Meu encontro com Maradona antes de sua consagração mundial

Fazia frio e chovia muito, muito mesmo. Um narrador de futebol de antigamente diria que ‘chovia a cântaros’ quando eu e o fotógrafo (esqueci o nome, mas fico devendo) descemos de um taxi dos anos 50 ou 60 diante do estádio do Argentinos Juniors, no bairro La Paternal, em Buenos Aires.

Eu havia combinado na véspera uma entrevista com aquele que era considerado pela imprensa local a maior revelação do futebol argentino, um fenômeno. O taxista, ao saber que iríamos nos encontrar com o jovem ídolo do Argentinos Juniors, encheu a boca para dizer “es un fenôooooomeno”. E acrescentou, sorrindo: “Logo, logo ele estará no Boca”.

Naquele ano, 1981, os meios de comunicação do país só falavam disso: Maradona no Boca. Maradona estava com 20 anos. Em cinco anos de profissional, havia marcado 149 gols em 166 jogos por seu clube. O Barcelona também demonstrava interesse no craque.

Imaginei que haveria algum esquema de segurança especial na porta de acesso ao estádio que hoje leva o nome de Diego Maradona. Que nada! Pelo contrário. Havia apenas um porteiro, um senhor de cabelos grisalhos, lambidos como os de Carlos Gardel ou de qualquer cantor de tango que se preze.

Era um lugar simples, modesto, semelhante a muitos pequenos estádios do interior gaúcho. Lembrei-me logo do estádio do Zequinha, principalmente pelo vestiário, pequeno e sem qualquer sinal de luxo. Hoje, deve estar diferente, porque Maradona, pelo que soube, investiu no local onde nasceu para o futebol.

Maradona ainda não havia chegado. Mas seus companheiros treinavam debaixo da chuva. Pensei, ele vai chegar atrasado e não me dará a entrevista. Eu tinha menos de três anos de profissão. Mas já sabia como as coisas funcionam. Dito e feito.

O jovem craque chegou já trajando um abrigo impermeável, pronto para participar do treinamento. “Tô fudido”, pensei, olhando pra aquele pequeno gardelon de 1m65, cabeleira preta. Maradona sentara num banco do vestiário para calçar as chuteiras.

Foi aí que perguntei sobre sua saída do Argentinos e seus futuro. Ele respondeu que nada estava decidido, mas que era muito provável que trocasse de clube em breve. Questão de semanas. Fez mistério sobre qual clube seria. Mas deu uma dica aquele jovem repórter brasileiro, todo molhado, desesperado por uma declaração, uma informação exclusiva, algo que justificasse tanto esforço.

Acho que ele ficou penalizado com a minha cara de cachorro sem dono. Ele se levantou, apertamos as mãos – as que no futuro seriam “las manos de dios”.

Foi aí, nos acréscimos, no ‘apagar das luzes’, que ele revelou, depois de ser questionado sobre se iria para o Boca ou para o Barça:

-Nada está decidido, mas meu grande sonho é vestir a camisa do Boca -, e saiu apressado rumo ao gramado. Duas semanas depois ele foi anunciado no La Bombonera.

Foi assim meu encontro relâmpago com Maradona, um dos grandes craques do futebol mundial, que será sempre lembrado por sua arte, seu talento.

No mais viveu ao seu jeito. A canção consagrada por Frank Sinatra, My Way, poderia ficar de pano de fundo no seu adeus. Ou um tango, por exemplo: o genial Por Una Cabeza. Ou ainda No llores por mil Argentina.

Grêmio: agora foco total na Libertadores da América

Com Renato garantido até fevereiro, até para neutralizar a turma que defende a saída do técnico nas redes sociais, o Grêmio retoma o foco na Libertadores, a competição preferida por 9 entre 10 gremistas – na estimativa mais pessimista.

