Renato, coronavírus e colunismo social na pausa do futebol

Não levo jeito para jornalismo social, mas pelo que tenho visto nos espaços esportivos (leia-se futebol) é o que nos resta. Fora isso, tem notícias ecoantes como ‘Cria do Boca contratado pelo Inter’, a ‘ascensão que o coronavirus interrompeu no Inter’, ‘Pepê pode render uma boa grana ao Grêmio’, “quais as maiores vendas na história do Grêmio’, etc.

Só friagem. Era de se prever. Sem jogos de futebol, nem treinos, há pouco o que fazer para preencher os espaços. Já passei por isso, e posso garantir que muitas vezes bate o desespero.

O editor grita lá do canto: “Duas páginas de Grêmio, uma e meia do Inter”. O repórter, coitado, que se vire.

Tudo culpa desse ‘vírus chinês’, como diz o Trump.

Pois o coronavírus está por trás de um dos assuntos que mais polêmica causaram nesta semana: Renato Portaluppi jogando futevôlei no Leblon. Sempre que ele vai arejar a cabeça à beira-mar aparece alguém para cornetear. Acho que o Grêmio não deve mais contratar treinadores que aproveitam a vida, e tiram dela o que há de melhor.

Renato, com seu jeitão de adolescente enrugado, diz o que pensa, e não raro provoca reações adversas, raivosas até, como neste caso em que ele num dia fala em greve dos jogadores por causa do vírus e no outro aparece feliz da vida batendo uma bolinha no Leblon.

Li e ouvi tantas críticas e adjetivações rançosas que decidi conferir o que ele havia feito, qual crime havia cometido.

Mais grave que isso foi manter André de titular durante tanto tempo, por exemplo. E é esta parte do que Renato faz que me interessa e preocupa.

É óbvio que fosse outro treinador a repercussão seria mínima, mas tudo envolvendo Renato resulta em manchetes e tema para debates, enquetes, etc.

O material não serve nem para o colunismo social e/ou páginas de fofoca na mídia tradicional e na internet.

Se eu fosse fazer esse tipo de jornalismo – não nego que fiz algo parecido algumas vezes no meu passado de repórter – optaria por destacar a matéria em que Renato, com um chapelão pra lá de cafona ou modernoso, aparece ao lado de sua bela filha, Carol, numa piscina de cobertura,com o mar esplendoroso ao fundo.

Por fim, lembro que quando Renato deixou o Grêmio por 600 mil moedas, em quatro parcelas que o Flamengo sempre atrasou, eu disse:

O Grêmio perde seu craque maior e, nós, da imprensa, perdemos nossa maior fonte de notícias.

Não mudou nada. A diferença é que ele permanece no Grêmio, embora muita gente gostaria de derrubá-lo, a exemplo do que acontece com um outro cara que, como Renato, fala muito.

Grêmio vira jogo antes da pausa no Gauchão

O técnico Renato Portaluppi atendeu o clamor de uma parcela – minoritária mas atuante e insistente – da torcida, e escalou o time com Éverton, por óbvio, e Pepê, mantendo um centroavante, no caso Luciano.

Com isso, ficou um clarão no meio de campo -pelo menos uns dois ou três hectares que poderiam ser destinados ao plantio de alfafa, soja ou mandioca.

Com essa seca que assola o Estado, o São Luiz, sabiamente, preferiu aproveitar o espaço farto para fazer dois gols em menos de 20 minutos

Michel, o centroavante do time, marcou o primeiro, e já tem mais gols no Grêmio que o festejado Guerrero, ídolo escarlate, em grenais.

Não sei se o Renato queria mostrar para os seus corneteiros que começar um jogo, contra quem quer seja, com dois pontas que pouco marcam, é no mínimo temerário. Por isso, joga Alisson.

Pepê é superior ao Alisson, mas Alisson cumpre uma função tática importante no esquema do treinador. Portanto, Pepê continua sendo um trunfo de valor inestimável.

Bem, não adianta repetir isso, porque cada treinador de arquibancada e/ou de sofá sempre sabe mais que o treinador de campo, ainda mais se for um ‘treinador de rachão’ como afirmam os mais agressivos, que talvez nem gremistas sejam,mas sim colorados que sonham em torcer para o clube gaúcho de maior projeção mundial.

O ‘entregador de camisetas’, resolveu a questão do vazio agrário colocando Jean Pyerre no lugar de Orejuela, que a continuar assim é forte candidato a atuar como gandula pela direita.

