Excesso de poder de Renato no Grêmio não passa de lenda urbana

Um grupo de aloprados, supostamente gremistas, colocou uma faixa na passarela do Parcão pedindo a cabeça de alguns jogadores e também do gerentão do clube (hoje chamam de CEO, que fica mais chique), o Carlos Amodeo.

Não me lembro de ver uma torcida, qualquer uma, fazendo manifestação contra o funcionário administrativo de clube. O normal é pedir a cabeça do técnico, do vice de futebol e até do presidente. Muito estranho, parece coisa encomendada, com viés político.

Esse Amodeo, amparado em números, pode, e deve, alertar a direção sobre o peso que determinada contratação terá no orçamento, e ele se remete diretamente ao presidente e em segundo plano ao conselho administrativo, acredito eu.

Renato, então, é informado de que há ou não recursos disponíveis, e qual o montante que pode ser liberado para contratações.

É óbvio que ele se revolta, como qualquer treinador se revoltaria. Imaginem, ele pede o Rafinha, que estava livre no mercado, e escuta um ‘não’, que só há dinheiro para jogadores como Galhardo, por exemplo.

Tem gente que acredita que determinados nomes foram contratados por serem da preferência de Renato. Existe um limite orçamentário, um limite na folha de pagamento.

Então, se busca jogadores que se enquadrem nessa realidade.

O Flamengo tem dinheiro sobrando. O técnico Jesus pediu dois laterais, e indicou os nomes de Rafinha e Filipe Luiz. Gente fina é outra coisa.

Isso que os dois ex-titulares, Renê e Rodinei, seriam titulares na maioria dos times do país, a começar pelo próprio Grêmio, passando pelo Inter.

Então, é injusto atribuir certas coisas ao Renato e até ao Amodeo. Cada um faz o seu papel. E ambos se reportam ao presidente Romildo, que ao fim e ao cabo é o maior responsável pelo que acontece de bom e de ruim no Grêmio.

É claro que houve erros nas contratações, mas algumas delas quando anunciadas receberam elogios e foram festejadas. Começo pelo Diego Tardelli, uma decepção. O nomezinho dele está lá na faixa, escrita (mal e porcamente) provavelmente por alguém que comemorou a vinda de Tardelli. E qual gremista não comemorou?

Tem ainda o (toc-toc-toc) André, que era goleador do Sport e tem um histórico bom, além de ter um custo que o clube poderia assumir naquele momento.

Reza a lenda que Renato tinha a opção de ficar com Suaréz, mas optou por André. Seria por isso que ele insiste tanto nele. Quer provar que André é melhor que Suaréz. (observação: este parágrafo contém ironia).

Então, essa história de que Renato manda e desmanda é conversa fiada, coisa de gente que não sabe mais como atacar Renato e responsabilizá-lo por tudo que dá errado (e ele tem culpa em muita coisa, sim).

Estamos,portanto, diante de uma lenda urbana. Renato manda mesmo é no vestiário. Felizmente. Fico pensando no Duda Kroef mandando no vestiário… Ele não tem jeito pra isso.

Aliás, depois que anunciou sua admiração pelo presidente Bolsonaro, Renato teve reforçada a artilharia contra si, misturando seus desacertos no vestiário com sua posição política, que ele tem total direito de expressar.

Há erros, sem dúvida, mas o saldo continua sendo positivo.

Espero que sejam tomadas providências no sentido de que os erros cometidos neste ano não se repitam. Os insucessos servem como lição. Bastam humildade e competência para fazer os ajustes necessários.

Ano se encaminha para um final sem brilho

Uma vitória do Grêmio sobre o Flamengo daria um pouco mais de brilho à esta temporada que se aproxima do fim. Foi o que escrevi na última coluna. Logo, uma derrota diante do misto frio dos cariocas, como a que aconteceu neste domingo, 1 a 0 em plena Arena, torna tudo opaco, cinzento.

