Redes sociais tem um culpado para a queda do time: Renato Portaluppi

A primeira impressão de quem acompanha as redes sociais e similares (rádio, jornal, etc) é de que o treinador do Grêmio não é o velho Luiz Felipe Scolari, talvez o técnico mais vitorioso do futebol brasileiro, mas sim Renato Portaluppi.

Para uma parcela da torcida (pequena mas ruidosa), tudo que acontece de ruim no clube leva a assinatura do ‘entregador de camiseta’, ‘técnico de rachão’, ‘lapidador obsessivo’ e ‘cultuador do ócio’ . entre outros rótulos que ele coleciona com a mesma compulsão que o leva a armar times que dá gosto ver jogar e conquistar títulos, além de acumular vitórias nos Grenais.

Renato saiu, ou foi saído, e tudo desandou. Começou com seu sucessor, que tentou manter a estrutura e o esquema herdado de Renato. Tiago Nunes tinha a melhor das intenções, mas depois de um início retumbante acabou sucumbindo. Caiu. Culpa do Renato.

Veio, então, o treinador mais vitorioso na história do Grêmio, ao lado do próprio Renato. Felipão fez o contrário de Tiago. Pegou o time numa situação deplorável e vergonhasa, lanterna do Campeonato Brasileiro. Com as peças disponíveis, tentou simplificar com um esquema em que a bola sobrevoa o meio de campo a todo instante.

Eu não gosto da tal ligação direta, mas considerando-se o nível dos jogadores do setor mais vital, o meio de campo, Felipão não deixa de ter razão. A verdade é que com a mão de obra disponível não é possível fazer mais do que apelar para um esquema tipo ‘pega-ratão’, ‘bumba-meu-boi’ e ‘bola pro mato que o jogo é de campeonato’.

Felipão tem sua responsabilidade, mas não é milagreiro. Tampouco o Renato, que quando teve jogadores de bom nível foi campeão da Copa do Brasil e da Libertadores. Ficou dois anos surfando na onda de ser protagonista do time que jogava, em 2016 e 2017, o melhor futebol do Brasil, que começa a reprisar no comando do Flamengo, para ranger de dentes de um determinado tipo de gremista.

Bem, depois da derrota de sábado, diante do Bragantino, ficou reforçado o que venho pregando aqui, fazendo coro com a torcida. Se não houver reforços de qualidade que cheguem e comecem a jogar, sem passar por uma estada no departamento médico ou com algum casamento em vista, o Grêmio vai cair para a segunda divisão, ou série B segundo a imprensa vermelha quando foi o Inter que jogou na segundona – palavra abominada pelas redações nesse período.

O problema é encontrar jogadores que possam vir e jogar, o posto de outros jogadores que mais passam tempo no DM do clube do que em campo, como o Pinares, por exemplo, que até agora não justificou sua contratação, assim como outros que o clube paga sem qualquer tipo de retorno, a não ser dor de cabeça constante.

Ah, a maioria dos guris da base não tem condições de jogar num clube que aspira sempre os títulos. O mesmo vale para alguns veteranos, os tais ‘bruxos’ do Renato, que aproveitava pouco os jovens. Agora todos sabemos por que.

Apesar de tudo, eu ainda acredito que o time irá safar-se dessa, mas não será fácil. Novo mantra:

-Eu acredito!!!

Gurizada da base pode ser o trunfo de Scolari na reação

A melhor atuação do Grêmio de Felipão aconteceu ontem à noite, em Salvador, com os 3 a 0 sobre o Vitória. Sim, o mesmo time que eliminou o Inter da Copa do Brasil, agora vingado pelo tricolor.

A atuação, até certo ponto surpreendente, foi protagonizada por um time misto, formado por OITO jovens das categorias de base, alguns deles já meio que desacreditados, olhados com desconfiança por parte da torcida.

Eu mesmo tenho minhas dúvidas sobre alguns guris, como Ricardinho e Léo Pereira. Nesse jogo, Ricardinho tirou a urucubaca do corpo, conforme ele deixou claro na comemoração, que pareceu mais uma sessão de descarrego pra afastar o olho grande e algum eventual encosto.

