Fogo cruzado contra Renato nas redes sociais faz alegria de colorados

Pior que a decisão de jogar com time reserva já na segunda rodada do Brasileirão, quando os motores ainda estão aquecendo, é aguentar torcedor gremista nas redes sociais atacando o técnico Renato Portaluppi. Quem vibra com isso são os colorados da mídia e fora dela.

O que tem de gremista querendo a cabeça de Renato – e não é de hoje – é algo assustador e preocupante. O pessoal que participa aqui do blog é, de um modo geral, até gentil com Renato na comparação com o que acontece nos tuíter da vida.

O fogo ‘amigo’ atinge também alguns jogadores e termina no presidente Romildo. Aliás, o treinador, que virou a ‘geni’ da parcela mais urubuzenta da torcida, revelou após o empate por 1 a 1 com o Ceará que é funcionário do clube e que segue a orientação da direção, referindo-se ao fato de ter poupado praticamente todo o time titular.

Na verdade, o time que jogou em Fortaleza foi de jogadores reservas e outros que “estão’ titulares, como Orejuela e Bruno Cortêz. Titular mesmo seria o Lucas Silva, embora haja controvérsias. Então, foi um time modesto, sem entrosamento e com deficiência técnica em algumas posições.

O goleiro Paulo Victor fez duas grandes defesas. Mas levou um gol de cabeça, por cobertura, numa cobrança de bola parada. Um gigante de 1m95 emergiu entre defensores do Grêmio e deu um belíssimo cabeceio, completamente fora do alcance do goleiro.

Mas quem levou o gol foi ele, PV. Então, foi falha para esses trucidadores de reputação e de goleiros – não se enganem, a próxima vítima é Vanderlei, que é um jogador equivalente ao ex-titular.

Outro que estava levando pau dos comentaristas de sofá (eu inclusive) é Thaciano. Aí, o volante/meia/atacante marca um gol após cruzamento de Pepê, talvez em sua única jogada realmente objetiva e efetiva.

A comparação com Éverton é ruim para Pepê, que não pode jogar com esse fardo. Mas faz parte… É preciso superar isso e mostrar que pode ser titular.

Ainda sobre a decisão de jogar com reservas já na segunda rodada e dar a impressão realmente desalentadora de que o comando do clube despreza o campeonato, há um aspecto que não pode ser ignorado: sábado o Grêmio enfrenta o Corinthians na Arena e na sequência tem um Gauchão para decidir, além das rodadas do Brasileiro.

Serão dois jogos difíceis contra o Caxias, duas decisões. Essa turma do quanto pior melhor (para suas teses) não liga para o regional, até que o perde. Aí, querem a cabeça de todo mundo.

Parabéns aos envolvidos.

ATLÉTICO MINEIRO

Dias atrás escrevi que o Flamengo é favoritaço ao título. Continua pensando assim. E citei os que poderiam ameaçar o milionário time carioca: Grêmio, Atlético Mineiro, Corinthians e Palmeiras. O resto é o resto.

Sobre o Atlético, seu começo é avassalador. Bateu o Flamengo e o Corinthians. Vi os principais lances dos dois jogos. No primeiro, mais justo seria um empate ou vitória do Flamengo. No segundo, o time mineiro merecia até vencer com tranquilidade, porque criou muitas chances de gol, mas esbarrou no goleiro Cássio. Levou dois gols e correu em busca da virada, e conseguiu.

É um time homogêneo, sem grandes individualidades. Mérito do técnico argentino Sampaoli. Mas é cedo para tirar conclusões definitivas.

JARDEL

Meu nome é Cleber, mas pode me chamar de Jardel. O centroavante do Ceará poderia se apresentar assim. Ele foi autor do gol, um golaço ao estilo Jardel, e deu passe para duas conclusões perigosas que PV defendeu. Tem apenas 23 anos.

Seria um investimento interessante e uma opção para o ataque.

LUAN

Ainda sobre gremistas: o que tem de gente secando e dando pau no Luan é triste. O guri está na história do clube, deu inúmeras alegrias a esses mesmos ingratos. Torci e continuo torcendo pelo Luan, um craque, mas infelizmente em queda na carreira.

