Equipes para o Gre-Nal: cada um tem a sua

Meu time para o Gre-Nal seria:

Grohe; Gabriel, Rafael Marques, Rodolpho e Neuton (porque é alto, tem imposição física, apoia bem e é muuuito melhor que o Gilson;

No meio de campo: Wilson, Adilson, Fábio Rochemback e Douglas;

Na frente; Viçosa e, arghh…, Borges.

Por que três zagueiros em campo? É preciso cuidar a jogada mais aguda do Inter, que é o Damião. A bola alta pra ele.

Deixaria o guri revelação, o Leandro, no banco, para pegar a zaga velha do Inter um pouco desgastada.

Mas não irei criticar o Renato se ele começar com o Lúcio. Ele e o FR juntos é uma temeridades, porque ambos voltam de lesão e não são mais crianças. Mas se ele entrar é porque o pessoal entende que pode jogar e aguentar 90 minutos.

No caso de Lúcio jogar, eu sacaria um atacante. Aí pode ser qualquer um que não vai fazer diferença. Mas acho que prefiro o Viçosa, que é mais combativo e interessado.

O importante é garantir um empatezinho amigo.

Gostei do esquema armado pelo Renato no Gre-Nal anterior. Com três zagueiros, o Inter não conseguiu levar perigo ao Marcelo Grohe. E fez aquele gol que vai entrar para a história como um dos erros mais grosseiros de arbitragem em todos os tempos. E foi só.

Já o Grêmio nos contra-ataques chegou duas ou três vezes com perigo, apesar de seu ataque de asma.

Sei que muita gente não gostou do retrancão, mas é preciso considerar que dentro do Beira-Rio o melhor que se faz é jogar fechado, esperando e tendo uma saída de bola em velocidade.

Não foi assim que o Penarol venceu o Inter? O problema é que falta qualidade e velocidade aos atacantes do Grêmio.

Bem, eu sei que cada um que está lendo isso pensa de forma diferente, no todo ou no detalhe.

Mas o futebol é assim mesmo. Em cada cabeça, uma sentença.

Aguardo sua ideia de time para o clássico.

SAIDEIRA

Já o Inter eu não tenho dúvida que começa com dois atacantes. Afinal, joga em casa, estádio vermelho. No jogo anterior, foi aquilo. Falcão ficou com medinho e recheou o meio de campo. Dominou, mas quase não ameaçou. Fosse o Roth a começar sem o Rafael Sobis…

Então, Falcão vai começar com Damião e Rafael Sobis. Se bem que o certo, para ser coerente, é ele começar com o Ricardo Goulart, que preferiu ao Sobis e ao Cavenaghi na decisão contra o Penarol.

FECHANDO A CONTA

E pensar que um dia defendi a volta do Traíra porque acreditei que ele realmente tinha interesse em retomar a carreira de jogador de futebol profissional…

Vai levar o Flamengo à falência.

GORJETA

Tem um torcedor do Atlético mineiro que está na Justiça contra o Carlos Simon. Confiram:

“Um erro cometido pelo ex-árbitro Carlos Eugênio Simon contra o Atlético, pela Copa do Brasil de 2007, numa partida contra o Botafogo, pelas quartas de final do torneio, ainda pode render dor de cabeça para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), quatro anos depois. No dia 10 de maio daquele ano, o Galo foi derrotado pelo Alvinegro carioca por 2 a 1 e não teve assinalado por Simon um pênalti claro a seu favor, num lance em que Tchô foi derrubado por Alex dentro da área. O Atlético acabou eliminado da competição nacional e o árbitro, na época, reconheceu o erro”.

Reconheceu, e daí?

COPO CHEIO

Ah, neste sábado, 15h, estarei na rádio Guaíba debatendo o Gre-Nal.

O paciente terminal, morte súbita e incompetência

É fácil ser dirigente de futebol. Se a coisa dá errado, e no Grêmio isso tem sido rotina, é só demonstrar humildade (normalmente falsa como uma nota de 30 reais) e, em tom choroso, afirmar:

– Faltou competência.

