Mania de perseguição e o esquema verticalizado de Renato

Eu ando mesmo com mania de perseguição. Por que de novo o Grêmio joga às 19h e o Inter no horário ‘nobre’, 16h de domingo?

Essa pergunta é irmã desta outra: por que o Grêmio mais uma vez terá jogos da Libertadores transmitidos pelo facebook – no anterior tive extrema dificuldade para assistir de tanto que trancou.

Alguém pode entender que o jogo entre dois clubes egressos da segundona é mais relevante, um clássico. Portanto, nada melhor que marcá-lo para um domingo ensolarado.

Está certo, Ceará x Grêmio também não é lá essas coisas, mas envolve o Grêmio campeão da América, o mais recente brasileiro a conquistar esse troféu ambicionado por todos, mas conquistas de poucos.

Remetendo ao meu comentário anterior: o Grêmio causa inveja em vários níveis, desde o pipoqueiro ao presidente da CBF e seus vices, entre eles o conselheiro colorado.

THACIANO

A entrada de Thaciano no time, junto da ausência de Maicon e Luan, torna o Grêmio um time de jogo mais verticalizado, a exemplo da maioria dos que disputam o Brasileirão.

Maicon e Luan, assessorados pelo Matheus Henrique, são hoje os avalistas desse esquema de toque de bola e paciência que Renato utilizou para elevar o Grêmio de patamar no futebol nacional e mundial.

Antes, ainda havia Douglas, que em seu último suspiro como grande jogador contribuiu para essas conquistas, em especial a Copa do Brasil que rompeu 15 anos de agonia tricolor.

Confesso que sinto saudade desse futebol, que prescindiu do famigerado camisa 9 aipim e que envolvia e tonteava os adversários, encantando a todos, inclusive os rivais.

Bem, esse esquema me parece moribundo, ainda mais com a queda de Luan, enquanto Maicon, o grande maestro, começa a sentir o peso dos anos.

Renato já deu provas de que tem um estoque aparentemente interminável de soluções – para desespero dos que o invejam. Mas tudo tem um fim.

Neste domingo, em Fortaleza, veremos o plano B de Renato: um futebol mais pragmático e menos virtuoso, e que até agora não mostrou eficácia como se viu principalmente contra o Avaí.

Vamos ver, Renato não vai dar mole. Vai em busca dos três pontos, que diante das circunstâncias valem ouro.

ZAGUEIRO

Tenho a impressão de que finalmente o zagueiro Rodriguez terá uma oportunidade. Em princípio, é melhor um zagueiro de ofício do que um volante improvisado e que já deu mostras de atuar desconfortável na posição.

Lembrando o Jô Soares do século passado: ‘Bota zagueiro, Renato”.

EXCLUSÃO

Alertei tempos atrás que não toleraria mais baixaria aqui no blog. Tem uns dois ou três que insistem em apelar para a ignorância. Estou apagando os comentários que EU considero descabidos num ambiente de convivência entre irmãos de clube.

Expressões, por exemplo, que remetem para homossexualismo como sentar nisso ou naquilo, entre tantas outras, serão apagadas num primeiro momento como último alerta.

Depois, será a exclusão. Lamento, porque todos aqui tem boas ideias sobre futebol, mas alguns acabam passando dos limites da civilidade e do respeito.

E o mais grave é que estamos falando de pessoas maduras.

Está feito o alerta. O último.

Sucesso do Grêmio machuca e provoca inveja

O Grêmio é mesmo muito grande. E ficou ainda maior nos últimos anos com a conquista de títulos e, de quebra, jogando um futebol como nunca antes (lembrei de alguém agora) havia se visto no país.

O Grêmio ganhou a admiração, conquistou respeito e, claro, no rastro de energias positivas veio a inveja, companheira dos menores, dos medíocres, daqueles que só conseguem ser felizes em cima da desgraça alheia.

O sucesso do Grêmio machucou e ainda machuca. Gerou ódio em alguns, e não exagero. E isso gerou, entre os pobres de espírito, uma necessidade de vingança, de retaliação.

