Planejamento estratégico e o chopp do Arthur

Paulo Moura, sempre um grande companheiro de cervejada no Arthur

A primeira vez que ouvi a expressão ‘planejamento estratégico’ foi eliminando copos de chopp (Brahma) no Bar Arthur, que ficava na avenida Alberto Bins, perto do túnel da Conceição. Lugar pequeno, chopp cremoso, gelado no ponto, salsicha bock com mostarda forte e pão preto.

Naquela noite, há uns oito anos, o Adalberto Preis abusou de repetir ‘planejamento estratégico’. Eu não conseguia entender o ‘estratégico’ sempre enrabichado no ‘planejamento’. A mim sempre foi muito claro que em tudo é preciso planejamento. E para ter planejamento, é fundamental definir aonde se quer chegar e como chegar.

O ‘estratégico’ me parecia um excesso, uma frescura mesmo. Mas saindo do Preis, um sujeito esclarecido, inteligente, tinha toda uma pompa, ainda mais depois de alguns chopps intercalados de steinhager. Fiquei realmente interessado.

Eu, Possas, Peruzzo e Campelo.

Grandes e longos debates foram ali travados, sempre com a presença de dirigentes e conselheiros do Grêmio e do Inter, principalmente do Grêmio. Invadia-se a madrugada naquele tempo sem lei seca e de fumo liberado, o que deixava o ambiente quase insuportável.

O Arthur, que remonta aos anos 50, fechou, mas quem o freqüentou, mesmo na fase final, não esquece. O Anonymos Gourmet coloca o bar entre os dez melhores de sua vida.

Mas vamos voltar a esse texto cometido sem ‘planejamento’, muito menos ‘estratégico’,  mais ou menos como o Grêmio. E aí começo a chegar ao ponto.

Entrei no site do Grêmio e confesso que fiquei surpreso, estupefato, perplexo e atônito, ao deparar com um tópico intitulado Planejamento Estratégico. Não ri porque ando desanimado até para rir. Li com atenção: o negócio existe desde 2003 no clube. Quer dizer, existe no papel, que aceita tudo, mas não de fato, na prática.

Fabrício Falkowski num flagrante raro, sem o copo na mão, ao lado do Possas

Prestem atenção no segundo parágrafo:

“Qual o nosso negócio? Para onde caminhamos, ou seja, no que vamos nos transformar se nada for modificado? O que gostaríamos de ser e alcançar? E o que é preciso fazer para que possamos alcançar as realizações pretendidas?”

Diante de tantos pontos de interrogação, fico com o segundo. Em que vamos nos transformar se nada for modificado?

Eu realmente não sei a resposta exata, mas posso imaginar e isso me preocupa, angustia, revolta.

Em oito anos do tal ‘planejamento estratégico’ eis aonde chegamos: quase no fundo do poço.

E segue o baile, digo, o texto:

“Atento às rápidas modificações do mercado do futebol mundial e à urgente necessidade de modernização de sua estrutura administrativa e gerencial, o Grêmio buscou responder estas e outras perguntas e passou, já a partir do ano de 2003, a trabalhar gradualmente na implementação de um modelo orientado por uma gestão estratégica que priorizasse tanto a profissionalização como o melhor aproveitamento das potencialidades e diferenciais do clube.”

É de rir, e de chorar.

Para finalizar, com fecho de ouro, essas preciosidades:

“NEGÓCIO:

Entretenimento sócio-esportivo focado no futebol.

MISSÃO:

Satisfazer o universo de torcedores e o público aficionado com vitórias e conquistas de títulos.

VISÃO:

Estar no primeiro nível do futebol mundial.”

Entra ano e passa ano, as direções do Grêmio se sucedem, oposição e situação se alternam no poder, e repetem tudo o que criticavam na gestão anterior, mostrando que, no Olímpico, ‘planejamento’ com ou sem o ‘estratégico’ atrelado não passa de uma expressão que se repete à exaustão à mesa de um bar entre um gole e outro de chopp tirado no capricho.

Sonhos e pesadelos

Quando o Figueira fez o segundo gol eu joguei a toalha. Não via a menor possibilidade de reagir, virar o jogo, com esse ataque que a direção gremista ousou montar para enfrentar duas competições tão difíceis, a Libertadores e o Brasileirão.

O Grêmio vai terminar o campeonato nessa faixa em torno do décimo lugar, conforme escrevi há uns 15 dias quando alguns delirantes sonhavam com Libertadores, e tinham como objetivo ainda passar à frente do Inter.