De coruscante – gosto de usar esta palavra aplicada pelos mais eruditos aqui da aldeia – restou a luz pálida, pendurada lá no fundo, representando o título regional.

Por mais que a gente enalteça aqui, a vaga no G-4 não passa de um prêmio consolação. É pouco para quem apostou muito. Não vou nem falar daqueles que lutam para ficar no G-6 ou que se encontram no limbo.

Agora, se não está bom para o Grêmio, o que dirá para outros clubes grandes como Corinthians, Cruzeiro, Atlético Mineiro, etc.

O ano tricolor não termina ruim, mas o final é brochante, ainda mais depois dessa derrota diante de Jesus e seus apóstolos.

Está certo que o juiz, um cara com emblema da Fifa, teve o desplante de marcar pênalti de Léo Moura, como se fosse possível alguém cair sem usar um braço como apoio.

Quando vejo um lance como esse sempre lembro de dois pênaltis similares anotados a favor do Inter, contra o Cruzeirinho, num jogo eliminatório do Gauchão.

Segundo li e ouvi, há determinação da Fifa no sentido de que não se marque infração em lance como o deste domingo. O juiz Rafael Claus marcou e não voltou atrás, apesar da pressão gremista.

Até o comentarista Sálvio Spínola, que normalmente é contrário ao tricolor, disse que o pênalti não deveria ser marcado.

No final do jogo, o zagueiro Rodolpho tocou com a mão na bola, num lance de linha de fundo. Claus, é claro, não marcou a infração, o pênalti.

Para atenuar o dano que causou ao Grêmio e dar uma de isento, a 10 minutos do fim, ele expulsou o Gabigol, que joga muito, mas não tanto quanto ele pensa, especialmente quando se mete a apitar o jogo e a debochar do adversário, como aconteceu nesse jogo.

No mais, foi um jogo parelho, com o Grêmio com mais iniciativa de modo geral, mas de novo pouca eficiência no acabamento das jogadas e nas conclusões.

A expulsão de Gabigol só não foi mais positiva para o Grêmio, que aumentou a pressão e merecia mesmo um empate, porque à essa altura André, o Insosso, já estava desfilando sua preguiça em campo, deixando o Grêmio também com dez jogadores.

Aliás, é revoltante que o técnico Renato insista em colocar esse jogador em campo. É um acinte, um tapa no rosto de cada gremista.

Vitória sobre o Flamengo para fechar o ano com brilho

Uma vitória sobre o Flamengo, domingo, na Arena, não irá salvar o ano tricolor, mas com certeza será comemorada pela maioria dos gremistas quase como um título. É o jogo da vingança pelos 5 a 0. Pelo menos é como eu vejo esse confronto.

Vencer o festejado Flamengo e o também festejado -com toda justiça- técnico Jesus, que assumiu o clube carioca e transformou água em vinho, seria sensacional. O técnico Renato poderia retomar sua resenha de que o Grêmio em alguns momentos praticou o melhor futebol do país, provocando o colega português.

O problema no discurso do Renato é que intercaladamente o Grêmio jogou o melhor futebol, mas também praticou algo próximo de um filme de terror classe B com seu time reserva.

Pois é, com a temporada se aproximando do final, o que resta ao Grêmio é garantir presença no G-4 para entrar na fase quente da Libertadores/2020. Pouco para quem começou o ano sonhando alto – de acordo com sua grandeza, aliás – e fixando prioridades: conquistar a Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão, pelo menos um deles.

Uma a uma as prioridades foram caindo. A CB foi um escândalo, com o time tendo pênalti sonegado no começo do jogo pelo VAR e pelo juiz. Depois, uma goleada histórica, que um dia haveremos de devolver.

Restou o Brasileiro, mas sem chance de titulo. O Grêmio apostou demais, jogou todas as suas fichas nos dois torneios. Eu não critico, faria o mesmo, talvez sem o radicalismo de colocar time inteiro de reservas seguidamente.

O fato é que o Grêmio está há meio século sem conquistar um Brasileiro, enquanto seu ainda maior rival é um quarentão nesse quesito. Um senhor que não festeja o título do campeonato nacional há 40 anos.

