Grêmio confirma sua superioridade e conquista o tetra gaúcho

Sem brilho, mas com obstinação em cada disputa de bola, o Grêmio conquistou neste domingo, na Arena, o tetracampeonato gaúcho, ao empatar o Grenal por 1 a 1 depois de ter vencido o primeiro no Beira-Rio, por 2 a 1.

A meta de chegar ao oitavo jogo com vitória desde que assumiu só não foi atingida por imperícia dos atacantes. Ferreira, autor do gol gremista no final do primeiro tempo, poderia ter feito pelo menos mais dois. Mas o ‘gol mais feito’ foi de Ricardinho, que bateu de canela com a goleira vazia, após grande jogada de Pepê nos minutos finais.

O Inter pode comemorar o fato de ter escapado de goleada. Empatou com um gol de cabeça de Dourado, num raro lance de perigo na área gremista. Diferente do goleiro rival, Brenno praticamente não foi exigido, mas mostrando-se seguro em várias intervenções.

Foi um clássico tenso. De um lado o time superior, favorito; de outro, um time que jogava pela sua honra, abalada nos últimos anos, especialmente em função de uma série de Grenais.

O juiz Leandro Vuaden teve trabalho para conter a violência crescente. Aos 37 do primeiro tempo, ele expulsou YUri Alberto e Rafinha, que a meu ver mereciam apenas cartão amarelo. Vuaden estava sinalizando que não seria tolerante com o antijogo, que não interessava ao time melhor preparado, o Grêmio, claro.

Tecnicamente, o primeiro tempo foi horrível, talvez o pior do Grêmio desde a posse de TN. Espero que os chutões do goleiro Brenno para o ataque, passando sobre o meio de campo, não sejam marca registrada do novo técnico. O Grêmio abusou desse recurso. Nem oito nem oitenta.

Ferreira foi o melhor em campo, apesar dos gols perdidos e de um certo egoísmo em algumas jogadas.

Sobre Rafinha: repito o que já disse, ele não está mostrando nada de especial. É toque para o lado e para trás, nenhum lance de super. Vanderson que entrou na lateral com a saída do titular, mostrou mais qualidades.

Pepê, que entrou nos minutos finais, não chegou a fazer a diferença, mas fez duas ou três boas jogadas. No final, ainda no gramado, em meio à comemoração, ele chorou, emocionado. Foi sua despedida do clube.

Patrão dos Pampas

O tetracampeonato se repete após 33 anos, quando o Tricolor do fim da década de 80 chegou a seis títulos regionais seguidos. O Grêmio não vê uma derrota para o maior rival desde 2014. De lá para cá, são 18 jogos, com 11 empates e sete vitórias do Patrão dos Pampas.

TN se encaminha para subir ao panteão dos técnicos gremistas

Com oito vitórias em oito jogos, Tiago Nunes leva jeito de quem vai fazer história no Grêmio. Não me lembro de algum treinador em time de ponta ter feito uma sequência como esta.

Uma série de vitórias que pode ter continuidade no Grenal de domingo, na Arena, e ainda avançar um pouco mais considerando-se os adversários que o time terá pela frente.

Pela ordem, segundo informação do sempre atento Copião: Equidad, Ceará e Brasiliense. Fecham doze. Já imaginaram? Recorde mundial, imagino.

O adversário de número 13 nessa série é o Flamengo, e aí o furo é mais embaixo, mesmo que o jogo seja na Arena. Mas, com o moral do grupo elevado, é possível bater também o time mais forte do futebol brasileiro. Mais que o Palmeiras, sim, é o que penso. Mas é taco a taco.

Bem, tudo isso para dizer que Tiago Nunes, que desembarcou aqui sob desconfiança de boa parte dos gremistas – inclusive a minha -, se encaminha para assumir um lugar no panteão dos grandes treinadores do Grêmio na era moderna (dos famigerados anos 70 até hoje).

Admito que posso estar exagerando, mas se eu errar não vou fazer como esse pessoal das redes sociais, que se esconde e ignora seus erros de avaliação, e ainda sai assoviando na maior cara de pau.