Quem acompanha com alguma atenção os programas esportivos de rádio e TV, e lê as coberturas dos jornais, percebe que parte dos protagonistas não perde uma chance de agredir o Grêmio com chacotas e trocadilhos infames, como esse que aproveitou o ‘deu mole’ de Renato para fazer uma provocação digna de conversa de botequim.

Agora, mais grave que essa brincadeira muito comum no jornal Olé, da Argentina, mas inaceitável numa imprensa séria e neutra, é essa decisão de denunciar o Grêmio por injúria racial no jogo contra o Fluminense.

Minha capacidade auditiva deve estar muito ruim mesmo, porque não consegui ouvir o termo ‘macaco’, que teria sido proferido por algum torcedor gremista irresponsável. Naquele jogo contra o Santos, a ofensa foi nítida. Não havia o que discutir. A punição aplicada, sim, é que ultrapassou o bom senso.

Mas aí eu volto: o Grêmio provoca muita inveja, muita raiva, deixa muita gente despeitada, principalmente aqui na aldeia, onde mesmo nos melhores momentos do time sempre havia alguém para garimpar algum aspecto negativo como contraponto.

Incidentes semelhantes de injúria racial acontecem em outros estádios, inclusive num muito próximo, e nenhum caso sequer foi denunciado. Ah, mas se envolve o Grêmio é diferente.

O Grêmio foi denunciado pelo artigo abaixo:

“Art. 243-G. Praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência.

O artigo, como se constata, contempla também ofensas de cunho sexual. Não está na hora de começar a denunciar, e punir, gritos, por exemplo, de ‘viado’, tão comuns nos estádios?

Mas o que realmente importa é que o Grêmio é muito grande, uma grandeza que poucos clubes no mundo tem.

Por isso, como dizia Mário Quintana, com quem durante alguns meses dividi uma Remington na redação do velho Correio do Povo, “eles passarão, eu passarinho”.

Vamos passar por cima de tudo isso.

Nova promessa: Grêmio vai decolar no Brasileirão

Logo após o empate com o Corinthians por 0 a 0 no Itaquerão, no sábado, o técnico Renato alardeou que o time “vai decolar” no Campeonato Brasileiro.

Aparentemente, mais uma bazófia do mestre em fugir do assunto nas entrevistas de pós-jogo com expressões e declarações que buscam desviar o foco do que realmente poderia interessar, como longas e entediantes explicações sobre esquema tático e alterações, coisa que muitos treinadores adoram fazer.

Espero que Renato tenha dito isso com base no que tem visto e no que já decidiu em sua mente em termos de montagem de time. Ele tem feito experiências para avaliar a real capacidade de alguns jogadores, projetando mudanças talvez de esquema.

Diante do campeão paulista, que jogou por uma bola dentro de sua casa, ele insistiu com Montoya pelo lado direito, na função de Ramiro. Ao contrário do que pensam alguns, o argentino jogou também pelo meio, exatamente como fazia Ramiro.

Não acrescentou nada. Nem a tradicional garra argentina ele mostra quando entra. É como um funcionário que bate o cartão ponto e espera a hora da saída.

Então, espero que Renato tenha, enfim, se dado conta de que está na hora de Thaciano ser firmado ali, ou ao menos como alternativa ao Alisson. Montoya nunca mais.

Eu me contenho para não dizer o mesmo de outras contratações. Ainda vou dar um tempo para o Felipe Vizeu. Já o André me parece um caso perdido.

Ele evoluiu, mas continua sem fazer gol. Ele nunca está onde a bola é lançada dentro da área para que ele conclua, que chute a gol, coisa raríssima nesta sua fase no Grêmio.

A exceção foi o cruzamento do Cortêz, que melhorou nesse quesito, e André apareceu para concluir e marcar contra o Fluminense. Lance raro, tanto de um como de outro.