Se o sujeito diz isso na empresa em que trabalha vai pra rua. Não há lugar  pra incompetência no futebol nem em lugar algum.

Tudo é muito difícil, muito competitivo. É preciso cuidar dos detalhes. Principalmente, é preciso estar atento ao básico.

Por exemplo, sai um goleador, um jogador diferenciado, é preciso buscar outro imediatamente, se não tive similar no grupo.

Essa direção que aí está, e que repete a anterior, que por sua vez imitou a que a antecedeu e assim por diante, perdeu Jonas e não trouxe um substituto. Depois perdeu André Lima, e ficou assim com ar contemplativo diante da desgraça iminente.

Fracasso consumado, arma uma cara de bunda e admite que faltou competência.

É fácil ser dirigente de clube de futebol. Felizmente, os mandatos são curtos e a conta será cobrada.

SAIDEIRA

Gremistas felizes nas ruas. Semana passada, uma repórter do jornal O Lance conversou comigo sobre as cervejas. Ela perguntou se eu um cara anti-Inter. Respondi prontamente:

– Claro que não, o Inter é o único clube que tem me dado alegrias inesquecíveis nos últimos anos. O Grêmio, meu time, só me dá decepções, uma atrás da outra.

Os gremistas estão tranquilos, revoltados mas tranquilos, mesmo que isso pareça impossível.

Ocorre que o Grêmio era um paciente terminal, com prazo de validade curto na Libertadores. Eu mesmo escrevi isso após a saída de Jonas. Então, todos já esperavam pelo fim do Grêmio. Poucos ainda acreditavam na tal imortalidade. 

Já o Inter aparentemente irradiava saúde, saúde de ferro. De repente, não mais do que repente, morreu. Morte súbita, absolutamente inesperada, em meio a uma noite festiva.

E isso dói, dói muito. Uma dor insuportável e de difícil esquecimento.

O primeiro zebrão da noite

O gol de Oscar logo no começo foi pra matar secador.

Larguei e fui engarrafar umas Mazembier. Pensava no Mazembe e cogitava da possibilidade de o Penarol jogar com a camisa do time africano. Talvez isso fizesse o Inter tremer.

Não foi preciso. O Inter tremeu como na disputa do Mundial.

Confesso que não acreditei quando voltei para diante da TV, aos 15 do segundo tempo. Vi na tela: 2 a 1 pro time uruguaio.

Então, todo aquele foguetório e buzinas que eu havia ouvido não eram de colorados, como eu acreditara.

Abri uma Kidiaba e fiquei ali diante da TV me deleitando diante do pesadelo que viviam os colorados dentro e fora de campo. Liguei o rádio para acompanhar o pessoal.

Ouvi os lamentos de Cláudio Cabral, que criticava Falcão por sacar Oscar e colocar o inexperiente Ricardo Goulart (pura invenção, claro.

O choro de Cabral soava como como uma sonata de Chopin aos meus ouvidos. Música pura e bela.

Fiquei ali degustando minha Kidiaba long neck. Foi quase num gole. Abri uma 1983, estava tranquilo. Eu estava convencido de que o Inter viraria o jogo.

Os minutos foram se passando, a galope para os colorados. A passos de tartaruga para os gremistas.

Quando deu 40 minutos, abri uma Mazembier, mais adocicada.

Desceu como um nectar.

A noite começava com uma zebra, uma enorme zebra, do tamanho da soberba que acometeu os colorados desde antes do Gre-Nal.

Resta esperar por outra zebra.

Para isso, é preciso acreditar na imortalidade.

SAIDEIRA

Se o Gauchão estivesse na Bolsa de Valores, suas ações estariam disparando depois de vexame colorado no Beira-Rio, diante de 42 mil torcedores. Se o Grêmio também for eliminado, as ações do nosso modesto regional irão às nuvens.

FIM DE FESTA

É meia-noite agora.