Jean, que é lento na marcação e na luta pela bola, é craque com ela nos pés. Thaciano fechou a porteira do lado direito e ajudou a compor o meio com Matheus Henrique.

Fora isso, o time passou a jogar mais compenetrado. As chances de gol foram surgindo e desperdiçadas.

Éverton pifou companheiros umas quatro ou cinco vezes. Ele próprio perdeu um gol imperdível.

Mas a virada acabou acontecendo, como era de se esperar. Foi justa a vitória por 3 a 2, placar que poderia ser bem maior. Gols de Paulo Miranda, Thiago Neves (seu primeiro no clube) e Diego Souza.

Agora, uma pausa em função do vírus que assusta planeta.

Ah, muito boa a ação de marketing do clube. Repercussão mundial.

Briga generalizada diminui o brilho de um grande Grenal

O primeiro Grenal pela Libertadores foi uma síntese de tudo, ou quase tudo, que aconteceu no clássico desde 1909, quando o Grêmio aplicou 10 a 0 nesse que viria a ser seu maior rival no Estado.

Na realidade, faltou o gol para o resumo ficar completo, mas oportunidades apareceram, porque os dois times, cada um ao seu estilo e com suas características, foram incansáveis na busca da vitória.

Foi um jogo para assistir sem piscar, sob pena de perder algum lance relevante. Jogo vibrante, intenso, à altura de sua importância histórica.

Até que começou a patifaria. E foi quando o jogo se encaminhava para um final com empate, resultado excelente para o visitante.

Eu diria que a confusão veio em boa hora para o Inter. Pepê recém havia entrado, fazendo uma jogada sensacional. Driblou e desviou de 5 adversários, mas chutou sem muita força para a defesa de Lomba.

Em outro lance, Éverton escapou e lançou Luciano, livre. O atacante tentou encobrir o goleiro, mas a bola subiu demais. Talvez o gol ‘mais perdido’ do jogo.

O Grêmio sinalizava que iria crescer nos minutos finais, com boas chances de chegar ao gol.

Então, foi muito conveniente a confusão, que começou envolvendo um atacante de seleção, Pepê, e um obscuro lateral, Moisés, que entrou bastante pilhado no jogo.

Os dois tiveram uma rusga, num lance banal, mas que acabou alcançando dimensão calamitosa para os interesses dos dois clubes na Libertadores.

Se o juiz Fernando Rapalini, disciplinarmente um tanto negligente, tivesse dado um cartão amarelo para os dois de imediato, tudo terminaria de outra forma. Mas ele não se impôs e a situação fugiu ao controle.

Foram expulsos: Luciano, Pepê e Caio Henrique, pelo Grêmio; e Edenilson, Moisés e Cuesta.

É possível que a Conmebol amplie a punição aos brigões, jogadores que prejudicaram uma partida de alto nível técnico e tático.

O Grenal 424 entra para a história como um grande jogo, finalizado com uma briga generalizada, na qual não faltaram pontapés, socos, tapas e até tentativa de estrangulamento.

Depois da confusão, o Grêmio ainda teve uma bela oportunidade perdida. Com oito jogadores para cada lado, o Grêmio foi superior. A bola do jogo foi um chute de Lucas Silva, que acertou a trave após desvio de Lomba. Jogada foi do lateral Victor Ferraz ao estilo Léo Moura.

GEROMEL

O zagueiro era dúvida, mas eu cantei aqui que ele jogaria, não ficaria de fora nem que tivesse o coronavírus. E Geromel foi um gigante. Mais uma vez colocou Guerrero no bolso. Foi o melhor do jogo, ao lado do goleiro Marcelo Lomba.

ELE VOLTOU

A grande notícia do clássico foi a confirmação da recuperação plena de Jean Pyerre. O guri entrou no lugar de Maicon, lesionado, e mostrou que é dono de uma vaga no time gremista. Talvez no lugar do capitão.

Um bom problema para o técnico Renato resolver.

FICHA TÉCNICA

PÚBLICO: 53.389 (total)
RENDA: 3.496.713,00
ARBITRAGEM: Fernando Rapallini, auxiliado por Juan Pablo Belatti e Gabriel Chade (trio argentino)

Grenal por enquanto em clima de harmonia e amabilidades

Vamos ao que interessa: o Grenal de quinta-feira, na Arena, o primeiro pela Libertadores. Até já poderia ter ocorrido um ou outro confronto, mas não foi possível por falta de competência do rival. O Grêmio tem muito mais participações em Libertadores. Esteve ali à disposição, mas o rival não apareceu.