Uma vitória sobre o Flamengo neste domingo não garante nada, mas será de lavar a alma. A rigor, vencer o Flamengo tão exaltado pela crônica esportiva mais ufanista do país (ainda mais quando envolve o queridinho rubro-negro), vale tanto quanto o Gauchão dentro das atuais circunstâncias.

Exagero? Pode ser, mas o Gauchão já está contabilizado na história, enquanto os 5 a 0 que nos tiraram na final da Libertadores, o ‘nosso’ torneio, ainda estão engasgados na garganta.

Grêmio se consolida no G-4 com outra atuação indolente

O que eu escrevi na primeira linha da coluna anterior a respeito do jogo contra o CSA vale também para o deste domingo, em Chapecó. Se no anterior houve aquele susto no final, no jogo deste domingo a Chapecoense, apesar de atacar, quase não levou perigo. A vitória por 1 a 0 acabou acontecendo quase sem sobressaltos, ao natural.

Além de consolidar o Grêmio na quarta posição, vaga que eu só comemoro porque sei que algo que o Inter gostaria muito de atingir, a partida serviu para mostrar que, decididamente, não tem como manter no grupo jogadores como Galhardo e Capixaba. Só faltou o André pra completar o trio do pavor.

Será que não tem na base um lateral ligeiramente promissor para ser testado? Se não tem que se busque fora dois laterais titulares, jogadores que cheguem e fardem, ou que ao menos disputem posição com Cortêz e Leonardo.

Sobre o jogo em si, o time pouco criou ofensivamente, atacou com preguiça. Éverton fez uma partida digna de um André. O gol que ele perdeu logo após o golaço de Luciano, de bicicleta, é inaceitável para um atacante medíocre, o que dirá alguém de seleção.

Mas o Éverton tem crédito de sobra, deve estar se preservando para o jogo de domingo contra o Flamengo. Aliás, eu só penso na vendetta como Jesus e seus seguidores.

Sobre Luciano, ele está se afirmando e ganhando posição. Temos que torcer muito por esse jogador, que ele continua fazendo gols e que não se lesione. A grande missão dele é não deixar André jogar.

Agora, não critico o time por repetir a atuação indolente que teve contra o CSA. Penso que os titulares todos só pensam ‘naquilo’: a revanche contra o Flamengo. Não recupera a vaga perdida na final da Libertadores, mas aumenta a auto-estima.

Anotem: domingo, 16h, na Arena.

Pena que Luan e Jean Pyerre continuem de fora.

Éverton garante vitória depois de susto no final: 2 a 1

O Grêmio enfrentou o CSA na certeza de que os gols surgiriam ao natural. Deu umas aceleradas, trocou bola e algumas vezes jogou com o freio de mão puxado, sem pressa para confirmar a vitória. Acabou vencendo por 2 a 1, quando o adversário se preparava para comemorar o empate, obtido aos 44 do segundo tempo.

No final, três minutos depois de sofrer o empate (falha do goleiro Paulo Victor e dos companheiros que abriram a barreira), Éverton pisou fundo no acelerador pelo lado esquerdo e cruzou para Luciano. O atacante não alcançou a bola, mas dificultou para o zagueiro que acabou marcando gol contra.

A sorte ajuda os bons, alguém já disse. E por vezes protege e ampara até aqueles que pouco se esforçam, caso do Grêmio na partida desta noite. Quase que o CSA cometeu o crime, repetindo algo recorrente na Arena, onde times modestos às vezes surpreendem o dono da casa.

Era jogo para golear. Desconfio que o time gremista, time titular, entrou em campo com esse pensamento, acreditando que chegaria aos 3 pontos sem maior esforço.

Foi preciso mais uma vez que o talento de Éverton prevalecesse, levando o time à vitória. Logo aos 7 minutos, Tardelli fez 1 a 0, recebendo passe açucarado de Cebolinha. Foi só escorar e mandar para a rede. É bom que Tardelli marque até para afastar o fantasma de André, que continua por aí rondando e assombrando.