Além do gol, seu primeiro em 13 jogos, Ricardinho deu o passe com açúcar para Léo Pereira, rolando uma bola perfeita para o companheiro chutar na saída do goleiro para fazer 2 a 0. Um gol importante porque o time baiano, completamente batido no primeiro tempo, começava a se assanhar.

São dois jogadores que buscam seu espaço, alternando bons e maus momentos, o que é natural, mas normalmente não se tem muita paciência com jovens, porque existe a pressão permanente dos resultados. Então, é preciso dar resposta rapidamente. É uma pressão também para o guri.

O que mais me chamou atenção em Léo Pereira foi um lance que para muitos foi um desastre. Aconteceu no segundo tempo, quando o atacante passou por dois marcadores, junto à linha de fundo, com um drible curto, ao estilo de Éverton e Ferreirinha. A conclusão foi um chute torto, nas alturas. Comecei a levar mais fé nesse jogador, que é combativo e esforçado.

Ainda falando sobre os guris da base: destaque de novo para Gabriel Chapecó. A zaga não chegou a ser muito pressionada, mas saiu-se bem. Dizem até que os dois zagueiros estão sendo negociados para o futebol italiano. Espero que não. Até o veterano Cortez teve boa atuação, mais segura do que o normal.

Agora, nada supera Vanderson. É outro que não vai ficar no clube muito tempo. Marca, articula e chega à frente com facilidade. Joga muito. Em breve estará na seleção brasileira.

A dupla de meio campo Lucas Silva e Darlan mostrou que merece ser melhor aproveitada. Lucas Silva marcou como nunca e ainda cruzou a bola para o gol de Ricardinho, que, aliás, demorou demais a ser confirmado. Melhor que Lucas Silva foi Darlan. Sábado, contra o Bragantino, eu escalaria Darlan de novo.

Olha, foi uma noite tão boa para esse Grêmio desacreditado que até Alisson esteve muito bem, cumprindo função tática importante e fazendo algumas boas jogadas individuais. Jean Pyerre continua devendo, mas já mostra mais vontade, mais empenho, resultado do trabalho do técnico gremista.

Comprovando que foi uma noite mágica nesse período turbulento do time, o gol de cabeça de Diogo Barbosa, aparando um cruzamento perfeito de Luiz Fernando.

Vou confessar uma coisa, mas não espalhem: gosto muito do Luiz Fernando. Tem força, velocidade, drible. Sua jogada no gol foi uma pintura.

CATIMBA

Um dos grandes nomes da história do Grêmio, o ex-atacante André Catimba morreu na manhã desta quarta-feira (28), aos 74 anos. Ídolo tricolor na década de 1970, ele foi herói do título gaúcho de 1977, com gol na decisão que encerrou seca de oito anos sem título Estadual.

Esse gol de André é como um símbolo, um marco, um divisor de águas, o início do fim da hegemonia colorada no Estado.

Foi muita emoção naquela época. Eu estava na arquibancada. Não trabalhava ainda na imprensa.

Baita centroavante!

Grêmio só empata e vê aumentar o risco de cair

O Grêmio se encaminha para disputar a série B em 2022. Até o torcedor mais otimista já admite a possibilidade, ainda mais depois do empate por 1 a 1 com outro candidato ao rebaixamento, o América mineiro.

Além de deixar de somar três pontos diante de um adversário direto jogando em casa, o time do técnico Felipão voltou a apresentar furos na defesa, no ataque e, principalmente, no coração de uma equipe de futebol, o meio de campo.

Entendo que enquanto não encontrar uma solução para esse setor, o mais vital, Felipão não terá um time competitivo, capaz de sair do atoleiro e de se afastar do grupo de risco.

Bobsin e Fernando Henrique juntos não possuem bagagem para sustentar o sistema defensivo e ainda consolidar uma base de apoio ao ataque. Um deles ao lado de alguém mais experiente pode dar certo. Os dois juntos vão morrer abraçados.

Felipão percebendo que sem Geromel e Kannemann a defesa ficaria muito vulnerável, escalou 3 zagueiros. O time continuou vazando, mas o esquema permitiu que os dois laterais apoiassem com mais segurança.

Vanderson e Guilherme Guedes (enfim aparecendo) souberam tirar proveito. O primeiro gol foi jogada do lateral direito para o esquerdo. Infelizmente Guedes saiu lesionado. Mas tem tudo para ser titular.

