Derrota surpreendente e as mudanças de Luxemburgo

Até mesmo contra adversário mais frágeis, como é esse time do Caracas, é preciso ficar atento, sempre esperto, compenetrado.

Qualquer vacilo pode resultar em gol. Para um lado ou para outro.

E quando a chance de gol surgir, é preciso aproveitá-la. Porque outra talvez não venha.

É por aí que começo a explicar a derrota inacreditável por 2 a 1 para esse time do Caracas, que tem alguns bons jogadores, mas que de um modo geral é modesto e deveria ser batido sem muito estresse.

O Grêmio não soube aproveitar as poucas chances que conseguiu criar. Por outro lado, deixou furos para o Caracas aproveitar.

O Grêmio saiu na frente com Elano, de cabeça, após cruzamento de André Santos.

Na realidade, o time de Luxemburgo não fez muita coisa ofensivamente. Teve mais posse de bola, mas quase não levou perigo ao goleiro venezuelano.

O empate aconteceu quando um jogador se distraiu, pensando talvez na namorada, na cerveja da comemoração pela vitória, ou no que faria com o prêmio pela vitória.

Estou me referindo a Vargas, que parecia marcar o juiz quando o meia Peña pegou o rebote na meia lua da grande área para bater forte, rasante, marcando o gol. Peña pegou a bola sem ser incomodado. Inexplicavelmente, não havia ninguém de azul diante da área. O venezuelano estava sozinho.

Vargas, pelo que percebi, é quem deveria ter ficado naquela área do campo. É inaceitável que um adversário pegue  rebote sem qualquer marcação na linha frontar à goleira. Inaceitável.

No segundo gol, na intermediária do campo inimigo, Pará lançou mal a bola, que foi interceptada por um adversário, que puxou o contra-ataque.

Por infelicidade plena do Grêmio, conjunção astral negativa, quem apareceu para marcar o atacante venezuelano foi Marco Antônio, que, como todos sabem, menos Luxemburgo, é inútil como armador e mais ainda como marcador. Marco Antônio foi driblado facilmente, Febles chegou ao fundo e cruzou, após passar por Werley, que foi muito frouxo na jogada.

ATENÇÃO caro leitor: no parágrafo acima há um erro grosseiro: Marco Antônio não participou desse lance, até porque sequer estava em campo. Mantenho o texto errado até pra mostrar que não é só o Luxa que erra.

Foi tudo muito previsível. É óbvio que o cruzamento sairia para quem estivesse chegando na primeira trave.

O experiente Cris, talvez por cansaço, não foi capaz de prever o lance e fazer a antecipação. Dida não conseguiu evitar o  gol, que acabaria sendo o da vitória do Caracas, que vinha de uma goleada na Arena.

A responsabilidade de Luxemburgo pela derrota começa aqui: por que sacar Fernando, que era o melhor do sistema defensivo? A entrada de Wellliton foi correta, mas poderia ter saído, por exemplo, o Pará. Ou o Souza, que não fez boa partida.

A mim está mais do que evidente que Luxemburgo não gosta de Fernando.

Dois minutos depois, aos 29, saiu Elano, que é simplesmente o jogador que tem a melhor ‘bola parada’ da Libertadores.

Elano cansado, com estiramento, dor de cabeça, unha encravada, hemorróidas em flor e furúnculo, é mais útil que Marco Antônio. Sempre que Marco Antônio entra, sinto que o fim está próximo e é inevitável.

A mim está mais do que evidente que Luxemburgo gosta, e muito, do Marco Antônio. Poderia testar o Guilherme Biteco, o Misael, o Matheus Biteco, mas insiste com um jogador que já provou ser apenas razoável.

Minutos depois, entra Willian Jose no lugar de Vargas. Aí percebi que Luxemburgo estava desesperado.

O torcedor tem direito de se desesperar e pedir um centroavante no lugar do goleiro, mas o treinador precisa manter a serenidade para tomar a melhor decisão.

Luxemburgo, ao menos para mim, já mostrou que quando bate o desespero, ele troca mal.

Diante da derrota para um time que havia goleado recentemente, o Grêmio vê sua situação complicar. Antes do jogo, o pensamento era lutar pelo primeiro lugar.

Agora, o Grêmio volta a pensar como no início da competição: se chegar em segundo já está muito bom.

O que interessa é classificar.

Apesar de tudo, ainda acho que o Grêmio pode terminar em primeiro. O Fluminense está em má fase. Tem titulares lesionados. É um adversário que pode ser superado na Arena.

Depois, o Huachipato, que em sua casa parece jogar pior.

CASTIGO

E pensar que o Grêmio entregou o título do primeiro turno do Gauchão para dedicar-se de corpo e alma a esse jogo contra o Caracas.

Perdeu o jogo na Libertadores, entregou o título do turno do Gauchão para o Inter.

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