Por que esse otimismo, essa convicção? É que além dos resultados mais do que convincentes, independente dos adversários, gosto da postura serena e firme do TN, do tom equilibrado de suas entrevistas.

Estou gostando também, e principalmente, da maneira como ele vem armando o time, mantendo a base, a estrutura deixada por Renato, com um toque seu, mas sem invenção. Ele também não se mostra deslumbrado, repetindo sempre que possível que o time nada ganhou até agora.

Sim, ele tem plena consciência de que há um longo caminho a percorrer, e que a caminhada recém começou.

Como se sabe, numa competição o que realmente importa é como se chega, não como se inicia.

Panteão de treinadores

No meu panteão escalo, por ordem cronológica, os seguintes técnicos:

Telê Santana, Ênio Andrade, Valdir Espinosa, Felipão, Tite, Mano Menezes e ele, claro, Renato Portaluppi.

Grêmio ratifica sua superioridade em Grenais: 2 a 1

Apesar de alguns sustos no jogo, o Grêmio fez 2 a 1 e ratificou dentro de campo sua superioridade sobre o Inter, iniciada há quatro anos e agora mantida por Tiago Nunes, que está dando conta da enorme responsabilidade que é substituir uma estátua.

Além de uma série de resultados positivos (sete jogos, sete vitórias) o novo treinador gremista já pode colocar em seu currículo uma vitória no Grenal. Vencer o clássico é como a cereja no bolo do trabalho. Vencer Grenal dá ainda mais moral para Tiago seguir em frente, buscando o título da Sul-Americana e o do Gauchão, que muitos desprezam, mas que mantém seu valor no contexto regional.

Anos 70

Essa hegemonia tricolor me remete para os anos 70, quando quem mandava era o Inter. Chegava nos clássicos, o Grêmio, que vinha bem no regional (então muito mais valorizado que hoje), lutava muito e criava situações de gol, como aconteceu neste domingo no Beira-Rio, mas quem marcava era o Inter de Falcão, Batista, Valdomiro e, claro, Escurinho. Era um tormento ser gremista nessa década.

O fato é que o Inter naquela época era superior ao Grêmio, assim como o Grêmio tem sido superior ao Inter. O que é preciso para os colorados é ter humildade de reconhecer isso.

Humildade

Ao deixar o campo, o melhor jogador colorado, Edenilson, criticou a postura do time diante do maior volume do Grêmio no segundo tempo. “Faltou um pouco de inteligência de nossa parte”, declarou.

Daria para trocar ‘inteligência’ por humildade’. O treinador colorado acreditou que poderia vencer e abriu espaços para o GRêmio, que tem algumas individualidades que desequilibram, fazem a diferença.

Goleador do Brasil

Uma delas é Diego Souza, que na única chance que teve de cabecear mandou para a rede, aproveitando o cruzamento na medida de Lucas Silva, em sua melhor partida.

O gol de Diego Souza me fez lembrar um dos tantos gols de Escurinho, exímio cabeceador, que entrava no segundo tempo para deixar sua marca. Hoje, cada gol de Diego Souza ajuda a eliminar meus traumas daquele tempo.

O gol de Ricardinho, logo em sua primeiro lance na área, lavou minha alma e afastou meus fantasmas. A hegemonia gremista será mantida com esses jovens que estão sendo lançados gradativamente.

Sobre o jogo

O primeiro tempo foi muito parelho, muita pancada de ambos os lados. Poucas situações de gol. O lateral Moisés deu uma entrada violente em Luis Fernando, que foi obrigado a deixar o jogo. O agressor sequer recebeu cartão amarelo. Erro grave de Daronco.

O Inter largou na frente, em jogada de Edenilson, que Galhardo completou. No segundo tempo, Tiago liberou mais seus laterais, e o Grêmio foi tomando conta da partida. DS empatou aos 12 e Ricardinho, aos 42, no cruzamento perfeito de Léo Pereira, marcou um golaço de cabeça.

O Inter tentou o empate e só não atingiu seu objetivo porque Brenno salvou com pelo menos duas grandes defesas. Titularíssimo.