Quando escrevi o título deste post pensava que o segundo zebrão poderia ser uma vitória do Grêmio. Delirava, claro. Mesmo assim, o Grêmio foi valente, jogou bem, melhor do que aqui no Olímpico, onde o Borges com sua expulsão jogou no lixo as chances do time.

Errei no galo, acertei na galinha. A noite foi marcada por mais um zebrão: a eliminação do Cruzeiro em pleno Mineirão. O time de melhor campanha caiu dentro de casa.

Pra completar a noite trágica do futebol brasileiro, o Fluminense também fracassou.

E eu já ouvia gente dizendo que o Brasil dá de relho na Libertadores, que o futebol brasileiro é muito superior e por aí vai.

É, o futebol é mesmo uma caixinha de surpresa.

FECHANDO A CONTA

Renato, por favor, esquece o Gilson e coloca o Neuton na lateral. Não é por isso que o Grêmio caiu, mas o Gilson decididamente compromete.

Árbitros gaúchos sofrem pressão colorada

O dia de fúria do vice-presidente de futebol colorado, após o Gre-Nal, foi nada menos e nada mais do que uma ação para intimidar os árbitros dos próximos clássicos.

Foi a velha e surrada, mas ainda eficiente, tática de condicionamento da arbitragem.

Afirmei isso no programa do Reche, o Cadeira Cativa, da Ulbra, ontem à noite. O Siegmann, que estava ao meu lado, não negou, nem confirmou, embora sua frase seja uma confissão.

– Não seria a primeira vez que um dirigente faria isso (tentar condicionar arbitragem) – disse ele.

O fato é que qualquer juiz que for escolhido no sorteio dirigido da FGF vai entrar em campo pensando mais ou menos assim:

– Se ele (o Siegmann) ficou enlouquecido com o juiz mesmo saindo vitorioso e tendo um gol altamente suspeito validado (pra mim foi falta clara do Damião), o que ele não pode fazer em caso de derrota?

Os juizes estão borrados. 

Por isso, no mesmo programa, sugeri que a FGF contrate árbitros de fora do RS para apitar os dois jogos decisivos do Gauchão. É desumano colocar esses juizes, todos com pouca experiência como o próprio Márcio, para apitar os grenais.

Sem contar que juiz de outro Estado não estaria nem aí para o sr. Siegmann, que exagerou na dose, mas ao menos mostrou uma indignação que não percebo nos dirigentes do Grêmio, todos muito calminhos para o meu gosto.

Aproveitei para perguntar ao sr. Siegmann se ele vetaria o nome de Márcio para apitar jogos do Inter. Ele respondeu:

– E precisa vetar?

Claro, o Márcio está vetado implicitamente. Duvido que entre nos sorteios, embora a FGF diga que ele será incluído.

Foi então que eu afirmei:

– Se o último juiz que o Inter vetou publicamente, o Leonardo Gaciba, que não apitou jogos do Inter durante alguns anos, chegou a ser o melhor de quatro ou cinco campeonatos brasileiros seguidos, prevejo um futuro luminoso para o Márcio.

Aproveitei, também, para perguntar ao sr Siegmann aquilo que nenhum repórter perguntou depois do jogo:

– Qual a regra que determina que os pênaltis sejam cobrados na goleira em que há mais torcida?

Ele deu uma volta, não soube dizer.

Depois, perguntei por que ele não criticava sequer minimamente o maior responsável pelo risco de derrota do Inter, que foi o Guinazu, e não o árbitro.

Ele deu outra volta e ficou por isso mesmo.

Então, ficou claro o lance do condicionamento. Por isso, o melhor seria trazer árbitros de fora.

SAIDEIRA

O Grêmio vai com time misto contra o Universida. Com tantos desfalques, o Grêmio decidiu poupar o F. Rochemback para o primeiro Gre-Nal da decisão. Não tenho dúvida disso. Afinal, um desfalque a mais ou menos a esta altura…

O Universidad é o grande favorito, mas o futebol é uma caixinha de surpresas, como dizia Dino Sani do alto de sua sabedoria.

Renato viajou com o cartão de visitas da Cerveja 1983, entregue a ele no aeroporto ontem na hora do embarque por um aficcionado da 1983, Kidiaba e Mazembier.