Sobre Vanderson, estranho seu choro ao deixar o campo na metade do segundo tempo, cedendo lugar para Rafinha, que, na real, pouco ou nada acrescentou.

O certo é que Guilherme Guedes mostrou que pode resolver o problema da lateral esquerda.

Assim, restaria, a rigor, encontrar um meia de articulação, tipo o Jean Carlos, do Náutico, exímio cobrador de faltas.

Falta ainda um novo camisa 9. Ricardinho precisa voltar imediatamente ao setor de lapidação. Perdeu dois gols feitos. Talvez na equipe de transição ele seja mais útil.

Bem, quem viria para o ataque? Eu sugiro, nesta situação emergencial, o Gilberto, do Bahia. Ele faz gol de falta, de cabeça e pelo chão. Não é o centroavante dos meus sonhos. Mas para quem não quer ou não pode gastar…

LUZ

Sobre o jogo na Arena: vejo que muita gente faz terra arrasada. Vi gente pedindo a destituição de toda a diretoria. A situação está feia, mas nada que o velho Felipão não possa resolver.

Vejam, o Grêmio jogou sem seus dois zagueiros (os 3 que jogaram não me dão confiança, nem o Ruan, que falhou no gol) e sem Matheus Henrique, que muita gente não gosta, mas é o que de melhor o time tem para o setor.

Mesmo assim, ainda em fase de organização, o Grêmio foi quem teve as chances mais cristalinas de gol. As duas com Ricardinho e uma com Alisson.

Então, ainda vejo uma luz no fim do túnel.

Luiz Adriano? É sério isso?

O simples interesse da direção gremista por Luiz Adriano é um acinte ao torcedor, que extravasa sua revolta e indignação nas redes sociais. O torcedor não suporta mais ver o clube como repositório de jogadores veteranos em busca de um aconchego, de um polpudo contrato para engordar sua aposentadoria.

O jogador está na dele. Se existe quem banque, que mal tem? O que não pode, o que é inaceitável, um tapa na cara, é que a direção do clube insista nessa prática que corrói as finanças do clube, que não estão tão bem assim como é apregoado.

Nada contra Luiz Adriano, que ele seja feliz onde se encontra (aliás, por que o Palmeiras aceita negociá-lo se ele é tão bom?) ou em qualquer outro lugar, talvez o Inter, o clube amado pela família do jogador, e, dizem, amado por ele próprio, que teria até uma tatuagem na perna reverenciando o clube de sua formação.

Mais um colorado se infiltrando em nossas linhas? Já não basta uma colorada de conselheira? Nada contra ela, tudo contra quem avalizou essa afronta.

Olha, essa informação/boato de que o Grêmio tem mesmo interesse no jogador, a pedido do técnico Felipão, não pode ter descobramento sob pena que ter como consequência um levante no terreno minado das redes sociais, onde o presidente Romildo já não goza do prestígio de dois anos atrás, sendo alvo constante da torcida.

Se ao menos Luiz Adriano estivesse jogando bem, mas não é isso que acontece. Eu me lembro dele no início de carreira. Era um centroavante rápido, com drible e boa capacidade de conclusão. Hoje, está como outros do grupo: empurrando com a barriga o fim de sua carreira.

É isso: tudo tem um fim. Inclusive este texto indignado.

Eliminado pela LDU, Grêmio foca no Brasileiro para sair da zona de rebaixamento

Ser eliminado de virada pela LDU, dentro de casa, é apenas mais uma frustração para o gremista . Pior ainda é a campanha vexatória no Brasileiro.

A derrota por 2 a 1 (com um pênalti discutível a favor dos equatorianos) pode ser um alerta para que o time coloque todas as suas energias para escapar da zona de rebaixamento.

Quem vê o time jogar sabe que ‘desse mato não sai coelho’, o que ficou claro mesmo na vitória sobre o Fluminense, conforme destaquei no comentário anterior.

Sem reforços, no mínimo um lateral-esquerdo e um meia articulador, o Grêmio irá se manter perigosamente próximo demais da zona do rebaixamento, o que ninguém quer. Quer dizer, há quem queira e torça por isso.