Edegar, um símbolo do melhor rádio esportivo do RS

O rádio esportivo gaúcho teve seu apogeu a partir dos anos 60, com o crescimento da Rádio Guaíba e sua programação diferenciada. Sob o comando do narrador Pedro Carneiro Pereira (morto num acidente no Autódromo de Tarumã), a emissora dominava o mercado regional e era respeitada e admirada pelos concorrentes do centro do país. Pouco restou daquela rádio.

Os nomes que contribuíram para o sucesso da Guaíba estão nos deixando. Recentemente, foi o narrador Milton Jung. Antes dele, Antônio Augusto, o ‘Plantão das Multidões’. Ambos profissionais importantes da equipe liderada por Pedro Pereira e depois por Armindo Antônio Ranzolin.

Nesta segunda, dia 10, foi a vez do repórter Edegar Schmidt. Ele foi também comentarista e apresentador, mas acho que ele gostava mesmo é de reportagem. Foi como repórter que ele se consagrou na Guaíba. Ele já era famoso quando o conheci em 1978, ano do meu ingresso na Folha da Tarde.

Ficamos mais próximos em janeiro de 1979, quando viajamos pela Caldas Júnior para cobrir a participação do Inter no Torneio de Mar del Plata, além de mais dois ou três amistosos na Argentina.

Devo ao Edegar um furo na ZH. Eu era novato, fui jogado às feras em meio ao processo de ‘lapidação’. Mais ou menos como no futebol: era período de férias e não havia ninguém experiente, só eu da ‘base’. Acreditaram em mim, e lá fui eu feliz da vida.

No meio da noite, o Edegar me procura. Eu acabara de mandar o material para o Correio do Povo, Folha da Tarde e Folha da Manhã. Era via telex, não essa barbadinha que é hoje. Sou jornalista raiz.

Ele perguntou se ainda daria para publicar uma informação importante. Eu respondi que sim, mas na realidade já era meio tarde. Demorei a conseguir contato por telefone com a redação da FT. Já eram umas 23h quando consegui passar a informação:

“O Batista está voltando a Porto Alegre. Sofreu uma lesão”, informei, acrescentando alguns detalhes.

Anos depois, convivi mais com ele ao participar de programas esportivos na rádio Guaíba. Sempre tive dúvida se ele era gremista ou colorado. Soube depois que ele era azul.

Infelizmente, ele não vivenciou esse momento glorioso do Grêmio. Só sei que ele faz falta como comentarista. Ele tinha umas frases instigantes, provocativas. Lembro de uma que ele usava quando via o juiz ‘roubar’:

‘Dá uma prato de leite pra esse gato’, algo assim.

Imagino o Edegar agora fazendo reportagem numa jornada esportiva. Milton Jung narrando em dobradinha com Pedro Carneiro. Antônio Augusto no plantão. Comentários do Vianey Carlet. Convidado especial: João Saldanha.

Grêmio supera ausência de Éverton e estreia com vitória no Brasileirão

Depois de um primeiro tempo em que jogou pensando em que momento Éverton faria uma de suas jogadas para decidir o jogo, o Grêmio voltou para os 45 minutos finais convencido de que Éverton agora é saudade e que o time teria de fazer por si sem ele. O gol saiu minutos antes do intervalo, mas o futebol voltou mesmo apenas no segundo tempo.

Penso que o técnico Renato Portaluppi “lembrou” seus jogadores que não havia mais Éverton para desequilibrar na frente. O fato é que o Grêmio voltou mais determinado e até mais leve e criativo. As jogadas começaram a fluir para que Pepê e Diego Souza ficassem mais à vontade para criar situações que levaram perigo ao ferrolho instalado pelo técnico Odair Hellmann diante de sua área. O goleiro Muriel fez ao menos uma grande defesa, num arremate de Pepê, depois de livrar-se da forte marcação que lhe era imposta, mostrando que o adversário temia seus dribles, suas arrancadas e suas conclusões.

Pepê dificilmente será igual ou superior ao titular que partiu e deixou muitos gremistas desconsolados, entre eles eu. Mas está claro também que com mais confiança, com seus próprios companheiros acreditando mais nele, a exemplo do que aconteceu no segundo tempo, Pepê pode dar muitas alegrias e, quem sabe, alguns títulos.

A vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense aumenta a confiança do grupo para os próximos jogos (quarta-feira tem Ceará, no Castelão). O time realmente sentiu a falta de dois de seus maiores talentos, Jean Pierre e Matheus Henrique, mas Renato soube atenuar essas ausências melhorando o posicionamento do time depois do intervalo.