Não consigo esquecer o discurso que o presidente Paulo Ufanista Odone despejou após a vitória sobre o Santos, que era o verdadeiro Grêmio, um time com a cara de Grêmio, não aquele que vinha cambaleante sob o comando de Renato.

O castigo veio com duas derrotas seguidas. Uma dentro de casa contra o ‘poderoso’ Figueirense. Será que o comandante maior do clube ainda pensa que esse é o time com cara de Grêmio?

Não, esse time tem a cara do sr Odone e dos homens que assumiram o futebol com ele.

O técnico Celso Roth é tão culpado quanto o Renato. Na verdade, são mais vítimas, porque falta qualidade no Olímpico. Falta uma zaga confiável, mas falta acima de tudo atacantes de qualidade.

O Grêmio não tem um ataque titular que imponha respeito e que inspire confiança ao torcedor.

É verdade que o Grêmio estava relativamente bem no começo, mas não conseguiu converter as poucas chances criadas. O goleiro Wilson fez duas ou três belas defesas.

Aí, numa escapada, bola jogada na área, Ed Carlos perde uma disputa dentro da área por falta de agilidade e reflexo, gol do Figueira. Depois, Victor falha e o Figueira amplia. Fim de jogo.

Se o árbitro encerrasse ali pouparia sofrimento, angústia, desespero, raiva.

Roth até pode ter errado nas substituições. Mas o que pode fazer um treinador quando olha para o campo e vê André Lima. Olha para o banco e vê Diego Clementino e Miralles como alternativas para tentar uma virada?

Escudero não estava bem no jogo. Marquinhos estava melhor. Roth tirou o menos ruim naquele momento. Acho que ele deveria ter insistido mais uns 15 minutos com Escudero. Mas ele colocou Miralles, que pouco acrescentou. Depois, Clementino no lugar de Marquinhos, que havia caído de produção. Poderia ter sacado Douglas, mas Douglas ainda tem uns lampejos que podem mudar um jogo.

Gilberto Silva na zaga no lugar de Rafael Marques não alterou grande coisa. O time ganhou uma saída de bola qualificada, mas seguiu vazando. O terceiro gol foi em cima do veterano volante, driblado no mano a mano.

A meu ver, só se salvaram Mário Fernandes, Fernando e Júlio César.

Espero que ninguém mais fale em Libertadores.

Lembro que no ano passado, Renato assumiu com o time colado na zona de rebaixamento. Conseguiu subir até entrar no grupo da Libertadores. Com mais duas ou três rodadas, poderia até ser campeão.

Hoje, a situação é parecida. A diferença é se o campeonato tivesse umas rodadas a mais, haveria o perigo de rebaixamento. É assim que eu vejo: o Grêmio agora tende a descer.

INTER

Enquanto isso, o Inter se distancia. Se distancia do Grêmio e também do título, algo que a maioria dos colorados que conheço ainda acredita. No máximo, uma vaga na Libertadores. No máximo. Aparentemente, uma grande conquista, mas se trata de um prêmio de consolação para quem gasta R$ 6 milhões mensais com a folha de pagamento.

Mas é melhor do que ficar na sul-americana, que é o máximo que o Grêmio ainda pode conquistar.

O Inter ganharia alento se tivesse batido o São Paulo. Fez uma boa partida, mas ficou no empate. O resultado em si é bom se vier acompanhado de vitória no final de semana.

Aos menos os colorados ainda sonham com alguma coisa. Aos gremistas, restam apenas pesadelos.

Eu era feliz e não sabia

Carlos Miguel estava no programa do Reche, o Cadeira Cativa na Ulbra TV. Lá pelas tantas, começamos a falar de centroavante.

– O último centroavante goleador que o Grêmio formou foi Alcindo – disse eu.

O Miguel me olhou parecendo espantado, incrédulo. Lembrou do Jacques, que surgiu no auge de Jardel.

– Aí ficou difícil pra ele -, comentou o Miguel, que passou a elogiar o Jardel. Lembrou de uma brincadeira que eles faziam nos treinos a respeito da dificuldade que o Jardel tinha com os pés no trato com a bola, algo parecido com o que vemos hoje  em Brandão e André Lima. Se bem que o Jardel era melhor que esses dois também com a bola no chão.

– A gente dizia pro Jardel se deitar quando a bola vinha rasteira e mandar de cabeça, porque com os pés era complicado – riu o Miguel, que hoje lida com jogadores de 15 e 16 em parceria com o Dinho.

Viram? Dinho, Carlos Miguel, Jardel… O time multicampeão de parte da década de 90. O Reche ainda lembrou de todos os outros.