Enfrenta nesta quinta-feira , às 21h30, o Guarani, que não mete medo em ninguém, mas pelo fato de jogar no Defensores del Chaco, cenário de confrontos históricos, peleados, com muita pegada e árbitros, digamos, ‘paraguaios’.

O Defensores me assusta, me dá calafrios, quase tanto quanto La Bombonera. Qualquer jogo ali pode virar um duelo épico.

Posso estar exagerando, mas alguns jogos da Libertadores me deixaram traumatizado. Lembro de um jogo decisivo contra o Olimpia, com a arbitragem roubando sem pudor. Foi em 2002, na fase semifinal. O Olímpia foi campeão vencendo o São Caetano, na final. Era o centenário do clube paraguaio. Sempre desconfiei que foi tudo arranjado.

Então, quando o jogo é contra paraguaios, no habitat deles, sempre fico nervoso e preocupado. O Guarani, aparentemente, não vai exigir muito do Grêmio, que tem a vantagem de decidir na Arena.

Confio no Renato, tão apaixonado por Libertadores quanto a torcida. A Libertadores projeta seu campeão para o mundo. Eleva seu status. É por isso que hoje o Grêmio é o adversário brasileiro mais temido por nossos vizinhos. O Grêmio tem alma castelhana, como definiu Pedro Ernesto na década de 90.

Sobre o jogo contra o Guarani, que talvez não conte com seu goleador, o Bobadilla, penso que o Renato deveria começar com Orejuela, que tem mais vigor físico que o Victor Ferraz, que é o mais cotado segundo a imprensa. Orejuela tem ainda o idioma a ser favor. Os dois laterais se equivalem, mas na Libertadores qualquer detalhe pode ser decisivo, como ter mais jogadores que falam espanhol. Pena que Kanneman não possa jogar.

Na outra lateral, se fala no Cortêz, mas eu prefiro Diogo Barbosa, que aparece com mais qualidade na frente e trabalha melhor a bola.

No mais, fecho com o time ‘da imprensa’. O time teria para começar:

Vanderlei; Orejuela, Geromel, David Brás e Diogo; Matheus Henrique, Darlan e Jean Pyerre; Luiz Fernando, Diego Souza e Pepê.

É um time que tem condições de voltar com 3 pontos na bagagem. Desde que não se intimide no caldeirão do Defensores del Chaco. Felizmente não teremos torcida para pressionar a arbitragem.

Grêmio frustra a torcida ao empatar mesmo com 2 jogadores a mais

Sabe aquele jogo em que dá uma vontade quase incontrolável de dispensar meia dúzia de jogadores? É uma vontade que dá e passa, mas a minha ainda não passou. Difícil pensar diferente depois de uma atuação como a desta noite no empate por 0 a 0 contra o Corinthians, um Corinthians que terminou o jogo com dois jogadores a menos.

Quer dizer, o Grêmio tinha em suas mãos – por falar em mãos, as de Vanderlei evitaram o vexame de ser derrotado mesmo com dois jogadores a mais, fazendo uma defesa digna de Marcelo Grohe – a chance de ouro de somar três pontos e entrar definitivamente na briga pelo inédito título de campeão do Brasileiro de pontos corridos.

Bem, por absoluta incompetência tática, técnica e até falta de uma maior volúpia, maior determinação, para encaixotar um adversário fragilizado, que rezava para o tempo passar, o Grêmio conseguiu apenas um ponto. O resultado o mantém na disputa, mas tudo ficou mais complicado. Na realidade, é grande a frustração da nação gremista, que, em condições normais, não veria nada de mal em empatar fora de casa com um clube do seu tamanho. Mas do jeito como tudo se passou, só resta lamentar e torcer para que esse tipo de atuação não se repita.

Há méritos no adversário. O treinador Vágner Mancini armou bem seu time. Primeiro para empatar, depois especular uma vitória. Bloqueou as duas laterais, dificultando jogadas de linha fundo e obrigando o time de Renato a insistir na penetração pelo meio, forçando passes e jogadas. Ele manteve o time estruturado dessa forma. Foi encurralado, mas conseguiu algumas investidas de risco para Vanderlei.