Contou para isso com o gol de Diego Souza, concluindo jogada que teve passe final de Isaque. Eram 43 minutos. O time foi para o vestiário mais tranquilo. Já o Fluminense voltou preocupado em desmanchar a vantagem, mas encontrou um Grêmio seguro, posicionado para contra-atacar.

O ex-técnico colorado seu uma mãozinha para seu algoz, o Renato, ao mandar a campo, logo no início do segundo tempo, o veterano aipim Fred, o que tornou tudo muito mais fácil.

Sobre as individualidades:

O goleiro Vanderlei foi bem, apesar de soquear a bola para a frente em duas situações; o lateral Orejuela repetiu a atuação anterior e se credencia a ser titular. A dupla Geromel/Kennemann de novo foi impecável; e Cortêz confirmou que merece a confiança do treinador.

Maicon e Lucas Silva fizeram uma dupla muito mais ou menos. Lucas marca e é combativo, mas Maicon precisa de alguém como MH para exibir todo seu talento. Pode ser que com alguma continuidade os dois se entrosem melhor; Alison intercalou bons e maus lances. Esforçado, vai continuar titular até que surja alguém comprovadamente superior – e esse alguém não será Thiago Neves como se viu de novo.

Isaque, que voltou a receber oportunidade, teve um primeiro tempo apático, correndo atrás da bola. No segundo, mostrou-se com mais personalidade, buscando o jogo e se apresentando. Por detalhe não fez seu gol. Na frente, Pepê só mostrou suas qualidades mesmo no segundo tempo. Já Diego Souza voltou a mostrar que com ele não tem ruim. É uma aposta de Renato que está dando resultado acima do esperado, talvez até pelo próprio treinador gremista.

Estreia no Brasileirão e a minha torcida para Éverton não sair

Sem três de suas revelações mais fulgurantes – Éverton, que está sendo negociado com o Benfica, Matheus Henrique e Jean Pierre, lesionados -, o Grêmio estreia no Campeonato Brasileiro com um discurso diferente.

O clube, ao que parece, vai valorizar mais a competição, diferente dos anos anteriores, quando chegou a usar reservas em várias rodadas.

Do discurso à prática vai uma baita diferença, mas o que mais se ouve na Arena é que o Grêmio tem como ambição o tri do Brasileirão, e o primeiro de um clube gaúcho na era dos pontos corridos.

Não chega a ser uma promessa, mas o técnico Renato e o capitão Maicon estão afinados também nesse objetivo: ambos querem esse título inédito em suas carreiras.

É claro que haverá de chegar o momento em que a comissão técnica terá de optar, circunstancialmente, por priorizar algum jogo desta ou de outra competição. A julgar pelas declarações, o Brasileiro será prioridade. Vamos ver.

Na dúvida, eu sempre vou ficar com a Libertadores. Portanto, não vou criticar a direção por optar em escalar um time misto ou reserva no Brasileiro para não prejudicar um jogo decisivo e eliminatório da Libertadores ou até da Copa do Brasil.

Claro, levando-se em conta a situação em que o time estará no campeonato.

Fora isso, é preciso preparar o time para entrar em cada jogo do Brasileiro como se fosse uma decisão, diferente do que se viu algumas vezes nos dois últimos anos.

É o que espero já nesse jogo contra o Fluminense, neste domingo, 19h. O primeiro sem Éverton.

Será?

TAMBOR

Se eu tivesse um tambor, estaria fazendo muito barulho. Já acendi uns incensos e fiz algumas promessas. Acho que mais tarde vou fazer uma oferenda na encruzilhada. Tudo para impedir a saída de Éverton.

Demorei a postar este comentário no blog porque esperava por uma definição sobre Éverton ainda neste sábado. Estou na secação desde quinta-feira. Rezo para que o negócio não saia.

Sei que o clube precisa de dinheiro. Mas este é um problema do presidente Romildo Bolzan, grande liderança desse Grêmio vitorioso.

Aqueles que ambicionam mais conquistas deveriam estar ao meu lado: sem Éverton as chances de algum título relevante são escassas. Éverton tem sido o grande diferencial do time.

Sem ele, o Grêmio se torna comum, deixa de ser o único realmente apto a fazer frente ao Flamengo.