– Vamos parar com essa conversa, vamos mudar de assunto, se não eu começo a chorar – disparei, acrescentando:

– Eu era feliz e não sabia.

Naquele tempo eu trabalhava no CP. O gremismo só se manifestava na gozação com os colorados da redação. No mais, seriedade, isenção.

Ser isento ganhando tudo é fácil. Os colorados sofriam, sofriam como a gente agora. Agora, não, já são dez anos sem comemorar um título nacional.

Hoje, toda a mediocridade de um ano de erros é sepultada por uma vaga na Libertadores.

Um dia ainda teremos gremistas ou colorados lotando a Goethe pra comemorar vaga em Libertadores. Folha de pagamento superior a 5 milhões de reais por mês para ganhar vaga na Libertadores. Muitas vezes, como vai acontecer agora com o Grêmio e talvez com o Inter, nem isso. Sul-Americana e lambe os beiços.

Eu gostava mais do Brasileirão com a fase de mata-mata. Fazia renascer as esperanças.

Castigo e Renascimento

Minha intenção era esperar pelo vestiário do Grêmio antes de escrever. Estava curioso para ouvir o presidente Paulo Odone. Estava ansioso por outro discurso ufanista e ao mesmo tempo rançoso que ele despejou após a vitória sobre o Santos. Mas soube agora que ele não viajou com a delegação.

Escapou, portanto, de explicar a derrota para o Coritiba. Depois de três vitórias seguidas, o Grêmio voltou a perder. E assim vai ser até o fim do campeonato, onde o Grêmio já entrou morto, com todo o respeito.

Os 2 a 0 caem como um castigo sobre o arrogante presidente gremista, que cantou vitória antes do tempo e atacou o ex-treinador Renato.

Pois o que se viu em Curitiba foi mais ou menos o time que Renato tinha à sua disposição no primeiro semestre deste ano. Não faltou nem Diego Clementino.

Quando foi convidado a se retirar, Renato esperava pela volta de André Lima, vindo de longa lesão, e pela possibilidade de escalar Miralles. Os dois não são grandes coisas, mas seria alternativas para compor um ataque um pouco melhor naquele momento.

Como um castigo, os dois não puderam enfrentar o Coritiba. Como se não bastasse, Brandão se lesionou e aí o que se viu foi praticamente o mesmo Grêmio que Renato teve, um Grêmio sem atacantes.

O sr. Odone se precipitou ao cantar marra e a dizer que agora sim, com Roth e com Pelaipe, o Grêmio tinha a cara de Grêmio, reduzindo a pó o trabalho dos dirigentes de futebol que foram afastados e também o de Renato.

E, castigo supremo para o presidente, Roth entrou em campo não com três volantes como faria nos velhos tempos. Não, Roth imitou Renato ao começar a partida com Clementino, sinalizando que iria para cima, como realmente foi. E o time até que estava bem, chegando na área do Coritiba, mas aí perdeu Brandão.

Por falta de alternativas no banco, colocou Adilson, deixando Clementino e Escudero. Lógico que com esses dois na frente, municiados por Adilson, FR e Fernando, o gol seria quase impossível. Depois, entrou o jovem Mamute, que sumiu perdido entre os zagueiros, entre eles, o ótimo Émerson.

Pois é, o Grêmio que perdeu é o Grêmio que Renato tinha para escalar, com a desvantagem não ter o excelente Júlio César.

Parece castigo aos fanfarrões e vendedores de ilusão.

Roth já fez a sua parte, evitou o rebaixamento. Agora é só cumprir a tabela.

Por falar em treinador, Marcelo Oliveira é um fenômeno. Com esse time fraco de individualidades, foi vice campeão da Copa do Brasil, perdendo para o Vasco na final, e faz boa campanha no Brasileiro.

Sugeri esse treinador ao Grêmio após a saída de Renato. O sr. Odone preferiu Julinho Camargo – fato que ele omitiu em deu desabafo acusatório com delírios de grandeza.

INTER

Ao golear o Vasco por 3 a 0, o Inter contrariou a todos (eu inclusive) que prognosticaram que o time sem Leandro Damião cairia muito e se afastaria do G-5. O Inter renasceu campeonato.

Não há dúvida de que Damião faz falta, mas o técnico colorado manteve o time equilibrado e tratou de encontrar alternativas para chegar ao gol. É preciso salientar, porém, que a sorte ajudou dessa vez. A começar com o gol de D’Alessandro, um chute com o pé direito que o goleiro saltava para defender. Aí, apareceu uma chuteira no meio do caminho e a bola foi parar no ângulo. Os outros gols foram consequência da vantagem e do desespero do Vasco em buscar o empate.