Mas o que está ruim ainda pode piorar. Vai depender das decisões de Romildo e Felipão. Alguns nomes que estão sendo citados como possíveis reforços são assustadores – sem entrar no mérito dos valores absurdos que são cogitados.

Se as contratações não tiverem precisão cirúrgica, a situação ainda poderá piorar. Se não vierem reforços, seja o que Deus quiser.

Como não vi o jogo desta noite na Arena, e também porque estou muito irritado, vou me abster de mais comentários.

Só espero neste momento que o Grêmio foque realmente no Brasileirão e comece a jogar um futebol mais confiável.

Meu tempo de andar de montanha russa já passou.

Felipão arma um time ‘pé no chão’ e vence a primeira no Brasileiro

O grande mérito de Felipão neste começo de trabalho é reconhecer que o grupo do Grêmio não tem condições de repetir o futebol vistoso e vitorioso dos dois primeiros anos de Renato.

Aliás, o maior erro de Renato foi a teimosia de insistir num esquema moribundo, que agonizou dois anos, mas que ainda assim se manteve vitorioso, principalmente se compararmos com o momento atual.

Nestes quase cinco anos com Renato no comando, o clube jamais esteve sequer perto da zona de rebaixamento no Brasileiro. E manteve uma deliciosa superioridade em grenais – coisa que alguns gremistas (?) hoje desdenham.

No sábado, ficou escancarada a proposta de jogo de Felipão: bola pro mato que o jogo é de campeonato. Seria o esquema ‘pega ratão’, popularizado pelo ex-treinador Cláudio Duarte, nos anos 70. Hoje, isso significa ‘dar a bola pra eles, se fechar na defesa e arriscar na boa, sem correr muito risco’.

Não é o que eu gosto, mas é o que a casa oferece. O próprio Felipão deixou muito claro como será o time dele, principalmente nesta situação tensa que o clube vive, assolado pelo fantasma da segundona.

– Tenho que dar proteção aos zagueiros para depois, em algumas situações, termos a condição de fazer o gol e conseguir a vitória. Não é algo que eu gosto ou do meu trabalho, depende das características dos jogadores e do momento que estamos vivendo. Vamos devagarinho, pé no chão para reconstruir tudo – explicou Felipão.

Parabéns ao experiente técnico, que simplifica e que conhece as limitações de seu elenco. Coisa que seu antecessor, Tiago Nunes, não teve a sabedoria de identificar/admitir. Por isso, caiu.

Espero que Felipão tenha sucesso e que continue contando com a sorte, porque vai precisar. Sábado a sorte apareceu com o nome de VAR ,que salvou o time de mais um empate, que, aliás, seria o resultado mais justo pelo que (não) fizeram os dois times. È bom ter o VAR de vez em quando a favor.

O pênalti foi marcado pelo VAR depois de passar em branco por quase todo mundo. Já vi outros a favor do Grêmio que não foram assinalados pelo VAR – não esqueço aquele contra o Atlético PR pela CB -. Antes desse pênalti, houve outro, também sobre Alisson, que o juiz não marcou.

Os três pontos obtidos com a vitória de 1 a 0 (gol de Pinares) sobre o Fluminense, deixam o time respirar, ajudam a dar confiança aos jogadores.

Contudo, se não melhorar sua produção ofensiva (prejudicada pela ausência de Ferreira), o Grêmio terá de conviver um bom tempo com o risco de cair.

ALERTA

O blog não aceita termos pejorativos aos jogadores que vestem a camisa do glorioso Grêmio. Comentários nessa linha serão apagados. Igualmente são vetados palavrões.

Outra coisa, quem quiser participar dos debates precisa fazer sua inscrição, com dados de identificação.

Felipão e uma retranca histórica para neutralizar o ‘casal 20’ dos anos 80

O jogo deste sábado contra o Fluminense me fez lembrar um outro, na década de 80 (se não me engano em 1987), quando o Grêmio enfrentou o clube carioca também pelo Brasileiro.

O Fluminense estava no auge, com uma dupla infernal para fazer gol: Assis e Washington, conhecida também como Casal 20, título de uma série de TV de muito sucesso na área.

Pois o GRêmio foi ao Maracanã enfrentar essa dupla matadora, uma espécie de Pelé-Coutinho ou Joãozinho/Alcindo. Os cariocas eram amplos favoritos.

