Poupador x Perdulário na decisão da Libertadores

Estamos a três dias do jogo do ano. Um jogão. Não é nenhum jogo do morosão, que mais uma vez não tem a dupla disputando o título. Triste. Muito menos algum jogo da Copa do Brasil.

O torneio acabou decidido por dois times medianos, um deles ocupando indevidamente o lugar que seria do Grêmio não fosse uma aberração da arbitragem.

Grêmio x Flamengo é o jogo do ano, e não tem conversa. No Brasileirão não haverá um jogo como esse.

Além de decidir quem irá para a final contra os amigos do rei, River e Boca, o confronto vai apimentar o debate sobre poupar ou não poupar jogadores, priorizando esta ou aquela competição.

Temos de um lado, o Poupador; de outro, o Perdulário. Todos sabem quem é um e quem é outro.

Renato, a exemplo do ano passado, exagerou em sua política de poupar titulares, mas está na semifinal da Libertadores, com amplas condições de ir à grande decisão no Chile.

É preciso salientar, contudo, que Renato não é o único a poupar titulares. Mas nenhum supera o Renato também nesse quesito.

Sou a favor da estratégia renatista, mas contra o radicalismo. Renato poderia ter sido mais moderado. Hoje, o Grêmio teria melhor classificação no Brasileirão. Mas estaria na semifinal da Libertadores? Desconfio que sim, mas nunca saberemos realmente.

Já o Jesus não quer nem saber. Manda a campo o time titular. Será que ele consulta seu staff da área médica e da preparação física? Renato parece que sim. Ou a ideia de colocar um time inteiro de reservas e até jogadores do terceiro escalão é sua, independente de parecer de sua equipe técnica?

No sábado, o Flamengo jogou com seus titulares. Os laterais titulares ficaram no banco, entraram no segundo tempo. Aliás, Rafinha e Filipe Luís estão fazendo a diferença. O jogo terminou em 0 a 0, e o técnico português meteu a lenha na forma de jogar do São Paulo.

Neste domingo, Renato voltou a abusar de reservas e dos reservas de reservas. Quem agradeceu é o Fluminense, que acabou vencendo e se afastando da zona de rebaixamento. O Flu ganhou seis pontos em cima do Grêmio. Isto é que é amigo.

Esse tipo de coisa contribui para liquidar com a tese de que o Brasileirão aponta o melhor time do futebol nacional. Além desse lance tipo o deste domingo, há os clubes que vendem o mando de campo, um absurdo que favorece basicamente os times cariocas.

Bem, mas será que Renato, na situação de seu colega Jesus, liderando o Brasileirão, escalaria também sua força máxima mesmo diante de uma decisão de Libertadores? Acho que sim, mas não ponho minha mão no fogo.

E Jesus, distante da ponta de cima, não pouparia os titulares pensando apenas no título que ainda poderia conquistar, a Libertadores?

São questões que precisam ser consideradas nesse debate.

O JOGO

Por fim, o Grêmio merecia um empate. No primeiro tempo, perdeu duas chances claras, uma com ele, o folião da madrugada, outra com o Thaciano. No segundo tempo, dois lances de penalidade. Como sempre, na dúvida contra o Grêmio, parece ser a regra geral.

Mas quem manda a campo um time de reservas e abre a creche sabia muito bem que um resultado melhor contra um Flu de titulares seria muito difícil. Pediu, levou.

O Grêmio jogou com um time que podemos apelidar de ‘chama derrota’, sem contar que de novo jogou com um a menos, se é que me entendem.

Para concluir, gostei do Ferreira, um atacante perigoso, que não tem medo de ser feliz. Eu o deixaria no banco contra o Flamengo. Feliz pelo gol de Patrick, que ganha mais moral e também pode figurar no banco na quarta-feira.

Ah, nunca esquecendo que muito time grande ficou pelo caminho. Restaram dois: Grêmio, o melhor time do Brasil, e o Flamengo, o segundo melhor time.