Teve um pênalti do João Paulo (este guri promete, é muito talentoso) ali pelos 20 minutos do segundo tempo que o juiz ignorou.

A vitória fez justiça ao Inter, que conseguiu conter o Vasco, que faz excelente campanha no Brasileiro. O time está na briga por vaga na Libertadores.

E agora vê o Grêmio mais distante pelo retrovisor.

Cautela e caldo de galinha…

Percebo um clima de ufanismo no Olímpico para esse jogo contra o Coritiba. Mais ou menos como o que antecedeu aos 4 a 0 diante do Vasco.

O presidente Odone deu um discurso completamente desnecessário e inoportuno, a exemplo do que havia feito Roth após vencer o São Paulo.

Quer dizer, basta vencer dois ou três jogos, subir um pouco na tabela, para que uns e outros comecem a calçar salto alto, rir à toa como se estivesse na iminência de uma grande conquista.

Por trás do discurso de ataque ao Renato e louvação de Roth, está a seguinte mensagem: viram como eu sou bom, mudei na hora certa, mesmo contrariando a vontade da maior parte da torcida? Eu sou o cara!

É o que o presidente tentou transmitir. Ele só esqueceu de mencionar que ao demitir Renato ele trouxe um técnico noviço, o Julinho Camargo, com bom trabalho nas categorias de base, mas sem experiência que o credenciasse a assumir num grande clube, ainda mais em meio a uma crise técnica.

Quando Julinho foi contratado eu fui um dos poucos que criticou a iniciativa da direção. Hoje, todos que na época defenderam a opção por Julinho, criticam o sr Odone pela contratação.  Celso Roth estava desempregado.

Quer dizer, a convicção de que Roth seria a solução não era tão sólida como se tenta passar agora em meio ao crescimento do time no campeonato.

Se for para comparar, Renato pegou o time em pior situação na tabela e o levou a disputar a Libertadores, e não tenho dúvida de que com mais 3 ou 4 rodadas o Grêmio assumiria a liderança. Com a vaga conquistada, o que fez a direção comandada pelo sr Odone? Armou um time mambembe. E isso não pode ser esquecido. Nunca.

O que me preocupa é, portanto, esse clima de que algo foi conquistado. Não, o Grêmio apenas subiu na tabela e se aproximou do G-5.

Até pode entrar nesse grupo da Libertadores, porque tudo é possível no futebol. Mas a lógica indica que o Grêmio vai ficar mais ou menos onde está.

Até poderia subir mais não fosse esse entusiasmo juvenil que acomete o comando do clube e que ameaça contaminar o grupo de jogadores.

Contra o Coritiba, jogo de alto risco, seria prudente uma postura mais humilde, mais modesta e mais respeitosa. O Coritiba tem um time muito entrosado e organizado. Em seu estádio, é quase imbatível.

Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

Ah, leio que Roth estaria indeciso entre Gilberto Silva e Adilson para o lugar de Douglas. É óbvio que Roth vai começar com G. Costa, adiantando um pouco Fernando.

Entre um medalhão e um prata da casa, sempre o medalhão, esta é a lógica dos treinadores.

Sir Celso Roth e o Bafo na nuca

Brandão devolveu as vaias que lhe foram despejadas como estrume num treino da semana com três pontos. Graças ao gol de Brandão, o Grêmio venceu o Santos em jogo atrasado e encostou no grupo de cima. Bafo na nuca do Inter, que, se continuar facilitando, vai ficar para trás. É apenas um ponto a diferença.

Continuo sem acreditar em vaga na Libertadores de 2012. O importante é que de um time desesperado, à beira do rebaixamento, o Grêmio sob o comando de Sir Celso Roth (sim, de Professor, passou a Sir) faz neste momento uma campanha digna. Ainda aquém do se espera, mas digna.

Por que promovo Roth a Sir? Pelo seguinte: no primeiro tempo do jogo desta noite no Olímpico, o Grêmio chegou várias vezes com perigo, mas permitiu muitas chances de gol ao Santos. Contabilizo ao menos três em que algum jogador do Santos ficou na cara de Victor. Um deles foi o Pigmeu, que recebeu a bola limpa, rolando mansamente, e, diante da figura imponente de Victor, tremeu como vara de marmelo, resvalou e bateu na ‘orelha’ da bola, que saiu feliz  para fora. Questão de ordem: só faltou alguém dar na orelha do Pigmeu.