Reafirmo, a 1983 dá sorte.

FECHANDO A CONTA

Sugeri ao Siegmann que o Inter, diante de um Grêmio esfacelado, poderia colocar um time misto no Gre-Nal, pra equilibrar o clássico, e também para poupar alguns titulares para a Libertadores.

Isso se o Inter passar pelo Peñarol.

O futebol é uma caixinha de surpresas…

A diferença, parte 2

O Gre-Nal confirmou o que escrevi há três dias: a diferença entre Grêmio e Inter é que o segundo tem um centroavante de carteirinha. Com tamanho de centroavante, e, além disso, com qualidade técnica.

Enquanto o pequeno -em todos o sentidos- centroavante do Grêmio se omitiu, se escondeu e depois chutou um pênalti de maneira altamente suspeita, ainda mais para quem vem de uma multa, Leandro Damião foi decisivo.

No Dia do Trabalho, Borges tirou folga.

O gol que Damião marcou é a confirmação de que é importante o camisa 9 ter boa estatura para vencer o zagueiro no corpo. Leandro Damião fez cama de gato. Foi falta, mas o gol foi validado.

Curioso que o vice de futebol colorado não tenha se referido a esse lance quando acusou o juiz de gremista e de mal-intencionado. Direcionou artilharia pesada contra Márcio Chagas da Silva, um ótimo juiz que com.o todos também erra e o lance do pênalti permite interpretações, porque os pênaltis foram cobrados perto da torcida do Grêmio.

Mas será que isso é positivo ou negativo. O resultado mostrou que foi ruim para o Grêmio, porque a pressão se tornou mais pesada.

Eu entendo a reação tresloucada do sr. Siegmann, que é um bom sujeito, mas que quando engata uma terceira ninguém segura. 

Numa situação como essa é que faz falta um sujeito como o Pelaipe, para dar uma resposta no mesmo -baixo- nível.

Mas, repito, entendo esse dirigente, novato na área do futebol propriamente dito. É que ele, como toda a torcida, esperava uma goleada, conforme destaquei no tópico anterior, escrito sábado.

O Inter dominou o jogo, foi mais time. E não podia ser de outra forma. Jogava com toda a torcida a favor, e, o principal, tinha equipe completa, com todos os titulares.

Já o Renato teve de mudar o esquema para fazer frente à essa situação. Reforçou a marcação, armou uma retranca mesmo. E eu concordo com ele. Sem um ataque confiável, o melhor é garantir atrás e especular um golzinho. Mas aí apareceu o erro do juiz.

Aliás, o próprio Damião admitiu que fez cama-de-gato ao deixar o campo no intervalo. Os observadores de arbitragem, porém, não levam em conta esse testemunho do jogador beneficiado no lance. Interessante.

No segundo tempo, surpresa!, Guiñazu expulso. Aleluia. Ele deu uma voadora no Wilson, no campo de defesa do Grêmio. Só um jogador que acredita na sua impunidade ousaria fazer isso. Lance para vermelho direito. Mas Márcio ainda puxou o amarelo antes.

O sr Siegman em vez de reclamar do juiz deveria criticar o volante argentino. Foi com a sua expulsão que o Grêmio, que estava moribundo no jogo, renasceu e passou a ameaçar. Mas, frustrado por não ver a goleada sonhada, o sr Siegman atacou o juiz.

Enquanto ele atribuir ao juiz as mazelas do seu time, que não conseguiu transformar em gols sua superioridade, ruim para o Inter. Quem sabe uma olhadinha para o seu próprio umbigo…

Mas a expulsão de Guinazu equilibrou o jogo. O Grêmio jogava até ali com um jogador a menos. Borges foi ridículo em termos de empenho. Omisso e negligente. Completou sua obra ao chutar o pênalti por cima, muito alto, tão alto que provoca desconfiança.

Com os dois time jogando com dez, o Grêmio foi melhor. Se o juiz tivesse dado os acréscimos legítimos, pelo menos mais uns dois ou três minutos, talvez o Grêmio vencesse.

