Desmanchando como gelatina ao sol

O Grêmio fez feio. Imitou o Inter contra o Jaguares. A diferença é que o Inter tem jogadores com potencial para brigar pelo título. Antes não tinha técnico, e agora tem uma aposta de técnico.

Mas o assunto é o Grêmio. Leio e ouço que o Grêmio deu vexame porque perdeu para um time misto do Oriente Petrolero. Esquecem-se que o Grêmio também jogou com um time misto, e fora de casa.

A verdade é que o Grêmio vem jogando com ‘reservas’ demais para quem sonha com a Libertadores, com a volta ao mundial de clubes.

Por exemplo: não existe no Olímpico um lateral-esquerdo titular – repito, considerando-se as pretensões do clube -. Não existe. Gilson é um projeto, quase um delírio. E Bruno Colaço uma realidade cambaleante, que parece que vai, mas não vai e acaba ficando.

A última vez que o Grêmio foi campeão da Libertadores tinha um sujeito chamado Roger na lateral-esquerda. Hoje, vejo apenas dois guris buscando seu espaço, se esforçando, mas que decididamente são insuficientes para a exigência do clube, de sua torcida.

O meio de campo está relativamente bem, mas quando Douglas não joga parece completamente perdido. Lúcio vira um corredor maluco, uma barata tonta. Fábio Rochemback perde a referência técnica para dialogar com a bola, e Adilson passa o tempo todo correndo atrás do adversário e comentendo faltas.

Sem Douglas o Grêmio se desmancha como uma gelatina ao sol. Carlos Alberto, que seria seu substituto natural, tem sido soterrado por problemas pessoais e não consegue jogar a bola que mostrou no ano passado.

Lúcio me surpreendeu. Não esperava tanto dele no meio de campo. Mas não vejo nele capacidade para ser titular de um time que almeja grandes títulos. Falta-lhe lucidez muitas vezes, o que é um defeito grave para quem precisa também criar jogadas de ataque.

E o ataque? Tenho conversado muito com gremistas que vêm até minha casa comprar a Kidiaba, a Mazembier e a 1983. É uma troca de ideias interessante. E eu sempre saio ganhando nessa troca, porque as ideias deles normalmente não melhores que as minhas.

Um deles me lembrou que o Grêmio está jogando com ataque reserva desde a saída de Jonas e a lesão de André Lima. Esta foi a dupla que levou o Grêmio a reagir no Brasileirão do ano passado.

Pode um time ser campeão de Libertadores jogando com dois reservas no ataque? Não tem a mínima condição.

Borges é um bom atacante, nada mais do que isso. Mas bons atacantes só vencem a Libertadores se estiverem amparados por um time de muita qualidade em quase todas as outras posições. Não é o caso.

E o companheiro de Borges? Se Borges sem um Jonas ao lado já não é lá essas coisas, sozinho então é um zero. Além de altura de centroavante, falta-lhe mais garra, mais empenho.

Minha esperança agora é o guri Leandro, que surgiu por acaso, porque ninguém falava nele. É esse o planejamento do futebol gremista?

Escudero ainda está buscando seu espaço, não sei se um dia irá encontrar.

Então, é tudo com o Leandro. Resta também torcer pela volta imediata, e em boas condições, do André Lima, que não é grande coisa também, mas ao menos tem porte para enfrentar os zagueiros no corpo.

Independente disso, é preciso trazer outro jogador de área. O Cacalo tem repetido o nome de Eduardo, do São Caetano. Ele marcou 15 gols na segundona paulista de 2010. Ontem, conversando um conselheiro colorado, ele também referiu o Eduardo.

Semanas atrás eu sugeri o Fábio Jr, do América mineiro.

Jogadores existem. O que falta é a direção se mexer e parar de jogar a culpa nos jogadores que ela contratou e/ou mantém.

Depois, como sempre, vai estourar no técnico.

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