Derrota projeta semana tensa no Olímpico

Os volantes Fernando e Willian Magrão foram os atacantes mais efetivos do Grêmio. Foram eles que tiveram as duas chances mais claras de gol do time, ficando cara a cara do goleiro e chutando como se fossem Herreras. Quer dizer, no corpo do goleiro Renan.

Depois, o gol. Não, não foi de um atacante. Foi um zagueiro, o desprezado Rafael Marques. Foi um gol casual, pura sorte, a mesma que resultou no segundo gol do Botafogo, um pouco antes do apagão.

Não, não estou me referindo ao apagão do time gremista, que repetiu o primeiro tempo melancólico do jogo contra o São Paulo. Informo pra quem não sabe: faltou luz no Engenhão.

Mais uma vez, o time sentiu a falta de atacantes de qualidade. Atacantes que possam fazer a diferença, ou ao menos causar preocupação aos zagueiros adversários.

Quase posso ver os zagueirões que enfrentam o Grêmio rindo entre si quando deparam com o Lins, o Viçosa, o Roberson. Gente promissora, mas que hoje não tem condições de vestir a camisa titular do Grêmio.

Lembro que aos 14 minutos do primeiro tempo vi o Grêmio trocar quatro ou cinco passes no campo de ataque. Até ali, só dava Botafogo.

Estaria enfrentando o Barcelona? Não, era apenas o modesto Botafogo, que só não marcou gols mais cedo porque esse ‘Barcelona’ não tem Messi, tem Herrera.

Hoje, qualquer adversário se transforma em Barcelona contra o Grêmio, que se encolhe, se defende como pode,  se esgarça todo para conseguir chegar na frente, onde invariavelmente seus atacantes vão perder a bola.

E quando esse time ainda tem um jogador expulso de forma imbecil, aí a derrota se torna inevitável. Fernando, um jovem e eficiente volante, já tinha cartão amarelo, mas isso não impediu que desse um tranque forte, na cara do juiz, num guri magrinho, pernas finas, endiabrado, o Cidinho, que recém havia entrado. Cidinho, guardem esse nome.

E assim vai o Grêmio, sempre esperando pelos atacantes que não tem desde o começo da temporada.

Parece que tudo isso é para abalar a imagem de vencedor de Renato perante a torcida.

Enquanto isso, crescem os rumores sobre a queda de Renato Portaluppi. Mais que isso, tem gente torcendo contra Renato, como se ele fosse o grande responsável por esse time que está aí. Surgem especulações.

Adilson, o capitão América, o queridinho de boa parte dessa direção que não fica ruborizada em ver o time jogando sem ataque desde fevereiro, caiu no Atlético Paranaense.

Ah, não gostam do Adilson? Ou do Cuca? Quem sabe, então, o Celso Roth, que está aí, à espreita?

SAIDEIRA

O Inter desemcabulou em casa. Bateu o Figueirense de goleada, 4 a 1. O time catarinense havia sofrido apenas dois gols no campeonato. Tinha a defesa menos vazada.

Por isso, é importante valorizar a vitória, principalmente os três pontos.

É claro que o time continua com problemas, mas uma vitória no dia em que o Grêmio voltou a perder sempre alcança uma dimensão maior.

A tensão agora passa para o Olímpico.

FECHANDO A CONTA

Quarta-feira, no Olímpico, contra o Avaí, Renato poderá contar, finalmente, com uma dupla de ataque digna de clube grande: Miralles e André Lima devem jogar.

Os dois nunca jogaram juntos. Ambos estão voltando de lesão. Ainda assim, afirmo: vão jogar mais, muito mais, do que esses que estão aí se fardando e entrando em campo só porque não há nada melhor no clube.

Renato x direção: quem perde é o clube

No confronto entre Renato e a direção, perde o Grêmio.

A direção não quer Renato, mas não tem coragem de demití-lo. Isso parece estar cada vez mais claro para todos que acompanham futebol, especialmente para os gremistas.

Montou um time sem atacantes para figurar (a quem prefira o verbo disputar, mas não é meu caso) na Libertadores, e começou o Brasileiro com um ataque de time da segunda divisão que luta para não cair pra terceira.