O jogador que mais me decepcionou é aquele de quem espero muito. É o Jean Pyerre. Não acertou nenhuma bola enfiada, nenhum lance de superioridade individual. Forçou demais o passe pelo meio, para alegria de Mancini e seus defensores, que se anteciparam na maioria das vezes.

Não entendi por que Renato não colocou Ferreira. Luiz Fernando era figura decorativa até fazer aquele jogada de técnica e criatividade que resultou na expulsão de Otero. Mesmo assim, Ferreira deveria ter entrado. Os laterais foram horrorosos. O pior foi Cortês, que saiu no intervalo. Em seu lugar entrou Diogo, que não fez nenhum cruzamento decente, e olha que ele jogou umas 15 bolas para a área.

Sobre o estreante Pinares: estava curioso para ver esse jogador em ação. Ele, como a maioria dos jogadores, não foi bem. Deve jogar mais do que isso. Por supuesto.

Foi uma partida para ser esquecida, ou melhor, para ser lembrada de como não se joga contra um time com nove jogadores.

Ah, heroica a atuação dos jogadores do Corinthians.

As frases de Renato e o foco na ponta de cima do Brasileirão

O futebol é mesmo uma ‘caixinha de surpresas’, como dizia o ‘filósofo’ Dino Sani na terrível década de 70. Quem diria que o técnico que era debochado e ironizado por suas frases tão criativas quanto à lembrada na primeira linha deste parágrafo.

Realmente, o ‘futebol é dinâmico’, lembrando outro pensador, o ex-dirigente Rafael Bandeira dos Santos, aquele que um diretor do Inter chegou a cogitar de contratar para dar um jeito no futebol do clube. Não se sabe se é lenda ou não, o fato é que o assunto não evoluiu.

Hoje, a situação está até pior no rival que diminui de tamanho a cada tentativa de igualar-se ao Grêmio, engordando sua dívida e inviabilizando o clube. No caso atual, a solução seria fazer uma proposta ao presidente Romildo Bolzan, o dirigente do futebol gaúcho melhor sucedido na década.

Voltando às frases, o marketing tricolor foi ágil. O projeto estava engavetado, e só foi resgatado porque enfim o time decolou, como prometeu o comandante Renato. O clube lançou camisas com as tais frases. Uma delas, como todos já sabem é “Eu confio no meu grupo”, até pouco tempo alvo de crítica e deboche.

As camisas custam 59 reais. O problema é que logo poderão entrar em liquidação se o time sofrer uma queda. Perder para o Corinthians, domingo, por exemplo, vai abalar as vendas. Então, uma boa ideia, mas com prazo de validade em aberto.

E aí eu entro num assunto que está ocupando bom espaço nas redes sociais: qual o time que irá enfrentar o Corinthians, domingo, 20h? A maioria defende um misto quente, que teria os principais jogadores do time, a espinha dorsal. Outros aceitam um misto morno. Poucos querem um misto frio para jogar com força máxima quarta-feira contra o Guarani, pela Libertadores, prioridade das prioridades da maioria dos gremistas.

Vejo, com surpresa, que, diferente do ano passado, ninguém agora está cobrando força máxima contra o Corinthians. O que o Renato ouviu de bronca por ter ousado poupar no Brasileirão em detrimento da Copa do Brasil e das Libertadores…

Deixa pra lá. Novos tempos.

TIME TITULAR

Bem, arrisco um palpite sobre o time que joga contra o time do Luan, que, aliás, está começando a jogar aquele futebol que o consagrou. Espero que isso não ocorra contra o tricolor.