No finalzinho, aquele lance sensacional do único centroavante de verdade em campo. Damião, mesmo cercado por três ou quatro, livrou-se e obrigou Marcelo a uma defesa muito difícil.

Enquanto isso, Borges era um espectador privilegiado. Mas, ao contrário dos torcedores nas arquibancadas, tanto gremistas como colorados, parecia que não estava nem aí para o jogo.

Ah, aquele pênalti jogado para as nuvens…

Minha tia Loni: a soberba colorada

Tenho conversado com alguns colorados. Todos só falam em goleada. Acabei de telefonar pra minha Loni.

Minha tia Loni é uma figuraça. Quando jovem, isso há algumas décadas, ela era gremista.

Naqueles gloriosos anos 60 o Grêmio patrolava o Inter. Um dia, ela virou casaca. Tinha peninha dos colorados.

Com o passar dos anos, seu coloradismo só aumentou. Ficou fanática. É sócia do Inter há alguns anos.

Sofreu durante 23 anos na expectativa de ser campeã do mundo. Nunca tive peninha dela.

Hoje, ela tripudia sem dó nem piedade. Repete o que os gremistas faziam em ela naqueles gloriosos anos 60. Desconta os 23 anos de espera.

Acabei de telefonar pra ela, e é por isso que escrevo essas mal traçadas.

Perguntei, já sabendo a resposta:

– Vais ao jogo?

– Claro, e vou pra ver uma goleada. Quatro a zero pra cima.

E ainda me provocou:

– E tu, por que não vai? Tem que ir, vai sim -, insistiu debochadamente.

A última vez que a vi assim tão entusiasmada foi no mundial de clubes, dezembro passado.

Mesmo com um sério problema no joelho, ela queria ir. Desistiu atendendo apelo de familiares, eu mesmo, e determinação médica.

Até a última hora estava chorosa, arrependida de não ter acompanhado o time que seria campeão do mundo de novo. Campeão do mundo Fifa, como ela repete na inútil tentativa de diminuir o mundial de 1983 do Grêmio.

Eu dizia, “Loni, te aquieta aí, porque sofrer em casa é mais fácil e mais barato. Imagine, tu viajas, perde e ainda volta com um monte de prestação pra pagar”.

Não deu outra: Mazembe Day.

Ela hoje me agradece de não ter viajado. Eu me arrependi, deveria ter colocado pilha nela. “Vai, vai sim”, deveria ter dito, cinicamente.

Ele merecia ter visto o desastre ao vivo.

Neste domingo, ela estará no Beira-Rio. Ela espera uma goleada, como todos os colorados que conheço. A mesma soberba dos dias que antecederam ao jogo contra o glorioso time do Kidiaba.

Pena que o Carlos Alberto não está mais aí pra imitar de novo o Kidiaba.

Quem sabe ele não teria nova chance de fazer a imitação que tanto irritou os colorados conhecidos e anônimos.

Gre-Nal é Gre-Nal. Tem gente que ainda esquece disso.

A diferença

O futebol pode ser complicado ou simples. É assim também na vida.

Estou longe de ser um monge tibetano, mas gosto da simplicidade. Por mim, andaria de chinelo de dedo, bermuda e camiseta o tempo todo.

Prefiro um arroz com feijão e guisadinho a uma refeição cheia de frescura. com nomes pomposos e apresentação sofisticada.

Entre guardanapo de papel e o de pano, fico com o primeiro, é mais prático e mais higiênico.

Prefiro uma cerveja (de preferência artesanal) a uma vodka Absolut, só para citar uma bebida que está na moda entre a gurizada.

Enfim, tudo isso pra dizer que no futebol se o time tem um grande centroavante ele está muito próximo do sucesso.

E vale o oposto: se não tem um grande centroavante está na iminência do fracasso. O abismo é seu destino.

Aqueles que gostam de complicar vão entender que estou dizendo que centroavante é tudo. Não, mas é uma das quatro posições mais importantes de qualquer time vencedor.