Posso estar enganado, mas essa estratégia suicida foi para tirar a paciência de Renato, forçando-o a pedir as contas.

Sei que parece um desatino pensar assim, mas já vi tanta coisa estranha que não duvido de mais nada.

A cobrança pública por reforços, feita por Renato com aquele seu jeito meio brincalhão, meio debochado, mas colocando o dedo na ferida, escancarou esse conflito no clube.

Antônio Vicente Martins respondeu forte, não economizando ironias, referindo-se a Renato como ‘presidente’, deixando claro que o técnico se mete em tudo.

Não, Renato não quer ser presidente. Quer apenas um time com atacantes dignos de vestir a camisa de um clube de ponta, que deve sempre, SEMPRE, entrar numa competição em condições de brigar pelo título.

O Grêmio não pode, sob qualquer hipótese, entrar numa competição como mero coadjuvante, como acontece neste momento.

Renato comete seus erros, não resta dúvida. Mas quem avaliar com serenidade e sem preconceito com o jeito do Renato, verá que a maioria dos problemas decorre da falta de qualidade do time em algumas posições.

Sei que Renato não é unanimidade entre os torcedores. Nunca foi. Menos ainda agora. Mas se ele pedir demissão, quem tem para o lugar? Quem?

Faltam treinadores, sobra gente para assumir o futebol do Grêmio.

Então, que saiam os dirigentes.

Antes que o Grêmio seja mais prejudicado.

FECHANDO A CONTA

Um exemplo do desespero de Renato: ele testou no treino de hoje o Lins como único atacante. Tem o guri Leandro voltando. É arriscado começar com ele.

Sou da seguinte opinião: se não tem atacante bom, diminua o prejuízo. Jogue com um apenas.

Aliás, diante da carência de atacantes, há tempos preguei aqui esse esquema com 3 zagueiros e 6 no meio de campo. Apenas um maluco correndo na frente.

Num time de futebol de ponta, ainda dá pra jogar com um jogador razoavelzinho. Agora, dois sobrecarregam os demais. 

Não deu certo contra o São Paulo no Morumbi. Mas nesse jogo havia improvisações com resultado calamitoso.

Agora é diferente.  Rezemos.

A voz do dono e o exemplo de Cavenaghi

O vice de futebol do Grêmio pegou pesado. Antônio Vicente Martins decidiu encarar Renato depois que o técnico fixou prazo, publicamente, até esta quinta para receber reforços.

Renato escancarou sua ansiedade, seu desespero, sua sede de reforços. O técnico nada mais fez do que refletir o pensamento da torcida.

Um assessor do futebol chegou a comentar que a direção não trabalha sob pressão, sugerindo que o ultimato de Renato era descabido e inoportuno.

Bem, Renato está trabalhando sob pressão desde que assumiu, em agosto passado, quando o time parecia rumar para a segundona de novo.

Quem não quer trabalhar sob pressão não pode ser jornalista, por exemplo. Nem policial, nem bombeiro, nem bancário, nem controlador de voo, nem piloto. Ou dirigente de futebol.

Se não quer trabalhar sob pressão que volte para a arquibancada. Até seria interessante que a direção ficasse mais próxima da torcida para saber direitinho o que ela pensa de isso tudo.

Os doutos do futebol tricolor saberão o que pensa o torcedor de uma direção que desperdiçou mais uma Libertadores pela imprevidência, falta de planejamento e de competência, imitando a direção passada.

Os que estão no poder hoje criticaram muito os que estavam no poder na Libertadores de 2009. Os que antes pressionaram, hoje não querem pressão.

Não suportam que o treinador extravasse sua tensão, sua preocupação com o rumo da equipe, e o seu próprio.

Renato sabe que a torcida é impaciente e que na hora da derrota quer a cabeça de alguém, mesmo que seja um treinador tão vítima quanto ela torcida.

Uma derrota diante do Botafogo pode criar o clima apropriado para mudanças. Renato disfarça com seu jeito brincalhão, que parece não pensar antes de falar, mas é visível sua insatisfação.