Acho que o time será o titular, ou quase isso, até para que a linha de camisas continue vendendo:

Vanderlei; Orejuela, Geromel, kanneman e Cortêz; Darlan, Matheus Henrique e Jean Pyerre; Piñares (Éverton), Diego Souza (este não quer ficar de fora porque briga pela artilharia do campeonato) e Pepê (Ferreira)

Grêmio nas semifinais da competição mais democrática do país

Quando o Inter fez seu gol na ‘última volta do ponteiro’, como diziam os locutores dos tempos gloriosos do rádio, imaginei, como muitos torcedores e secadores, que nada mais poderia tirar a classificação vermelha. Mas o Inter se deu mal nos pênaltis, inclusive com um erro do seu goleador, o Galhardo, cuja presença no jogo decisivo contra o América, em MG, só foi possível porque o clube fretou um avião. O esforço da direção foi inútil. Galhardo não jogou nada e ainda desperdiçou um pênalti. No final, um episódio lamentável, com jogadores e agregados dos dois clubes se pegando a socos.

Além do time do técnico Lisca, se classificaram também Grêmio, Palmeiras e São Paulo. O Grêmio bateu o Cuiabá por 2 a 0, com novo show do meio-campo da gurizada e gols do volante/meia/centroavante, o veterano Diego Souza, que alguns apressadinhos até poucos dias queriam longe da Arena.

O time do técnico Renato vai enfrentar o São Paulo. Torci pelo SP, porque considero, ainda, o Flamengo o melhor grupo do país, e tem o trauma dos 5 a 0. O SP encaixou o time e tem um forte protetor, o presidente da CBF. O último confronto entre Grêmio e SP foi ficou claro o que pode fazer uma arbitragem condicionada. Mesmo assim, preferia mesmo pegar o tricolor paulista.

No outro jogo das semifinais, Palmeiras x América. O Palmeiras se classificou com alguma tranquilidade ao eliminar o Ceará, mesmo com os 2 a 2 desta tarde. O América é o estranho no ninho. Um clube médio em meio aos grandes. Mas tem futebol para superar o clube paulista.

As semifinais serão disputadas no final do ano, em meio aos festejos de Natal e Ano Novo. Aposto numa final Grêmio x Palmeiras.

GREMIO X CUIABÁ

Sabiamente, o técnico Renato não foi na conversa da turminha do ‘já ganhou’ e escalou o melhor time possível para garantir a vaga e evitar alguma surpresa desagradável, coisa comum no futebol.

Diego Souza, em dois passes do elétrico Pepê, marcou os gols na vitória por 2 a 0. No segundo tempo, o Grêmio administrou a vantagem e até poderia ter ampliado. Exagerou no toque de bola diante e dentro da área. Muitos erros no penúltimo e último passes contribuíram.

Além do meio de campo com MH, Darlan e JP, se destacaram o zagueiro Geromel, os dois laterais e DS. Éverton e Ferreira estão esquentando lugar para a volta de Alisson. Nenhum dos dois mostrou que pode assumir a titularidade num curto prazo.

O importante é que o Grêmio ganhou corpo nos últimos jogos com a afirmação de Darlan e o renascimento de JP, um jogador que pode marcar história no futebol.

Hoje, é possível afirmar que o Grêmio é o favorito ao título da competição mais democrática do país, e que tem chances reais no Brasileirão e na Libertadores.

Renato, Falcão e o tratamento das torcidas

Tem uma lenda aí de que a torcida do Grêmio trata melhor seus ídolos que a do Inter. É de rir, pra não chorar. Todo mundo aí está vendo o que o maior ídolo gremista, o cara da estátua, sofre com críticas, ofensas e insinuações sem pé nem cabeça pelas redes sociais.

Essa falácia voltou agora a partir de uma entrevista longa, um desabafo na verdade, do maior ídolo vermelho, Paulo Roberto Falcão, na qual entre outras coisas elogia o presidente Romildo Bolzan e fala numa ditadura de 20 anos no Inter.

O ‘ditador’, no caso, seria Fernando Carvalho, aquele que prometeu que o Inter não cairia para a segundona, e que nunca é criticado pela imprensa gaudéria.

