muita qualidade técnica.

LUAN

Precisamos continuar vigilantes. O grupo (pequeno mas insistente) dos que desejam Luan fora do Grêmio ainda não desistiram.

Nenhum deles assume publicamente, mas deixam pistas. Fiquem ligados.

Cheque em branco e a pressa em criticar

Depois de perder Ramiro, jogador fundamental no esquema do Grêmio vitorioso, eis que é confirmada a saída de Marcelo Grohe.

Bem, o time ficou menor em relação ao que terminou o ano de forma frustrante, é inegável. E isso é preocupante.

Confio no trabalho do presidente Romildo Bolzan, que, aliás, parece estar isolado no esforço de montar um time mais competitivo em relação ao que terminou o ano.

Sei que seria muito difícil segurar Grohe, goleiro de defesas fantásticas, históricas, e títulos que elevaram a auto-estima da nação tricolor. Ele recebeu uma proposta milionária, e vai se esconder no futebol árabe. Para quem já atingiu o topo, o mais indicado mesmo é ajeitar de vez o futuro, ao menos financeiramente.

Júlio César, de 32 anos, de participação decisiva para a permanência do Fluminense na série A, está acertando com o Grêmio.

Deixemos claro que o Grêmio, em princípio, perde qualidade. Como atenuante o fato de que o clube vai economizar uma boa grana em salários. Júlio César não chega a ser um goleiro dos mais caros.

É a política até agora exitosa de Romildo, sempre colocando em primeiro plano a viabilidade financeira do clube, sem, no entanto, descuidar de montar um time forte.

Por falar em política, é duro ler gente claramente identificada com a oposição – silenciosa até pouco tempo atrás – querendo tirar proveito do momento titubeante da gestão e criticando Grohe por não ter postado um texto de despedida nas redes sociais.

Apressados, esqueceram-se de que o primeiro milho é dos pintos. Na ânsia de atacar Grohe, e por tabela o presidente, disparam textos duros contra o gremista Grohe.

Foram rápidos demais no gatilho, porque não demorou muito para aparecer um texto emocionado do goleiro, publicado logo depois que ele apareceu vestindo a camisa do novo clube.

Repito, o momento é de preocupação mesmo. Mas nada que abale minha confiança no trabalho de Romildo e Renato, embora admita que não estou gostando da forma como está sendo conduzida a remontagem do grupo.

Não dou um cheque em branco para a direção, mas não vou usar espaço nas redes sociais para fazer politicagem. O que importa é o Grêmio, não as pessoas que eventualmente lá estão.

O meu melhor Grêmio de todos os tempos

A ESPN publica a seleção ‘Grêmio de todos os tempos’. É claro que discordei de vários nomes, assim como muitos discordarão de mim e da ESPN. Acredito que é impossível a unanimidade sobre quem seriam, posição por posição, os melhores da história do tricolor.

O mais próximo que vi chegar da seleção ideal (na minha opinião, claro) foi durante uma cervejada após um clássico Correio do Povo x Zero Hora, um jogo de futebol sete. quer dizer, seis contra sete.

Meu time perdeu seu goleiro no intervalo, o Sérgio Schueller, que largou tudo dizendo: “Vou tomar umas geladas que é melhor”. Realmente, estava muito calor, mas nada justifica deixar o time empenhado, ainda mais que o jogo estava parelho. Terminamos com um jogador a menos.

A ZH, que tinha David Coimbra de zagueiro estilo Bressan, acabou vencendo com facilidade. Nem lembro quanto foi. Apaguei da memória bebendo as tais geladas, numa confraternização legal com nossos cordiais inimigos.

Pois lá pelas tantas, decidimos escalar o melhor Grêmio de todos os tempos. Eu e David concordamos na maioria dos jogadores. Não lembro qual o time ideal dele, nem do meu _ muita cerveja na cabeça -, mas o meu time atual, só de jogadores que vi em ação ao vivo ou pela TV, é o seguinte:

Goleiro: Alberto (antes que me critiquem, se informem)

Lateral direito: Arce

Zagueiros: Geromel e Kannemann (antes eram Airton e Oberdan)

Lateral esquerdo: Everaldo

Meio-campo: Maicon, Iúra e Valdo

Atacantes: Renato Portaluppi, Alcindo e Ronaldinho

A seleção da ESPN é a seguinte:

Eurico Lara; Arce, Geromel, Hugo de León e Everaldo; Arthur e Dinho;

Renato, Gessy e Tarciso;

Alcindo

Pego a minha e dou três gols. Aguardo a seleção dos parceiros do blog.

