A vinda do Mazembe

Tem gente querendo colocar mais lenha na fogueira do Gre-Nal com essa história de que o Mazembe vem fazer treinamentos e amistosos no Brasil.

Para colocar pilha nos colorados, espalharam que o algoz do Inter no Mundial vai enfrentar o Grêmio no Olímpico.

Diante disso, conversei com o advogado do clube africano no Brasil, Paulo Sérgio de Oliveira, no Rio.

Ele me garantiu que o Mazembe não vem agora, e sim mais adiante, talvez início de junho.

Revelou que o objetivo do Mazembe é firmar uma parceria com o Botafogo e fazer amistoso com o time carioca. Será o único jogo do carrasco colorado no Brasil.

E mais: o advogado, com quem troquei emails quando lancei a Mazembier, no início de janeiro, disse que a cerveja repercutiu muito no Congo.

Então, estou enviando algumas unidades da Mazembier e da Kidiaba para o Mazembe. O seu representante está viajando para o Congo na semana que vem.

– As garrafas vão ficar como troféu na sala do presidente -, garantiu o Paulo Sérgio, que me prometeu uma camisa autografada pelo goleiro Kidiaba, que virou símbolo da humilhação do Inter no Mundial de Clubes.

Um andar diferente

Renato, que conhece todas as manhas do vestiário, com pós-doutorado em malandragem no futebol, alertou seus comandados para evitar o clima de já ganhou em relação ao título gaúcho:

– Não quero ver ninguém andando diferente aqui.

É o jeito de Renato para neutralizar o salto alto.

Renato mostra que sabe por que venceu o clássico. Sabe que por detalhes o resultado poderia ser outro. Dessa vez os ventos sopraram a seu favor. Domingo, pode ser diferente.

O placar de um jogo ofusca tudo, ou quase tudo.

Eu não me iludo. Se a Juliana Paes olhar na minha direção, não terei a pretensão de pensar que é comigo. Ela estará mirando algum conhecido que se aproxima.

São anos de estrada. Aprendi a ficar na minha nessas situações de tantas vezes em que me atirei e paguei mico.

O Grêmio não pode pagar mico. Mas se facilitar o Inter complica e até pode fazer a festa no Olímpico. Os dois times se equivalem.

Lúcio foi bem claro hoje: se nós ganhamos lá, eles podem ganhar aqui.

Perfeito. Se todos os jogadores pensarem assim, ótimo.

É preciso lembrar como a vitória por 3 a 2 aconteceu.

O Grêmio começou melhor, surpreendeu o Inter. Aos poucos, o Inter começou a explorar contra-ataques. Até que num deles fez 1 a 0. E continuou ameaçando. Cheguei a escrever no twitter nesse momento do jogo que o Inter, a continuar assim, venceria o Gre-Nal.

Minutos depois de postar essa avaliação, Renan falhou e Viçosa, que já havia perdido dois gols, empatou. Foi um gol fortuito.

E o que aconteceu depois? O gol relâmpago de Leandro. Levar um gol dentro de casa, logo de saída, perturba, prejudica estratégias, tudo, enfim, o que foi combinado no vestiário.

O Grêmio, então, mandou no jogo. Aí, o Inter achou um gol. Leandro Damião empatou.

A propósito, Lúcio disse hoje que Damião é o jogador mais perigoso do Inter. É o que venho dizendo há horas. Marque bem o Damião que a vitória é certa. É simples, mas difícil de executar. 

Por fim, outro gol achado, mas aí contando com a genialidade de Viçosa, que pegou o pobre Renan de surpresa. Mostrou excelente visão de jogo o jovem atacante, que agora só precisa ter calma para concluir com os pés.

Em resumo essa é a história do Gre-Nal. O Grêmio venceu, foi superior, mas teve algumas circunstâncias favoráveis. Algo que pode não ocorrer no segundo jogo.

Então, todo o cuidado é pouco. E que ninguém apareça andando diferente no Olímpico.

SAIDEIRA

O Santos tem interesse em Borges. Jogador de futebol é como político que perdeu eleição. Sempre arruma um cantinho legal. Não importa o que faça.

Que vá mandar pênalti para as nuvens na Vila Belmiro!