Sobre Cortêz, aqueles que pediam Capixaba no lugar, bradando que ele não jogava porque Cortêz é ‘bruxinho’ do Renato, enfiaram a viola no saco. Capixaba não é mau jogador e talvez com o tempo acabe mostrando mais personalidade tanto na defesa como no ataque.

Para concluir, ou Renato teve uma visão/revelação ou ele agora está convencido do que precisa mudar e com quem ele pode contar.

A mais importante mudança que ele poderia fazer é adotar de vez, imediatamente, o esquema com camisa 9 de ofício. Luan voltou a jogar bem, especialmente em relação a ele mesmo. Renato está trazendo Luan de volta, e aí os caminhos podem se abrir.

Mas a decolagem precisa começar contra o Ceará, obrigatoriamente.

PÊNALTI

Sinceramente, eu não gostaria que fosse marcado contra mim um pênalti como esse que o juiz marcou e depois voltou atrás.

Fagner estava com o braço quase colado ao corpo.

Agora, Marcelo de Lima Henrique poderia ter deixado o lance prosseguir e na sequência marcar a infração. Depois, deu a bola para o Corinthians recomeçar, não o Grêmio.

Outra coisa, o juiz marcou com tanta convicção que poderia/deveria dispensar o VAR.

Mas, sacumé, é o Corinthians. Será que ele recuaria se o lance fosse na área do Grêmio?

‘MOLE’

O time deu ‘mole’ contra o Fluminense e até contra o Santos. Contra o Avaí jogou mal mesmo. Sábado até que que teve boa atuação.

Agora, é inaceitável que a direção continue dando ‘mole’, para usar o termo empregado por Renato.

A demora para contratar zagueiro (s) não tem justificativa.

O ‘técnico de rachão’ prometeu e cumpriu

Com 100% de aproveitamento no segundo turno, o Grêmio deu a volta por cima ao garantir sua vaga na fase de mata-mata com uma vitória convincente sobre o Universidad Católica.

Antes do jogo, tinha gente repetindo nas rádios que o Grêmio ainda não havia vencido chilenos na Libertadores. Nem fui conferir esse informação, que serviu apenas para aumentar em alguns o temor de uma tragédia. Parecia coisa de secador.

Os urubulinos estão por toda a parte espalhando seu fel.

Como tem acontecido na maioria das vezes, o time do mestre Renato voltou a decepcionar e frustrar muita gente com a classificação, que aconteceu conforme ele havia prometido.

Há quem ironize a vitória, que seria obrigação vencer o Universidad. No futebol, hoje, não tem moleza pra ninguém. O Grêmio foi dar ‘mole’ para o Fluminense e se lascou. Bem, ao menos o Fernando Diniz, técnico que o pessoal da kombi quer para o lugar do Renato, conseguiu evitar sua demissão. Sempre há um lado positivo nos desastres.

Aliás, sobre a saída do Renato. O que tem de gente secando o melhor treinador do Brasil não é brincadeira. Já tinha até coro formado para gritar ‘fora Renato’ se o time fosse eliminado da Libertadores.

Na segunda-feira será sorteado o próximo adversário na competição. Como diz o Renato, ninguém quer enfrentar o Grêmio.

Então, todos aqueles que torcem contra o Renato, que não suportam suas faixas, suas frases provocativas e sua ‘soberba’, terão nova oportunidade. São todos os colorados do Rio Grande e meia dúzia de gremistas saudosos dos tempos recentes de trevas.

Destilo esse veneno todo em resposta aos que desdenham da vitória sobre o Universidad e não valorizam a reação do time, que vinha de uma derrota capaz de abalar até os mais fortes.

Pois o time reagiu e atingiu seu objetivo.

A dupla de área Geromel/Kannemann mostrou que fosse ela em campo domingo o Fluminense sairia da Arena com uma goleada estrondosa. Passaria por cima até da falha do goleiro Júlio César.

No meio de campo, a dupla Michel/Maicon foi muito bem. Ainda assim tem gente querendo os dois ou ao menos um fora do clube.