Ele já deu inúmeros recados. Falou de cascudos, cascudinhos e tudo o mais só para dizer que o time precisa de qualidade. Deu força para o grupo que tem, tentou dar moral para quem não tem grande futebol.

Se Renato está aborrecido, com a direção não é diferente. O constrangimento é geral. A cada diz mais me convenço que Renato vive um processo de fritura desde janeiro.

Na entrevista forte que deu hoje, AVM disse que tolerava as manifestações de Renato por considerar o treinador um sujeito bom caráter, que não fala determinadas coisas por mal. Mas deixou a escapar que às vezes tem vontade de rir do que Renato diz.

Será que Renato vai rir quando souber que é capaz de provocar esse tipo de reação de seus comandantes?

Não sei, mas AVM, até hoje sempre tão sereno e tolerante, parecia mais um boneco de ventríloquo.

Parecia a voz do dono.

Faria melhor se dedicasse o tempo gasto na entrevista para buscar os atacantes que sonegou a Renato, ao Grêmio e à torcida desde a saída do goleador da equipe, Jonas.

Tempo para isso ele e seus companheiros tiveram mais do que o necessário.

Talvez estivessem mais preocupados em rir.

SAIDEIRA

Cavenaghi foi digno. Foi à direção e pediu para sair, já que não está sendo aproveitado. Fosse outro, como muitos, ficaria ali, acomodado, só passando no caixa no final do mês. Mas Cavenaghi não é como a maioria.

O ato do argentino me lembrou aqueles ministros japoneses que se matam quando flagrados em falcatrua.

Aqui, os ministros quando descobertos com a mão na botija fazem cara de ofendidos e fica tudo por isso mesmo. Deixam a coisa esfriar e logo estão de volta lépidos e faceiros, e cada vez mais habilidosos para tomar o dinheiro público.

O 'Disque-Dentuço' e as pequenas alegrias da vida

Até parece brincadeira, mas criaram o Disque-Dentuço pra vigiar os passos de Ronaldinho Carioca (sim, ‘Gaúcho’ ele deixou de ser faz muito tempo).

Confesso que esse é o tipo de notícia que me dá alegria, me enche de júbilo. É um pensamento menor este meu, mas não estaria sendo sincero se escrevesse que fico penalizado, solidário ao ex-RG.

Sempre acreditei na máxima que cada um colhe o que planta.

O ex-RG, atual RC, virou o prato em que comeu e que alimentou toda a sua família nos tempos de vacas magras ao deixar o Grêmio daquela maneira traiçoeira e anti-ética, para dizer o mínimo.

Desde então, caiu em desgraça perante a imensa maioria dos gremistas.

Não satisfeito, praticamente repetiu a dose agora ao acenar que gostaria de voltar ao Grêmio. Na verdade, foi apenas uma estratégia para atrair o Flamengo, viu-se logo depois.

O Rio era o sonho do ex-RG.

Afinal, para um jogador milionário, cansado da bola e cada mais entusiasta das noitadas e dos pagodes, jogar em Porto Alegre, com uma imprensa cri-cri e uma torcida inteira no pé, seria uma estupidez.

Ronaldinho Carioca pode ser tudo, nunca estúpido. Muito menos seu procurador, empresário, conselheiro, irmão, tutor, o Assis.

Bem, a conta está chegando. No campo, ele é um caricatura do que um dia foi. É vaia em cima de vaia.

Agora, ele terá toda a torcida do Flamengo no pé. Já foram formadas várias equipes de vigilantes voluntários para acompanhar da passo do jogador fora de campo. Se uma equipe falhar, sempre haverá um flamenguista para telefonar para o ‘Disque-Dentuço’.

A vida de RC está virando um inferno. E ele pensava que o Rio seria um eterno paraíso…

UM NOME APAGADO

Quando soube que haviam tirado o nome do ex-RG de um material promocional do Grêmio citando jogadores formados no clube, custei a acreditar. Incrédulo, mas satisfeito. Depois, constatando que a notícia era verdadeira, pensei melhor.

Não tem como apagar esse nome da história do clube. Não tem, é impossível. Seria como anular o balãozinho que ele deu no Dunga num Gre-Nal, ou então os vários lances geniais, os gols.