O time todo de um modo geral foi bem, o que tem acontecido com frequência.

Rafinha

O único jogador que a meu ver continua devendo é Rafinha. Sei que ele tem inúmeros troféus no futebol europeu, mas aqui ele está me decepcionando. Tem sido um jogador do tapinha pro lado ou para trás. Eventualmente um cruzamento, e aí se percebe que ele bate muito bem na bola. Ainda não o vi fazendo uma jogada individual, de drible. Enfim, um lateral eficiente, mas burocrático. Pelo que ganha e custou deveria jogar mais.

Supremacia

O Grêmio vive um período de domínio sobre o rival nos Grenais. Nos últimos 10 confrontos, são sete vitórias, dois empates e apenas uma derrota, no dia 24 de janeiro, pelo segundo turno do Brasileirão. Jogo com arbitragem favorável ao Inter. Em jogos pelo Gauchão, o jejum colorado supera a barreira dos três anos: a última vez que o Colorado venceu o clássico foi em março de 2018.

Palpiteiros

O que vão dizer em casa os jornalistas que apontaram o Inter como favorito? É assim que a credibilidade vai minguando.

Ferreira comanda a equipe na vitória sobre o Lanús

Nem nos meus sonhos mais delirantes eu imaginei que o Grêmio conseguiria revelar tão cedo um atacante tão decisivo quanto Éverton, o Cebolinha, que acabou de perder o campeonato português com o Benfica do festejado Jorge Jesus.

Nesta noite, na Arena, na vitória de 3 a 1 sobre o Lanus, ele fez dois gols e deu assistência para outro, o de Matheus Henrique, e já é o jogador mais importante do time. Já é, também, o melhor jogador da Sul-Americana.

Com a vitória, a quarta em quatro jogos, o Grêmio praticamente confirma sua classificação às oitavas. E o técnico Tiago Nunes vai sinalizando que a direção gremista acertou em cheio ao apostar em seu nome.

Ferreira, 23 anos, conseguiu em menos de um ano, depois de passar pelo Departamento de Lapidação, até pouco tempo comandado por Renato Portaluppi, mostrar que já está do tamanho de Éverton. E se encaminha para superá-lo.

Eu, que sugeri aqui neste espaço que Tite convocasse Éverton para a Copa do Mundo (ele optou por Taison, vejam só), como elemento surpresa na mesmice da seleção brasileira, sinto-me à vontade para indicar o nome de Ferreira para disputar a Copa América pelo Brasil.

Penso que Tite aprendeu a lição e irá convocar o jovem atacante tricolor, que revelou recentemente que se espelha em Cristiano Ronaldo, um exemplo de qualidade e dedicação profissional. Se for mesmo assim, não há limites para o crescimento de Ferreira.

Sobre o jogo desta noite, a lamentar a lesão de Thiago Santos, que saiu de campo mais cedo. Dificilmente irá enfrentar o Inter, domingo.

O time está bem ajustado, mas permanece a preocupação com a bola aérea, que entra muito fácil nas cobranças de escanteio e faltas próximas da área.

A bola aérea é o principal recurso dos times inferiores para superarem os melhores.

Douglas Costa e Grêmio entram em acordo

Já dou como concretizada a contratação de Douglas Costa. Seria muito amadorismo da direção reunir-se quase que publicamente (aliás, qual será o dirigente que vazou a reunião para a imprensa? Será o mesmo que vcs estão pensando?) com o jogador sem que a Juventus já não tivesse aceso o sinal verde para a transação.

Pelo que se se sabe Grêmio e Douglas Costa estão acertados. Espero que o clube tome uma precaução no contrato em relação aos problemas do atleta, que o impedem de ter uma continuidade razoável de atuações.

De que adianta ter um craque que pode deixar o time em momentos decisivos em função de lesões? Já temos a experiência de Maicon como exemplo. Defendo que haja uma cláusula no sentido de resguardar o clube.

Mas o principal, o que importa, é que o Grêmio está contratando um jogador em atividade no futebol europeu, um jogador diferenciado, que contribui só com sua presença para elevar o patamar do clube no futebol mundial.

