Técnico Renato busca um novo Grêmio sem o ‘casa-separa’ com o ídolo Maicon

Há mais ou menos um mês escrevi aqui que estava sendo prejudicial ao time o ‘casa-separa’ com Maicon. O entra e sai do capitão, na minha visão, estava sendo muito prejudicial, além de estar protelando uma decisão amarga, mas necessária: o início do processo de aposentadoria de um grande jogador, um jogador que chegou aqui meio desacreditado e que hoje está na história do clube.

A imagem que quero levar de Maicon é o futebol exuberante que ele mostrou nesses anos, e as broncas que ele comprou nos clássicos, se impondo na bola e no grito. Não quero ver o Maicon se arrastando, irritado consigo mesmo porque o corpo não mais acompanha a mente.

O Grêmio, hoje, deve ser pensado sem Maicon. Se ele puder voltar, será ótimo, mas em outras condições. Só joga se estiver clínica e fisicamente apto a manter uma sequência. Maicon, liderança de campo, pode ser uma liderança também fora de campo, o que será muito natural pela sua generosidade no trato com os jovens que surgem e que ele orienta e aconselha.

Maicon, já escrevi aqui algumas vezes, tem tudo para tornar-se um técnico de futebol assim que decidir mesmo pela aposentadoria.

Jogador de personalidade forte – vide o lance com Renato recentemente – assim como serve de referência positiva aos jovens talentos, chega um momento em que ele pode ser um fator de inibição a quem almeja um lugar no time principal.

A ‘lesão’ de Maicon chegou um boa hora. O time mostrou que pode sobreviver sem ele, que em setembro completou 35 anos.

Mas qual o melhor sistema para jogar sem Maicon, a meu ver o jogador que comandou dentro de campo o Grêmio 2016/2017? Não sei, o Renato é bem pago para buscar a resposta.

Mas o modelo e a estrutura podem ser os mesmos daquele time que encantou o país e que será lembrado como um dos melhores já formados no futebol brasileiro, tendo Renato Portaluppi como mentor, por mais que isso posa doer nos gremistas que não suportam o técnico tricolor.

“Que Grêmio é esse?”, perguntou o narrador Galvão Bueno, atônito diante de imagens de lances da equipe tricolor, que chegou a ser mais enaltecida e admirada no centro do país do que abaixo do Mampituba, pela inveja e despeito que provocou.

Pois esse Grêmio não volta mais. Faltam o coração e a alma do time. Faltam jogadores como Wallace, Luan, Douglas e o próprio Maicon, além do motorzinho Ramiro. Claro, falta Grohe, decisivo em muitos jogos.

Custou, mas parece que Renato se deu conta que chegou a hora de buscar novas soluções. Ele agora está empenhado em lapidar (não sei por que, mas gosto desta palavra…) um Grêmio que possa repetir não aquele futebol maravilhoso, o que seria demais, mas que conquiste títulos de maior expressão, até pra calar a boca dos corneteiros.

Queiram ou não, gostem ou não, o Grêmio está na briga por três títulos.

Para seguir com chances no Brasileirão, por exemplo, é importante que o time avance na tabela com uma vitória sobre o Ceará, time perigoso, que andou cometendo alguns ‘crimes’ por aí. O jogo será na Arena, 19 horas, deste sábado.

Espero que Renato possa armar um time misto quente. Fundamental que não invente de formar uma dupla de área sem Geromel. Não confio numa zaga constituída unicamente por reservas, sejam quais forem.

Grêmio leva susto mas vence o Cuiabá e encaminha classificação

Por desconhecimento e uma dose de soberba não levei muita fé no Cuiabá, principalmente quando informaram que o time estaria desfalcado de sete titulares, e, como se não bastasse, estaria sem seu técnico, o glorioso Chamusca. Bah, vai ser uma barbada, pensei.

Não foi. Durante boa parte do primeiro tempo, o Grêmio dominou e até poderia ter encaminhado a vitória com um pouco mais de tranquilidade. No segundo tempo, tudo mudou. o Grêmio levou uma pressão inesperada. Não fosse o goleiro Vanderlei, o Cuiabá teria empatado.

O Grêmio abriu o placar com um gol do Diego Souza, que muitos apressadinhos já decretaram que deve ser reserva do Churin, mesmo que o atacante argentino não tenha comprovado uma eventual superioridade na relação com DS. Fosse por simpatia e vontade, Churin já seria titular. Mas as coisas não funcionam assim. Ele ainda precisa provar que é melhor na bola. Portanto, faz bem o Renato em mantê-lo no banco.