Aliás, o Flamengo é o grande favorito ao título.

Então, em princípio, é o Flamengo na frente, seguido à distância por Grêmio, Palmeiras, Corinthians e Atlético Mineiro.

Mas, como se sabe, futebol é uma caixinha de surpresas.

BENFICA

Faz bem o Grêmio em exigir garantias bancárias nessa transação com o clube português. E pegar o dinheiro na mão. A lamentar, ainda, é que Éverton merecia um clube de maior expressão na Europa, um clube da Inglaterra, da Itália, da Espanha. Mas Benfica…

Grêmio vence com jogadas de Éverton e gols de Maicon e do novato Isaque

O Grêmio ratificou sua superioridade em Grenais e bateu o rival por 2 a 0, confirmando sua vaga para decidir o título do Gauchão/2020. Dito assim, parece tudo muito natural, nem parece que antes do jogo o Inter era exaltado pela goleada sobre o Esportivo e o Grêmio era visto com desconfiança, em especial pela parte mais rabugenta de sua torcida, aquela que está sempre prevendo o pior.

Havia desconfiança até sobre Éverton, que não poderia jogar por que estaria acertado com o Benfica, conforme a imprensa insiste em repetir. Então, o atacante mais perigoso do futebol brasileiro deveria ficar de fora porque supostamente estaria com a cabeça em Portugal. Outros diziam que ele podia ir embora porque ‘já deu o que tinha de dar’ e que havia um substituto à altura, o Pepê. Com todo respeito, Pepê teria que nascer de novo para jogar a metade do que joga Éverton.

Mesmo com a ‘cabeça em Portugal’, repetindo o que diziam os neófitos de plantão, Éverton foi protagonista nos dois gols do tricolor, lavando a alma da torcida, que antes do jogo parecia assustada, acreditando na mídia vermelha, vendedora de ilusão já faz algum tempo.

Nesta noite de 5 de agosto, na Arena sem torcida, tivemos Éverton – e insisto nisso, porque será uma pena deixar de ver de perto esse atacante diferenciado – cruzando com açúcar, com afeto para Diego Souza escorar para Maicon, dentro da pequena área, mandar de cabeça para a rede. Eram 4 minutos do segundo tempo e Maicon estava fazendo justiça ao que acontecia em campo.

Depois, o time deu uma recuada, o Inter pressionou um pouco, mas o goleiro Vanderlei não chegou a ser exigido. Renato poderia ter reforçado a marcação, mas simplesmente mandou o time recuar para explorar contra-ataques, que demoraram a sair.

Aos 36 minutos, outra vez Éverton (insisto, muitos ‘especialistas’ o queriam fora do jogo), uns por má intenção, outros por ignorância futebolística, recebeu pela esquerda, abriu espaço a drible e cruzou. Moisés de atrapalhou e a bola caiu nos pés de Isaque, que recém havia entrado no lugar do craque Maicon, o capitão do Grêmio mais vitorioso em grenais. Isaque bateu forte, inapelável, para o goleiro Lomba, que, na verdade, evitou uma goleada.

Como Renato ‘Leblon’ Portaluppi, que alguns neófitos enxergam apenas como entregador de camiseta e treinador de rachão, é sempre colocado em dúvida a cada jogo, até de peteca, vou lembrar que quem está apostando em Isaque é ele, Renato, o lapidador.

Indispensável destacar também a atuação de Diego Souza. Não fez gol, mas participou do primeiro e fez várias boas jogadas, confirmando mais uma vez que o mestre Renato estava certo ao pedir sua contratação, contrariando parcela da torcida. Estes, agora, silenciam sem pudor.

Bem, o time todo jogou um bom futebol, em especial no aspecto coletivo. A dupla de área segue invicta em grenais, e Guerrero continua sem marcar no clássico. Orejuela foi muito bem e tem potencial para evoluir. Cortêz mostrou que Guilherme Guedes terá de esperar para assumir a titularidade.

No meio, Matheus Henrique, que saiu lesionado, e Jean Pyerre estiveram abaixo do que podem render. JP não fez um lance sequer à altura do seu futebol, uma bola enfiada, uma jogada mais trabalhada. Nada. Maicon foi o melhor do setor, mas, como se previa, cansou.