O que fez o técnico gremista, que recém começava no tricolor? Armou uma retranca de dar inveja a outros adeptos dessa solução.

Na época, no retorno da delegação, conversei com o Paulo Bonamigo sobre o jogo. O Grêmio foi dominado do primeiro ao último minuto. Bonamigo me confidenciou que ele, como um dos volantes, estava proibido de deixar o campo defensivo. Tinha ordem de não cruzar a linha de meio de campo – disse Bonamigo, sorrindo.

Bem ou mal, deu certo. O Grêmio garantiu o empate e saiu do Maracanã como se tivesse vencido. O ‘casal 20’ parou na retranca de Felipão, que meses depois deixou o clube, retornando em 1993 para ser campeão Brasileiro e da Libertadores, entre outras conquistas.

Mais de três décadas depois, temos outro jogo em que o Grêmio não pode perder contra o Flu. Nada como uma retranca amiga, bem ao estilo do gringo.

Garantir o empate, especular a vitória

Depois da vitória – para mim surpreendente pelo que o time vinha jogando – sobre a LDU, o Grêmio encaminhou sua classificação à próxima fase da Sul-Americana.

É um alento, um sopro de esperança, para focar no Campeonato Brasileiro e buscar a recuperação. A vitória foi tão importante que serviu para amenizar a angústia do torcedor diante da campanha que não condiz com a estatura do tricolor.

Já vi de novo brilho nos olhos de gremistas amigos. Alguns já projetam alcançar a ponta de cima. É o efeito Felipão. Não compartilho tanto otimismo, que parece mais fruto do medo de cair, da ansiedade de deixar o fosso do rebaixamento para trás.

Vou passar a ter alguma esperança de chegar ao G-4 a partir do jogo deste sábado, no Rio, 21h, contra o Fluminense. É jogo para vencer – mas os jogos que nos antecederam apontavam o mesmo, e o que se viu foi o oposto: resultados ruins e atuações piores ainda.

Se com um time misto o Grêmio voltou com três pontos do Equador, com o time titular é possível conquistar a primeira vitória no Brasileiro, dando moral e confiança aos jogadores, em especial aos mais jovens.

Agora, não podemos ignorar que o goleiro Chapecó foi o melhor jogador do Grêmio em campo, garantindo a vitória com grandes defesas. Então, o time segue devendo.

O técnico Felipão ainda não definiu o time, mas tudo indica que Alisson será mantido, apesar dos clamores da torcida para que não jogue.

Em princípio, o time terá :

Gabriel Chapecó; Rafinha, Geromel, Kannemann e Cortez; Fernando Henrique, Victor Bobsin, Alisson, Jean Pyerre e Léo Pereira; Diego Souza.

Essa é uma formação lógica. Melhor que isso só se tivesse um lateral-esquerdo com mais qualidade. Os dois que se revezam decididamente não são confiáveis.

Quando um joga a gente sente saudade do outro, e vice-versa.

Outra posição que preocupa é a de articulador. Jean Pyerre até melhorou contra a LDU, mas está longe de mostrar futebol para ser titular. A torcida por ele é grande.

O meia pela lado direito é outro problema para esse jogo. Alisson com seu futebol de toque pro lado e para trás, e muita disposição para nada acrescentar, continua. Felizmente, há Douglas Costa. Mas ele está fora porque tirou uns dias para casar no Caribe. Vai voltar ainda mais fora do peso.

Na frente, Diego Costa é contestado. A torcida do Grêmio é assim, contesta até seu maior goleador na temporada. Tem quem considere bom perder DC e dar oportunidade para Ricardinho, que tem se mostrado um perdedor de gol.

Tem gente que até defende Churin como solução ofensiva.

Por fim, vamos ver se o time tem mesmo potencial ofensivo para decolar no campeonato, mesmo sem seu atacante mais perigoso, o Ferreira.

Sobre contratações. Há muita especulação. De concreto mesmo temos o interesse de Felipão em contar com Paulinho. Seria um grande reforço.

Fala-se também na volta de Giuliano. Sou contra. Já passou por aqui e viria para se aposentar. Esse pessoal com um certo nome só assina contrato de dois ou três anos.