O gol do DS partiu de um cruzamento perfeito de Vitor Ferraz, outro que boa parte dos gremistas não quer ver no time titular. Prefere o Orojuela. Ferraz é mais tático, enquanto seu rival é mais agitado e intenso. É uma disputa interessante.

O Cuiabá empatou em seguida, num cabeceio forte de Willians, vencendo Geromel, coisa muito rara. Aliás, a bola aérea entrou com facilidade na área gremista. Os zagueiros vacilaram acima do tolerável e os dois laterais deram espaços inaceitáveis para cruzamentos. Jean Pyerre fez 2 a 1, cobrando pênalti sofrido por Pepê.

No segundo tempo, o Cuiabá foi para cima, para o tudo ou nada. Criou algumas situações de gol até que Renato ajustasse a marcação no meio de campo, ali pelos 25 minutos. Foi providencial a entrada de Thaciano para reforçar o combate, assim como Éverton e Chorin. Na reta final, o Grêmio teve condições de ampliar.

Foi a sexta vitória seguida do Grêmio. Basta um empate no jogo de volta, na Arena, para o time passar à semifinal da Copa do Brasil.

A vitória desta quarta assume maior importância pelo fato de que o GRêmio quebrou a invencibilidade do Cuiabá, em sua casa, nesta temporada. Confesso que eu só fui saber disso quase no final da partida. Esse fato valoriza ainda mais o resultado.

Passa ano, entra ano, e a corneta segue igual

Um gremista amigo encaminha artigo publicado há seis anos neste espaço. Depois, gritou ao telefone: “Pode publicar de novo porque segue atual, só mudam os protagonistas”. Ele mandou-me o link, que eu repasso aos amigos do blog. Realmente, o texto é atual e pertinente. Foi publicado em Zero Hora, no início de novembro de 2014. O post faz referência ao longo período de fila do clube, uma fila que acabou com a chegada do técnico Renato Portaluppi, algo que os gremistas mais críticos ignoram ou não valorizam na hora de atacar a direção, a comissão técnica e jogadores.

Confiram o post:

Grêmio virou ‘Geni’ para muitos gremistas

O Grêmio virou a ‘Geni’ de grande parte dos gremistas. Pelo menos daqueles que descarregam sua ira, frustrações, ódios e rancores nas redes sociais diretamente ou enviando mensagens para as emissoras de rádio, onde analistas futebolísticos ajudam a jogar pedras no time de Felipão, alguns simplesmente porque é o time do Felipão. Ah, e tem gente assim também entre os torcedores, gente que não vacila um segundo para desmerecer os grandes vencedores.

Antes que direcionem pedras à minha pessoa, quero esclarecer que eu também não estou satisfeito com o futebol do time. E isso já faz muito tempo. A diferença é que, reconhecendo a limitação técnica de alguns jogadores, escolhas equivocadas de treinadores e deficiências na montagem do grupo – não tem um articulador de qualidade para escalar desde a saída de Douglas -, avalio que ainda é possível figurar entre os três ou quatro melhores do campeonato. É difícil, mas está longe de ser impossível, em função inclusive da irregularidade das outras equipes.

A começar pelo grande rival, o Inter, hoje terceiro colorado. A campanha colorada é cheia de sobressaltos – inclusive com duas eliminações vexatórias diante de Ceará e Bahia, que o Inter transformou em potências emergentes do futebol mundial. Mas o que aparece é um Inter com equipe muito superior a do Grêmio, o que é desmentido pelos números, e os números como se sabe, são capazes de demolir as mais sólidas teses.

A diferença entre a Dupla é de apenas dois pontos. Esses dois pontos de vantagem colorada foram obtidos na vitória sobre o Santos na Vila Belmiro, território assustador para gremistas e colorados. Vitória histórica, sem dúvida, mas obtida a partir de uma falha absurda do experiente goleiro Aranha, no momento em que o Santos mais pressionava. O jogo se encaminhava para o empate, com o Inter resistindo bravamente, amontoando volantes. Então, veio o segundo gol e com ele os tais dois pontos.

Tudo isso para deixar claro que o Grêmio não é essa desgraceira que muitos gremistas fazem parecer. E não vai nenhuma crítica, porque são 13 anos na fila por um grande título, e isso torna qualquer torcedor mais sensível, intolerante e irritável. O que não pode é numa semana Gre-Nal colocar mais lenha na fogueira, desqualificando o trabalho de Felipão e dos jogadores, como se fossem eles os culpados de tanto tempo de seca.