Sobre o Maicon, craque de bola, estou ao lado de gente como Tite, Paulo Nunes e outros realmente conhecedores de futebol.

Outro que vinha sofrendo críticas, inclusive minhas, é o Alisson.

Não é que o primeiro gol saiu de uma lançamento longo, digno de um Dinho ou de um Sérgio Lopes (este é para a galera dos anos 60), justamente para Alisson, que mesmo entre três zagueiros conseguiu invadir a área e desviar com extrema categoria do goleiro?

Vejo que poucos enaltecem esse lance e seus dois protagonistas. Tem gente que torce mais para suas opiniões e palpites do que para o time.

Quero destacar, ainda, o Thaciano.

Thaciano é um fenômeno aqui neste espaço. Ele une urubulinos e chapistas, o que é algo raro. Todos o querem no time titular ou ao menos um reserva tipo ficha 1. Nada mais justo.

Pra variar, mestre Renato lançando efetivamente os jovens talentos na hora certa.

Está aí uma frase que irrita alguns aqui. Em especial aqueles que não conseguem ver no Renato além de um técnico de rachão, um mobilizador. Um dia Renato vai ser derrotado – que esse dia demore muito – e eles poderão jactar-se: “Eu não disse?”.

O Grêmio e o copo cheio

Quando eu tenho diante de mim um copo pela metade, eu vejo um copo cheio, não um copo vazio.

Nem sempre foi assim no futebol. Mas este Grêmio que surgiu esplendoroso em 2016 e varreu os 15 anos de angústia mudou meu modo de olhar para o copo.

Há os percalços naturais, e todo nós estamos carecas (uns com mais cabelo que outros) de saber quais são. Vão desde a venda de jogadores importantes, lesões, arbitragens e nossos próprios erros, como este inaceitável de ter de improvisar na zaga por falta de jogadores da posição.

Enfim, estou confiante e continuo confiante no Grêmio do vestiário para dentro.

O entorno do vestiário, este sim, me preocupa, como o entorno da Arena, problema que poderia ser resolvido ou minimizado se o poder público assim o quisesse.

Já foi melhor o entorno do vestiário, com Adalberto Preis e Odorico Roman.

Mas o que interessa é o jogo desta noite contra o Universidad. O empate basta, mas Renato já adiantou que vai jogar como sempre, ou seja, atacando. Só espero que tenha um pouco mais de cuidados defensivos.

Não sei se vou aguentar outro jogo tão empolgante e emocionante como foi o diante do Fluminense.

Espero mais calmaria logo mais na Arena. Uma vitória suave, que desce redonda como um chopp cremoso, este que o David vive escrevendo em sua coluna.

O meu Grêmio, o meu parâmetro, é o Grêmio de boa parte do jogo contra o Santos os 25 iniciais diante do Flu. Este é o Grêmio que eu enxergo sempre como um copo cheio.

O resto é o resto, mas não pode se repetir.

BLOG

Mais de 600 comentários no post anterior, acho que é o nosso recorde. Digo nosso porque este espaço é uma construção coletiva.

Infelizmente, não consegui ler tudo, mas considerem-se todos lidos com o coração.

Gostei também de ver o alto nível dos comentários, com provocações, ironias, etc, mas com educação e civilidade.

Do céu ao inferno em dois minutos

Do céu ao inferno em dois minutos, sem escala. Durante 25 ou 30 minutos, o céu foi o futebol rutilante, esplendoroso, do Grêmio massacrante, aplicando 3 a 0 no Fluminense com direito a show de bola.

Cheguei a ouvir um coral de anjos e som de harpas celestiais. Sob o comando do maestro Maicon o time me deixou enlevado, feliz.

O comentarista Petkovic não se conteve e classificou o time treinado em ‘rachão’, como dizem os ranzinzas de sempre, de Barcelona. Um baita (e justo) elogio, que, infelizmente, parece ter repercutido em campo.