Bem, dito isso, deixando os floreios de lado, a pergunta que não quer calar: onde jogará Douglas Costa nesse seu retorno ao lar?

Em princípio, estando tudo dentro da normalidade, ele só não joga de goleiro. No mais, pode escolher o lugar onde irá desenvolver seu brilhante futebol.

Exageros à parte, me parece óbvio que ele entra pela direita de ataque, na função de Alisson. Fico imaginando o ataque com Douglas Costa, Diego Souza e Ferreira. Já podemos jogar de igual para igual com o Flamengo, o time mais qualificado do país.

É possível que DC seja testado na função de Jean Pyerre. Mas não sei se é a dele.

Falta agora um lateral-esquerdo. Quem sabe o Kannemann por ali, já que Ruan entrou muito bem no time.

Enfim, ‘problemas’ que o técnico Tiago Nunes terá de resolver.

Ferreirinha volta a desequilibrar e leva time à vitória

O Caxias tentou equilibrar o jogo na porrada. Luiz Fernando foi o primeiro a sentir a força de um pontapé e de um joelhaço pelas costas. Não adiantou, ninguém se intimidou. O Grêmio acabou impondo seu melhor futebol, vencendo o Caxias por 2 a 0.

Se houve alguém que se intimidou no jogo disputado na Arena foi o árbitro Jean Pierre, que pareceu temeroso de marcar com mais rigor algumas agressões do time caxiense. Por exemplo: o misto de voadora e pontapé do ex-goleiro do Grêmio, o Pitol, quando levou Matheus Henrique à nocaute no lance do primeiro gol tricolor, marcado pelo meia gremista.

O juiz sequer pediu o VAR. Eu fiquei assustado quando vi MH desfalecido. JP tinha a obrigação de pedir o VAR e tempo ele teve para isso, porque o meia gremista demorou a recuperar-se.

É sempre assim, ninguém dá muita bola para o Gauchão, principalmente quem o perde, mas quando chega na reta final juízes e jornalistas, que deveriam ser isentos começam a se fardar.

Soube que já tem gente pregando ao microfone que o Inter é favorito ao título. Mas da onde?

O Inter perdeu para o Juventude por 1 a 0, jogando um futebol lamentável. Depois, em sua casa, no sábado, goleou por 4 a 1, um resultado que ilude os incautos e os fanáticos vermelhos, porque o Juventude jogou melhor e merecia ao menos o empate.

Então, no comparativo, o Grêmio fez 6 pontos, o Inter 3 pontos, e jogando mal nos dois jogos. Já o Grêmio, tirando o problema da bola aérea, que voltou ‘voando’, precisa corrigir esse defeito, que é a grande arma colorada, como foi do Caxias nos dois jogos contra o tricolor.

Ainda sobre o jogo deste domingo. Ferreirinha foi o grande destaque, talvez sua melhor atuação. Dias atrás, escrevi que ele havia atingido a maioridade. Hoje, ele é um jogador que talvez nem fique muito tempo. Propostas devem pousar na mesa do presidente Romildo.

Espero que o o clube resista à tentação de colocar o lado financeiro acima do aspecto técnico, competitivo. Resta saber se o contrato com o jogador não tem alguma cláusula que o favoreça no caso de proposta que alcance determinado valor.

Em relação aos 2 a 0 sobre o Caxias – resultado que até saiu barato para os caxienses, entendo que o time todo jogou relativamente bem. Quem despontou mesmo foi Ferreirinha.

Leio e ouço que o Grêmio evoluiu sob o comando de Tiago Nunes. Concordo que melhorou a marcação com Thiago Santos, em especial na formação de hoje com MH e Darlan, autor de um gol, anulado, mas que mostrou que ele tem condições de entrar na área, assim como MH. Essa mobilidade dos meio-campistas pode fazer a diferença.

Mas o que faz mesmo a diferença é Ferreira, que repete a trajetória de Éverton e Pepê, responsáveis por grande parte dos gols marcados, seja diretamente como em assistências. Saíram os dois, mas a solução ofensiva continua a mesma, a individualidade dos atacantes dribladores e criativos do lado esquerdo.