Diante dessa entrevista em que Falcão não disfarça sua mágoa, gremistas voltaram a alardear que a torcida tricolor, sim, é que respeita e valoriza seus ídolos.

Não, as duas torcidas são iguais. Falcão seria idolatrado se tivesse obtido bons resultados como treinador no Inter. Renato só recebeu a homenagem em bronze em função de suas conquistas como treinador. Claro, somado ao mundial de 1983.

Fato: pelos títulos obtidos, Renato foi (é) superior ao Falcão dentro e fora de campo, mas isso não impede que exista um movimento nas redes sociais dizendo ‘fora Renato’.

Ainda sobre Falcão, tenho o maior apreço por ele e espero que o clube do seu coração um dia o homenageie dignamente como fez a diretoria gremista com Renato.

No meu início na imprensa, convivi com os dois. Em 1976, eu, estagiário do Diário de Notícias, fui setorista do Inter. Convivi com aquele grande time por alguns meses. Lembro que certa vez o carro do jornal demorava muito para me buscar.

Estava no portão do Beira-Rio, já pensando em pegar um ônibus, quando encostou um carro ao meu lado. Era o Falcão, oferecendo carona. Ele ia mesmo para o jornal para conversar com Pato Moure, que fazia setor do Grêmio. Os dois eram muito amigos.

Foi um gesto simpático que eu nunca esqueci.

Desde então, torci por ele, mas dentro de certos limites, claro.

COPA DO BRASIL

O Grêmio deve confirmar hoje sua classificação na CB. Um empate com o Cuiabá é o suficiente para garantir a vaga. Renato deve escalar um time misto.

A novidade no grupo é o lateral-direito Vanderson, que se destacou na Copa São Paulo. Ele está no grupo de transição. Tem bom potencial, avança com força e velocidade e é firme na marcação. É o que me lembro dele.

Ah, importante: o jogo começa às 16h30.

Meus poucos acertos, as cornetas e o voo de cruzeiro do comandante Renato

Eu fico impressionado comigo mesmo. Acho que o Renato tem o mesmo tipo de reação diante do sucesso do seu trabalho como treinador do Grêmio, calando secadores, incréus, urubulinos e antirenatistas (há uma legião deles por aí, alguns não assumidos, mas facilmente identificáveis).

Essas quatro espécimes de torcedor tem forte presença nas redes sociais, e ficam mais agitadas quando o Grêmio vai mal. Quando o time começa a vencer, como agora, eles têm a cara-de-pau, a desfaçatez, de afirmar que essa série de vitórias só está acontecendo por que Renato seguiu suas sugestões.

O fato é que o time decolou, conforme anunciou Renato, que foi alvo de deboche dessa turma, reforçada por 90% da mídia. Está em voo de cruzeiro. Eu mesmo fiquei meio assim, mas fiquei na minha, torcendo para que ele estivesse certo.

Hoje, o Grêmio de Renato vem com dez vitórias, sete em sequência, mais cinco empates (já não pode mais ser chamado de time da empatite) e duas derrotas (sendo uma pelo VAR diante do Santos). Num dos empates, contra o clube do presidente da CBF, o time foi impedido pela arbitragem de vencer e somar mais três pontos.

Pois assim como Renato tem seus acertos, eu tenho os meus. Os deles o deixaram rico, muito rico. Já os meus…

Normalmente, eu sou um cara modesto, discreto, não busco holofotes e gosto de ficar aqui no meu cafofo, sossegado. Mas de vez em quando eu deixo a modéstia de lado para me auto-elogiar como faço agora, até para fazer justiça aos meus acertos na análise dos fatos envolvendo o Grêmio e, especialmente, nas minhas projeções.

Esse meu arroubo se deve ao texto anterior, quase profético. Quem leu sabe do que estou falando.

Renato está conseguindo formar, mais uma vez, um time competitivo, alterando alguns detalhes do esquema, extraindo o máximo de cada jogador, a começar por Jean Pyerre, que parece ter saído, finalmente, de um estado de letargia preocupante.