Alguns jogadores calçaram salto alto. Os três gols marcados até os 21 minutos, seguidos de duas boas chances de ampliar, passaram a impressão a todos, e não apenas o pessoal que esteve na Arena e os que optaram pela TV, de que o jogo estava liquidado. Eu mesmo comecei a achar o jogo chato, prevendo um segundo tempo morno.

Nós, que estamos fora das quatro linhas, podemos pensar dessa forma, mas jogador profissional não pode pensar assim. Precisa manter seriedade e aplicação todo o tempo.

O time carioca estava abatido, mas não morto. E mostrou isso em dois minutos. Aos 38, um gol de chiripa de Gonzalez. Aos 40, o gol que abriu as portas do inferno.

O goleiro Júlio César, que alguns queriam no lugar de Paulo Victor, decidiu enfeitar, calçando salto 15. Foi driblar dentro da área e perdeu a bola para Luciano, que descontou. Tudo indicava que o segundo tempo, que prometia ser apenas para cumprir uma formalidade, seria marcado por fortes emoções.

E não deu outra. O Fluminense do técnico Fernando Diniz, queridinho de alguns que silenciaram constrangidos com o chocolate inicial e renasceram depois, voltou avassalador.

Parece ter ocorrido um apagão no time gremista. Um mistério o time ser envolvido e massacrado do jeito que foi. O goleiro vilão fez duas defesas sensacionais. Mas o Flu empatou aos 9 minutos, após outra grande defesa de Júlio César.

Aliás, que falta fez o Geromel. O adversário ganhou quase todas as disputas pelo alto. Kannemann se duplicava na área, mas, afoito, acabou cometendo falta, aos 23, durante um agarra-agarra com o zagueiro Mateus Ferraz. Na verdade, os dois se agarraram. Não era lance para marcar pênalti. Pedro converteu e colocou o Flu em vantagem.

Aí, o ‘vilão’ do pênalti foi lá na outra área para empatar o jogo. Luan bateu escanteio e Kannemann converteu de cabeça.

Mas ainda havia mais emoção pela frente. Tudo se encaminhava para o empate. O Grêmio teve minutos de lucidez e voltou a ameaçar o gol. O goleiro Rodolfo fez duas grandes defesas. Quem não faz leva. Nos acréscimos, o Flu voltou a marcar: 5 a 4.

Um grande jogo, talvez o melhor do Brasileiro até agora.

Caberá ao técnico Renato remobilizar o time para enfrentar o Universidad, que, ao contrário do que se pensa, não é galinha morta.

O Grêmio precisa extrair desse jogo contra o Fluminense ensinamentos que o levem a manter um ritmo forte durante os 90 minutos. Como se sabe, e a gente por vezes se esquece, o jogo ‘só acaba quando termina’.

O dia em que o lado azul da imprensa foi campeão brasileiro

Eu ajudei o Grêmio a ser campeão brasileiro em 1981. A frase soa pretensiosa e até absurda, mas é a mais pura e cristalina verdade.

Já contei essa história aqui e nas mesas dos bares algumas vezes.

Detesto ser repetitivo, mas é preciso, porque, como dizem no rádio, o público se renova constantemente.

Vou começar pelo Odair. Em 1979 ele jogava no time júnior, e eu gostava de acompanhar os treinos da gurizada. Gostava de garimpar talentos na base.

Foi assim que vi Assis estourando nos juvenis e Renato arrebentando desde sua chegada, vindo de Bento Gonçalves, depois de meteórica passagem pelo Inter.

Pois naquele tempo havia seguidamente algum treino que a gente chamava de coletivo contra equipes juvenis e juniores.

Num desses treinos, o Odair, um ponta-esquerda forte, veloz e driblador, do tamanho do Ramiro, que gostava de jogar rente à linha do campo, estava tornando a tarde do lateral um inferno.

O técnico, em vez de acompanhar o treino, jogava conversa fora, animado, na casamata com seu Verardi e outros. Sim, era o ‘titio’ Fantoni, aquele que ganhou a final do Gauchão de 1979 contra o Inter e saiu mais cedo do Olímpico para não perder o voo.