O jogador-problema e o dirigente acomodado

Eu sou do tempo em que o bom dirigente de futebol dedicava parte do seu tempo para tornar o jogador-problema do dia-a-dia em jogador-solução na hora do jogo.

Lembro de um algoz meu – e de milhares gremistas que chafurdaram na lama do inferno nos anos 70, com uma breve pausa para respirar, em 1977 -, o Frederico Arnaldo Balvê, dirigente colorado. Era um mestre, porque sabia como chegar no jogador-pedra-no-sapato, como lidar com o jogador mordedor (não literal, tipo o Suarez), etc.

Lula e Manga, dois dos maiores problemas de Balvê se transformavam em solução nos jogos. Naquele tempo a gente dizia, ‘incomodavam durante a semana e resolviam no domingo’. Hoje, como os jogos acontecem em qualquer dia, a frase precisa ser adaptada.

Dirigente de futebol de verdade se preocupa em incorporar o jogador problemático (hoje, o maior problema parece ser o álcool e as drogas ilícitas) e trabalha forte nesse objetivo.

Mas pelo que tenho acompanhado, assim meio de longe, mais embasado em informação do que em observação, os dirigentes atuais, assim como boa parte dos treinadores, não se esforçam tanto quanto um Balvê.

Não consigo entender, tem aquele monte de especialista trabalhando no futebol e mesmo assim se perde algum jogador para as drogas. Será que não está faltando um corpo-a-corpo, uma conversa ao pé do ouvido? Talvez um carinho, uma atenção maior?

Poderia contar algumas histórias de como agiam técnicos como Espinosa, Ênio Andrade, Minelli e Felipão, só para citar quatro exemplos.

Realmente, não sei, por exemplo, o que faz o vice de futebol Duda Kroef, a respeito. Pra mim, um bom dirigente de futebol consegue recuperar as ovelhas desgarradas. Não pode ser acomodado.

E quanto menos se meter no vestiário, melhor. A não ser que seja alguém que conheça futebol e que o técnico respeite.

Outra posição que tenho: dirigente de futebol não pode tirar férias no período dos jogadores. Punta del Este que fique para depois, quando o time estiver estruturado, reforçado para enfrentar a temporada. Aí, só aí, o dirigente pode sair por aí curtindo a vida adoidado.

Bem, não sei se perceberam, mas tudo isso para falar do Luan. Ele estaria com problemas de comportamento. Setores do Grêmio querem negociá-lo. São os ‘modernos’, aqueles que acham que o jogador hoje é um atleta, um profissional, e que precisa ter responsabilidade natural, de acordo com a fortuna que lhe é paga mensalmente.

Esse tipo de dirigente não me serve. Os dirigentes atuais – treinadores – deveriam conhecer um pouco mais a história do futebol para ver que muitos clubes só foram campeões porque tiveram dirigentes que sabiam transformar o problema da semana na solução do domingo.

Penso que pode ser isso que está faltando ao Luan, jogador diferenciado, melhor da América em 2017. Um jogador que JAMAIS poderia entrar em troca-troca, ainda mais em negócio envolvendo jogadores medianos.

Negociar Luan para ‘livrar-se de um problema’ é, na verdade, o primeiro passo para criar outro muito maior.

Luan fica e Thiago Neves ainda pode vir

A notícia de uma eventual troca de Luan por Thiago Neves, Murilo e Raniel (os dois últimos tão bons que o Cruzeiro os coloca como moeda de troca, e o primeiro em suave decadência) realmente é assustadora.

O lado positivo é que partiu do Cruzeiro, que pelo jeito gosta de colocar suas promessas nos negócios. E promessas são promessas, nem sempre se cumprem. No futebol, a maioria acaba frustrando expectativas.