Houve quem criticasse a direção por não ter feito negócio com o Palmeiras, que queria JP. Houve quem jogou nas redes sociais a ‘informação’ de que JP e Renato não se davam bem. Pior, houve quem acreditasse. E, pior ainda, desse vazão a esse boato irresponsável, divulgado em meio a um drama familiar.

Pois é isso, poderia me alongar, mas o que escrevi já me deixou aliviado. Fico, agora, no aguardo dos aplausos…

SHOW

JP está de volta. Deu um show de bola na vitória de 4 a 2 sobre o Ceará.

O time todo jogou bem. Inclusive alguns que vira e mexe tem torcedor criticando. É o caso de Victor Ferraz. Ele me lembra fisicamente, e também pelo estilo, o Eurico, que se consagrou no Palmeiras e jogou no Grêmio no final dos anos 70. Grande lateral.

E o que dizer do Diego Souza? Tem gente que queria Churin de titular antes mesmo que ele treinasse no clube. Hoje, depois de alguns jogos, não tenho dúvida de que DS ainda merece seguir na equipe. DS foi bem sábado, muito devido à sombra do argentino.

Vibrei com o gol do DS, mas vibrei ainda mais com o gol de Churín, que começa a mostrar que pode com o tempo ser o camisa 9 titular.

Destaco outro que está na lista negra dos gremistas em geral, em especial dos rançosos. Falo de Luiz Fernando, que cruzou a bola para dois gols do time. Ele é um jogador útil. Ferreira, no tempo do treinador, será titular.

No meio de campo, Darlan teve grande atuação. Ele e MH. Só acho que esse meio campo se perde um pouco quando o adversário tem a bola. A marcação é falha, falta alguém com mais pegada para o desarme. O Ceará chegou com facilidade à área do Grêmio. Vanderlei foi exigido demais para o meu gosto. Renato terá de resolver isso.

A VACA NO POSTE

Não gosto de me intrometer nas questões do rival. O que vou escrever agora não li nem ouvi em lugar algum.

Pelo que vi sábado, contra um Santos muito descaracterizado, o time colorado perdeu a alma. O time em nenhum momento mostrou a garra e a energia que tinha com Coudet; Não sei se é por questões de salário atrasado ou algo parecido. O fato é que se repetir o que jogou na derrota por 2 a 0 na Vila Belmiro o Inter vai desabar na tabela de classificação.

A vaca vai descer do poste, e não vai demorar muito.

Técnico Renato busca um novo Grêmio sem o ‘casa-separa’ com o ídolo Maicon

Há mais ou menos um mês escrevi aqui que estava sendo prejudicial ao time o ‘casa-separa’ com Maicon. O entra e sai do capitão, na minha visão, estava sendo muito prejudicial, além de estar protelando uma decisão amarga, mas necessária: o início do processo de aposentadoria de um grande jogador, um jogador que chegou aqui meio desacreditado e que hoje está na história do clube.

A imagem que quero levar de Maicon é o futebol exuberante que ele mostrou nesses anos, e as broncas que ele comprou nos clássicos, se impondo na bola e no grito. Não quero ver o Maicon se arrastando, irritado consigo mesmo porque o corpo não mais acompanha a mente.

O Grêmio, hoje, deve ser pensado sem Maicon. Se ele puder voltar, será ótimo, mas em outras condições. Só joga se estiver clínica e fisicamente apto a manter uma sequência. Maicon, liderança de campo, pode ser uma liderança também fora de campo, o que será muito natural pela sua generosidade no trato com os jovens que surgem e que ele orienta e aconselha.

Maicon, já escrevi aqui algumas vezes, tem tudo para tornar-se um técnico de futebol assim que decidir mesmo pela aposentadoria.

Jogador de personalidade forte – vide o lance com Renato recentemente – assim como serve de referência positiva aos jovens talentos, chega um momento em que ele pode ser um fator de inibição a quem almeja um lugar no time principal.