O futebol já foi mais divertido…

Cheguei perto dele, e sugeri:

-dá uma olhada no Odair.

-Quem é o Odair?

-Esse alemãozinho que corre aqui na nossa frente, está jogando muito.

Resumindo, no final da tarde Odair apareceu pela primeira vez na lista dos relacionados do time principal. O jogo foi em Canela ou Gramado, não lembro, uma amistoso.

Depois disso, Odair ficou no grupo e, em 1981, foi campeão brasileiro. Tempos depois ele quebrou a perna num desses jogos comuns no Texas do RW.

Foi minha primeira contribuição para o título.

O principal veio depois. O Grêmio tinha um time de veteranos e emergiam da base alguns talentos.

Conservador como todos os treinadores, o grande Ênio Andrade relutava a fazer as mudanças necessária.

Foi aí que eu e outros setoristas gremistas decidimos dar um empurrãozinho para as ‘reformas de base’.

Eu e o Marco Antônio Schuster, meu colega na Folha da Tarde, convidamos outros colegas a participar de um movimento pela juvenilização do time. Lupi Martins, da Guaíba, Geanoni Peixoto, da ZH, e Roberto Tomé participaram da empreitada.

Nós enchíamos a bola da gurizada que mais se destacava: Paulo Roberto, Newmar, Casemiro, China e Odair.

O primeiro a fazer entrevista com Paulo Roberto fui eu, quando ele ainda era camisa 5 do time de juniores e da seleção gaúcha da categoria. Já o volante China, oriundo de Passo Fundo, não tinha a minha preferência. Eu gostava mais do Paulo Bonamigo, mais técnico.

Então, aos poucos a gurizada foi entrando no time, um pouco, ou muito, por causa de nossa mobilização do bem. A gente não suportava mais ficar sem um título nacional, enquanto eles já tinham três.

Felizmente, deu certo. Tenho ou não tenho razão para afirmar ‘eu ajudei o Grêmio a ser campeão brasileiro?’

ÊNIO

Lembro-me que o técnico Ênio Andrade, grande mestre, com quem aprendi alguma coisa em longas conversas à beira do campo depois dos treinos, tinha fama de retranqueiro.

Conversando com ele na véspera do jogo final contra o São Paulo, que tinha metade da seleção brasileira na época, eu sugeri que ele fizesse uma retranca.

Explico: o Grêmio havia vencido por 2 a 1 no Olímpico e só precisava de um empate. Sim, minha alma texana era forte.

Ele me olhou com uma cara de paizão diante do filho ingênuo e metido a conhecedor. E falou, sorrindo de leve:

-Pode ser, Alemão, pode ser -, e se afastou rumo ao vestiário, rodeando o cordão do apito.

Ele entrou em campo, no Morumbi lotado, com um 4-3-3, tendo Tarciso, Baltazar e Odair no ataque. E foi campeão brasileiro, num dos dias mais felizes da minha vida.

E na vida de qualquer gremista.

Grêmio joga um futebol pobre e só empata com o Avaí

Depois do empate com o Avaí, 1 a 1 na Ressacada, começo a desconfiar que a derrota para o Santos, na Arena, talvez não tenha sido um acidente de percurso, conforme defini após o jogo.

O Grêmio jogou uma de suas piores partidas na vitoriosa e gloriosa era Renato.

O time misto armado por Renato tinha todas as condições de jogar melhor e se impor ao adversário desde os primeiros minutos.

Luan, Diego Tardelli e Montoya – cuja grande virtude parece ser cobrar escanteio – são jogadores de primeira linha, seriam titulares em qualquer outro time.

Então, não se pode atribuir à ausência de três ou quatro titulares a mediocridade do futebol apresentado.

É claro que Maicon, o maestro do time, fez falta, exatamente como eu previ. Mas não foi só pela ausência dele que o time jogou tão mal.

A presença de um volante marcador, mais limitado tecnicamente, contribuiu também, mesmo que tenha feito o gol abrindo o placar. Aliás, um gol de cabeça como há muito não se via no Grêmio.