Em 2007 e 2011, os dois estiveram juntos na competição. Em 2007, o Grêmio foi finalista e o Inter caiu logo na largada, talvez assustado com a possibilidade enfrentar o tricolor. Mas deve ter sido por ruindade mesmo. Depois,em 2011, ambos caíram nas oitavas.

RONALDINHO E FERREIRA

A prisão de Ronaldinho e seu mentor, tutor, guru, guia, o Assis, está ocupando a maior parte do noticiário. Outro assunto, mais restrito ao RS, é o caso Ferreirinha.

Sem conhecer os bastidores da negociação, é difícil opinar sem correr o risco de ser injusto. O que está claro é que quem mais tem a perder é Ferreirinha. O Grêmio é grande demais para ser abalado, e o empresário tem outros atletas para representar e com eles ganhar um bom dinheiro. Na verdade, todos perdem com esse impasse.

EMPATE AMIGO

Mas o que interessa mesmo é o Grenal. Por enquanto, nada de provocações. Todos muito compenetrados, respeitando o adversário. Vamos ver se isso dura até a hora do jogo.

O que preocupa é o excesso de amabilidades. Li que os dois presidentes vão almoçar juntos. Acho que é algo inédito na história do clássico. Li, também, que o Renato torce para que os dois passem de fase. Não gosto disso. Se ele realmente pensa assim, o que duvido, deveria guardar para si.

Esse tipo de coisa pode gerar algumas maldades por parte dos torcedores, que podem começar a acreditar que serão dois clássicos em que ninguém ganha nem perde. Seria uma nova interpretação da velha frase do Dino Sani: no futebol se perde, se ganha e se empata. Passaria a ser: no futebol se empata e se empata.

Não resta dúvida que a dupla é superior a seus adversários na Libertadores, mas não a ponto de motivar uma marmelada em prol de dois empates. É claro que serão dois jogos às ganhas, como se dizia nos meus tempos de peladas em Lajeado.

Mas eu dispenso excessos como esse do Renato, que podem remeter para situação como a de um clássico recente em que o Grêmio poderia ter goleado mas acabou administrando o placar com ‘peninha’ do adversário, com Renato sinalizando que o jogo estava encerrado.

O Grêmio deve jogar focado na vitória e sempre sem esquecer que tem a volta.

O TIME

A grande dúvida é Geromel, que faz tratamento para jogar. Esse tem sangue nos olhos, ele vai pro jogo.

Outra dúvida seria no meio de campo. Com Jean Pyerre voltando e Thiago Neves confirmando que é apenas uma sombra do que já foi, resta a Renato repetir o esquema com três volantes. MH, Lucas Silva e Maicon. É um meio de respeito.

Na frente, Alisson, Diego Souza e Éverton. Como o Inter vai jogar fechadinho, com poucos espaços, Pepê, apesar da boa fase, fica no banco. Ele rende mais quando tem espaço para correr e fazer jogada em velocidade. Por isso, a opção ainda pelo Alisson. Hoje, ele é o jogador número 12.

Ronaldinho, que um dia foi ‘Gaúcho’

A sacada do histórico prédio do Correio do Povo, aquela de frente para a Rua da Praia, foi cenário de alguns episódios que de vez em quando eu recordo saudoso de um tempo que não volta mais, a não ser em pensamento.

Era a ‘sacada da editoria de Esportes’. Eu, o saudoso Paulo Moura e o Hiltor Mombach sentávamos lado a lado, de costas para a sacada e de frente para a redação fervilhante.

É justamente ali, na ‘nossa’ sacada, que os fumantes se encontravam para seguir com seu suicídio lento e gradual. É claro que sobrava fumaça para quem trabalhava nas imediações do ‘fumódromo’.

Um dia, eu que tenho dificuldade para conviver com fumantes, colorados e petistas, colei um cartaz alertando: Cuidado, abelhas! Funcionou por algumas semanas.

Pensei em alertar sobre morcegos, mas desisti.