Por falar em Pigmeu, fosse ele o atacante do Grêmio e não Brandão no lance do gol, a bola alçada com categoria por Marquinhos teria resvalado no teto da cabeça do pequeno atacante. Por isso, é bom um camisa 9 com tamanho de camisa 9. É claro, não precisa ser um camisa 9 tão limitado tecnicamente, mas é o que a casa oferece para o momento.

As alternativas são André Lima (sem comentário) e Miralles. O argentino continua mostrando apenas que é tão guerreiro quanto Herrera. Vou dar um desconto: ele entra com pouco tempo pra jogar, entra ansioso para mostrar serviço, e aí se afoba, não faz as melhores escolhas. Agora, aquele lance no final do jogo em que ele recebe de cabeça do Douglas pela meia esquerda, só tem um zagueiro pela frente, na risca da grande, foi bisonho. Ele escolheu mal. poderia ter dominado e tentado o drible, mas preferiu arriscar um chute lotérico, mandando a bola na arquibancada. Repito: pode ser ansiedade. Mas pode ser também outra coisa.

Alguém pode imaginar que sou fã de Brandão. É óbvio que não. Sou fã do Jonas, do Nilmar, e mais ainda do Damião. Brandão tem sido mais útil que André Lima.  Mas não esperem dele nada mais do que ele tem mostrado. É um jogador dependente. Tem dificuldades para controlar a bola. Teve um lance em que ele entrou livre, tentou driblar o goleiro, quando poderia ter chutado antes, e perdeu a bola com extrema facilidade. Mas Roth, Sri Roth,  faz a leitura certa: Brandão está dando uma resposta um pouco melhor do que André Lima.

O futebol nos ensina a cada dia que não existe nada definitivo. Tem gente que vai morrer dizendo que Roth é burro, mau técnico. Tem gente que jamais admite que as pessoas podem melhorar, assim como podem piorar. Não sei o que vai acontecer amanhã (quem souber por favor me preencha um jogo da megasena que está acumulada), mas hoje o técnico faz um trabalho excelente.

Sobre os jogadores: Fernando de novo foi excepcional. FR um líder, um guerreiro, um maestro, tudo isso num mesmo jogador, e ainda há quem não goste dele. Escudero. Que partida! Eu critiquei muito esse argentino, mas hoje admito que errei na minha avaliação. Escudero fez uma partida formidável, mesclando garra, com técnica, com criatividade, e tudo isso com velocidade.

Bem, mas voltando ao Sir Celso Juarez Roth: ele viu os problemas do time e os corrigiu para o segundo tempo. O time melhorou a marcação, Ibson ficou sem liberdade para organizar o Santos, e Victor quase não foi ameaçado. Ofensivamente, o Grêmio continuou agredindo, mas por falta de maior qualidade, como sempre, deixou de ampliar a vantagem. Faltou qualidade no último passe e também nas conclusões. O que não faltou foi um time muito bem armado por Sir Roth.

Borges, Brandão e os 'bocós'

Borges diz que o jogo contra o Grêmio tem, para ele, um sabor especial. Imagino que a torcida do Grêmio, ou grande parte dela, pense da mesma maneira.

Esse reecontro tem pra mim, também, um sabor especial. É um aperitivo para o que vem por aí, logo adiante. A entrada para o prato principal, que é rever Ronaldinho Gaúcho no Olímpico enfrentando o clube que o lançou, e que ele desprezou por ganância.

Por enquanto, vamos saborear esse momento: a volta de Borges ao Olímpico. Borges quando interessado e bem municiado, como acontece agora no Santos ao lado de craques como Neymar, é um bom centroavante.

Em seus últimos tempos de Grêmio, ele não parecia nada interessado e não recebia os merengues que agora lhe sobram no Santos.

Dificilmente vou esquecer o pênalti que ele cobrou para acertar o pipoqueiro do lado de fora do estádio e que custou derrota em Gre-Nal.

Da mesma forma, será impossível esquecer que Borges deixou o Grêmio com um jogador a menos em jogo da Libertadores, no Olímpico, após acertar uma cotovelada num adversário.

O Borges que eu vou guardar para sempre na memória é esse: o Borges displicente e irresponsável.

É esse o Borges que irei rever no Olímpico. Fosse eu um zagueiro tricolor saberia como cuidar para que ele não se atrevesse a entrar na área.

Mas eu sou apenas um blogueiro rabugento e rancoroso.

Sou tão rabugento que simplesmente não posso aceitar que torcedores vaiem jogadores em treinos.

Quer dizer, há exceções. Se o sujeito está treinando de forma negligente, tipo estou nem aí, merece vaia e muito mais.