GORJETA

Ouvi o meu amigo Reche defendendo o Borges. Telefonei pra ele: indique pro Inter. Se o Rodrigo foi, pode ir o Borges…

Já pensaram? Borges no lugar do Damião.

Exclusivo: FR na Seleção

Mano Menezes vai convocar Fábio Rochemback para os jogos contra Holanda e Romênia, dias 4 e 7 de junho.

Mano quer um jogador experiente para ajustar o meio-campo da Seleção. FR está com 29 anos, mas se movimenta em campo mais – e melhor – do que muito guri.

Os dois se conhecem desde a base do Inter, meados da década de 90. FR defendeu a Seleção Brasileira em 2001 e 2004.

A notícia é ótima para FR, que andava mal no futebol europeu e ressurge luminosamente no Olímpico. Agora, é ruim para o Grêmio, que poderá ficar um bom tempo sem seu maestro. Afinal, em julho tem a Copa América.

Parece aquela brincadeira: depois da notícia ruim, para o clube, a notícia boa: Grêmio está negociando a volta de Carlos Eduardo.

Renato vence o duelo dos ídolos

Renato foi ousado. O Renato técnico imitou o Renato jogador. Foi pra cima do adversário dentro da casa dele.

Confesso que fiquei assustado. Jogar com dois volantes, sendo que um deles é novato e outro veterano, e dois meias que não sabem marcar, me deu a impressão de irresponsabilidade.

Mas deu certo. O Grêmio foi pra dentro do Inter no começo. Surpreendeu o adversário, que, depois, equilibrou a coisa, fez o gol e poderia ter ampliado. Foi um momento difícil.

Aí veio a falha de Renan. O goleiro saiu muito mal e Viçosa, que havia perdido dois gols que até o Borges faria, fez a única coisa que caberia no lance: cabecear e encobrir Renan.

O olhar que o Bolívar, que não jogou nada, lançou para Renan foi assustador. Parecia dizer: “Quer merda que tu fez”. 

O restante do primeiro tempo foi bonito de se ver: os dois times atacando e buscando o gol.

Vi um Inter apático, quase displicente na marcação, no combate, no corpo a corpo. Parece que faltava Guinazu para mostrar como se marca. D’Alessandro estava passeando em campo. Acabou saindo no segundo tempo.

O gol de Leandro aos 29 segundos foi pra arrasar a torcida colorada, que havia vaiado o time no intervalo. Afinal, o Grêmio mostrava mais determinação, mas vontade de vencer, e estava melhor tecnicamente.

Viçosa foi importante nesse gol, ao dar um toque precioso na bola e deixar o guri na cara do Renan. Aí, o guri de 17 anos mostrou para os marmanjos como é que se faz diante de um goleiro.

O Grêmio foi superior ao Inter dentro do Beira-Rio, é inquestionável. O Beira-Rio já foi mais assustador. Virou salão de festa dos adversários.

O Inter ainda conseguiu empatar. Achou um gol no cabeceio de Damião, com valiosa colaboração de… Gilson. A bola bateu no bruxinho do Renato e enganou Marcelo Grohe, com outra atuação espetacular.

O Inter cresceu no jogo, mas o Grêmio ofensivo de Renato não se intimidou. Quase no final, Viçosa fez o 3 a 2.

Renan falhou, mas não tanto quanto no primeiro gol. Nesse gol, ele saiu até a marca do pênalti acreditando que Viçosa poderia tentar dominar a bola no peito em vez de cabecear. Mas Viçoza foi inteligente e voltou a encobrir o gol. Mais mérito dele do que falha do Renan.

Fábio Rochemback foi o melhor do jogo, disparado.

Fernando provou que é um grande volante. E que vai evoluir ainda mais, muito mais. 

Viçosa mostrou que pode ser útil, um bom reserva para o Brasileirão.

Mário Fernandes ressurgiu com força e brilho. Leandro confirmou que uma estrela em ascensão. Enlouqueceu a defesa colorada.

Por fim, um elogio para Renato: deixou Borges fora. Imagino o que diriam hoje seus detratores se o Grêmio perdesse com Borges no banco. Só imagino.