Foi nessa mesma sacada, que anos antes, em 2001, eu tive um lampejo de sabedoria, logo após o gol de Ronaldinho, – que nessa época era Gaúcho e ídolo dos gremistas -, na Venezuela, que eu declarei, num brado retumbante:

-Ronaldinho é o melhor jogador do mundo, mas só será reconhecido quando jogar na Europa.

Bem, meses depois ele deixou o clube de forma sorrateira, como quem rouba. Cobri de perto esse episódio. Os colorados vibravam na redação e fora dela. O pior é que apareceram uns gremistas para justificar a ação dos Assis Moreira.

A cronologia dos acontecimentos está registrada numa matéria que fiz para o CP, publicada acho eu no final de 2001.

Foi nessa época, cheio de raiva, na mesma sacada do ‘brado retumbante’, que eu anunciei que Ronaldinho, não mais Gaúcho, terminaria sua vida com dificuldades financeira, na merda para ser mais claro.

Lembro-me que citei um personagem que costumava ficar junto à porta principal do prédio do CP. Era um homem negro, meia idade, baixa estatura, chapéu claro, terno branco, surrado, colorido de adesivos de tudo que é tipo. Ele ficava horas ali. Nunca conversei com ele, e me arrependo.

Mas a figura dele é a que me ocorre sempre que deparo com notícias como essa envolvendo documentos falsos no Paraguai.

E não tem como não lembrar do presságio na sacada do CP. Se eu fico feliz com isso, não, não fico. O tempo ameniza certas dores e decepções.

A PEDIDO

Eu não ia tocar nesse assunto, mas recuei depois de alguns pedidos de parceiros aqui do blog.

Aliás, sou receptivo a pedidos.

Grêmio estreia com vitória e futebol convincente

Se no ano passado o Grêmio sofreu para se classificar na fase de grupo (fez um ponto em nove no primeiro turno), desta vez tudo será diferente. A vaga deve vir sem sobressaltos, a exemplo do que aconteceu nesta noite, em Cali, onde o time comandado por Renato Portaluppi venceu por 2 a 0 sem muito sofrimento.

O caminho para os três pontos foi aberto aos 14 minutos, com um gol de Victor Ferraz, mandando para a rede a bola que roçou na barreira e caiu aos seus pés. O lateral, depois de rever o lance várias vezes, me pareceu em posição de impedimento.

Depois disso, o América aumentou a pressão e chegou com perigo algumas vezes. Teve até bola na trave. Aos 24, Éverton teve tudo para ampliar, mas chutou mascado para fora.

No intervalo, Renato substituiu Maicon por Thaciano, porque sentiu que perdia a disputa no meio de campo. Adivinho que muitos gremistas, técnicos da tela plana, do sofá e da cervejinha gelada,devem ter jogado mil pragas sobre Renato. Mas como, por que ‘esse entregador de camiseta’ não coloca o Pepê (ou o Thiago Neves ou a mãe do Badanha)?

Thaciano, sem o brilho de algumas estrelas cadentes, foi útil, muito importante pelos três pontos obtidos na Colômbia. E isso substituindo o grande capitão Maicon.

Aos 4 minutos, Matheus Henrique fez 2 a 0, após receber passe de Éverton, que assim como Maicon e alguns outros, sentiu o piso duro e irregular.

O América tentou reagir, mas o Grêmio, bem posicionado e aplicado taticamente, soube administrar a vantagem até o final do jogo.

INDIVIDUALIDADES

Vanderlei foi muito seguro, e passou isso para os companheiros.

Victor Ferraz foi bem, marcando com eficiência, mas arriscando pouco a jogada ofensiva.

A zaga foi excelente. David Braz cresceu ao lado de Geromel, que saiu mais cedo, lesionado.

Caio Henrique segue sem me entusiasmar. Por enquanto, é um carimbador de bola. Recebe no campo ofensivo, pisa na bola e dá um tapa para o lado ou para trás. Eu gosto de laterais mais atrevidos, que buscam a linha de fundo, ponto do gramado que Caio só vê de longe. Senti saudade do Cortez.

O time está perdendo a jogadinha com Cortez, Maicon e Éverton. Torço para que Caio tenha mais iniciativa individual nos próximos jogos.

No meio, MH dispensa comentários; Lucas Silva está se afirmando e se continuar evoluindo será titular do time. Maicon começou bem, mas caiu de rendimento. Renato colocou um jogador mais combativo.