Quer dizer, ‘tudo como dantes no quartel-general em Abrantes’.

O avanço do atacante sem pedigree

Pois não é que o atacante sem pedigree começa a revelar seu verdadeiro potencial. O jogador ‘trazido pelo Renato’ para ‘ocupar o lugar dos guris da base’ deu uma resposta perfeita aos seus críticos, um pessoal que ainda acreditam que as categorias de base podem mesmo suprir todas as necessidades de um time de ponta.

A resposta perfeita, referida no parágrafo acima, é aquela em que o jogador do futebol alvo de crítica, ou até de perseguição sem sentido e cruel, se mantém calado, segue trabalhando humildemente, e no momento preciso devolve tudo dentro de campo, sem discurso, sem lamento nem choro, mas com bola.

Foi o que fez o Luiz Fernando contra o Aragua, um modesto time da Venezuela, que no passado, com outro nome, venceu o Inter, numa das raras vitórias de clubes venezuelanos sobre brasileiros.

Para mim, LF já havia mostrado algumas qualidades, em doses pequenas, como força, velocidade, drible, oportunismo e porte físico, mas ainda estava devendo uma atuação que justificasse o aval de Renato, responsável por sua contratação do Botafogo -isso por si só já faz com que seja perseguido.

Luiz Fernando fez os dois primeiros gols na goleada por 8 a 0, sofreu um pênalti, deu uma assistência generosa para Ferreirinha e ainda participou do lance do gol contra.

Mesmo considerando a baixa qualidade do adversário, LF teve um desempenho acima da média, mostrando que pode ser ele o sucessor de Alisson. Espero que o técnico Tiago Nunes, que tem se mostrado competente na armação do time, e com a mente aberta para encontrar soluções, observe com atenção o crescimento de LF.

O atacante sem pedigree, olhado com desdém por alguns apressados, depois da atuação de quinta-feira, merece ser avaliado com atenção, e sem preconceito.

Lembrem-se de Jardel, um atacante sem pedigree, também vindo da reserva de um clube carioca, o Vasco, que fez história no futebol gaúcho e nacional.

O ‘treinador trabalhador’ e seu início convincente e promissor

O Grêmio trocou um treinador ‘preguiçoso’, ou pelo menos adepto da lei do menor esforço. por um treinador trabalhador. A frase é uma síntese do que foi publicado no site globo.com desta terça-feira.

Deixando claro apenas que Renato não tem nada de preguiçoso. Talvez, por conhecer muito futebol, ele não precise tanto esforço quanto a maioria de seus colegas.

A rotina do técnico Tiago Nunes e de seus auxiliares é detalhada pela matéria, a começar pelo horário. TN chega cedo ao CT Luiz Carvalho. Seu ritmo de trabalho impressiona, conforme destaca o vice Marcos Herrmann em depoimento à reportagem:

– Cada treinador tem sua carga de trabalho. Tem muito trabalho tático, e uma coisa que é do preparador, a carga física também está interessante. Estamos notando a diferença na postura do time. Mais que resultado positivo, temos visto evolução – disse o vice de futebol Marcos Herrmann.

E tudo isso com apenas dez dias de trabalho.

A reportagem passa a impressão de que antes (leia-se com Renato Portaluppi) não se trabalhava tanto, não havia treino tático, só ‘rachão’, como insistiam alguns gremistas sem explicar como o resultado desse trabalho baseado no rachão conseguiu tantos títulos.

Se rachão leva a títulos como Copa do Brasil e Libertadores, o Grêmio poderia simplificar contratando um treinador mais barato e sem grande currículo.

Mas estamos falando de Tiago Nunes. Este um técnico estudioso, que vem de um trabalho excelente no Atlético PR e de uma passagem frustrante no Corinthians – o que não chega a ser demérito. O clube paulista é um moedor de carne, ainda mais para noviços.

