O Idolômetro e a desconstrução de Renato

Há processo de desconstrução de Renato Portaluppi em andamento. Começa pela própria direção, que não deu um time à altura da importância da Libertadores ao seu treinador.

Em tem seguimento na mídia. Quem acompanha programas de rádio, textos de jornal e de internet, já percebeu que algumas pessoas não perdem uma chance para atingir o treinador do Grêmio.

A idolatria de Renato incomoda muita gente. Incomoda tanto que rapidamente houve uma mobilização para colocar um ídolo também no Beira-Rio.

Algo assim: se eles têm um ídolo, e deu certo, nós também temos um ídolo.

Aí, veio Falcão.

Em seguida, criou-se uma disputa, talvez até por falta de assunto. Quem foi mais ídolo? Quem foi melhor? Quem foi mais importante?

Um monte de baboseira que não leva a lugar algum.

Todos sabem que o que importa no futebol é o presente, o agora. O título conquistado semana passada é comemorado e depois arquivado.

Não há idolatria que mantenha alguém no posto de treinador se os resultados não forem os melhores.

Mas aqui, onde a rivalidade é exacerbada, existe até disputa de ídolo.

Houvesse um idolômetro, Renato hoje estaria em queda. Falcão, mais idolatrado por veteranos da mídia e antigos torcedores – os jovens vêem nele muito mais um famoso comentarista de TV, sempre engravatado – está em alta, mesmo sem ter comandado o time em algum jogo.

O Idolômetro marca a queda de Renato também entre torcedores. Adianto que Renato não é meu ídolo, porque não tenho ídolo. Não sou de idolatrar alguém. O mais próximo que cheguei disso foi com Leonel de Moura Brizola.

É muita responsabilidade ser ídolo. É muita temeridade idolatrar alguém. Somos todos humanos, e um dia iremos decepcionar alguém; e um dia irenos nos decepcionar com alguém. É inevitável.

O Traíra era ídolo. Até que um dia mostrou sua verdadeira face.

Dunga era ídolo no Inter, até que um dia – depois de impedir o rebaixamento colorado com um gol quase sobrenatural – processou o clube para ser pago.

O futebol é assim, a vida é assim.

Mas escrevo sobre esse processo de desconstrução em função de um email que recebi de um torcedor que participa do blogremio, em que ele coloca um post publicado por um conceituado jornalista. No post, há uma entrevista do Renato, garotão, no Flamengo, à jornalista Gloria Maria, também guriazinha.

Ali, Renato se declara torcedor do Flamengo. Quer dizer, coisa que um torcedor resgatou do fundo do baú.

Até aí, tudo bem. O problema é um jornalista de respeito e sério dar vazão a esse tipo de coisa.

Seria o mesmo que um jornalista, usando espaço dos mais lidos, repicar os absurdos que se tem dito contra Falcão. 

Renato e Falcão são ídolos, mas nenhum deles resiste aos resultados negativos que um dia, mais cedo ou mais tarde, irão ocorrer.

Até lá, essas tentativas de desconstruir Renato cheiram mal. Como dizia o Lupicínio, ‘Eu não sei se o que trago no peito. É ciúme, despeito, amizade ou horror”.

SAIDEIRA

Por favor, como é que alguém pode minimizar a responsabilidade da direção que entrou numa Libertadores com apenas três atacantes de qualidade, sendo que um deles – o melhor, Jonas – saiu antes?

E nada foi feito para consertar isso.

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