Se correr o bicho pega…

O técnico Dorival Jr está encrencado.

A torcida e os cronistas esportivos, em especial os colorados, querem a cabeça de Bolívar. Há um movimento forte nas redes sociais contra o capitão colorado, herói de tantas conquistas e vilão de alguns jogos.

A gênese dessa situação em que um jogador se torna inimigo número 1 a de sua própria torcida está no simples fato de que a auto-estima colorada inflou demais nos últimos anos. O Inter já conquistou dois títulos neste ano, ambos com Bolívar. Mas o torcedor colorado quer mais, não há limites. Então, a qualquer tropeço, são eleitos culpados. A bola da vez é Bolívar.

O torcedor direciona o fogo contra um jogador, mas ele sabe que tem outros jogando até pior que o zagueiro. Mas sobrou para Bolívar, principalmente depois dos três sofridos em 10 minutos contra o Santos.

O fogo amigo pode chamuscar o recém chegado Dorival Jr.

Dorival está na seguinte situação: se escalar Bolívar, vai ficar mal com a torcida e com alguns cronistas esportivos. A escalação de Bolívar vai significar que Dorival cedeu ao poder de comando do zagueiro, apontado como principal liderança dentro do grupo.

Se Dorival deixar de fora o capitão, passará a impressão de que cedeu à pressão da torcida e de parcela da mídia. Levará a pecha de ser um treinador suscetível ao clamor dos torcedores, que, como todos sabem, são movidos à paixão, e nós sabemos que a paixão é uma coisa maravilhosa, mas não é uma boa conselheira.

O ideal para o técnico, que agora está vendo onde veio parar (aqui no futebol gaúcho o furo é mais embaixo), seria que acontecesse um milagre, uma ajuda dos deuses do futebol, do santo protetos dos técnicos, se é que ele existe. Por exemplo, uma providencial lesão, ou como está na moda, um desconforto muscular de Bolívar. Seria o fim do problema, ou melhor, a transferência do problema.

Há outra possibilidade: Bolívar pedir para ficar fora do jogo contra o América Mineiro.

Por enquanto, estamos assim: se escalar Bolívar, Dorival terá se acovardado diante do líder do vestiário; se deixar Bolívar fora, Dorival terá cedido à pressão da torcida, que assim se sentirá no direito de mais adiante eleger outra vítima. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Em pouco tempo teremos a torcida escalando o time inteiro. E aí, pra que treinador?

Pelo menos será uma baita economia.

SAIDEIRA

Bolívar realmente caiu de produção. O mesmo acontece com Índio. Mas Índio tem mais prestígio junto aos torcedores.

Não concordo que essa queda seja resultado apenas da idade dos dois. Há outro componente: a marcação no meio de campo.

Se Bolívar e Índio estão numa curva descendente, a mesma coisa ocorre com Guinazu e Tinga. O argentino não é mais aquele jogador vibrante, pelo menos o tempo todo. Ele tem cansado mais rapidamente. Tinga já entra com as meias arriadas. Bolatti nem levo em consideração.

A marcação no meio de campo está mais frágil, sobra para a zaga.

E os laterais? Nei até que melhorou, mas sua inteligência para jogar não acompanha a vitalidade. Kleber parece um cavalo cansado. Tem muita técnica, bom posicionamento, por isso resiste.

Resultado: estoura na zaga. E quem salva? Muriel.

Bem, Bolívar é a bola da vez. Vamos ver quem será o próximo eleito.

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