Vou dar uma de determinado comentarista de TV que fala como se estivesse ensinando futebol e frisar que as outras três são goleiro, zagueiro e um grande cabeça de área. Se esse time ainda tiver um grande articulador, então, é quase imbatível.

É óbvio – olha eu aqui de novo dando uma de professor – que em todas as outras posições deve haver no mínimo jogadores medianos para cima. É inaceitável num time que pretenda grandes títulos ter como titular um Gilson da vida. Inaceitável.

Um jogador fraco é capaz de colocar um titanic para o fundo, comprometer todo um trabalho. É claro que às vezes o restante do time é tão bom que carrega um ou dois nas costas.

Todo esse nariz de cera (jargão jornalístico) para saudar Leandro Damião e manifestar minha inveja.

A diferença básica, hoje, entre Grêmio e Inter é simples:

um centroavante, mas um matador, não um meio centroavante.

Se o jogo aperta, o time não está bem, sempre existe a chance de aparecer o centroavante para salvar.

Mas, para isso, é preciso ter um centroavante, um camisa 9 de verdade, com carteirinha e tudo.

Simples.

SAIDEIRA

Carlos Alberto foi dispensado. Quero reconhecer meu erro: apostei no CA. Entendi que como um bom reforço para a Libertadores. 

FECHANDO A CONTA

Paulo Pelaipe vai voltar. Isso é tão certo como a eliminação do Grêmio na Libertadores. Ele só não voltou no começo da gestão por questões de composição política. Só não sei se ele volta já, mas que volta, volta. Aliás, eles sempre voltam.

Mistério: a omissão da direção gremista

Eu não tenho a pretensão de entender de futebol mais do que o presidente Paulo Odone, ou do que o vice Antônio Vicente Martins.

Mas como é que eu percebi, e já faz tempo, que o time não iria longe na Libertadores apenas com Borges de atacante, e Odone e Martins não?

Eu não estou sozinho. A grande maioria da torcida sabia da fragilidade do time, mas, por paixão, se mantinha acreditando no título, acreditando num milagre, na tal imortalidade.

Muitos que escrevem aqui já haviam percebido que o Grêmio não iria longe na Libertadores.

Então, por que Odone e Martins, só para ficar nesses dois, não se tocaram? Será que todos nós entendemos mais de futebol do que eles?

Claro que não. Então, por que eles nada fizeram para repor alguém do nível de Jonas quando o goleador saiu? Por que não trouxeram um centroavante com porte de centroavante quando André Lima se lesionou?

São questões que ficam martelando minha cabeça mais do que as dores que eu sentia nas minhas ressacas dos velhos tempos da juventude.

É lamentável que dois dirigentes tão experientes não tenham movido uma palha para suprir as ausências de Jonas e André Lima, a dupla que levou o clube a sair da zona de rebaixamento no Brasileiro até alcançar uma vaga na Libertadores.

Quer dizer, sairam os dois melhores atacantes. E quem veio? Ninguém.

Ninguém veio. O Grêmio teve tempo de inscrever outro atacante. Ficou com Lins.

Tempos atrás lembrei uma frase do Enio Andrade: “Quem tem três centroavantes, tem dois; quem tem dois, tem um; quem tem um, acaba ficando sem nada”.

É o caso do Grêmio agora.

Por que Odone e seu diretor de futebol nada fizeram? Ficaram assim, contemplativos, diante do desastre anunciado.

Por que não deram a Renato os reforços necessários?

Alguém acredita mesmo que eles pensavam realmente em conquistar a Libertadores com esse time? Por que se omitiram se realmente tinham como objetivo o tri?

Perguntas, muitas perguntas.

Um mistério.

SAIDEIRA

Comentam nas ruas, nos becos, nos botecos: Paulo Pelaipe assume o futebol e contrata Celso Roth. Questão de tempo.

À espera de um milagre

O futebol é assim:

a direção contrata;

os jogadores jogam;

e o torcedor torce e acredita.

É um triângulo. As três pontas devem estar no mesmo nível. Se uma delas falha, acontece o desequilíbrio.