A ‘lesão’ de Maicon chegou um boa hora. O time mostrou que pode sobreviver sem ele, que em setembro completou 35 anos.

Mas qual o melhor sistema para jogar sem Maicon, a meu ver o jogador que comandou dentro de campo o Grêmio 2016/2017? Não sei, o Renato é bem pago para buscar a resposta.

Mas o modelo e a estrutura podem ser os mesmos daquele time que encantou o país e que será lembrado como um dos melhores já formados no futebol brasileiro, tendo Renato Portaluppi como mentor, por mais que isso posa doer nos gremistas que não suportam o técnico tricolor.

“Que Grêmio é esse?”, perguntou o narrador Galvão Bueno, atônito diante de imagens de lances da equipe tricolor, que chegou a ser mais enaltecida e admirada no centro do país do que abaixo do Mampituba, pela inveja e despeito que provocou.

Pois esse Grêmio não volta mais. Faltam o coração e a alma do time. Faltam jogadores como Wallace, Luan, Douglas e o próprio Maicon, além do motorzinho Ramiro. Claro, falta Grohe, decisivo em muitos jogos.

Custou, mas parece que Renato se deu conta que chegou a hora de buscar novas soluções. Ele agora está empenhado em lapidar (não sei por que, mas gosto desta palavra…) um Grêmio que possa repetir não aquele futebol maravilhoso, o que seria demais, mas que conquiste títulos de maior expressão, até pra calar a boca dos corneteiros.

Queiram ou não, gostem ou não, o Grêmio está na briga por três títulos.

Para seguir com chances no Brasileirão, por exemplo, é importante que o time avance na tabela com uma vitória sobre o Ceará, time perigoso, que andou cometendo alguns ‘crimes’ por aí. O jogo será na Arena, 19 horas, deste sábado.

Espero que Renato possa armar um time misto quente. Fundamental que não invente de formar uma dupla de área sem Geromel. Não confio numa zaga constituída unicamente por reservas, sejam quais forem.

Grêmio leva susto mas vence o Cuiabá e encaminha classificação

Por desconhecimento e uma dose de soberba não levei muita fé no Cuiabá, principalmente quando informaram que o time estaria desfalcado de sete titulares, e, como se não bastasse, estaria sem seu técnico, o glorioso Chamusca. Bah, vai ser uma barbada, pensei.

Não foi. Durante boa parte do primeiro tempo, o Grêmio dominou e até poderia ter encaminhado a vitória com um pouco mais de tranquilidade. No segundo tempo, tudo mudou. o Grêmio levou uma pressão inesperada. Não fosse o goleiro Vanderlei, o Cuiabá teria empatado.

O Grêmio abriu o placar com um gol do Diego Souza, que muitos apressadinhos já decretaram que deve ser reserva do Churin, mesmo que o atacante argentino não tenha comprovado uma eventual superioridade na relação com DS. Fosse por simpatia e vontade, Churin já seria titular. Mas as coisas não funcionam assim. Ele ainda precisa provar que é melhor na bola. Portanto, faz bem o Renato em mantê-lo no banco.

O gol do DS partiu de um cruzamento perfeito de Vitor Ferraz, outro que boa parte dos gremistas não quer ver no time titular. Prefere o Orojuela. Ferraz é mais tático, enquanto seu rival é mais agitado e intenso. É uma disputa interessante.

O Cuiabá empatou em seguida, num cabeceio forte de Willians, vencendo Geromel, coisa muito rara. Aliás, a bola aérea entrou com facilidade na área gremista. Os zagueiros vacilaram acima do tolerável e os dois laterais deram espaços inaceitáveis para cruzamentos. Jean Pyerre fez 2 a 1, cobrando pênalti sofrido por Pepê.