Renato tem coragem, uma coragem que beira à insensatez por vezes, mas está provado que ele sabe o que faz. 

Borges no banco: um castigo exemplar.

SAIDEIRA\

Arbitragem boa. Mas Jean Pierre poderia ter dado amarelo antes para o Tinga, que bateu bastante e acabou levando amarelo por um toque de mão. Bolívar deveria ter sido expulso pela falta sem bola no Leandro e depoir um tapinha na cabeça do guri. Isso na cara do juiz. Exagerado o vermelho para Escudero. Acho que ele estava sob o impacto de ter validado o terceiro gol gremista, sob protestos fortes dos colorados. Então, compensou para atenuar as críticas pós jogos. Pode ser. Mas o gol foi legítimo. Aliás, perfeitos os auxiliares.

RENAN

Renan vai ser responsabilizado pela derrota. Uma pena. Eu imagino que ele jogou pensando muito em sua mãe falecida tragicamente há pouco tempo. Imagino que ele a homenagearia após o jogo em caso de vitória. Imagino. Posso estar enganado. Não duvido que em função disso ele tenha jogado ansioso demais. Gostei que o Grêmio venceu, mas gostaria que tivesse sido de outro jeito. Sem falhas do Renan.

Mas no futebol não há lugar para sentimentalismo. Infelizmente. 

GORJETA

Renan falhou. Mas o D’Alessandro que se escondeu e se omitiu. O Rafael Sobis que nada fez. O Bolívar que justificou plenamente seus críticos. E o Falcão. O que dizer do Falcão?

Apenas uma frase: um grande equívoco como treinador.

IDOLÕMETRO DO BOTECO

FALCÃO EM QUEDA; RENATO EM ALTA

Equipes para o Gre-Nal: cada um tem a sua

Meu time para o Gre-Nal seria:

Grohe; Gabriel, Rafael Marques, Rodolpho e Neuton (porque é alto, tem imposição física, apoia bem e é muuuito melhor que o Gilson;

No meio de campo: Wilson, Adilson, Fábio Rochemback e Douglas;

Na frente; Viçosa e, arghh…, Borges.

Por que três zagueiros em campo? É preciso cuidar a jogada mais aguda do Inter, que é o Damião. A bola alta pra ele.

Deixaria o guri revelação, o Leandro, no banco, para pegar a zaga velha do Inter um pouco desgastada.

Mas não irei criticar o Renato se ele começar com o Lúcio. Ele e o FR juntos é uma temeridades, porque ambos voltam de lesão e não são mais crianças. Mas se ele entrar é porque o pessoal entende que pode jogar e aguentar 90 minutos.

No caso de Lúcio jogar, eu sacaria um atacante. Aí pode ser qualquer um que não vai fazer diferença. Mas acho que prefiro o Viçosa, que é mais combativo e interessado.

O importante é garantir um empatezinho amigo.

Gostei do esquema armado pelo Renato no Gre-Nal anterior. Com três zagueiros, o Inter não conseguiu levar perigo ao Marcelo Grohe. E fez aquele gol que vai entrar para a história como um dos erros mais grosseiros de arbitragem em todos os tempos. E foi só.

Já o Grêmio nos contra-ataques chegou duas ou três vezes com perigo, apesar de seu ataque de asma.

Sei que muita gente não gostou do retrancão, mas é preciso considerar que dentro do Beira-Rio o melhor que se faz é jogar fechado, esperando e tendo uma saída de bola em velocidade.

Não foi assim que o Penarol venceu o Inter? O problema é que falta qualidade e velocidade aos atacantes do Grêmio.

Bem, eu sei que cada um que está lendo isso pensa de forma diferente, no todo ou no detalhe.

Mas o futebol é assim mesmo. Em cada cabeça, uma sentença.

Aguardo sua ideia de time para o clássico.

SAIDEIRA

Já o Inter eu não tenho dúvida que começa com dois atacantes. Afinal, joga em casa, estádio vermelho. No jogo anterior, foi aquilo. Falcão ficou com medinho e recheou o meio de campo. Dominou, mas quase não ameaçou. Fosse o Roth a começar sem o Rafael Sobis…

Então, Falcão vai começar com Damião e Rafael Sobis. Se bem que o certo, para ser coerente, é ele começar com o Ricardo Goulart, que preferiu ao Sobis e ao Cavenaghi na decisão contra o Penarol.