Rômulo é de outra família, e a meu ver só deve ser utilizado por uma questão tática emergencialmente, assim como o centroavante aipim.

Não se pode, também, responsabilizar Michel, autor de um belo gol de cabeça, sem chances para Paulo Vitor.

Esse gol infeliz feito por um volante improvisado talvez inspire o comando de futebol do clube a contratar não um, mas dois zagueiros de nível médio para cima.

Eu ficaria satisfeitíssimo com um Moledo, maior destaque do Inter na vitória sobre o Flamengo, que, aliás, mostrou um futebol tão pobre quanto o do Grêmio.

Mas já soube que o sr. Duda Kroeff teria dito que o Grêmio não está atrasado, ou algo assim, na busca de zagueiro. Não pode ser verdade.

Poucos jogadores escaparam nessa atuação desastrosa. São eles: Paulo Vitor, Geromel e Matheus Henrique, melhor figura em campo.

Nem Éverton que entrou no segundo tempo como salvador da pátria foi bem. Curiosamente, ele, o grande driblador, foi entortado na linha de fundo, onde ele estava como um abnegado gremista, fora de sua posição.

Antes, havia ocorrido um erro de Leonardo, que numa virada de bola entregou para o adversário, lance que resultou no escanteio fatídico.

Mas foi apenas um entre tantos erros do time e do técnico Renato Portaluppi, que não conseguiu ajeitar o time de forma a pressionar e a criar chances reais de gol.

Primeira rodada, derrota; segundo rodada, empate; terceira rodada, mantida a ‘evolução’, teremos vitória.

.

Grêmio quer Avaí pagando pelos pontos perdidos na estreia

Aqueles que não gostam do Maicon, que o chamam de lento e o consideram dispensável, terão nesta noite, 19h15, na Ressacada, mais uma grande oportunidade de ver como joga o time sem seu maestro, o jogador que é base para o esquema que nos tirou de 15 anos de seca.

Espero que o time não sinta tanto a falta do capitão e que vença, com grande atuação, mesmo que se isso ocorrer a turma antimaiquista virá pra cima de mim. Faz parte.

É claro que o Grêmio tem todas as condições de somar três pontos contra o Avai, mesmo sem dois titulares como Kannemann e Maicon. Na verdade, é quase uma obrigação vencer esse jogo. Ainda mais que vem de uma derrota dentro de casa.

O técnico Renato não divulgou o time que começa. No sistema defensivo não há dúvidas, a julgar pelo que dizem os setoristas, esses que acompanham os treinos de perto.

A defesa em princípio deve ter Leonardo, Geromel, Michel e Capixaba.

A partir do meio-campo a situação complica. São muitas as possibilidades.

Eu acho que a dupla de volantes será Rômulo (Thaciano seria o meu preferido) e Matheus Henrique, que ficará mais liberado para criar. Fecho o setor com Luan,( JP andou sentindo lesão no ombro) e Diego Tardelli. Na frente, André e Éverton.

Gostaria de ver o time sem André, mas acho que Renato não mexe no ‘camisa’. André continua fazendo tudo o que um bom centroavante faz, menos o essencial, o gol.

ZAGUEIRO

Eu não consigo entender/aceitar que um clube de ponta, com um time ainda muito festejado, admirado e invejado, entra numa competição sem zagueiros suficientes.

Michel mais uma vez improvisado.

Os deuses do futebol daqui a pouco cobram a conta por tanta imprevidência.

Intrigante também o fato de não ter na base nem um zagueiro ao menos para ficar no banco de reservas.

Enfim, apesar dos problemas, é jogo para somar três pontos, mas não com facilidade.

Acidente de percurso na abertura do Campeonato Brasileiro

A derrota em casa, na primeira rodada da maratona do Brasileirão, é sempre um mau resultado, um péssimo resultado, independente da qualidade do adversário.

Mas, no futebol, a gente encontra atenuantes até nas tragédias, o que está longe de ser o caso desses 2 a 1 aplicados pelo Santos, na Arena, neste domingo.