No segundo tempo, o Cuiabá foi para cima, para o tudo ou nada. Criou algumas situações de gol até que Renato ajustasse a marcação no meio de campo, ali pelos 25 minutos. Foi providencial a entrada de Thaciano para reforçar o combate, assim como Éverton e Chorin. Na reta final, o Grêmio teve condições de ampliar.

Foi a sexta vitória seguida do Grêmio. Basta um empate no jogo de volta, na Arena, para o time passar à semifinal da Copa do Brasil.

A vitória desta quarta assume maior importância pelo fato de que o GRêmio quebrou a invencibilidade do Cuiabá, em sua casa, nesta temporada. Confesso que eu só fui saber disso quase no final da partida. Esse fato valoriza ainda mais o resultado.

Passa ano, entra ano, e a corneta segue igual

Um gremista amigo encaminha artigo publicado há seis anos neste espaço. Depois, gritou ao telefone: “Pode publicar de novo porque segue atual, só mudam os protagonistas”. Ele mandou-me o link, que eu repasso aos amigos do blog. Realmente, o texto é atual e pertinente. Foi publicado em Zero Hora, no início de novembro de 2014. O post faz referência ao longo período de fila do clube, uma fila que acabou com a chegada do técnico Renato Portaluppi, algo que os gremistas mais críticos ignoram ou não valorizam na hora de atacar a direção, a comissão técnica e jogadores.

Confiram o post:

Grêmio virou ‘Geni’ para muitos gremistas

O Grêmio virou a ‘Geni’ de grande parte dos gremistas. Pelo menos daqueles que descarregam sua ira, frustrações, ódios e rancores nas redes sociais diretamente ou enviando mensagens para as emissoras de rádio, onde analistas futebolísticos ajudam a jogar pedras no time de Felipão, alguns simplesmente porque é o time do Felipão. Ah, e tem gente assim também entre os torcedores, gente que não vacila um segundo para desmerecer os grandes vencedores.

Antes que direcionem pedras à minha pessoa, quero esclarecer que eu também não estou satisfeito com o futebol do time. E isso já faz muito tempo. A diferença é que, reconhecendo a limitação técnica de alguns jogadores, escolhas equivocadas de treinadores e deficiências na montagem do grupo – não tem um articulador de qualidade para escalar desde a saída de Douglas -, avalio que ainda é possível figurar entre os três ou quatro melhores do campeonato. É difícil, mas está longe de ser impossível, em função inclusive da irregularidade das outras equipes.

A começar pelo grande rival, o Inter, hoje terceiro colorado. A campanha colorada é cheia de sobressaltos – inclusive com duas eliminações vexatórias diante de Ceará e Bahia, que o Inter transformou em potências emergentes do futebol mundial. Mas o que aparece é um Inter com equipe muito superior a do Grêmio, o que é desmentido pelos números, e os números como se sabe, são capazes de demolir as mais sólidas teses.

A diferença entre a Dupla é de apenas dois pontos. Esses dois pontos de vantagem colorada foram obtidos na vitória sobre o Santos na Vila Belmiro, território assustador para gremistas e colorados. Vitória histórica, sem dúvida, mas obtida a partir de uma falha absurda do experiente goleiro Aranha, no momento em que o Santos mais pressionava. O jogo se encaminhava para o empate, com o Inter resistindo bravamente, amontoando volantes. Então, veio o segundo gol e com ele os tais dois pontos.

Tudo isso para deixar claro que o Grêmio não é essa desgraceira que muitos gremistas fazem parecer. E não vai nenhuma crítica, porque são 13 anos na fila por um grande título, e isso torna qualquer torcedor mais sensível, intolerante e irritável. O que não pode é numa semana Gre-Nal colocar mais lenha na fogueira, desqualificando o trabalho de Felipão e dos jogadores, como se fossem eles os culpados de tanto tempo de seca.

A hora é de recolher as pedras, ficar ao lado do time de maneira incondicional, lotar a Arena e torcer pela vitória que irá inverter as posições dos dois no Brasileirão.

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