Como ignorar o orgulho que um dia foi ter esse jogador vestindo a camisa tricolor? 

É claro que a traição cometida por alguém assim assume dimensão grandiosa.

Não tem como apagar o ex-RG da história do Grêmio. Assim como não existe a menor possibilidade de ignorar a traição cometida.

O melhor a fazer é conviver com as duas situações.

Ele começou no Grêmio. Ele traiu o Grêmio.

Não há como apagar isso.

SAIDEIRA

Este caso, me lembra o que fizeram no Colégio Militar de Porto Alegre tempos atrás: tiraram o nome de Carlos Lamarca, que estudou lá antes de se tornar guerrilheiro, combatendo a ditadura militar.

Mas a existência de Lamarca nessa escola não tem como ser anulada.

Menos ainda o fato de que o Brasil já existia antes de Lula, embora ele não acreditasse nisso.

Segue a frustração de gremistas e colorados

Mais uma rodada decepcionante da dupla Gre-Nal. Os dois times mais uma vez não venceram. Quando vi, estava cantarolando ‘aonde a vaca vai, o boi vai atrás…’.

Nesse ritmo, a vaca vai pro brejo. No máximo, uma vaguinha na sul-americana. Libertadores? Difícil. Título? Impossível.

O Grêmio ainda tem atenuante por ter somado apenas 7 pontos em 15 disputados: não tem ataque.

Estou ficando cansativo. Nem eu me aguento mais. Desde a saída de Jonas, seguida da lesão de André Lima, que o Grêmio joga futebol sem atacantes. Tem uns caras ali que correm, se esgarçam em campo e até fazem gols de vez em quando, mas decididamente não são atacantes. Quer dizer, não são atacantes para jogar de titulares em clube de ponta.

Vejamos o Viçosa e o Lins. São dois guris esforçados e com bom potencial. Eles podem entrar eventualmente, mas os dois juntos começando uma partida é responsabilidade demais pra eles. Mas é o que se tem para o momento, aliás, um momento longo esse.

O Grêmio até mereceu vencer. Gabriel perdeu um pênalti. Ouvi uns comentaristas de peteca dizendo que ele bateu bem. Sem comentários.

Depois, o Vasco fez aquele chamado gol espírita. O sujeito cruza mais para se livrar da bola e acaba encobrindo Victor, que não teve culpa alguma no lance. 

Se o Vasco achou um gol, o Grêmio não fez por menos. Com Douglas numa tarde sonolenta, mas ao menos não deu a tradicional entregadinha, e sem qualidade alguma na frente, o gol só poderia sair de uma bola parada. Escanteio, e Roberson (vejam só!) foi lá e cabeceou para empatar.

Com esse time, com esses atacantes, a campanha até que é boa. O que se viu de positivo foi a defesa. Mário Fernandes, Saimon e Neuton. Quase impecáveis. Saimon, por imaturidade, quase proporcionou um gol para o Vasco. Mas teve excelente atuação. Deve continuar.

INTER

Enquanto o Grêmio ficou no 1 a 1 com o campeão da Copa do Brasil, o Inter repetiu o placar contra o vice, o Coritiba, mas fora de casa.

Não fosse a campanha (um ponto a menos que o Grêmio) do time de Falcão, o resultado entraria no rol dos aceitáveis. Afinal, o Coritiba tem uma equipe ajustada e jogou diante de sua torcida.

Gleidson, quem diria?, abriu o placar. Depois, de pênalti, o Coritiba empatou.

Oscar não entrou em campo. Nem durante o jogo. Ele preferiu colocar, por exemplo, o Wilson Matias. O ‘espetacular’ do Fernando Carvalho foi ressuscitado pelo técnico, e quase sepultou o Inter no Couto Pereira. Ele deu umas entregadas que não resultaram em gol por detalhe.

Seria o fim de Falcão como treinador no Beira-Rio. Não tenho dúvida disso.

Falcão ganhou uma sobrevida. Quando ele foi contratado, eu escrevi aqui que era um grande equívoco da direção, que tinha um pensamento mágico: se o ídolo Renato deu certo no Grêmio, o ídolo Falcão (meio forçado esse ídolo, em todo caso) vai dar certo no Inter.