Nos minutos finais, uma briga após o segundo gol, manchou o clássico. Patrick e Orejuela (gostei que ele não pipocou diante do colorado, me serve) trocaram safanões e foram expulsos. Vale aquela frase surrada: é preciso saber vencer, e saber perder.

Por questão de justiça, vale destacar a atuação do árbitro Leandro Vuaden. Em 15 minutos, ele havia dado 3 cartões amarelos para o time vermelho. Todos com justiça, mas algo um tanto surpreendente. A pressão das redes sociais serviu para alguma coisa. De qualquer modo, parabéns ao Vuaden.

Agora, o Caxias. Todo cuidado é pouco. Afinal, diferente do Inter, esses times do Interior sabem fazer gol no Grêmio. O NH que o diga.

COUDET

Pela apatia demonstrada ao longo do jogo, desconfio que o técnico colorado vai pedir as contas. Ele parece ter percebido que desse time não vai tirar mais do que já conseguiu.

Arbitragem do Grenal terá juiz que não dá sorte para o Grêmio

Tema recorrente nos dias e horas que antecedem aos Grenais é a arbitragem do clássico. Eu que vivi (sobrevivi, para ser mais exato) os anos 70 intensamente, não vou esquecer nunca o quanto o Grêmio padeceu com o chamado Trio ABC, sempre muito criticado pelo Paulo Santana, que iniciava como cronista e debatedor esportivo. Foi o primeiro a escancarar as ações da IVI, conforme definição de Ricardo Wortmann para o grupo de colorados que atuava e atua ferozmente na imprensa e hoje nas redes sociais.

Desconfio que o Grêmio está entre os clubes mais prejudicados por arbitragens desde a virada dos anos 60 para 70. Até na decisão do Mundial contra o poderoso Real Madrid o Grêmio foi garfeado, sendo-lhe sonegado um pênalti cometido sobre Ramiro pelo zagueiro Sergio Ramos.

Um pênalti tão claro quanto o que Leandro Vuaden deixou de marcar contra o Caxias na decisão do primeiro turno do regional. Éverton foi empurrado dentro da área, conforme reclamou o técnico Renato na ocasião:

“Foi pênalti. O jogador do Caxias em momento algum procura a bola, empurra o Everton e a bola está dentro do campo. Por que o Vuaden não foi ver o lance? É um dos melhores árbitros do Brasil, gosto muito dele, mas não entendo porque ele não foi analisar a jogada”, declarou. De nada adiantou a direção reclamar e exigir o áudio do pessoal do VAR.

Bem, é por essas e outras que todos os gremistas que leio nas redes sociais, nos grupos de whats e assemelados, além da mídia tradicional, estão convencidos de que o Grêmio não vence o clássico desta quarta-feira nem com banda de música.

O Vuaden já foi um bom árbitro. Hoje sente o peso das pernas. Mesmo em seus melhores momentos, Vuaden nunca deu sorte para o Grêmio.

Os números indicam que Vuaden dá sorte para o Inter, uma sorte desgranida (como a gente dizia nos tempos de criança/adolescente. Em 13 clássicos, o Grêmio venceu apenas um. Empatou cinco e perdeu sete. Para um confronto tão parelho, é difícil aceitar como natural essa vantagem absurda do Inter tendo Vuaden no apito.

Os gremistas que já estavam protestando com a escalação de Vuaden agora têm mais um motivo de preocupação e indignação: O VAR será comandado pelo Jean ‘Damião’ Pierre.

Segundo o conselheiro tricolor Carlos Josias, muito atuante nas redes sociais, a sala de cirurgia está pronta.

Apesar de todos os sinais, acredito na classificação à final do Gauchão. Minha esperança de vitória está fundamentada em dois aspectos:

o primeiro, é que o time gremista é superior e pode vencer na bola, superando inclusive algum eventual erro de arbitragem em benefício do rival;

o segundo, é que acredito na honestidade das pessoas.

CONFIRA O PÊNALTI SOBRE ÉVERTON QUE ATÉ MÁRCIO CHAGAS VIU

https://globoesporte.globo.com/rs/futebol/times/gremio/noticia/gremio-entra-com-reclamacao-formal-na-fgf-e-pede-audios-do-var-em-derrota-para-o-caxias.ghtml

Grêmio dá susto na torcida, mas confirma classificação

O Grêmio jogo estava 3 a 2 quando deu um escanteio para o Novo Hamburgo. Na beira do gramado, Luciano (execrado por uma parcela expressiva de gremistas) se preparava para entrar, ele e o Pepê, que alguns apressadinhos consideram ser um substituto à altura de Éverton.