A hora é de recolher as pedras, ficar ao lado do time de maneira incondicional, lotar a Arena e torcer pela vitória que irá inverter as posições dos dois no Brasileirão.

Link:

Grêmio volta a jogar um bom futebol, bate o Flu e avança no Brasileiro

No jogo em que Ferreira justificou plenamente o esforço e o investimento da diretoria para renovar seu contrato, o Grêmio -com um time misto- não apenas bateu o Fluminense por 1 a 0 e encostou no pelotão da ponta de cima da tabela, como teve uma atuação digna e estimulante.

O jogo marcou também a primeira atuação, desde o início da partida, do argentino Churín, que participou da jogada do gol marcado por Pepê ainda no primeiro tempo, 27 minutos. Darlan iniciou a jogada pelo setor direito, lançou Churín, que cruzou rasante para Pepê empurrar a bola para a rede.

O argentino saiu no segundo tempo, mas jogou o suficiente para mostrar que pode ser muito útil nessa arrancada do tricolor no Brasileiro, e também na CB e na Libertadores.

Mas a melhor notícia da noite foi a atuação de Ferreira, um atacante rápido e habilidoso que Renato está ‘lapidando’ para ser um jogador completo, com cultura tática, capacidade de marcação e preenchimento de espaço, além de seu dom maior, que são os dribles desconcertantes e sempre rumo ao gol.

Ferreira deu duas arrancadas sensacionais, ambas com desfechos diferentes. Na primeira, optou pelo chute a gol, mesmo com desgaste de uma arrancada desde o setor defensivo, quando poderia ter passado para Thaciano à sua direita. Na segunda, ele optou por lançar um companheiro, mas o gol não saiu. As melhores jogadas de Ferreira foram pelo lado esquerdo de ataque.

Depois de algumas atuações assustadoras, apesar de resultados positivos, foi gratificante ver o time jogando um futebol melhor, dando esperança à torcida. O time agora está a 6 pontos do líder, mas com um jogo a menos. Quer dizer, o Grêmio está se incorporando ao grupo que disputa o título.

Gostei dos seguintes jogadores: Paulo Victor, a dupla de área (Fred não conseguiu jogar); Matheus Henrique, Darlan, Jean Pierre e Churin, além de Pepê, que saiu mais cedo. Não gostei dos dois laterais, mas eles não chegaram a comprometer.

O próximo jogo pelo Brasileiro será sábado, 19h, na Arena. Uma vitória colocará o time no pelotão da frente.

ALINE

Agradeço a todos pelas manifestações de solidariedade. Fica o alerta para que todos se cuidem, porque a nossa velha companheira de caminhada não manda recado.

Aline não está mais aqui

Quando olhei o celular ao acordar neste domingo deparei com várias chamadas de voz perdidas. Partiam de alguém com quem tenho pouco contato. Estranhei, mas retornei a ligação. Devia ser alguma coisa muito importante.

-Seu Ilgo, estava ligando para informar que a Aline faleceu.

Fiquei em silêncio por alguns segundos. Até que caiu a ficha.

Aline era funcionária da empresa de delivery da minha esposa. Tinha uns 35 anos. Eu mal a conhecia. Trocávamos cumprimentos e ‘informações’ sobre o clima, tipo ‘será que vai chover?’, ‘como esfriou, né?’, etc.

Mesmo assim fiquei abalado com a notícia da morte dela. Fiquei com a voz embarga, nem conseguia falar direito.

Não sei explicar essa reação. Foi talvez pelo susto, a surpresa. Afinal, era uma mulher jovem, aparentemente saudável (soube depois que sofria de diabetes).

Acho que chorei por mim, pelos meus filhos, pelos familiares e uns poucos amigos. Chorei pelo meu pai que já se foi e outras pessoas queridas.

Chorei ao me tocar mais uma vez que a vida é curta, um sopro, que tudo pode terminar a qualquer momento, sem aviso, nem nada.

Por isso é importante não deixar pra depois aquele abraço, aquele sorriso, aquela palavra amiga…

Dói, mas é assim.

Amanhã a gente retoma a rotina. Hoje, tem jogo contra o Fluminense, depois Copa do Brasil, Libertadores e por aí vai…

Enfim, vida que segue.

Mas a Aline, a Aline, exemplo de mãe e trabalhadora, não está mais aqui.