Há uns 15 dias terminou a lua-de-mel do Falcão com a imprensa. Na semana passada, houve o rompimento. Falcão acusou um comentarista de ter outros interesses em suas críticas. Na sexta-feira, depois de muito questionado, revelou que o tal comentarista seria o Guerrinha. Mas acabou erguendo a bandeira branca. Bola no meio de campo.

Acho que a imprensa pegou pesado demais com Falcão depois do início alegre e festivo. Por mais que a direção, a torcida e a imprensa colorada acreditem, o time colorado não é tão forte assim.

Por isso, responsabilizar apenas Falcão é uma demasia, uma injustiça. Falcão tem errado, não melhorou em nada o time em relação ao de Celso Roth (toc-toc-toc). Enfim, não está cumprindo o que prometeu.

Os dias de Falcão no Inter estão contados.

SAIDEIRA

Brincadeira gremista em resposta a uma dos colorados, aquela dos dez anos do Grêmio sem um grande título. Confira:

http://www.youtube.com/watch?v=1EXqIu1PYeg

1983: nada pode ser maior

Um vídeo bem-humorado e muito bem produzido brinca com os ’10 anos sem título do Grêmio’, lembrando que o último grande título foi o da Copa do Brasil de 2001, comemorado nesta sexta-feira.

O vídeo está no YouTube.

Acho legal esse tipo de brincadeira criativa. E entendo a motivação dos colorados para dedicar parte do seu tempo para produzir esse vídeo.

Afinal, quem ficou 23 anos vendo o Grêmio reinar absoluto como primeiro e único campeão mundial de clubes tem todas as credenciais para querer devolver tanto tempo de inveja, desespero e sofrimento.

Mais de duas décadas. É tempo. Não duvido que os autores da gozação sejam jovens que cresceram vendo os gremistas festejarem ano após ano o mundial. Aposto que desde criancinha frequentavam o Beira-Rio e não entendiam por que o nome Internacional se o clube era apenas ‘nacional’.

Cresceram assim, com esse sentimento de inferioridade. Eu senti isso na pele na década de 70. É realmente muito doloroso.

Imagino que crianças gremistas estejam sofrendo muito nesta década. É claro que há compensações, como a derrota colorada para o glorioso Mazembe. Mas o jovem gremista quer mais que vibrar com a desgraça alheia. Quer festejar títulos grandiosos de seu próprio clube.

Mas, ao contrário do guri de dez anos do vídeo, o guri gremista gosta de futebol. A fase ruim só faz aumentar essa paixão pelo futebol e, principalmente, pelo Grêmio.

Foi assim com os colorados que ficaram 23 anos esperando por um título das Américas e do Mundo.

Eu mesmo brinco com esse mar vermelho de 23 anos de lágrimas e decepções.

No ano passado, lancei a cerveja 1983 justamente para brincar com esse vazio existencial que eu percebia nos meus amigos colorados, muitos deles colegas que passaram pela redação no Correio do Povo nesses 23 maravilhosos anos da vida de todos os gremistas.

Por isso, nós entendemos essas brincadeiras. Eu, particularmente, me divirto, especialmente porque o Grêmio sempre será o primeiro clube gaúcho a conquistar o mundial.

E nada pode ser maior.

As convocações sacanas, Neymar e os Mamonas

Antes que empresários, especuladores, atravessadores, procuradores e dirigentes picaretas dominassem o futebol, eu até que vibrava com a Seleção Brasileira. Faz tempo isso.

Quando sai uma convocação, nunca se tem certeza de que ali estão realmente aqueles que o técnico considera os melhores. Sempre resta uma sombra de suspeição.

Interesses ocultos.

Já contei aqui, ano passado, a história de um jovem promissor. Ele tinha um procurador modesto, sem nome, sem prestígio. Depois de uma reunião com um grande empresário do ramo das chuteiras, ele abriu mão do jogador mediante uma compensação financeira.

Antes que deixasse a sala, ele ouviu o famoso empresário telefonar para alguém da CBF e dizer “agora já pode convocar”.

O jovem, um zagueiro, passou a figurar nas listas.