FECHANDO A CONTA

E pensar que um dia defendi a volta do Traíra porque acreditei que ele realmente tinha interesse em retomar a carreira de jogador de futebol profissional…

Vai levar o Flamengo à falência.

GORJETA

Tem um torcedor do Atlético mineiro que está na Justiça contra o Carlos Simon. Confiram:

“Um erro cometido pelo ex-árbitro Carlos Eugênio Simon contra o Atlético, pela Copa do Brasil de 2007, numa partida contra o Botafogo, pelas quartas de final do torneio, ainda pode render dor de cabeça para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), quatro anos depois. No dia 10 de maio daquele ano, o Galo foi derrotado pelo Alvinegro carioca por 2 a 1 e não teve assinalado por Simon um pênalti claro a seu favor, num lance em que Tchô foi derrubado por Alex dentro da área. O Atlético acabou eliminado da competição nacional e o árbitro, na época, reconheceu o erro”.

Reconheceu, e daí?

COPO CHEIO

Ah, neste sábado, 15h, estarei na rádio Guaíba debatendo o Gre-Nal.

O paciente terminal, morte súbita e incompetência

É fácil ser dirigente de futebol. Se a coisa dá errado, e no Grêmio isso tem sido rotina, é só demonstrar humildade (normalmente falsa como uma nota de 30 reais) e, em tom choroso, afirmar:

– Faltou competência.

Se o sujeito diz isso na empresa em que trabalha vai pra rua. Não há lugar  pra incompetência no futebol nem em lugar algum.

Tudo é muito difícil, muito competitivo. É preciso cuidar dos detalhes. Principalmente, é preciso estar atento ao básico.

Por exemplo, sai um goleador, um jogador diferenciado, é preciso buscar outro imediatamente, se não tive similar no grupo.

Essa direção que aí está, e que repete a anterior, que por sua vez imitou a que a antecedeu e assim por diante, perdeu Jonas e não trouxe um substituto. Depois perdeu André Lima, e ficou assim com ar contemplativo diante da desgraça iminente.

Fracasso consumado, arma uma cara de bunda e admite que faltou competência.

É fácil ser dirigente de clube de futebol. Felizmente, os mandatos são curtos e a conta será cobrada.

SAIDEIRA

Gremistas felizes nas ruas. Semana passada, uma repórter do jornal O Lance conversou comigo sobre as cervejas. Ela perguntou se eu um cara anti-Inter. Respondi prontamente:

– Claro que não, o Inter é o único clube que tem me dado alegrias inesquecíveis nos últimos anos. O Grêmio, meu time, só me dá decepções, uma atrás da outra.

Os gremistas estão tranquilos, revoltados mas tranquilos, mesmo que isso pareça impossível.

Ocorre que o Grêmio era um paciente terminal, com prazo de validade curto na Libertadores. Eu mesmo escrevi isso após a saída de Jonas. Então, todos já esperavam pelo fim do Grêmio. Poucos ainda acreditavam na tal imortalidade. 

Já o Inter aparentemente irradiava saúde, saúde de ferro. De repente, não mais do que repente, morreu. Morte súbita, absolutamente inesperada, em meio a uma noite festiva.

E isso dói, dói muito. Uma dor insuportável e de difícil esquecimento.

O primeiro zebrão da noite

O gol de Oscar logo no começo foi pra matar secador.

Larguei e fui engarrafar umas Mazembier. Pensava no Mazembe e cogitava da possibilidade de o Penarol jogar com a camisa do time africano. Talvez isso fizesse o Inter tremer.

Não foi preciso. O Inter tremeu como na disputa do Mundial.

Confesso que não acreditei quando voltei para diante da TV, aos 15 do segundo tempo. Vi na tela: 2 a 1 pro time uruguaio.

Então, todo aquele foguetório e buzinas que eu havia ouvido não eram de colorados, como eu acreditara.

Abri uma Kidiaba e fiquei ali diante da TV me deleitando diante do pesadelo que viviam os colorados dentro e fora de campo. Liguei o rádio para acompanhar o pessoal.