Grêmio confirma classificação com gol do desprezado Thaciano

Gosto quando um jogador perseguido pela torcida responde com um gol decisivo. E quando esse gol envolve mais dois jogadores igualmente mal vistos por boa parte da torcida fico ainda mais contente e até emocionado.

Foi o que aconteceu nesta quinta-feira, no Alfredo Jaconi, onde o Grêmio carimbou sua classificação às quartas de final da Copa do Brasil, ao bater, por 1 a 0, o bom time do Juventude, muito perto de subir para a série A,.

O empate era suficiente, mas um gol seria tranquilizador, ainda mais que o Grêmio fazia uma partida técnica e taticamente sofrível de novo. Pois esse gol aconteceu, e de um jeito que lembrou o ‘bom Grêmio’, com passes precisos, drible, cruzamento e o cabeceio mortal.

Eram 24 minutos do segundo tempo. A torcida gremista estava com um olho na TV outro no relógio. Tudo começou a mudar com o ingresso de Jean Pyerre, sim, ele mesmo, o jogador que “o Renato não gosta”, como diziam ( ainda dizem?) aqueles torcedores que fazem da corneta seu instrumento preferido.

JP está recuperando seu ritmo de jogo, ficou longo tempo afastado, mas assim que ele tocou na bola o time se iluminou, tudo ficou mais claro do meio para a frente. Aos 24 minutos, ele iniciou a jogada, que teve andamento com Bruno Cortez. O lateral “bruxinho do Renato” tocou para Diego Souza (“pesado e decadente”, segundo especialistas azuis), junto à linha de fundo. O cruzamento do “gordo” saiu com precisão para Thaciano, que cabeceou com jeito de quem conhece, fazendo o gol que abortou o filme de terror que se aproximava.

Ao lado de Thaciano, que estaria sendo negociado com o Cruzeiro num negócio envolvendo Orejuela, estava quem, ali na risca da pequena área? Jean Pyerre, o cara que iniciou a jogada. Era JP fazendo logo no seu retorno aquilo que o técnico Renato Portaluppi sempre cobrou de seus meias e volantes: pisem na área.

Foi uma classificação sofrida, em dois jogos de atuações preocupantes. Cabe à direção providenciar reforços de bem nível. A cada etapa superada, aumenta a qualidade dos adversários. Se não forem tomadas providências o Grêmio terá vida curta na CB e também na Libertadores.

Regulamento ajuda a armar um Grêmio mais forte em Caxias

O Grêmio entra em campo consciente de que o jogo contra o Juventude será muito complicado. Mais, muito mais relevante que o retrospecto favorável ao Grêmio no confronto com o time caxiense – são quatro anos, 10 jogos, de invencibilidade -, é a lição deixada por Santos, Corinthians e Atlético PR, todos eliminados na rodada.

O caminho para o título ficou menos difícil com esses resultados, mas cabe ao Grêmio mostrar que realmente tem time para superar as asperezas da trilha que leva ao hexa da Copa do Brasil, uma competição mais democrática que o Brasileiro e também muito mais emocionante.

No jogo de ida, o time de Renato ficou devendo futebol, mas venceu por 1 a 0, o que lhe dá a vantagem de jogar pelo empate. Não há gol qualificado.

Por sorte, ou benção dos deuses do futebol, Renato será obrigado a começar o jogo com dois jogadores da base que estão despontando e que ajudaram a fazer a diferença contra o Bragantino, na segunda-feira.

Como Robinho não foi inscrito e Luiz Fernando já jogou pelo Botafogo, a vaga no meio de campo cai no colo de Isaque, um meia combativo e de boa chegada na frente, e de Ferreira, o Ferreirinha que encantou a todos no time sub-20.

Com esses dois desde o início crescem as chances do Grêmio.

CONTRATAÇÕES

O prazo para reforçar o time está se esgotando. O clube perdeu Gastón e parece que não existe plano B. O vice Marcos Hermann jogou um balde de água fria na torcida ao dizer que talvez tenhamos que disputar essas competições com o que temos. Pois o que temos já provou ser insuficiente.

Todos esperavam que o time fosse reforçado para ter chances concretas de reagir no Brasileiro e avançar na CB e, principalmente, na Libertadores.

Mais uma vez uma direção, apesar do permanente discurso da prioridade na Libertadores, arma um time que dificilmente irá passar das quartas ou das semifinais.

Então, pelo jeito, o que resta mesmo é a CB. Portanto, foco total nesta noite.