O lado negativo é que o Grêmio, segundo a saraivada de notícias (é sempre assim quando se trata de algo negativo para o clube), a direção e sua comissão técnica estariam avaliando a proposta.

Não sei se foi a força dos protestos de gremistas nas redes sociais, mas o fato é que esse negócio decididamente não sai.

Foi uma ação desesperada do Cruzeiro, que faz de tudo para manter Thiago Neves, que se mostra muito inclinado a defender o Grêmio e trabalhar com o velho parceiro Renato Portaluppi.

O Grêmio, felizmente, quer continuar com Luan, cujo contrato vigora por mais dois anos. E Luan não quer sair. Está muito contente com seu salário de R$ 600 mil mensais, ou algo parecido.

Tudo se encaminha para a vinda de Thiago Neves. Sem Luan no negócio.

De minha parte, não me entusiasmo com Thiago Neves, que já foi um excepcional jogador. Não sei os valores da transação, mas é preciso muito cuidado em investir em um jogador que completa 34 anos ainda neste ano.

Espero que o presidente Romildo se mostre sábio mais uma vez e só faça negócio se realmente estiver dentro dos padrões estabelecidos pelo bom senso.

Uma estátua para Luigi

O ex-presidente do Inter, Giovanni Luigi, é um injustiçado. É raro encontrar um colorado que o exalte. Os elogios e homenagens são destinadas normalmente ao ex-presidente Fernando Carvalho, aquele que montou uma operação para impedir a queda para a segundona e acabou fracassando.

Luigi tem o jeito gentil e educado de FC, com quem começou no clube. Muito diferente, por exemplo, de Vitório Piffero, a quem sucedeu na presidência em janeiro de 2011 – pouco depois do histórico fiasco diante do Mazembe.

Com seu estilo discreto, mas incisivo, Luigi dirigiu o clube num momento importantíssimo, pouco reconhecido pela maioria dos colorados. Torcedor é assim, o que importa são os títulos, as grandes conquistas dentro de campo. Neste aspecto, ele ficou devendo.

Mas Luigi deixou o clube com um crédito enorme. Enfrentou todas aquelas questões nebulosas envolvendo a Copa do Mundo em Porto Alegre -lembram das estruturas temporárias?- e foi, principalmente, vitorioso numa queda de braço interna: a reforma do Beira-Rio.

Havia um grupo, liderado por Piffero, que pretendia bancar as obras com recursos próprios (uns 26 milhões oriundos da venda dos Eucaliptos). Foi uma árdua disputa interna.

Se Luigi tivesse perdido, a reforma seria feita por Piffero e seus parceiros.

Lembrei-me desse episódio hoje, diante da denúncia do MPE, que, analisando as polêmicas contas da gestão Piffero (2015/2016) concluiu ter encontrado no clube uma ‘verdadeira organização criminosa’ nesse período.

Desconfio que se não fosse Luigi o BR até hoje não estaria concluído.

Está aí um sujeito que merece ser reverenciado pelos colorados, e quem sabe até homenageado com uma estátua ou tendo seu nome em um dos prédios do clube, talvez o próprio estádio.

RENATO

Desde ontem o assunto predileto de alguns setores é o desligamento do diretor executivo do Grêmio, André Zanotta.

De repente, ele ficou muito valorizado.

Tudo porque rola por aí um boato de que ele teria batido de frente com Renato. Há inúmeras versões, e como se sabe as versões são mais picantes que os fatos.

Não vou entrar no mérito se o que dizem é ou não verdade.

Só sei que entre Zanotta e Renato eu fico com Renato. Não sei exatamente qual a contribuição desse profissional para as grandes vitórias recentes do time. Certamente, não fazem cócegas no trabalho desenvolvido por Renato.

Até onde eu sei, diretor executivo executa. Ele faz o que lhe é solicitado. É mais ou menos o que foi o ‘seu’ Verardi, mestre nessa área.

Zanotta encerrou seu ciclo, e talvez um dia volte.

Enfim, uma simples saída de um funcionário provoca boatos e intrigas. Tudo porque do outro lado está Renato, e ele sempre rende notícia, material raro nesta época do ano.