Ouvi os lamentos de Cláudio Cabral, que criticava Falcão por sacar Oscar e colocar o inexperiente Ricardo Goulart (pura invenção, claro.

O choro de Cabral soava como como uma sonata de Chopin aos meus ouvidos. Música pura e bela.

Fiquei ali degustando minha Kidiaba long neck. Foi quase num gole. Abri uma 1983, estava tranquilo. Eu estava convencido de que o Inter viraria o jogo.

Os minutos foram se passando, a galope para os colorados. A passos de tartaruga para os gremistas.

Quando deu 40 minutos, abri uma Mazembier, mais adocicada.

Desceu como um nectar.

A noite começava com uma zebra, uma enorme zebra, do tamanho da soberba que acometeu os colorados desde antes do Gre-Nal.

Resta esperar por outra zebra.

Para isso, é preciso acreditar na imortalidade.

SAIDEIRA

Se o Gauchão estivesse na Bolsa de Valores, suas ações estariam disparando depois de vexame colorado no Beira-Rio, diante de 42 mil torcedores. Se o Grêmio também for eliminado, as ações do nosso modesto regional irão às nuvens.

FIM DE FESTA

É meia-noite agora.

Quando escrevi o título deste post pensava que o segundo zebrão poderia ser uma vitória do Grêmio. Delirava, claro. Mesmo assim, o Grêmio foi valente, jogou bem, melhor do que aqui no Olímpico, onde o Borges com sua expulsão jogou no lixo as chances do time.

Errei no galo, acertei na galinha. A noite foi marcada por mais um zebrão: a eliminação do Cruzeiro em pleno Mineirão. O time de melhor campanha caiu dentro de casa.

Pra completar a noite trágica do futebol brasileiro, o Fluminense também fracassou.

E eu já ouvia gente dizendo que o Brasil dá de relho na Libertadores, que o futebol brasileiro é muito superior e por aí vai.

É, o futebol é mesmo uma caixinha de surpresa.

FECHANDO A CONTA

Renato, por favor, esquece o Gilson e coloca o Neuton na lateral. Não é por isso que o Grêmio caiu, mas o Gilson decididamente compromete.

Árbitros gaúchos sofrem pressão colorada

O dia de fúria do vice-presidente de futebol colorado, após o Gre-Nal, foi nada menos e nada mais do que uma ação para intimidar os árbitros dos próximos clássicos.

Foi a velha e surrada, mas ainda eficiente, tática de condicionamento da arbitragem.

Afirmei isso no programa do Reche, o Cadeira Cativa, da Ulbra, ontem à noite. O Siegmann, que estava ao meu lado, não negou, nem confirmou, embora sua frase seja uma confissão.

– Não seria a primeira vez que um dirigente faria isso (tentar condicionar arbitragem) – disse ele.

O fato é que qualquer juiz que for escolhido no sorteio dirigido da FGF vai entrar em campo pensando mais ou menos assim:

– Se ele (o Siegmann) ficou enlouquecido com o juiz mesmo saindo vitorioso e tendo um gol altamente suspeito validado (pra mim foi falta clara do Damião), o que ele não pode fazer em caso de derrota?

Os juizes estão borrados. 

Por isso, no mesmo programa, sugeri que a FGF contrate árbitros de fora do RS para apitar os dois jogos decisivos do Gauchão. É desumano colocar esses juizes, todos com pouca experiência como o próprio Márcio, para apitar os grenais.

Sem contar que juiz de outro Estado não estaria nem aí para o sr. Siegmann, que exagerou na dose, mas ao menos mostrou uma indignação que não percebo nos dirigentes do Grêmio, todos muito calminhos para o meu gosto.

Aproveitei para perguntar ao sr. Siegmann se ele vetaria o nome de Márcio para apitar jogos do Inter. Ele respondeu:

– E precisa vetar?

Claro, o Márcio está vetado implicitamente. Duvido que entre nos sorteios, embora a FGF diga que ele será incluído.