Na frente, Diego Souza foi discreto, mas apareceu bem em dois ou três lances. Alisson foi um dos melhores do time. Isso não impede que muita gente reclame a ausência de Pepê.

Penso que Renato o colocaria no jogo, mas a lesão de Geromel pode ter alterado seu planejamento.

Aliás, sobre Pepê: ele foi o primeiro a abraçar Renato na comemoração pelo primeiro lugar. Estava sorridente, diferente de certos tipos que querem Pepê como titular a todo custo.

Claro, eu também queria Pepê, mas na metade do segundo tempo, para liquidar o jogo. Eu sacaria o Diego Souza, não o Alisson.

Já o Éverton alternou bons e maus momentos. É cedo para tirar conclusões definitivas, mas acho que Éverton sente a falta de um lateral que se projete mais e atraia a marcação, criando mais alternativas de jogada.

Mas esse é um problema que Renato, o quinto melhor treinador do mundo, sem dúvida, irá resolver.

Que venha o Grenal.

Grêmio tem qualidade e quantidade para brigar pela Libertadores

Além dos três pontos tão necessário para quem ambiciona disputar o título do Gauchão contra o carrasco tricolor, a vitória por 3 a 0 sobre o Juventude serviu para mostrar que o técnico Renato tem agora um grupo numeroso e de qualidade suficiente para fazer o torcedor gremista sonhar com mais um título da Libertadores.

É provável que haverá algumas alterações na fotografia no decorrer da competição, talvez já nesses jogos iniciais, como o desta terça, em Cali, contra o America.

O jogo contra o Juventude serviu de laboratório para Renato avaliar melhor alguns contratados. Pelo que se viu na Arena, Orejuela tem todas as condições de assumir a titularidade no lugar de Victor Ferraz, que até agora não me entusiasmou. Não acredito, contudo, que o colombiano assuma já a posição.

O mesmo vale para a lateral-esquerda. Caio Henrique foi muito bem contra o time caxiense jogando desde o início na posição, que ora pertence a Bruno Cortez. Dentro da ideia de preservar ao máximo a estrutura e os jogadores que atuam há mais tempo, Renato vai manter os laterais atuais ao menos na estreia. Depois, a tendência é de que Orejuela e, principalmente, Caio, sejam titulares.

No meio de campo, gostei do Lucas Silva contra o Ju. Está chegando mais ao ataque, chuta forte de longe, e se movimenta com inteligência. Contra o America ele deve começar ao lado de Matheus Henrique, com Maicon mais adiantado para receber a bola e acionar os atacantes Alisson, Éverton e Diego Souza.

Na frente, acho que Renato não tira Alisson. Pepê está pedindo passagem, mas Renato confia em Alisson, jogador que trabalha a bola, mas não tem a capacidade de abrir espaço e concluir como Pepê. Diferentes de muitos, ainda vejo Alisson como jogador taticamente muito útil.

Contra o Ju ele foi mal, especialmente no acabamento das jogadas. Ao mesmo tempo, Pepê estraçalhou pela esquerda. Problema, bom, para Renato resolver.

PENALTI

Coincidência ou não, no dia seguinte à nota do Grêmio enviada à Federação protestando contra o pênalti cristalino não marcado sobre Éverton – o que poderia mudar a história do jogo contra o Caxias -, um juiz do quadro da entidade marcou três a favor do Grêmio.

Todos existiram, mas não sei se o primeiro seria marcado sem esse protesto formal do clube. Um comentarista de arbitragem disse que não houve infração na jogada.

O Grêmio quer, também, o áudio do pessoal do VAR para esse lance do jogo contra o Caxias, que, acabou conquistando o título do turno.

FERREIRA

Circula nas redes uma cópia do que seria a proposta do Grêmio para renovar com Ferreira, o Ferreirinha. Se o Grêmio realmente oferece 25 mil mensais ao jogador, um dos mais promissores já surgidos, não dá para criticar a negativa do procurador do atleta.

Acho que um mês do salário do André, por exemplo, paga um ano ou até mais do que o oferecido para Ferreira.

André não vai render nada para o clube, enquanto Ferreira é um cheque em branco.

Tem algo errado nessa história.

Homenagem ao único técnico campeão do Mundo pelo Grêmio

Em 1982, logo ao assumir como vice-presidente de futebol do Grêmio, Alberto Galia (já falecido) tinha como primeiro objetivo contratar um treinador, e só a partir daí começar a busca por jogadores.

