Brasil precisa um time com a cara do velho Felipão

Se der a lógica da primeira fase, Chile elimina o Brasil e México manda a Holanda mais cedo pra casa.

No futebol, são normais os resultados surpreendentes. Em Copa do Mundo, eles ganham maior destaque. Só isso.

Agora, nos jogos realmente decisivos, normalmente pesa muito a camiseta, a tradição. Não que garanta a vitória, mas é uma vantagem. No caso do Brasil, a favor tem ainda a torcida, que pode fazer a diferença.

Então, projeto vitória do Brasil sobre o Chile, até porque tem uma equipe bastante superior, e vitória da Holanda. Claro, tudo com muita dificuldade.

A GOLEADA

A goleada de 4 a 1 sobre Camarões deve ser comemorada, mas não pode mascarar uma realidade: o sistema defensivo como um todo é uma gloriosa peneira.

Camarões, a pior seleção do torneio, entrou com facilidade na área no primeiro tempo. Felipão, atento, percebeu isso e corrigiu. No segundo tempo, os africanos quase não ameaçaram, enquanto o Brasil, com e também sem Neymar – outra vez o grande destaque – continuou criando chances de gol.

O Brasil tem dois laterais inconfiáveis em termos defensivos, em especial o Daniel Alves. No lance do gol africano, ele foi driblado. O Pará não faria pior. O problema é que Maicon não tem treinado bem, segundo o noticiário.

Com dois laterais tão instáveis, é uma temeridade jogar apenas com dois volantes. E isso está aparecendo até contra adversários de porte menor.

O meio de campo com Luiz Gustavo, Fernandinho e Ramirez se mostrou mais eficiente e equilibrado. Paulinho tem sido uma decepção, mas acho que ele renderia muito mais se tivesse dois volantes com ele.

Pelo jogo de hoje contra Camarões, eu sacaria Oscar. Foi muito discreto para quem tem a incumbência de trabalhar a bola no meio e articular. Seu único momento de brilho foi no gol de Fernandinho, quando ele deu o toque que deixou o jogador na cara do goleiro.

Outro que está devendo é Fred. Talvez fosse o caso de jogar sem um atacante de referência, aproveitando a genialidade de Neymar. E aí mantendo Oscar. Hulk também não justificou sua convocação, apesar do esforço.

Penso que contra adversários mais qualificados será preciso fortalecer o meio de campo, onde apareceu um vazio muitas vezes, o que determinou a ligação direta defesa-ataque.

Contra Camarões, tudo bem. Quero ver contra uma Holanda ou uma Alemanha. Ou até contra o Chile.

Mas quem decide é o Felipão e eu imagino que ele saiba o que está fazendo.

Só não estou gostando desse esquema um tanto faceiro, que não é exatamente a cara do Felipão, pelo menos do velho Felipão.

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