Agora, se o jogador é daqueles sem muita qualidade, que apanha da bola, que a chama de ‘doutora’, não de ‘meu bem’ como faz o Douglas, é preciso tolerância. O torcedor precisa ser paciente com jogadores assim. Ter um olhar mais compreensivo, afetivo até. ‘Coitado, ele não tem culpa.’

Mas alguns ‘bocós’ (fazia horas que eu queria usar essa expressão dos tempos de piá em Lajeado) vaiaram um jogador assim, o Brandão, no treino desta terça-feira.

O que querem esses torcedores? André Lima? Talvez Miralles, que ainda não justificou sua contratação – até por falta de melhores oportunidades? Vai mesmo mudar muita coisa?

Brandão teve participação razoável contra o Cruzeiro. É um jogador pesado, de pouca técnica, e que ainda está se adaptando. O que ele mais precisa nesse momento é de incentivo. Nunca de vaia.

Brandão veio para o Grêmio numa emergência e está tentando dar sua contribuição para o time reagir no campeonato.

Os ‘bocós’ que o vaiaram deveriam fazer a mesma coisa, contribuir, apoiando seus jogadores e também o técnico.

Ou então ficar em casa pra não atrapalhar.

Grêmio avança, Inter estanca

O Grêmio devolveu os 2 a 0 que levou no jogo do primeiro turno. Bateu o Cruzeiro com muita autoridade. Para ser justo e provocar os algozes do Victor, diria que a diferença foi justamente ele, Victor.

No jogo do turno, Montillo fez dois gols. Chutou duas bolas, dois gols. O goleiro não era Victor, era o queridinho dos ingratos: Marcelo Grohe. Neste domingo. Montillo também deu dois chutes poderosos, duas grandes defesas de Victor.

Ao contrário daqueles que queriam o ver grande goleiro Victor pelas costas eu não sou injusto. Marcelo Grohe não teve culpa nos dois gols que levou de Montilo. Eram chutes quase indefensáveis. Só um goleiro talvez os evitasse. Ele, Victor, o Monumental.

Fica claro, portanto, que Victor teve participação importante na vitória que faz do Grêmio o time com a segunda melhor campanha do returno. Prova inconteste que Celso Roth conseguiu dar uma cara a esse time, uma cara nada parecida com a carranca dele, Roth. O Professor Roth.

O Grêmio foi um time homogêneo, com todos os jogadores num bom nível. É difícil destacar algum.

Rafael Marques, tão criticado, foi um gigante na área. Nas duas áreas. Foi ele que abriu caminho para a vitória. Ed Carlos foi eficiente, seguro. Mário Fernandes impecável. Quanto mais distante da seleção melhor. Júlio César também muito tranquilo, lúcido. Vai para o apoio na boa e quando chega ao fundo ergue a cabeça. O drible que ele deu, a famosa janelinha, em seu ex-companheiro de Goiás, o lateral Vitor (e pensar que a direção anterior tentou trocar Jonas por esse jogador, prova que o futebol é para quem sabe, quem conhece, não para curiosos), foi para aplaudir de pé.

No meio de campo, Fábio Rochemback voltou a jogar bem, marcando firme, as vezes até demais, e organizando a casa. E o Fernando? Já escrevi aqui que eu não acreditava nesse jogador, o considerava um volante comum. Errei feio. Fernando cresce a cada jogo. Sem dúvida será convocado pelo Mano em breve, infelizmente.

A linha dos três meias foi quase perfeita. Só não gostei quando o time fez o segundo gol e passou a exagerar no toque de bola. Marquinhos fez sua melhor partida. Participou dos dois gols. Esse é o Marquinhos que eu pedi para ser contratado no ano passado. Douglas é o maestro. Só precisa controlar sua vocação para dar toquezinho de calcanhar e armar contra-ataque. Escudero fez um primeiro tempo discreto. Alternou erros e acertos, como é de seu feitio. No segundo tempo, Roth deixou o argentino mais avançado, próximo de Brandão. Aí Escudero melhorou. Ele precisa jogar na intermediária ofensiva. Numa dessas, Marquinhos o descobriu correndo entre os zagueiro e fez um lançamento sensacional. Escudero dominou e tirou do goleiro com categoria.

Na frente, o Brandão. Posso estar errado, mas acho que ele é mais útil que o André Lima, que não jogou por ter se machucado ao escorregar no vestiário, segundo foi noticiado. Uma lesão providencial.

Hoje descobri um centroavante pior que os dois do Grêmio: Nieto. Ele marcou os dois gols da vitória do Atlético Paranaense sobre o Inter, água fria no entusiasmo colorado em sua corrida por uma vaga no grupo da Libertadores.