Era um outro tempo, primeiros anos de um futebol realmente profissional, mas ainda distante da farra dos milhões de dólares que movimenta o circo do futebol, no qual em pouco tempo jogadores conseguem ficar milionários.

Acompanhei de perto o Galia, um sujeito tranquilo e amável, mas rígido nas questões financeiras. Repórter da Folha da Tarde, eu era obstinado em dar notícias em primeira mão, o furo.

Eu tinha convicção de que ele não iria demorar em anunciar o escolhido, que eu suspeitava ser alguém de pouco nome e remuneração menor.

Sabia que a ideia dele e do então presidente Fábio Koff era investir mais em jogadores do que em treinador. Mas poderia ser despiste.

Um nome martelava minha cabeça: Valdir Espinosa, que tivera rápida passagem pelo clube como técnico em 1980 e depois havia trabalhado pelo Londrina e Ceará. Além disso, em 79 havia sido vice gaúcho com o Esportivo, superando o Inter.

Eu tinha uma certeza, a contratação poderia sair a qualquer instante. Passei o fim de semana ligado, obcecado. Temia ser furado.

Não havia celular, é bom não esquecer. Descobri que Galia estava em seu sítio, na Glorinha.

No domingo, início da tarde, calor do cão, lá fomos nós, o fotógrafo e o motorista num flamante fusca 1.3, sem ar condicionado.

Não foi fácil encontrar o sítio, mas chegamos lá. Fomos recebidos efusivamente pelo Galia e familiares.

Conversei durante quase uma hora com o Galia. Muito discreto e precavido, ele não confirmou Espinosa, mas deixou claro que o ex-lateral gremista, o cara que dois anos antes havia indicado Renato Portaluppi ao Grêmio, tinha o perfil exigido pela nova direção.

Em resumo, foi o que escrevi. Não apostei mais forte porque o acerto poderia não ocorrer ou até Espinosa são fosse o nome melhor cotado.

Bem, o material foi publicado no dia seguinte, segunda-feira. Se não me engano, duas páginas, com direito a fotos de Galia em seu belo sítio.

Dois ou três dias depois Galia anunciou Espinosa. Ithon Fritzen como preparador físico, se a memória não me trai.

Foi assim, com uma comissão técnica barata (sem a figura do diretor remunerado com poder de decisão) e enxuta que o Grêmio começou a aplainar o caminho para os títulos da Libertadores e do Mundial, em 1983.

No comando, Valdir Espinosa, tendo o respaldo de Galia e Koff.

Por seu gremismo, profissionalismo e competência, além de ser o único técnico campeão Mundial pelo Grêmio, Espinosa merece um busto de bronze na Arena.

Descanse em paz, Espinosa (17/10/1947-27/02/2020).

Maior ídolo gremista passa por fritura pública

A torcida que se orgulha de preservar e enaltecer seus ídolos – ao mesmo tempo em que busca fustigar seu maior adversário abaixo do Mampituba por não ter o mesmo cuidado – faz agora uma fritura pública daquele que chegou a ser homenageado com uma estátua na Arena.

O torcedor tem razão em estar revoltado e indignado depois de ver seu time perder dois jogos para o Caxias e um para o Aimoré. Realmente, dito assim, é assustador, preocupante.

Mas no jogo pra valer, aquele que pode deixar o torcedor arrasado, mergulhado em depressão, o time tricolor, esse que hoje ‘não joga nada’, foi na casa do rival e venceu por 1 a 0, com um primeiro tempo de luxo.

Ah, isso 0 revoltadinho de plantão não valoriza, pelo contrário, diminui ou esquece enquanto esparrama sua revolta nos teclados, exagerando nos adjetivos e até nas ameaças ao alvo principal do fuzilamento: o técnico Renato Portaluppi.

Renato tem sua parcela de culpa. Errou demais no segundo tempo do Grenal e foi pior ainda contra o ‘poderoso’ Caxias, perdendo o título do primeiro turno do até pouco tempo desprezado Gauchão. Um campeonato menor, mas que vira e mexe demite técnico da dupla Grenal, e isso que é tido como competição secundária, sem qualquer relevância.

Experimente perder o título do Gauchão com uma goleada no clássico pra ver o que acontece.

O torcedor não quer nem saber, quer vencer sempre. Não importa se é início de temporada. Ao mesmo tempo, não pensa muito para apontar o dedo acusador para alguns eleitos, a começar pelo treinador, mesmo que este treinador seja um cara que tirou o clube de um atoleiro de 15 anos.