Desconfio das convocações, especialmente nas categorias de base. Nós já vimos vários guris participarem de seleções desde a sub nenê de fralda ou algo parecido. E não raro ficamos nos perguntando ‘por que esse cara tá na seleção?’. O fato é que o guri ao vestir a amarelinha automaticamente se valoriza.

Fora isso, tem o fato de que as convocações desfalcam os clubes. É claro que eles podem ter um ganho financeiro, mas há uma perda técnica que por vezes é expressiva.

Vejam agora essa convocação para o mundial sub-20. O Flamengo teve cinco convocados, o Inter teve três. Oscar está entre eles.

Falcão, que não parece apreciar muito o futebol do Oscar, talvez até tenha gostado. É menos uma incomodação. Essa imprensa chata, que não entende nada; essa torcida passional…

O Inter fica também sem dois zagueiros do grupo, Romário e Juan, jovens cotados para brigar pela titularidade. 

Já o Grêmio perde Fernando, que começa a conquistar seu espaço.

Enfim, a CBF vem aqui, leva nossos jogadores, desfalca nossos clubes. Enquanto isso, alguns dirigentes festejam porque o ‘patrimônio está sendo valorizado’, e o resto não interessa.

Bobagem essa coisa de querer ser campeão brasileiro. O bom mesmo é fazer dinheiro para pagar as contas e sei-lá-mais-o-quê.

Mas quem vibra mesmo são os empresários, os procuradores, os investidores.

E os guris, claro, que cada vez têm mais pressa em enriquecer. Mal estão saindo das fraldas e já arrumam contrato milionário na Europa.

A cobiça, a ganância, é tanta, que alguns chegam a sacanear o clube onde entraram engatinhando e onde hoje não podem sequer passar perto.

E, esses guris, por mais que sejam orientados, casam com a primeira que aparece, como o Alexandre Pato, ou engravidam uma menina ‘desatenta’, como o Neymar. Ou como o Traíra.

MAMONAS

No intervalo de Penarol x Santos (o Santos mostrou que tem mais qualidade técnica, mas o time uruguaio não se entrega e vai complicar na Vila Belmiro), assisti no SBT uma reportagem sobre os Mamonas Assassinas (depois, só fiquei fresteando o jogo).

Fiquei emocionado ao rever o Dinho fazendo palhaçada ao lado dos amigos, num clima de camaradagem e descontração. Lá pelas tantas, o Dinho parou de cantar, desceu do palco e apartou uma briga.

Está sendo lançado um filme sobre eles, que morreram em 1996, 2 de março, num acidente aéreo.

Quero declarar – e podem jogar pedras e ovos podres – que essa banda foi a coisa mais importante que surgiu na música brasileira nos últimos 20 anos.

Até hoje me pego cantarolando aqueles musiquinhas simples, quase infantis, algumas com letras de duplo sentido. A criançada gostava. Meus filhos gostavam. Eu gostava.

Sei que eles não ficariam muito tempo com tanto sucesso, talvez mais um ou dois anos. É assim no país da ‘eguinha pocotó’.

O Neymar, com sua alegria e malandragem pra jogar futebol, me lembra o Dinho, o líder dos Mamonas.

Vou ver filme.

Muita lama (vulcânica) ainda vai rolar…

Pode ser influência da nuvem de cinzas vulcânicas, mas o fato é que depois dos maus resultados da dupla no final de semana o clima ficou tenso no Olímpico e, principalmente, no Beira-Rio.

No Grêmio, a direção e o técnico Renato tentam minimizar a falta de Douglas ao treino de segunda-feira.

Se fosse qualquer outro jogador que tivesse faltado, eu não levantaria qualquer tipo de suspeita. Afinal, isso acontece em qualquer profissão.

O problema é que o faltoso é justamente o jogador que cometeu aquela falha carimbada de negligência e soberba, resultando no segundo gol do time paulista, justo no momento em que o Grêmio equilibrava a disputa.

Há informações de que ele está sendo negociado. Acho uma  hipótese plausível. E torço para que seja verdadeira. É ruim perder um jogador talentoso, sim. Mas entre ficar com um jogador que pode comprometer toda uma campanha por lances como o de sábado, e sair em busca de novas alternativas, fico com a segunda opção.