O time paulista mostrou credenciais para figurar na lista dos candidatos mais fortes ao título. Além da qualidade técnica, preparação física e o comando de um treinador que conhece e que respeita o adversário, contou com um goleiro inspirado e com o fator sorte.

Fora isso, pegou um Grêmio que começou sonolento, se espreguiçando, ainda digerindo o café da manhã. Custou a levar perigo ao goleiro Vanderlei, que mais tarde seria muito exigido, salvando seu time talvez de um empate ou até uma derrota. Eu diria que esse goleiro, que é muito bom, foi um sortudo nesse jogo.

Já o Santos, sem o tal camisa 9 que agrada a tantos – e não só aqui na aldeia -, entrou ligado, surpreendendo com uma marcação forte e saída rápida para o ataque.

Sobre o jogo em si, não lembro de ver o sistema defensivo como um tudo tão confuso e desarticulado, o que contribuiu para erros individuais pouco comuns e que por detalhe não resultaram em gol.

O primeiro gol foi num momento de vacilo, aos 5 minutos, quando o time parecia bocejar em campo. E logo do Sascha, o que ficou mais amargo ainda. Detalhe: os dois melhores zagueiros do país foram envolvidos no lance.

O segundo, foi uma falha de Alisson a poucos metros da área. Alisson deu uma cochilada e Falipe Jonatan aproveitou para fuzilar e fazer 2 a 0.

Como eu escrevi lá em cima, sempre há atenuantes e também aspectos positivos nas derrotas.

Primeiro, comemorando que Maicon, o maestro do time, resistiu os 90 minutos em nível altamente competitivo. Deu piques incríveis e terminou o jogo cobrindo o lado esquerdo, com a substituição de Bruno Cortez.

Aos críticos mais azedos do capitão lembro que o gol de Éverton, que jogou melhor pelo lado direito do ataque, saiu de um passe do Maicon, isso a um minuto do final.

Aliás, o Grêmio massacrou nos 15 ou 20 minutos finais, mostrando capacidade de indignação e sinalizando que o jogo até ali tinha sido um acidente de percurso.

Antes de seguir nos aspectos positivos, uma frase sobre o Vizeu: por enquanto está mais para perdedor do gol do que fazedor de gol. De novo ele teve tudo para fazer pelo um gol, principalmente no cabeceio a dois metros do goleiro que ele conseguiu colocar por cima.

Outro elogio: hoje só faltou o gol para André, que por detalhe não se consagrou com um gol de bicicleta, mas a bola beijou a trave. Ele está se aproximando daquele André que a gente espera rever.

Por ironia, ele fez um gol. Num lance raro: Cortez fez um cruzamento perfeito. André desviou para a rede. Mas aí o bandeirinha viu impedimento. Foi um lance em que se o bandeirinha não dá nada, está certo; se marca, está certo. O bandeirinha estava com muita vontade de erguer o braço. E o VAR foi na marcação do auxiliar.

Agora, o que mais me deixou entusiasmado para os próximos jogos: a atuação do Diego Tardelli. Dá para se dizer que ele finalmente estreou. Jogou bem demais, e com lucidez, inteligência. Um exemplo, no gol do Éverton, ele deixou a bola escorrer à sua frente. Outro jogador talvez pensasse que a bola era pra ele, mas Tardelli seguiu correndo e deixou Éverton concluir a jogada com a técnica que Deus lhe deu, e Renato aperfeiçoou (esta é pra fazer o pessoal antirenatista cuspir fogo).

SAMPAOLI

Por fim, um elogio ao Jorge Sampaoli. Primeiro, porque ele disse estar feliz por ter vencido ‘o melhor time do futebol brasileiro’, um reconhecimento que os técnicos nacionais não admitem por inveja e ciúme. Segundo, porque ele armou um esquema que se mostrou competente o suficiente para fazer dois gols e depois para resistir ao bombardeio, contando aí com a qualidade e a sorte do seu goleiro.