Não tiro a razão do torcedor – quem sou eu para isso -, mas me oponho à essa campanha para afastar Renato do comando. É um movimento heterogêneo formado por gremistas influentes (alguns da mídia), inocentes úteis que, ridiculamente, promovem enquetes com nomes para o lugar de Renato, e, sim, eles, os colorados.

Loucos para terem um ídolo pra chamar de seu, os colorados estão dando gargalhada com essa situação, e, não duvido, parte deles se faz passar por gremistas nas redes sociais, reforçando o coro de ‘Fora, Renato!’.

Nada supera, no entanto, a agressividade descabida de gremistas concentrados nas redes sociais, como se Renato fosse um profissional qualquer, sem história no clube.

Renato pode e deve ser criticado, mas sempre com bom senso e respeito.

ESPINOSA

Na torcida por Espinosa, que luta para seguir vivendo.

Com ele no comando e Renato no time, o Grêmio subiu de patamar no planeta ao conquistar o primeiro título mundial por um clube gaúcho.

Renato em dia de técnico do Ibis erra e Grêmio perde em Caxias

Vencer o Grenal, eliminando o rival maior (no Estado), e uma semana depois entregar de bandeja o título do primeiro turno para um Caxias com seu time modesto, mas bem organizado, é revoltante.

O grau de irritação e revolta do torcedor gremista pode ser avaliado com clareza pelas manifestações nas redes sociais e nos grupos de whats, onde a corneta soa estridente faça chuva, faça sol.

Considerado quinto maior técnico de futebol do mundo por uma publicação argentina, Renato hoje foi digno de um treinador do Ibis.

Sem querer ser original, mas já o sendo, explico a derrota por 1 a 0 diante do Caxias pela escalação inicial do time. Lucas Silva e Matheus Henrique são peças que se sobrepõem. Os dois têm estilos muito parecidos. Um prejudicou o outro, a meu ver. E com isso o time.

Jogando Maicon, como neste domingo, um deles deve ficar de fora, no caso o novato Lucas, que por enquanto se mostrou um jogador muito mais ou menos, como já havia dito aqui. Os ingratos ao Maicon querem o grande capitão fora. Mas Lucas Silva não ata uma chuteira do Maicon.

Outra opção: Thiago Neves recém começa a entrar no time, mas, pelo que vi dele no ano passado no Cruzeiro, se encaminha celeremente para a aposentadoria. Espero morder a língua.

Bem, todos concordam que o time foi mal. E que Renato é o maior responsável (os ingratos aproveitam para atacar a estátua destilando ódio, rancor e inveja) pelo pífio desempenho.

Agora, mesmo reconhecendo que o Caxias foi superior e poderia ter feito mais um gol (Vanderlei fez uma defesa sensacional no segundo tempo, e justificou sua contratação), não se pode desprezar o fato de que mais uma vez uma arbitragem do Gauchão prejudicou o tricolor.

Foi pênalti em Éverton. Tão pênalti que o veterano Vuaden nem pediu o VAR, porque aí ele teria de marcar. Nada de novo. No Grenal de sábado passado foi com Jean Pierre. Só mudam os nomes, a prática é a mesma.

Sobre os jogadores, quero aproveitar para defender o Cortez. Ele tem dificuldades, mas é um jogador aplicado, busca sempre a linha de fundo, enquanto outros se escondem. Numa comparação com Victor Ferraz, pergunto: quantas vezes ele foi ao fundo ou fez uma jogada individual? Nem falo em qualidade. É um lateral mediano, experiente, mas se um dia o time precisar que ele resolva, como fez Léo Moura tantas vezes, esqueça.

Por fim, a entrevista do Renato após a partida é quase a mesma que ele deu em situações semelhantes. Ele diz que o time não criou, mas o que ele fez para o time criar? Isso não aparece.

Faço coro com muita gente: Pepê não poderia ser ignorado como foi. Alisson estava bem no jogo, Éverton nem tanto, mas não pode sair nem com reza brava. Ele poderia ter tirado um volante e recuado Alisson. Mas isso logo após sofrer o gol, ou até antes.

Mas Renato, o melhor brasileiro no ranking mundial de treinador, estava mais uma vez neste ano, diga-se, num dia de técnico do Ibis.