“Renato, espera a cobrança de escanteio acontecer para substituir”, Pensei cá com meus botões, acreditando que Diego Souza sairia para entrar Luciano, o que seria uma temeridade no caso de empate naquele lance, a poucos minutos do final. E não é que deu pênalti mesmo. Um erro de Jean Pierre, uma infantilidade.

Não deu outra. O pênalti foi muito bem batido por Zé Mário, que já havia marcado numa cobrança de falta, ainda no primeiro tempo, iniciando a reação do esforçado time de Novo Hamburgo.

O Grêmio havia feito 2 a 0 ao natural e tudo indicava que haveria uma goleada. Mas o Grêmio começou a jogar de salto alto. O jogo parecia fácil demais. O Grêmio poderia repetir o Inter, que havia goleado o Esportivo à tarde. Mas a coisa desandou. NH descontou em dois lances com erros do time gremista. No gol 2 a 2, Guilherme Guedes não acompanhou Juba, pela direita. O jovem lateral estava desatento na jogada, que resultou em cruzamento para o gol de Kayron. No outro, uma cobrança de falta. Chute muito forte, mas no canto onde estava Vanderlei. O comentarista Paulo Nunes também viu nesse lance a falha do goleiro.

Bem, a vaga que parecia tão fácil se tornou um pesadelo. Com o empate por 3 a 3 o jogo seria decidido nos pênaltis. Restavam poucos minutos para fazer um gol e confirmar a classificação. Aí, Renato tira o goleador Diego Souza, que havia marcado dois gols no jogo, além de mais um, que o juiz anulou equivocadamente.

Vale destacar o segundo gol de DS, que saiu de um cruzamento preciso de Guilherme Guedes.

Renato teve mais sorte que juízo. Aos 45, a zaga do NH bateu cabeça na área, a bola caiu nos pés de Luciano, que teve tranquilidade para desviar do goleiro e fazer 4 a 3, garantindo a vaga tricolor, que agora decide o título do segundo turno com o Inter.

Gostei de ver a vibração de Luciano. Uma vibração de quem estava se sentindo mal diante das críticas e tem confiança em seu potencial.

Sobre a atuação do time: será preciso uma marcação mais forte no meio de campo. Posicionar melhor a dupla de volantes (no clássico Maicon não poderá subir tanto quanto ontem), e os meias Alison e Jean Pyerre. Ou então começar com Lucas Silva no lugar de Alison, liberando mais MH e o próprio Maicon.

Grêmio dá sinais de que vai qualificar o time para o Brasileiro

O Grêmio escala seu time reserva para enfrentar um adversário modesto, mas motivadíssimo para conquistar vaga na fase semifinal do Gauchão, e, de quebra, num campo muito irregular, um potreiro, na verdade, que me fez lembrar o velho ‘gramado’ do estádio Florestal da minha infância e adolescência em Lajeado.

Assisti ao jogo consciente de que veria uma pelada, pouca bola rolando, muitos lançamentos longos, chutes e passes errados em função do piso, poucos dribles, chutes a gol risíveis, como dois do Luciano, que deixou o campo como a nova Geni do grupo.

Enfim, um jogo para olvidar, como muitos outros jogos do time reserva nos últimos dois anos.

A crítica ao que se viu é válida e quase obrigatória. Pela amostra, muito prejudicada pelo estado do gramado e pelo longo tempo de parada e preparação insuficiente, é prematuro, e cruel, sentenciar que este ou aquele jogador não pode jogar nem no time B, como ouvi e li nas redes sociais, o que dirá no time titular.

Eu li, incrédulo, alguns gremistas afirmarem com a autoridade de quem não tem qualquer compromisso, a não ser destilar ódio, veneno e desconhecimento de futebol, que Paulo Victor não poderia mais vestir a camisa tricolor. Isso que, naquele momento, PV praticamente não havia tocado na bola.

Pelo que se viu em Lajeado, contra o adversário da etapa semifinal, nem Pepê poderia ser titular. Ninguém se salvou plenamente. Talvez o Lucas Silva.