Foi então que eu afirmei:

– Se o último juiz que o Inter vetou publicamente, o Leonardo Gaciba, que não apitou jogos do Inter durante alguns anos, chegou a ser o melhor de quatro ou cinco campeonatos brasileiros seguidos, prevejo um futuro luminoso para o Márcio.

Aproveitei, também, para perguntar ao sr Siegmann aquilo que nenhum repórter perguntou depois do jogo:

– Qual a regra que determina que os pênaltis sejam cobrados na goleira em que há mais torcida?

Ele deu uma volta, não soube dizer.

Depois, perguntei por que ele não criticava sequer minimamente o maior responsável pelo risco de derrota do Inter, que foi o Guinazu, e não o árbitro.

Ele deu outra volta e ficou por isso mesmo.

Então, ficou claro o lance do condicionamento. Por isso, o melhor seria trazer árbitros de fora.

SAIDEIRA

O Grêmio vai com time misto contra o Universida. Com tantos desfalques, o Grêmio decidiu poupar o F. Rochemback para o primeiro Gre-Nal da decisão. Não tenho dúvida disso. Afinal, um desfalque a mais ou menos a esta altura…

O Universidad é o grande favorito, mas o futebol é uma caixinha de surpresas, como dizia Dino Sani do alto de sua sabedoria.

Renato viajou com o cartão de visitas da Cerveja 1983, entregue a ele no aeroporto ontem na hora do embarque por um aficcionado da 1983, Kidiaba e Mazembier.

Reafirmo, a 1983 dá sorte.

FECHANDO A CONTA

Sugeri ao Siegmann que o Inter, diante de um Grêmio esfacelado, poderia colocar um time misto no Gre-Nal, pra equilibrar o clássico, e também para poupar alguns titulares para a Libertadores.

Isso se o Inter passar pelo Peñarol.

O futebol é uma caixinha de surpresas…

A diferença, parte 2

O Gre-Nal confirmou o que escrevi há três dias: a diferença entre Grêmio e Inter é que o segundo tem um centroavante de carteirinha. Com tamanho de centroavante, e, além disso, com qualidade técnica.

Enquanto o pequeno -em todos o sentidos- centroavante do Grêmio se omitiu, se escondeu e depois chutou um pênalti de maneira altamente suspeita, ainda mais para quem vem de uma multa, Leandro Damião foi decisivo.

No Dia do Trabalho, Borges tirou folga.

O gol que Damião marcou é a confirmação de que é importante o camisa 9 ter boa estatura para vencer o zagueiro no corpo. Leandro Damião fez cama de gato. Foi falta, mas o gol foi validado.

Curioso que o vice de futebol colorado não tenha se referido a esse lance quando acusou o juiz de gremista e de mal-intencionado. Direcionou artilharia pesada contra Márcio Chagas da Silva, um ótimo juiz que com.o todos também erra e o lance do pênalti permite interpretações, porque os pênaltis foram cobrados perto da torcida do Grêmio.

Mas será que isso é positivo ou negativo. O resultado mostrou que foi ruim para o Grêmio, porque a pressão se tornou mais pesada.

Eu entendo a reação tresloucada do sr. Siegmann, que é um bom sujeito, mas que quando engata uma terceira ninguém segura. 

Numa situação como essa é que faz falta um sujeito como o Pelaipe, para dar uma resposta no mesmo -baixo- nível.

Mas, repito, entendo esse dirigente, novato na área do futebol propriamente dito. É que ele, como toda a torcida, esperava uma goleada, conforme destaquei no tópico anterior, escrito sábado.

O Inter dominou o jogo, foi mais time. E não podia ser de outra forma. Jogava com toda a torcida a favor, e, o principal, tinha equipe completa, com todos os titulares.

Já o Renato teve de mudar o esquema para fazer frente à essa situação. Reforçou a marcação, armou uma retranca mesmo. E eu concordo com ele. Sem um ataque confiável, o melhor é garantir atrás e especular um golzinho. Mas aí apareceu o erro do juiz.

Aliás, o próprio Damião admitiu que fez cama-de-gato ao deixar o campo no intervalo. Os observadores de arbitragem, porém, não levam em conta esse testemunho do jogador beneficiado no lance. Interessante.