Tem ainda o Lucas Lima, do Palmeiras. Seria o articulador que falta ao time. Mas dizem que ele é um jogador problemático.

Grêmio vence a LDU ao estilo de Luiz Felipe Scolari: 1 a 0

Achei a LDU forte lá em Casablanca, no Equador, a 2.740 metros de altitude, pois levou perigos no 1º tempo e obrigou nosso grande goleiro Gabriel Chapecó a fazer duas defesas difíceis. A primeira aos 08m30s, chute de Amarilla e aos 16m22s com Alcívar da entrada da área. Mas aos 18m03s, numa arrancada espetacular do Vânderson pela direita, ele atravessou uma bola na área e, PASMEM, JP, de boa atuação, disparou a la Bolt e salvou a bola na linha de lado, recuperou e cruzou na medida para Léo Pereira testar pro fundo do barbante: 0x1 Grêmio.

Chapecó ainda fez uma defesa espetacular de mão trocada no ângulo direito num chute certeiro de Billy Arce aos 36m50s, mas o Grêmio controlava o jogo ainda com fôlego, e Álisson numa arrancada pela esquerda recebeu uma bola, tabelou com JP (nota 7.8), recebeu limpa e chutou em cima do goleiro podendo matar o jogo.

Destaque no 1º tempo para nosso goleiro que pode fazer Brenno voltar da Olimpíada e sentar no banco devido suas duas grandes atuações em dois grandes jogos seguidos sem levar gol com muita segurança e com firmeza nos lances.

No 2º tempo, o Grêmio continuava seguro na defesa com Kannemann, um leão de novo, muito seguro, com Ruan na zaga, e até Lucas Silva não comprometeu jogando simples e firme. Aos 08m Vânderson tentou um cruzamento e quase acertou o ângulo oposto obrigando o goleiro a fazer grande defesa. Aos 18m o lateral Piôvi chutou rasteiro passando colado ao posto esquerdo do Chapecó.

A LDU gostava do jogo, o Grêmio já recuava se poupando visivelmente, e Billy Arce testou firme no canto esquerdo de Chapecó e passou raspando aos 21m. Aos 89m Sarará salvou quase em cima da linha após Chapecó abafar uma chegada pela direita de ataque da LDU. Aos 92m30s Ricardinho recebeu uma grande pifada de DC e na cara do goleiro, na marca do pênalti, chutou pra fora.

Destaques para Chapecó, Kannemann, Ruan, JP, que até voltou para auxiliar os volantes, e DC, com uma linda pifada, além de Léo Pereira pelo 1º tempo firme pela direita e oportunismo no gol da vitória.

Felipão segue o trabalho firme e mesmo com 5 desfalques dos titulares mostrou que pode fazer o time evoluir dentro de suas características de armar bem a defesa, fazendo o meio mais consistente. Frisando que o ataque precisa melhorar as finalizações.

Gostei do jogo, do desempenho e do resultado positivo diante das dificuldades da altitude e dos desfalques. Mérito de Felipão, que começa a moldar o time ao seu estilo.

Segue o planejamento.

TEXTO: COPIÃO DE TUDO (interino)

A nova cepa de viúvas de Renato e o desafio de Felipão

Assim como o coronavírus tem novas cepas pra atormentar a vida da gente, também foi identificada nos últimos dias uma nova variante de viúvas de Renato Portaluppi.

A viuvez tradicional no futebol é aquela que deixa torcedores, entre eles dirigentes e um punhado de jornalista (a maioria é colorada), choramingando a perda de um ídolo, como aconteceu logo que Renato foi embora. A crise técnica do time aumentou a dor da ausência do melhor treinador do clube pelo menos nos últimos 20 anos.

A nova cepa de viúva começa por aí: ela não reconhece Renato como um grande treinador, embora tenha festejado os títulos que ele conquistou, contribuindo para engrandecer o nome do Grêmio em todo o planeta e, suspeita-se, até em marte.

Os antirenatistas não se conformam com a saída de Renato. Apesar de odiá-lo queriam que ele ficasse aqui por perto, usufruindo do nosso clima maravilhoso, com muita chuva e frio, bem distante do Leblon.

Esse pessoal constitui um número insignificante em relação ao universo de milhões de gremistas que cultivam a gratidão e o reconhecimento, sem perder, contudo, o senso crítico em relação a Renato e à direção tricolor.