Nieto fez dois gols de cabeça. Ele poderia ter feito outros dois se não fosse preciso usar os pés. Num deles, recebeu a bola livre na risca da grande área. Poderia ter chutado. Muriel chegou, e ele ainda poderia ter chutado. Foi aí que tentou driblar jogando a bola justamente por lado em que o goleiro já se inclinava. Ridículo. Depois, recebeu um lançamento e correu, livre. Poderia ter chutado, mas demorou, caiu e a bola ficou nas mãos de Muriel.

Mesmo com alguns desfalques, o Inter foi melhor que o Atlético. Se tivesse Damião teria vencido. Cheguei à conclusão que o Atlético não vai escapar do rebaixamento. O vovô Paulo Baier continua sendo o melhor do time.

No Inter, gostei do João Paulo, um armador de boa técnica, me lembra o Paulo César Carpegiani pelo modo de jogar. Ele entrou só na metade do segundo tempo. Não entendo como o Dorival Jr prefere o Ricardo Goulart a ele. Tem ainda o De La Torre, outro que até agora não mostrou nada. São jovens que devem ter algum protetor forte.

É algo para ser sondado.

PROJEÇÃO

Inter tem 40 pontos, quatro a menos que o Flamengo, sexto colocado. O Inter tem todas as condições de ficar com uma vaga na Libertadores. Para isso, ele precisa melhor e uns dois ou três da ponta começarem a cair. E aí está um problema. Só vejo um time que ocupa indevidamente a zona da Libertadores: o Botafogo. É um time razoável, pior que Inter e Grêmio. Duvido que se mantenha mais tempo.

A questão que se impõe é que Vasco, Corinthians e São Paulo vão seguir até o fim no topo. Restam, então, Flamengo e Fluminense. São os cinco favoritos para ficar com vaga na Libertadores.

Para o Inter entrar nesse clube, um sócio precisa ser alijado. Isso considerando que o Botafogo vai mesmo desabar. Aí, aposto no Flamengo.

Por aí já deu pra perceber que para o Grêmio, que enfrenta o Santos quarta-feira, em jogo atrasado, a situação é mais complicada, muito mais complicada. Muita gente precisa cair e Grêmio não pode parar de subir. E não vejo time para um crescimento tão acentuado.

Portanto, a Libertadores em 2012 para o Grêmio é só um sonho.

Os deuses do futebol não perdoam tantos erros cometidos ao longo do ano.

Montillo e Mancini unidos contra o Grêmio

O argentino Montillo fez sua melhor partida no campeonato justamente contra o Grêmio. O técnico Mancini teve uma de suas vitórias mais expressivas justamente contra o Grêmio, 3 a 0 para o Fortaleza.

Pois os dois estão juntos para enfrentar o freguês, digo o Grêmio, neste domingo, 18h, no Olímpico. Faço questão de registrar o horário porque é jogo para gremista ir ao estádio e não acomodado no sofá, diante da TV, comendo pipoca.

Contra o Grêmio, Montillo estraçalhou. O Grêmio jogou até melhor que o Cruzeiro lá em Sete Lagoas, mas perdeu por 2 a 0? E por que? Por causa do Montillo, que marcou dois belos gols em duas chances que teve. E também por causa do próprio Grêmio, que já naquela época tinha um ataque detefon, tonteia mas não mata.

Então, todo cuidado com Montillo é pouco.

O Cruzeiro vem com uma gurizada. Mancini quer um time com mais vontade, por isso aposta em dois ou três novatos.

E tem o Mancini, que volta a ficar frente a frente com Paulo Pelaipe, seu algoz por ocasião da meteórica passagem do técnico pelo Olímpico. Bah, tem cada história sobre esse assunto…

Até hoje não entendi (ou entendi, nem sei) por que o Grêmio pagou multa rescisória para que Mancini fosse liberado por seu clube. Mancini estava longe de ser um treinador consagrado, era um iniciante na verdade. São coisas dos bastidores, deixa pra lá. O fato é que Mancini parece que se transforma num Mourinho quando enfrenta o Grêmio.

O Cruzeiro consegue fazer campanha pior que a do Grêmio. São dois grandes clubes que ainda não acertaram o pé na competição. Por jogar em casa, o Grêmio é favorito, mas não apostaria um centavo na vitória. No Cartola, coloquei apenas um gremista no meu time, o Júlio César. Nem um cruzeirense também.