O fato é que em pouco tempo na Arena TN já mostrou que não foge do trabalho, pelo contrário. O risco é que acabe tirando o epíteto de Celso Roth, um treinador trabalhador de raiz.

Tenho muito cuidado com esses entusiasmos apressados.

Ao ler essa reportagem não pude deixar de lembrar de Coudet, que vinha para revolucionar e era endeusado pela mídia colorada. Acabou fazendo um trabalho inferior ao de seu antecessor, Odair Hellmann, que, sem rasgação de cedo, armou um time competitivo com material humanos mediano.

Agora, incansável, a mídia rubra não se envergonha de repetir a babação de ovo com o Miguel Angel Ramirez (o nome dele sempre citado por inteiro), outro que chegou para revolucionar. Mas na medida em que o trabalho não deslancha diminui, na mídia, o tamanho do nome do técnico, que ficou reduzido a Ramirez.

O que eu quero dizer é que, independente de qualquer coisa, o treinador para ter sucesso mesmo precisa começar colhendo resultados positivos, com atuações convincentes e promissoras, para conquistar a confiança dos atletas e também da torcida.

Neste aspecto, TN está indo muito bem, e sem tentar revolucionar o futebol, apenas trabalhando.

Agora, não entendo por que essa prancheta gigante que vejo nas fotos dos treinos do técnico tricolor.

Os 40 anos do título que elevou o Grêmio de patamar

Texto do Copião de Tudo:

Na tarde ensolarada de 03/05/1981 nós calamos 95 mil São Paulinos dentro do Morumbi num dia memorável, conquistando nosso 1º Brasileirão, num torneio curto com 23 jogos que durou de 17/01 à 03/05, onde Nunes do Flamengo foi o goleador com 16 gols. Era uma época que só tinha no calendário o Brasileirão e estadual longo, com viagens de ônibus pelo interior do RS. Apenas o Campeão e o Vice brasileiro que jogavam a Libertadores.

No time da final havia seis guris: Paulo Roberto LD com 19 anos, Newmar zagueiro 20 anos, Casemiro LE 23 anos, China volante 21 anos, Odair ponta esquerda 19 anos e Baltazar 21 anos que tinha vindo do Atlético-GO 2 anos antes numa época onde se faziam poucas viagens por ano em distâncias mais curtas, mas tinham alguns amistosos e torneios para manter os times em atividade.

Jogamos a final com este time: Leão, Paulo Roberto, Newmar, Hugo De Leon e Casemiro. China, Paulo Izidoro e Vilson Taddei. Tarciso, Baltazar e Odair. (Técnico: Ênio Andrade)

O São Paulo com um timaço jogou com: Valdir Peres, Getúlio, Oscar, Daryo Pereira e Marinho. Élvio, Renato pé murcho e Éverton. Paulo César, Serginho e Zé Sérgio. (Técnico: Carlos Alberto Silva)

A partir desta data nos tornamos o Tricolor Imortal e nosso percurso foi trilhado com 14 vitórias, 2 empates e 7 derrotas onde marcamos 32 gols e sofremos 21, fazendo assim a campanha vitoriosa, ganhando as duas partidas finais do poderoso SP que tinha na época 8 jogadores de seleção sendo o Daryo Pereira na Uruguaia e 7 na brasileira. 

A defesa do SP era 100% selecionável com uma dupla de área de muito respeito com Oscar e Daryo Pereira que eram uma parede quase que intransponível, mas sucumbiram diante do ataque Gremista nos dois jogos deixando a imprensa paulista de boca aberta com nossa façanha lá dentro. O LE Marinho disse na saída da derrota de Porto Alegre de 2×1 nas entrevistas que em São as coisas seriam bem diferentes porque eles eram muito melhores e superiores, e se ferrou duplamente.

Data importante que marcou o início de nossa ascensão pelo Brasil, pela América e pelo Mundo, fazendo nosso Tricolor elevar com muita raça, garra e honra o nome do estado do RS como o 1º Campeão da América e 1º Campeão do Mundo, em 1983, nos tornando definitivamente o maior e melhor time do Sul do Brasil.

Dá neles, Imortal.