No final, o gol de falta do CSA. A barreira abriu e PV saltou tarde. A fase dele realmente é preocupante, mas é o goleiro que o clube tem para o momento. Além do mais, seu histórico no Grêmio é muito bom. Mas dá uma saudade do Grohe…

Quando tudo se encaminhava para o empate, Éverton escapou pela esquerda para colocar as coisas nos seus devidos lugares.

Com a vitória o Grêmio entra no G-4. E tudo indica, olhando para os concorrentes principais (SP e Corinthians), que dali não sai mais.

Guerrero e a agenda positiva infinita

Pesquisando aqui no blog atrás de um texto sobre essa generosa ‘doação’ do falido governo do Estado do RS ao Inter de uma enorme área em Guaíba, deparei com o post que fiz sobre Guerrero em fevereiro deste ano. Salvo engano, ele marcou 15 gols, pouco para um centroavante de renome e de alto custo ao clube. Aliás, por que nenhum jornalista aparece para publicar quanto custa cada gol do peruano, como fizeram com Kleber Gladiador?

Bem, publico o texto porque ele segue atual e também porque foi mais um acerto meu, modéstia à parte:

Ode da mídia a Paolo Guerrero

Não me lembro de ter visto tamanho entusiasmo da imprensa local (da torcida, curiosamente, nem tanto) com a chegada de um jogador em fim de carreira, de 35 anos, com retrospecto positivo como boleiro, mas com um fato muito grave em seu ocaso como profissional do futebol.

Paolo Guerrero no auge de forma, foi realmente um grande camisa 9, com presença de área e jogadas pelos flancos (ou corredores, como dizem atualmente).

No entanto, teve sua carreira maculada por uma condenação por doping, fato que a mídia tradicional ignora, apesar da gravidade da penalização.

A realidade é que parece ter sido montada uma operação para melhorar a imagem pública de Guerrero. A começar pela reportagem de duas ou três páginas dedicadas o peruano por um veículo da capital há cerca de um mês.

É perceptível o esforço de buscar pautas positivas para atenuar o momento penoso vivido pelos colorados.

Mas tanto espaço para um jogador decadente – e não há nada de pejorativo em estar numa descendente na profissão, a exemplo de Rafael Sobis e D’Alessandro, só para ficar restrito ao mesmo clube – , é uma demasia.

A estratégia para mudar a imagem de Guerrero é ampla, e inclui até o corte de cabelo mais ao estilo bom rapaz. Desconfio que se fosse possível raspariam as dezenas de tatuagem do jogador para deixá-lo com um jeito mais próximo do ‘genro sonhado’.

Todo esse aparato é para criar um clima bom para que Guerrero trabalhe com tranquilidade pensando em sua estreia com a camisa colorada, em abril. Até aí tudo bem. O ser humano merece esse acolhimento.

O problema é que Guerrero está longe de ser aquele atacante que marcou dezenas de gols em sua passagem pelo futebol alemão, de 2002 a 2012. É claro que tem muita qualidade, mas as pernas já não obedecem a mente como em outros tempos. Natural, mas fato que tem sido relegado a um segundo plano por aqueles que deveriam ser mais críticos.

A cada dia que passa – com o time em crise técnica – mais aumenta o peso sobre os ombros de Guerrero, que, se o Inter não melhorar, entrará em campo como salvador da pátria.

Responsabilidade demais para um jogador em busca de reabilitação como cidadão e que nunca foi craque, embora parte da mídia gaúcha o trate como tal.

Inter escapa de outra goleada na Arena

O Grêmio perdeu a chance de aplicar nova goleada no seu maior adversário abaixo do Mampituba. O time de Renato Portaluppi teve um amplo domínio, que pode ser exemplificado pelos gols perdidos e também porque seu goleiro, Paulo Victor, que alguns gremistas fizeram de tudo para desestabilizar através das redes sociais, não fez nenhuma defesa.