DIOGO BARBOSA

O que resultou de positivo é que o Grêmio vai em busca de um lateral esquerdo de qualidade. Diogo Barbosa é um nome cogitado. Sou admirador desse jogador desde seu tempo de Cruzeiro. No Palmeiras, ele não conseguiu repetir o mesmo futebol, e isso pode contribuir para sua saída. Guilherme Guedes é bom, mas não para ser titular.

Mas ao mesmo tempo em que cogita em reforços cirúrgicos para titularidade, o Grêmio lembra de André como alternativa já que Luciano não agradou até agora. Por favor, arrumem um time para André antes que ele saia do arquivo morto para nos irritar mais um pouco. Melhor investir em Luciano e sair em busca de um atacante de movimentação como opção ao Diego Souza. André entra para a história do tricolor como uma grande decepção, pior até que Diego Tardelli.

ÉVERTON

Sobre o Éverton, tenho lido tantos absurdos que estou até preocupado. Inúmeros gremistas achando que o ciclo de Éverton terminou. Torcem para que o jogador seja negociado. Ora, o Benfica não tem bala na agulha para comprar Éverton, a não ser que o Grêmio tenha colocado seu melhor jogador no balaio de ofertas, o que não consigo acreditar, mesmo em função dos danos causados pela quarentena.

Pepê não tem bola para substituir Éverton sem deixar saudade. Fora isso, ele sofrerá com a comparação e terá de ter muita personalidade, e futebol, para enfrentar esse desafio.

O ‘Departamento de Lapidação’ e a lição do caso Diego Rosa

Muito do sucesso do Grêmio nos últimos anos se deve ao seu “Departamento de Lapidação” que coloca o Grêmio como o clube que melhor tem aproveitado os jogadores da base, ganhando títulos e consolidando sua hegemonia no Estado.

Como se não bastasse, esse departamento, que é uma brincadeira provocativa, porque na realidade não existe no organograma do clube, ainda ajuda a fazer muito dinheiro para manter a roda girando, além de projetar o nome do clube.

O sucesso desse trabalho é tanto que até clubes milionários como o Manchester City nele se inspiram. Um exemplo é o procedimento do clube inglês, que está levando o promissor Diego Rosa, de apenas 17 anos, não para entrar direto no grupo principal por entender que o guri ainda não está pronto para o desafio.

Então, o que faz o Manchester City, que investiu uns 10 milhões de dólares, pelo menos, para contar com esse jovem atleta? Faz praticamente o que costuma fazer o Grêmio: segue a cartilha do coordenador da lapidação tricolor e o escala numa equipe de transição.

A diferença, neste caso, é que a transição será feita em outro clube, um clube belga, onde o nível de exigência é menor, permitindo que o jogador seja lapidado sem pressa, com toda a atenção (talvez não a mesma que ele receberia se continuasse no Grêmio), para ser lançado no momento que a comissão técnica considerar o mais adequado.

É o ‘Departamento de Lapidação’ fazendo escola.

CADA CASO É UM CASO

Estou exagerando, claro. Um exemplo oposto: Vinicius Jr, então com 18 anos, trocou o Flamengo pelo Real Madrid, um negócio milionário. Já houve casos em que o clube espanhol contratou e logo emprestou para uma agremiação parceira. Normal.

Cada caso é um caso. O fato é que todo jogador passa por uma lapidação. Breve ou prolongada. São muitos os exemplos de que a pressa prejudicou o jogador lançado prematuramente, e também o clube que nele aplicou dinheiro e tempo. Lincoln é um exemplo.

No caso do Grêmio, diante da celeridade dos agentes do futebol em fazer fortuna com jogadores ainda em formação, como atletas e cidadãos, percebo aqui de fora, sem conhecer o que rola nos bastidores, que já passou da hora de acelerar o processo de transição da base para os profissionais.

MAIS AGILIDADE NA AVALIAÇÃO

Para isso, é fundamental que os homens que comandam a base tenham capacidade de apontar com grande percentual de acerto quais os jogadores que merecem mais atenção, mais carinho, mais dinheiro, mais ou menos como fazem os agentes em seu processo de sedução.

Até mesmo o perfil dos agentes mudou: no passado eram senhores com aspecto respeitável, boa formação e com preocupação não apenas de ganhar dinheiro; hoje, pelo que vi, são jovens, alguns quase da idade de seus representados, falando a linguagem desta geração, e muitas vezes esbanjando arrogância porque contam com uma legislação cruel com os clubes e generosa com o profissional. Urge uma mudança na chamada Lei Pelé.