O vértice que falhou, e tenho escrito isso há muito tempo, é o da direção.

Comecei assim o meu comentário anterior:

“A competição que interessa é a Libertadores. Infelizmente, mais uma vez, dirigentes do Grêmio não tiveram capacidade para armar um time compatível com o nível de exigência do torneio. Não percebi nenhum esforço para suprir a ausência de Jonas, goleador do clube nas duas últimas temporadas”.

Não é por nada que o alvo da ira, da revolta e da indignação da torcida nesta noite no Olímpico foi a direção.

A anterior fracassou. Venceu a atual na eleição de 2008. Depois, na hora de fazer time para a Libertadores, fracassou.

A direção atual venceu o grupo para o qual havia perdido. Mas também fracassou. E escrevo no pretérito porque a Libertadores para o Grêmio terminou.

O Grêmio não tem time para ser campeão. A direção não fez time para conquistar o tri. Por que?

Se avaliarmos com frieza, veremos que já na sua gestão anterior, com Mano Menezes de técnico, o presidente Paulo Odone armou um time pífio. Tuta era o centroavante. Éverton o seu reserva.

Olha aí, de novo a ausência de um grande centroavante.

Quando a gente torce pela volta de André Lima, e vê nele a salvação, é porque a coisa está mesmo muito feia.

Borges, cansei de escrever, é um centroavante bom para ganhar Gauchão. E olhe lá.

Hoje, Borges se superou: conseguiu ser expulso por agressão sem bola.

Eu esperava tudo de Borges, até que desencantasse, mas nunca imaginei que ele fosse capaz de tal desatino.

Um pouco antes de ser expulso, Borges fez uma bela jogada. Eram 25 minutos. Ele dribou dois como se fosse Romário, e concluiu a jogada como o Borges que é.

No tópico anterior citei Borges. E também Gilson. Disse que a torcida tinha que torcer, acreditar neles. Os dois fracassaram. Deu a lógica.

A derrota por 2 a 1 para esse time muito bom do Universidad tornou tudo ainda mais difícil.

Mas é preciso acreditar. E ninguém acredita mais que o torcedor de futebol, em especial o torcedor gremista, que está sempre à espera de um milagre.

A torcida é o ponto mais forte desse triângulo que tem uma direção inepta e um grupo de jogadores, em sua maioria, bravos e heróicos.

Por isso, é preciso continuar acreditando.

É hora de acreditar e apoiar

A competição que interessa é a Libertadores. Infelizmente, mais uma vez, dirigentes do Grêmio não tiveram capacidade para armar um time compatível com o nível de exigência do torneio.

Não percebi nenhum esforço para suprir a ausência de Jonas, goleador do clube nas duas últimas temporadas.

Como se não bastasse, acontecem desfalques que fragilizam ainda mais o time. Perder Victor nesta hora é trágico.

É a mão do destino. A mão que afaga com o surgimento luminoso de Leandro é a mesma que apedreja lesionando Victor.

Agora, sãos as mãos de Marcelo Grohe que podem manter a esperança de tri na Libertadores.

A situação é parecida com uma festa que a gente promove. Alguns convidados não aparecem. Em vez de lamentar ausências, devemos exaltar e valorizar quem veio, quem está presente.

Portanto, o momento é de fechar em torno do time que entra em campo hoje à noite.

Gilson é insuficiente? Era. Hoje ele deve ser visto como um novo Roger: forte na marcação, atento e eficiente no ataque. Mágicas acontecem.

Borges não é o camisa 9 dos sonhos de um torcedor que já teve Jardel? Sem dúvida, mas quem  sabe ele não tem uma noite de um baixinho mais talentoso, o Romário? Quem sabe? É hora de acreditar em milagres.

É hora de acreditar na energia positiva do Olímpico, na força da torcida.

Não é hora de dúvidas, desconfianças, rancores.

É hora de acreditar, de torcer, de incentivar os mais fracos. É hora de ter fé.

Pelo menos durante os 90 minutos.