Que eu me lembre, PV encaixou uma bola no chão, sem qualquer perigo. Uma bola que, diria Renato, até uma mulher grávida pegaria.

Depois, PV foi patético. Em vez de chutar a bola que lhe havia sido recuada, atrapalhou-se e precisou driblar Guerrero na risca da grande área. Por pouco não entregou. Nessa jogada temerária o goleiro tricolor mostrou que sentiu o peso das críticas e das manifestações jocosas e debochadas de parte de sua própria torcida.

Essa foi, então, a participação de Paulo Victor no jogo – ainda bem que ficou só nisso. Resta esperar que ele recupere-se emocionalmente para os jogos que ainda faltam no Brasileirão. No mais, se colocassem um cone na goleira não faria a menor diferença.

Com os 2 a 0 sobre o Inter, o Grêmio distanciou-se mais do rival e encostou no São Paulo na briga pela quarta vaga. Renato conseguiu recuperar o time após os 5 a 0. São oito gols marcados e um sofrido, em três jogos disputados, somando nove pontos. E isso sofrendo com lesões – curiosamente, o time que mais poupou é um dos que aparece com mais problemas musculares.

Sobre o clássico, destaque para a dupla de área que anulou Guerrero, que fala muito e joga pouco ultimamente, em especial quando tem Geromel e Kannemann, que colocou o peruano no bolso mais uma vez.

O lateral Bruno Cortês fez uma partida luxuosa, mostrando vigor físico e determinação ofensiva, além de comprar algumas brigas, sem se intimidar. Diria que nem o Dinho faria melhor. Bruno tem seus problemas, mas não há muitos melhores que ele por aí. E pensar que o Grêmio tentou muito o Zeca, então no Santos.

A dupla de volantes se impôs ao natural. Maicon sentiu um desconforto muscular mas resistiu até a vitória ficar encaminhada a partir da expulsão. Sobre o Matheus Henrique, todos os elogios são insuficientes. Ele foi ESPETACULAR. E também mostrou que não medo de cara feia, pelo contrário, curte um olho no olho. A CBF tira MH do Grêmio justo no confronto com o Flamengo pelo Brasileiro para um joguinho mequetréfe da seleção sub qualquer coisa.

Na frente, a satisfação de ver que Diego Tardelli começa a justificar o elevado investimento nele feito pelo clube. Uma atuação de gala, armando, marcando e criando jogadas na área vermelha. O drible que ele deu no galinho garnizé, nos minutos finais, foi bom demais de se ver.

Alison, Éverton e Luciano foram bem, mas nenhum deles empolgou tanto quanto Tardelli e MH. Se eles fosse mais objetivos e Éverton menos fominha, o time não teria errado tanto no último e no penúltimo passe, o que acabou resultando numa vitória com placar que não representa o que aconteceu neste domingo na Arena.

Méritos, claro, para os dois goleiros colorados, que fizeram defesas difíceis.

Sobre a expulsão, Lomba deu uma voadora nas pernas de Luciano. O árbitro não tinha outra alternativa a não ser expulsar o goleiro, independente de o auxiliar ter assinalado impedimento quando a jogada se definiu. A CBF precisa mudar essa determinação de que o bandeirinha só pode marcar eventual impedimento – como neste caso – quando a jogada concluída.

O fato é que o juiz, até vou dar o nome dele aqui, Flávio Rodrigues de Souza, acertou em cheio na expulsão e depois em marcar o impedimento, bola para o Inter. Simples. Ele foi correto em praticamente todos os lances do jogo.

Mas errou feio no final ao não assinalar pênalti de Moledo em Éverton, que fazia fila dentro da área.

Sobre os gols, Alison, que bate muito bem na bola, cobrou falta pela esquerda, aos 33min, e encontrou Geromel, que fulminou o goleiro colorado. O segundo gol, aos 32 do segundo tempo, foi surpreendente: Rômulo recebeu um recuo de Pepê, que recém havia entrado, e chutou com o pé esquerdo, um chute colocado que encobriu o goleiro Danilo Fernandez, que estava um pouco adiantado.