Gauchão: Grêmio vence Caxias com ajuda (correta) do VAR

Vou falar o que ninguém disse, costumava dizer Lauro Quadros – que faz uma falta danada ao jornalismo esportivo -, no Sala de Redação, gerando expectativa e chamando a atenção para si. Ele fazia uns segundos de silêncio e despejava sua frase supostamente inédita, diferenciada.

Pois vou pegar esse bordão emprestado do grande Lauro para dizer o que ninguém disse até agora, ao que me consta: se não fosse o VAR o Grêmio mais uma vez teria um resultado negativo diante do Caxias. O VAR anulou um gol do Caxias e depois marcou um pênalti, que resultou no gol da vitória tricolor por 2 a 1.

O técnico Rafael Lacerda protestou muito, e não poderia ser de outra forma, mas a realidade é que as duas decisões foram corretas.

Agora, se não tivesse o equipamento, o Caxias teria um gol, muito bonito, aliás, e a falta sobre Ferreirinha não seria marcada. O jogo, então, terminaria em 2 a 1, mas para o bom time caxiense. Aí é que o VAR, sendo usado adequadamente, com isenção e competência, é realmente muito útil.

Algo parecido aconteceu à tarde, em Bento Gonçalves, onde o Juventude foi beneficiado pelo VAR, que anulou um pênalti que beneficiaria o Inter.

Sobre o jogo no Centenário: o GRêmio foi superior, teve mais iniciativa e dominou no segundo tempo, forçando o Caxias a recuar mais ainda e buscar contra-ataques.

O técnico Tiago Nunes tem seus méritos. O time ganhou em marcação, está mais consistente, mas é cedo para qualquer avaliação séria. A tendência, porém, é que melhore com a sequência de jogos.

Um problema que Tiago precisa resolver, até porque nem sempre o VAR será a favor. A bola alta lançada sobre a área nas cobranças de falta e de escanteio. Não é de agora esse problema, que começou quando o time perdeu a dupla Geromel e Kannemann em muitos jogos.

Não fosse Brenno o time teria levado mais um gol de cabeça. No início do segundo tempo, ele salvou com uma grande defesa. No gol do Caxias, ele não teve culpa.

Mas já tem gente nas redes sociais questionando o goleiro. Ele teria problemas de visão nos jogos noturnos. É dose!

O nome do jogo foi Diego Souza. Ele é ‘fazedor de gol’, ajeita para o companheiro marcar, exímio cobrador de pênalti e ótimo cabeceador. Na temporada, em 10 jogos, ele fez 11, média muito rara de ser atingida.

Mas ainda assim não escapa das críticas na selva das redes sociais.

Destaque ainda para Brenno, Geromel, Ruan, Thiago Santos e Ferreirinha.

O lateral Rafinha ainda não apresentou aquele futebol que dele se espera. Parece que tem medo de ir ao fundo e de participar mais ativamente de jogadas ofensivas. Um jogador com sua categoria tem mais a oferecer.

Ele falhou no gol do Juventude, mais por ser o homem errado no lugar errado. Baixinho na primeira trave dá nisso. Ele salta, a bola resvala em sua cabeça e se oferece para o adversário, como aconteceu no Centenário. Não seria o caso de colocar alguém mais alto na primeira trave?

O time segue com problema na lateral-esquerda. Não há um lateral realmente confiável. Outra posição complicada é a ‘ponta direita’. Léo Pereira não me convenceu ainda, e acho que não irá me convencer.

Daqui a pouco ouvirei: volta Alissson!!!!

Antes disso, gostaria de ver Leó Schu na posição.

Por fim, JP. Acho que tudo já foi dito pelos participantes do blog. Espero que Tiago faça um milagre e torne JP mais intenso e participativo nos jogos.

Agenda

Com a vitória, o Tricolor terá a vantagem do empate no jogo de volta, na Arena, no próximo domingo (9), às 16h, para avançar para a decisão. Antes, porém, o Grêmio receberá o Aragua, da Venezuela, na quinta-feira (6) às 19h15min, pela terceira rodada do Grupo H da Copa Sul-Americana.