O fato é que o clube terá de investir valores mais elevados em jogadores com 16 ou 17 anos, sem a certeza de que haverá o retorno esperado. E sabe-se que a maioria não passa pelo funil. Mas é um risco que o Grêmio terá de correr para reduzir o número de jovens que deixam o clube de forma precoce (caso do Diego Rosa, entre outros), sem dar o retorno financeiro projetado pela direção.

No futebol, como em outras atividades, a fila anda.

Mas é sempre bom ratificar: mesmo diante dessa dificuldade, que só existe porque o trabalho de formação na base é exemplar, o Grêmio na atual gestão segue fazendo dinheiro com seus jovens, o que não se vê na maioria dos outros clubes de ponta no país.

A rodada do Gauchão e o ultimato do técnico Coudet

Quando Vanderlei sofreu o gol logo após Diego Souza ter feito 1 a 0, aos 37 do primeiro tempo, pensei, maldosamente, que algum gremista naquele momento poderia estar começando a contagem regressiva para rotular o experiente goleiro tricolor de ‘braço curto’ ou ‘braço de motorista de kombi’. Fosse outro goleiro, Paulo Victor, por exemplo, já seria jogado para arder nas chamas do inferno. Mas foi um belo chute, um belo gol de Muriel.

Vanderlei ainda tem muito crédito. Não é o goleiro que eu queria, e escrevi a respeito, mas é um jogador com boa bagagem e, com sua experiência, inspira segurança e dá tranquilidade aos sistema defensivo, em especial à melhor dupla de área do país, a muralha Geromel/Kennemann. Aliás, depois do Grenal alguns parceiros aqui no blog frisaram exatamente isso.

Portanto, vamos em frente. O Grêmio ficou no empate por 1 a 1 com o Ypiranga (nome que dei ao meu time de botão na década de 60, quando eu raramente era derrotado). Era jogo para vencer, porque o time de Renato dominou, pressionou, mas criou poucas chances de gol.

Depois do jogo, Renato disse que os demais atacantes deveria se aproximar mais de Diego Souza, que me pareceu pesado, o que é natural em função de seus 35 anos e da pausa nas atividades. Bem, cabe a ele como treinador criar condições para que isso aconteça.

Faltou alguém para pifar Éverton, Alisson, os laterais, etc. Sim, faltou Maicon. Mas o Grêmio precisa aprender a jogar sem seu maestro, ainda o melhor pifador em atuação no país. Talvez ele perca para o Éverton Ribeiro, talvez.

LATERAL

Sei que está todo mundo empolgado com o Guilherme Guedes. Eu estou gostando dele, mas ele precisa mostrar mais futebol para ser titular, desbancar o Bruno Cortêz, sonho de parte da torcida. Eu também acho que o time precisa de mais qualidade na esquerda, só entendo que é muito cedo, muito prematuro, jogar esse fardo sobre as costas do jovem. Por enquanto, pelo que vi, Cortêz, assim que for liberado, voltará naturalmente ao time, dando um tempo para Guedes evoluir.

Gostei do Lucas Silva, que forma uma boa dupla de volantes com Matheus Henrique. Mas ele precisa mostrar mais qualidade na saída de bola e aproximação ao ataque, revezando com MH.

LA BARCA

O técnico Eduardo Coudet lembrou aquela declaração de Dalessandro, uns três anos atrás, quando ele disse que poderia ‘sair da barca’, ou seja, ir embora do Inter de tão desgostoso com as críticas.

Pois Coudet, ao cobrar gramados melhores, colocou a direção colorada na parede: ou arruma gramados em melhores condições, ou ele vai embora, como se na Argentina os campos sejam uma maravilha.

Foi um ultimato, sem dúvida.

É o tipo de afirmação que dá a entender que ele até já tem uma ‘barca’ em vista, está com as costas quentes para jogar a responsabilidade pelo mau futebol do time sobre a direção.

Então, pra mim, Coudet já está com um pé fora do clube. O ‘amor’ acabou.

Lembrando sempre que Celso Roth continua desempregado.

LA BARCA 2

“…Hoy mi playa se viste de amargura
Porque tu barca tiene que partir
A cruzar otros mares de locura
Cuida que no naufrague en tu vivir…”.