Depois, com um jogador a mais, o Grêmio continuou criando chances. O Inter escapou de uma goleada histórica. Mais uma.

Gremistas que corneteiam Paulo Victor ajudam o Inter

Nessa minha longa trajetória como repórter esportivo (leia-se futebol), conheci vários tipos de torcedor – e vale pra todos, gremistas, colorados, flamenguistas, etc, porque há pouca diferença entre eles.

Tem um tipo de torcedor em especial que me deixa intrigado. É o torcedor auto-destrutivo. Vocês os conhecem, identificam facilmente nas redes sociais, onde cada manifestação para o bem ou para o mal ecoa, reverbera e cruza o planeta.

Até alguns anos atrás, esse torcedor, que em sua paixão muitas vezes nem desconfia que está prejudicando seu próprio clube e, por extensão, a si mesmo, destilava seu veneno aos microfones e ao telefone para veículos de comunicação. Agora, os canais são em maior números e com muito maior alcance.

Neste momento, ou melhor, desde a derrota para o Flamengo, os gremistas auto-destrutivos estão em campanha contra os interesses do clube. A todo instante surge no twitter, no face e nas mídias tradicionais ataques ao goleiro Paulo Victor. O goleiro melhor preparado que o Grêmio conta para o Gre-Nal está sendo alvo de uma gritaria que abala qualquer profissional.

É uma campanha raivosa e debochada, cruel mesmo. Nem vou entrar no mérito, mas a meu ver é uma gritaria ruidosa, ensandecida, disfarçada de piadinhas sem graça, que servem apenas para uma coisa: abalar ainda mais a confiança do goleiro, a mais sensível posição do futebol.

Paulo Victor nunca foi o goleiro dos meus sonhos, mas confesso que ele até me surpreendeu positivamente, fez grandes partidas, fato desprezado por aqueles que mais deveriam ajudar PV a se reerguer e entrar no jogo deste domingo com moral e auto-estima elevada.

Ele falhou feio contra o Vasco (coisa rara em sua trajetória até aqui no Grêmio), mas em nome de uma vitória no clássico isso deve ser relevado, até porque o substituto imediato não é confiável e lançar o jovem Phellipe na fogueira de um Gre-Nal decididamente não é uma boa ideia.

Espero que os torcedores equilibrados e sensatos, que são em esmagadora maioria, pensem no Grêmio e no quanto é importante ter um goleiro tranquilo e prestigiado, ovacionando-o quando seu nome for anunciado no alto-falante da Arena.

Por fim, um apelo aos gremistas inconformados com PV: se não querem apoiar o goleiro que temos fiquem em silêncio até a hora do jogo.

Assim, estarão ajudando o Grêmio, não o Inter.

Renato corrige erro e acerta o time na vitória sobre o Vasco

Renato escalou mal e substituiu bem, corrigindo a tempo a sua opção de começar contra o Vasco com dois volantes que não se completam, porque ambos têm dificuldade para armar e chegar à frente com qualidade.

Quando soube que o Grêmio começaria com Rômulo e Michel imaginei que seria uma noite de horror, tendo ao fundo uma sinfonia de raios e trovões que desabaram sobre Porto Alegre na hora do jogo, inclusive obrigando o fechamento do aeroporto Salgado Filho.

Felizmente, não houve corte de energia elétrica na minha zona, o que permitiu que eu pudesse assistir ao jogo até o fim, feliz com a vitória por 3 a 1 sobre o Vasco, em pleno São Januário. Uma vitória que passou pela substituição de Michel (havia recém levado cartão amarelo e fazia uma partida atroz), logo aos 30 minutos.

A entrada de Pepê e a passagem de Thaciano para jogar ao lado de Rômulo melhorou o time, que ficou mais agressivo e melhor ajustado em campo. O próprio Rômulo cresceu tendo ao lado um jogador com mais saída de bola.