Jogo deprimente, o gesto de Maicon e o mais importante: 3 pontos

O mais perto que eu fico da depressão nesses tempos de pandemia tem acontecido em boa parte dos jogos do Grêmio, não pelo terror e o medo a que somos submetidos desde março.

Quando o juiz apitou o final dos 45 minutos fiquei estático, olha perdido diante da TV, sem ânimo até para abrir uma latinha de cerveja. Fiquei deprimido com o futebol deprimente do Grêmio.

Dizem que o pior jogo do time na temporada foi contra o Juventude, semana passada. Pode ser. Mas nada supera em ruindade o primeiro tempo do jogo contra o Bragantino, um dos candidatos mais fortes ao rebaixamento.

O Grêmio foi assustador. Tudo sob responsabilidade do técnico Renato, que mais uma vez escalou Robinho para começar o jogo, tendo agora um jovem da base que já provou merecer continuidade, o Isaque.

Pois foi com a entrada de Isaque que o time ganhou mais movimentação e vitalidade no meio de campo. E melhorou mais com Ferreira no lugar de Luís Fernando. É de esperar que Renato tenha aprendido essa lição ao menos.

Depois, a saída de Maicon. Momento chave no jogo. Ele fez sinal, irritado, para Renato o sacar, depois de uma bronca do técnico. O episódio terá desdobramento, mas nada que não possa ser resolvido numa conversa. O que não dá é pra perder o capitão, até porque a negociação com o meia Gastón fracassou.

No lugar de Maicon entrou Lucas Silva, que tem mais mobilidade e disposição para marcar. Na sequência, Diego Sousa, que cedeu lugar para o argentino Churín, que teve pouco tempo, mas deu sorte.

DS se encaminhava para o vestiário quando aconteceu o que poucos acreditavam, um gol do Grêmio. Na cobrança de escanteio, aos 23 minutos, o zagueiro David Brás fez 1 a 0, com um chute cruzado. Quatro minutos depois, num lance com participação de Isaque, Orejuela, de um primeiro tempo terrível, soltou a bomba para ampliar. Aos 32, Hurtado diminuiu, quase complicando a vitória e os 3 pontos do Grêmio.

Para o técnico Renato fica a lição de que Isaque não pode nunca ser banco de Robinho. E tem mais, entre Luiz Fernando e Ferreira, sempre o segundo. Já com relação a Alisson é outra conversa.

Outra lição: pelo menos um dos zagueiros titulares deve jogar sempre, a não ser por algum impedimento de força maior. Quando jogam dois reservas, como nesta noite, a defesa é um quadro de horror.

Sobre as laterais: os quatro são de nível parecido. Não tem um titular incontestável.

A vitória melhora a posição do Grêmio, mas a atuação indica que dificilmente o time chegará entre os quatro da ponta de cima.

Libertadores no ano que vem passa pela Copa do Brasil. Quinta tem jogo decisivo contra o Juventude.

O GRêmio joga pelo empate. Jogo duro pelo que o time vem jogando.

Gremistas inconformados formam confraria para ‘torcer pelo Flamengo’

Antes mesmo de começar o Brasileirão eu apontei aqui neste espaço que o Flamengo seria o campeão. Melhor time, melhor grupo. Só fica devendo no treinador, que não é mais o Jesus, cujo trabalho foi tão bom que escancarou a porteira para a entrada de mais técnicos estrangeiros.

Pois o Flamengo levou uma goleada inesperada do instável São Paulo. O resultado não abala minha convicção de que o time carioca irá vencer a competição, mas me preocupa.

E não preocupa tanto pelo jogo em si – o Flamengo desperdiçou dois pênaltis -, mas pelo fato de que neste domingo entrou em ação uma inusitada torcida do clube carioca em Porto Alegre, a Urubu, formada por gremistas.

Fui convidado na sexta-feira para ingressar no grupo, na verdade, segundo o autor do convite, uma confraria. Participam, pelo que fui informado, gremistas inconformados e revoltados pelo fato de o Grêmio, segundo o porta-voz, ter mais uma vez negligenciado o campeonato brasileiro de pontos corridos em favor da CB e da Libertadores.

Ficaram, assim, sem um time forte para brigar pelo título. O Flamengo foi escolhido pelos confrades.

Esse pessoal decidiu adotar o nome Urubu, em princípio sem relação com os urubulinos que sobrevoam este espaço.

Não aceitei o convite porque a ordem é vestir a camisa do Flamengo na hora dos seus jogos diante da TV. Não aceitei por dois motivos: não abro mão do manto sagrado tricolor e não tenho camisa de outro clube, a exceção é o Avenida, da minha terra natal.