Agora, vejo que o Grêmio se prepara bem para o jogo. Celso Roth insistiu muito nos treinos com bola pelo alto nas cobranças de escanteio e faltas nas intermediária. Um dos pontos fracos do Cruzeiro, na minha opinião, é o goleiro Fábio. Ele é um bom goleiro, embora tenha o apelido de mãos de alface. O problema do Fábio é que ele sai mal do gol, muito mal. Parece assustado quando a bola é alçada, talvez porque tenha sofrido uma contusão séria tempos atrás num lance desse tipo. O fato é que Roth acerta ao apostar na força aérea para somar três pontos.

Em relação ao time, Roth segue congestionando o meio de campo, deixando André Lima isolado na frente. O goleiro Victor saiu em defesa do atacante nesta semana ao dizer que ele, André Lima, está no sacrifício, seria um boi de piranha no esquema. Até aí tudo bem, mas seria melhor um atacante com mais capacidade técnica para prender a bola e tabelas com os meias que vêm de trás.

Acho que Roth deveria tentar o Brandão ou o Miralles nessa função, sacando o André Lima.

Melhor ainda seria começar com Miralles no lugar do Marquinhos, ou do Escudero. Em princípio, manteria Escudero, que é mais participativo e tem mais velocidade, além de ser mais ousado.

INTER

Se o Grêmio tem um jogo difícil, imprevisível, com o Inter acontece o mesmo, ou até pior. Antônio Lopes está conseguindo ajustar o Atlético Paranaense, que em casa é sempre um adversário complicado, perigoso. Além do mais, o Inter vai desfalcado de alguns titulares. Não de D’Alessandro, que ‘curou-se’ de maneira formidável da lesão que o afastou do jogo pela seleção argentina. Ah, os avanços da medicina fazem milagres…

MAZEMBEDAY

Botequeiros, participem da promoção MazembeDay. Contem onde vcs estavam e o que faziam no glorioso dia 14 de dezembro de 2010. Em breve vou lançar um site para colocar as histórias maravilhosas que estou recebendo. Pode ser um texto simples, sem muito cuidado estético. De preferência com uma foto com a camisa do Grêmio ou do Mazembe. Não se esqueçam, o primeiro aniversário de Mazembe 2 a 0 no Inter está logo ali. Não podemos deixar essa data cair tão rapidamente no esquecimento, podemos?

O caso D'Ale e a omissão da imprensa

A ausência de Mário Fernandes da seleção brasileira gerou quase uma comoção, foi pauta de muitos programas de rádio e de TV, destaque em sites e jornais. Tudo bem. Não se pode brigar com a notícia. Não é todo dia que um jogador rejeita chance na seleção, ainda mais nesses dias em que vestir a amarelinha significa valorização imediata nesse mercado milionário do futebol, mesmo que o jogador convocado não jogue lá grande coisa e está ali apenas porque tem padrinho forte, se é que me entendem. Não é o caso de Mário Fernandes, que joga muita bola, tanta, que nem precisa da seleção.

Se MF mereceu tanto holofote, por que D’Alessandro foi agraciado apenas com uma lâmpada de 40 watts?

Sei que são casos diferentes, mas não se pode ignorar que D’Alessandro não se apresentou para defender a seleção argentina porque supostamente apresentava uma lesão muscular, uma contratura, segundo foi publicado e transmitido à imprensa.

Viu-se hoje de manhã que a lesão não tinha a menor gravidade. Se é que havia lesão. O meia treinou lépido e faceiro, correu como uma criança que acabou de receber um brinquedo novo. São inegáveis os avanços da medicina. Mas se um jogador não pode atuar na quarta-feira à noite, como é que pode treinar, e com bola, na manhã seguinte. Qual o tratamento milagroso aplicado? Deve ser algo revolucionário.

Diante da reação, amena, de alguns setores da mídia, hoje no final da tarde um integrante do departamento médico fez questão de anunciar que, apesar de ter treinado normalmente, D’Alessandro não está confirmado para jogar no final de semana. Eles viram que ficou demais.

A mim parece muito claro que o Inter convenceu D’Ale a ficar por aqui, preservando-o para disputar o jogo contra o Atlético-PR. A imprensa argentina já flagrou isso e está criticando a atitude do jogador.

D’Alessandro, assim como MF, tem todo o direito de recusar uma convocação. Riquelme fez isso recentemente. Agora, por que não assumir publicamente que prefere trabalhar pelo clube que lhe paga seus salários e que está precisando dele nesse momento decisivo do campeonato? Afinal, o Inter já foi penalizado pela convocação também de Bolatti e Guinazu.

Um é pouco, dois é bom, três é demais. Não condeno o Inter, nem o jogador. Condeno a falta de transparência.

Critico, também, o pouco caso que a imprensa fez até agora desse episódio. O assunto merecia ser melhor explorado.