Antes disso, o gol do Vasco. Guarín cobrou falta, um chute rasteiro, relativamente forte, quase no meio da goleira. Paulo Victor, indicando que ficou abalado pela avalanche de críticas que recebeu após os 5 a 0, aceitou. Já há quem o queira fora do time domingo, no Gre-Nal. Não é hora de arriscar. É hora de dar força e apoio do goleiro, ou ao menos diminuir o tom da crítica para que ele recupere a serenidade. Por enquanto, até prova em contrário PV é o melhor goleiro do Grêmio.

Pepê marcou o gol de empate, após grande jogada individual. Depois, Éverton virou, depois de receber uma bola roubada por Darlan (o guri entrou muito bem mais uma vez). O terceiro gol foi de pênalti, cometido por Castan, que abriu demais o braço numa disputa pelo alto com Luciano. No primeiro tempo, ele foi advertido pelo juiz justamente por esse tipo de movimento que ele repetiu dentro da área.

O Grêmio subiu para o quinto lugar, dois a menos que o quarto, o SP, goleado pelo Palmeiras.

Destaco o desempenho da dupla de área e de Cortêz, que inclusive evitou um gol do Vasco a 10 minutos do final. Na frente, Tardelli voltou a jogar bem. Éverton foi o craque do jogo. Rodriguez entrou bem na lateral-direita. Mostrou que pode ser aproveitado por ali.

Grêmio joga bem, vence e mostra que goleada foi fora da curva

Para aqueles que previam um Grêmio abalado e desestruturado, arrasado pela goleada diante do Flamengo, resultado considerado ‘normal’ pelo vice-presidente Duda Kroef, a vitória por 3 a 0 sobre o Botafogo foi um alento.

Aqueles que já elaboravam lista de dispensas e até sugeriam contratações pelas redes sociais, talvez deixem de ser tão radicais, usando a eliminação humilhante da Libertadores como suporte para uma política de terra arrasada, em que nada presta, talvez amenizem um pouco suas críticas, porque o time mandou bem depois da queda.

O Grêmio fez uma partida que lembrou o ciclo de vitórias e boas atuações. É claro que depois dos 5 a 0 resta muita desconfiança sobre a capacidade de alguns jogadores e até do técnico Renato Portaluppi. Mas a amostra foi boa, estimulante, e quem foi à Arena saiu de lá satisfeito, embora ainda ferido e magoado com o time.

O gol logo cedo contribuiu para dar tranquilidade ao time e conquistar a torcida, como quem diz: “Podem confiar em nós, a goleada foi um acidente”.

Maicon, o capitão de atuação apagada no meio da semana, comandou a vitória. Abriu o placar ao receber um passe precioso de Luciano, que substituiu André, suspenso.

Com 11 em campo fica menos difícil, e Renato já deveria saber disso. As melhores atuações no Brasileirão foram sem André. As piores, com André.

O segundo gol também saiu de uma bola trabalhada, com Éverton achando Tardelli (em sua melhor atuação, comprometido e eficiente), que invadiu a área pela esquerda e chutou para Gatito salvar, mas nos pés de Thaciano, que só encostou para as redes.

Nesse lance, Gatito, citado por muitos gremistas como um goleiro que substituiria Paulo Victor com vantagem, por ironia, repetiu o que fez PV no primeiro gol do Flamengo: defendeu do jeito que dava, porque era um chute forte, quase à queima-roupa.

Mas faço questão de deixar isso registrado até como forma de fazer justiça a esse goleiro de tantas grandes atuações com a camisa tricolor.

No terceiro gol, mais uma vez bola trabalhada. Depois de um bombardeio, Éverton pegou o rebote e chutou forte.

Gostei da resposta que o time deu. O Grêmio mais uma vez avança na tabela, agora com melhores possibilidades na competição porque já não há mais a Libertadores pra ‘atrapalhar’. Pena que o título agora é impossível. No máximo, um terceiro ou quarto lugar.