Nesta célula é que proliferam as viúvas autênticas, aquelas que não se conformam com a saída do maior ídolo da história do futebol gaúcho e que estão devidamente imunizadas contra a inveja, o rancor e a ingratidão.

Enquanto as viúvas originais derramam lágrimas, a variante se arma para não dar paz ao Renato, ainda mais agora que ele assinou contrato com o Flamengo.

Parece que estou vendo as redações se mobilizando para acompanhar cada passo de Renato no seu time do Rio (talvez até escalem setorista para acompanhar Renato).

O mesmo começa a se dar nas redes sociais, onde gremistas destilam veneno contra Renato em plena sintonia com colorados, algo inimaginável em outros tempos.

Bem, Renato é mesmo milagreiro: tirou o Grêmio três vezes do atoleiro, colocou o nome do clube no alto do pódio das Américas; contribuiu para o surgimento de uma nova cepa de viúvas; e ainda conseguiu unir um certo tipo de gremistas com colorados.

FELIPÃO

O vitorioso técnico começa a se dar conta do grande desafio que tem pela frente. E corre para fazer o essencial: qualificar o time. Sem isso, não tem chance de ser bem-sucedido nessa empreitda.

Diferente de Renato, não é milagreiro, mas é igualmente competente.

Nesta terça, pra ver o tamanho da encrenca, enfrenta a LDU, no Equador, com um time misto, e sem seu principal atacante, Ferreira.

Provável escalação:

Chapecó; Vanderson, Ruan, Kannemann e Cortez; Fernando Henrique, Darlan e Douglas Costa; Alisson, Diego Souza e Léo Pereira.

Jogo válido pelas oitavas da Sula, 19h15min.

Felipão viu que sem reforços o time não irá ‘decolar’

A principal conclusão que eu tiro após esse empate por 0 a 0 no Grenal nº 433 é que Felipão terá dificuldade para resgatar o Grêmio da zona de rebaixamento. Ainda mais se a direção não providenciar urgente alguns reforços: um meia, um volante, camisa atacante centralizado e, principalmente, um lateral-esquerdo.

Fora isso, a missão de tirar o time da humilhante posição em que se encontra será impossível.

O fato de jogar tão mal contra um Inter que também corre risco de cair confirma isso. O Grêmio praticamente não criou situação real de gol. O goleiro Daniel foi um espectador dentro de campo, enquanto o goleiro Chapecó impediu o pior. Imaginem, perder o clássico na Arena e afundar ainda mais no campeonato.

Felipão, conforme estava previsto, manteve a estrutura da equipe, e não poderia ser diferente, porque mal começou a conhecer o grupo. O ‘treino’ dele foi uma conversa. Até aí tudo certo, o problema é que não havia necessidade de começar com Alisson, o atrasa-jogo.

No mais, gostei da experiência com Fernando Henrique, um volante que vinha gritando por uma chance sem ser ouvido de verdade.

Diferente de muitos, gostei também do Bobsin. Ele, assim como FH, ainda podem evoluir muito, se não forem detonados pela própria torcida tricolor.

Achei que Felipão demorou muito a colocar Vanderson no lugar de Rafinha, que fez outra partida modesta, bem abaixo do que seu currículo indica.

A lateral-esquerda é um caso a ser estudado. É como verão e inverno. Quando é verão, sinto falta do inverno: quando é inverno, sonho com o verão. No caso de Cortêz e Diogo Barbosa, a situação é parecida. O fato é que os dois são insuficientes. Escalar qualquer um deles é uma temeridade.

Outros que ficaram abaixo do que podem: Ferreira, que saiu lesionado, Diogo Costa e Diego Souza.

Os dois zagueiros foram muito bem, calando a bola dos corneteiros. Kannemann foi demais.

E aí chegamos ao goleiro. O Grêmio não teve uma chance clara de gol, enquanto o Inter chegou quatro vezes em condições de marcar. Em todas, esbarrou em Chapecó.

Agora, Felipão terá um tempo para colocar suas ideias e fazer as mudanças necessárias para o time ‘decolar’, como diria Renato Portaluppi, que foi escorraçado da Arena por uma minoria cri-cri.