Bem, diante dos 4 a 1 sofridos nesta rodada, os novos torcedores integrantes da nação rubro-negra configuram um bando de pé-frio. Logo na estreia a confraria Urubu sofreu um revés num jogo que deveria consolidar a superioridade flamenguista sobre os demais participantes.

Imagino que a confraria será extinta antes da próxima rodada. Ou por iniciativa própria ou por intervenção direção do Mengo, preocupada com a onda de friagem que se abateu na Gávea com a criação desse grupo.

É claro que tudo não passa de uma brincadeira bem-humorada desse pessoal com o objetivo de chamar atenção para o descaso tricolor em relação ao Brasileirão.

VOLPI

O goleiro Tiago Volpi foi a figura do jogo. Defendeu dois pênaltis e fez o lançamento para um dos gols do SP. Um gol que lembra o de Ferreirinha, numa assistência de Paulo Victor.

Tiago começou a carreira do Zequinha.

É mais um caso de jogador que saiu daqui sem ser visto pela dupla Grenal.

Vanderlei poderia fazer um estágio com ele no SP.

CHURÍN

O centroavante argentino está inscrito e pode jogar.

Grande expectativa. Se ele der certo, crescem as chances do time na competição.

A lamentar apenas que o GRêmio vai jogar com reservas ou um misto frio.

Grêmio joga um futebol pobre e sofre para vencer o Juventude pela CB

O futebol que o Grêmio jogou na vitória por 1 a 0 sobre o Juventude, pelas oitavas da Copa do Brasil, foi pobre, deprimente e… Demolidor. Sim, demolidor de esperanças de novos títulos ainda nesta temporada.

Não será nada fácil garantir a classificação no jogo da volta em Caxias, na próxima quinta-feira. Por detalhe o Juventude não deixa a Arena com um empate. Seu goleador, Breno, perdeu um gol daqueles de fazer gremista acreditar que “Deus está reservando algo melhor para mim”, como dizia Baltazar, antes de fazer aquele gol antológico contra o São Paulo, no Morumbi, em 1981.

Não há mais Baltazar, mas Diego Souza, improvisado de camisa 9. DS não foi bem nesta noite na Arena. Ele e mais meia dúzia estiveram abaixo do tolerável.

Escaparam Geromel, Kanneman, Lucas Silva, Pepê e Isaque.

ISAQUE

Isaque foi a melhor notícia da noite. Um time vencedor, um time campeão, é forjado na adversidade e a partir de individualidades que se firmam nos correr dos jogos.

Isaque mostrou que está preparado para novos desafios. Não é mais uma estepe para pneu careca. Renato parece não ter visto que está desabrochando um meia que marca, combate, cria, articula e aparece na pequena área para fazer gol.

Foi o que aconteceu nesta quinta, quando ele iniciou a jogada pelo meio, tocou para Pepê, que devolveu na medida para alguém com talento encobrir o goleiro e fazer o que seria o único gol do jogo.

É claro que Isaque precisa evoluir, mas isto só jogando.

FERREIRA

Outro que precisa evoluir é Ferreira. Ele matou as aulas de lapidação e entrou ansioso demais para resolver as coisas sozinho. Jogou mais para si e algum empresário estrangeiro do que para o time.

Renato precisará ter sabedoria e, principalmente, paciência para fazer esse aspirante a astro entender que futebol é um esporte coletivo. Há o momento para driblar, e o momento para tocar a bola.

Ficou claro, contudo, que Ferreira tem um baita potencial. Agora é só uma questão de ajuste nos detalhes, mas detalhes que fazem a diferença entre o craque e o peladeiro inconsequente.

Sobre o jogo em si, o Grêmio teve condições de matar o jogo no primeiro tempo, quando, depois de fazer o gol, aos 8 minutos de partida, explorou contra-ataques. E o fez com rapidez, ao contrário do que disseram os comentaristas Paulo Nunes e Roger Flores, mas errou demais no último e penúltimo passe, e nas opções de jogadas.

Renato acertou na escalação inicial – praticamente a que os gremistas pediam -, mas errou ao sacar, por exemplo, Isaque, colocando Jean ‘devagar quase parando’ Pyerre; e tirar Ferreira para escalar Thaciano. Aliás, Thaciano quase ferrou tudo ao cometer uma falta desnecessária perto da área já nos acréscimos. Um gol ali seria o fim.

Renato precisa entender que até os deuses do futebol tem um limite de paciência e tolerância.