No segundo tempo, surpresa!, Guiñazu expulso. Aleluia. Ele deu uma voadora no Wilson, no campo de defesa do Grêmio. Só um jogador que acredita na sua impunidade ousaria fazer isso. Lance para vermelho direito. Mas Márcio ainda puxou o amarelo antes.

O sr Siegman em vez de reclamar do juiz deveria criticar o volante argentino. Foi com a sua expulsão que o Grêmio, que estava moribundo no jogo, renasceu e passou a ameaçar. Mas, frustrado por não ver a goleada sonhada, o sr Siegman atacou o juiz.

Enquanto ele atribuir ao juiz as mazelas do seu time, que não conseguiu transformar em gols sua superioridade, ruim para o Inter. Quem sabe uma olhadinha para o seu próprio umbigo…

Mas a expulsão de Guinazu equilibrou o jogo. O Grêmio jogava até ali com um jogador a menos. Borges foi ridículo em termos de empenho. Omisso e negligente. Completou sua obra ao chutar o pênalti por cima, muito alto, tão alto que provoca desconfiança.

Com os dois time jogando com dez, o Grêmio foi melhor. Se o juiz tivesse dado os acréscimos legítimos, pelo menos mais uns dois ou três minutos, talvez o Grêmio vencesse.

No finalzinho, aquele lance sensacional do único centroavante de verdade em campo. Damião, mesmo cercado por três ou quatro, livrou-se e obrigou Marcelo a uma defesa muito difícil.

Enquanto isso, Borges era um espectador privilegiado. Mas, ao contrário dos torcedores nas arquibancadas, tanto gremistas como colorados, parecia que não estava nem aí para o jogo.

Ah, aquele pênalti jogado para as nuvens…

Minha tia Loni: a soberba colorada

Tenho conversado com alguns colorados. Todos só falam em goleada. Acabei de telefonar pra minha Loni.

Minha tia Loni é uma figuraça. Quando jovem, isso há algumas décadas, ela era gremista.

Naqueles gloriosos anos 60 o Grêmio patrolava o Inter. Um dia, ela virou casaca. Tinha peninha dos colorados.

Com o passar dos anos, seu coloradismo só aumentou. Ficou fanática. É sócia do Inter há alguns anos.

Sofreu durante 23 anos na expectativa de ser campeã do mundo. Nunca tive peninha dela.

Hoje, ela tripudia sem dó nem piedade. Repete o que os gremistas faziam em ela naqueles gloriosos anos 60. Desconta os 23 anos de espera.

Acabei de telefonar pra ela, e é por isso que escrevo essas mal traçadas.

Perguntei, já sabendo a resposta:

– Vais ao jogo?

– Claro, e vou pra ver uma goleada. Quatro a zero pra cima.

E ainda me provocou:

– E tu, por que não vai? Tem que ir, vai sim -, insistiu debochadamente.

A última vez que a vi assim tão entusiasmada foi no mundial de clubes, dezembro passado.

Mesmo com um sério problema no joelho, ela queria ir. Desistiu atendendo apelo de familiares, eu mesmo, e determinação médica.

Até a última hora estava chorosa, arrependida de não ter acompanhado o time que seria campeão do mundo de novo. Campeão do mundo Fifa, como ela repete na inútil tentativa de diminuir o mundial de 1983 do Grêmio.

Eu dizia, “Loni, te aquieta aí, porque sofrer em casa é mais fácil e mais barato. Imagine, tu viajas, perde e ainda volta com um monte de prestação pra pagar”.

Não deu outra: Mazembe Day.

Ela hoje me agradece de não ter viajado. Eu me arrependi, deveria ter colocado pilha nela. “Vai, vai sim”, deveria ter dito, cinicamente.

Ele merecia ter visto o desastre ao vivo.

Neste domingo, ela estará no Beira-Rio. Ela espera uma goleada, como todos os colorados que conheço. A mesma soberba dos dias que antecederam ao jogo contra o glorioso time do Kidiaba.

Pena que o Carlos Alberto não está mais aí pra imitar de novo o Kidiaba.

Quem sabe ele não teria nova chance de fazer a imitação que tanto irritou os colorados conhecidos e anônimos.

Gre-Nal é Gre-Nal. Tem gente que ainda esquece disso.