O Grêmio já foi dependente de uma ou outra individualidade. Um dia, elas partiram, e o Grêmio sobreviveu . Foi assim com Renato, Valdo, Jardel e tantos outros.

Agora, clima quente mesmo, não tanto quanto nas proximidades do vulcão chileno, acontece no Inter. Recolho duas frases extraídas, ou surrupiadas, dos sites do SP e do Clickrbs.

Primeiro, Falcão, negando que não tenha o controle do grupo, etc, e baixando o pau em parte da crônica esportiva:

– Convivi com muitos profissionais e muitos me decepcionaram pela postura, falta de seriedade, pelos interesses e pelo desconhecimento, para não falar em mau-caratismo.

Pegou mal. Ele deveria citar nomes e não espraiar assim a lama (vulcânica?). Acho que a Aceg poderia interpelar o técnico colorado.

Aliás, Falcão está em confronto com a imprensa. Ele pensou que teria bandeira branca por mais tempo. A primeira ação dele foi há poucos dias, quando foi lacônico nas respostas. Magoou.

Como se não bastasse, o Siegman também foi para o ataque:

– Acompanho a imprensa e as redes sociais e vejo a manifestação daqueles que perderam eleição, de gente que teve dificuldade em aprovar contas no Conselho Deliberativo. São colorados descontentes dizendo absurdos. É o que chamo de fogo amigo. São pessoas que deviam rasgar a sua carteira do Inter e ir torcer para o time do outro lado.

A última informação é trágica: o vulcão segue em erupção por mais uma semana.

Até lá muita água (lama) vai rolar…

Uma atuação envolta por cinza vulcânica

A rodada do final de semana começou com um desastre. Perder para o São Paulo não é desonra, vergonhoso é perder da forma como o Grêmio perdeu.

Antes a delegação não tivesse viajado por causa das cinzas do vulcão. O futebol que o time apresentou no Morumbi parecia envolto por uma nuvem de fumaça vulcânica. 

Os jogadores atuaram como se tivessem sido apresentados no vestiário, enquanto o time de Carpegianni exibia entrosamento, dinâmica e afinidade com a bola, errando poucos passes.

Já o time que Renato colocou em campo dentro da política de acomodação que destaquei no comentário anterior, abusou da arte de entregar a bola para o adversário.

Todos erraram, e erraram muito.

Mas há um jogador nesse time que quando erra, enterra. Afunda o time, cava a sepultura da derrota.

Douglas é quase um virtuose com a bola nos pés. Quase. Mas ele crê firmemente que é um craque, que faz com a bola o que quer. Alguém precisa chegar no ouvido dele e dizer, num grito sussurrante, ‘cai na real, Douglas’.

Li que ele, depois do jogo, cobrou mais bola nos pés. Ele quer bolinha no pé.

Pra quê? Pra fazer o que fez aos 18 minutos do segundo tempo, quando o Grêmio recém havia empatado e começava a manter uma disputa digna contra o São Paulo?

Ele recebeu a bola no grande círculo. Ele, o articulador do time, deveria recolher a bola e puxar o contra-ataque, talvez lançando um dos dois ‘atacantes’ de segunda divisão que o Grêmio tinha em campo.

Mas o que fez o ‘craque da bolinha no pé’? deu um toquezinho de primeira para trás, no contra-pé de FR, que corria em direção ao campo ofensivo.

A bola, essa mesma que estava nos pés do ‘craque’, caiu nos pés do adversário, que chegou aos 2 a 1 brincando.

Douglas mais uma vez havia armado um contra-ataque mortífero, um contra-ataque daqueles. Mas para o adversário, como de costume.

Se ele armasse contra-ataques a favor do Grêmio com a qualidade e quantidade com que o faz para o inimigo, seria imprescindível.

Mas isso não acontece. Eu sempre defendi o Douglas, apesar de tudo. Mas entendo que chegou o momento de ele esfregar as nádegas no banco de reservas.

Marquinhos foi contratado justamente para disputar posição com Douglas, e eventualmente jogar ao seu lado. Mas o fato é que ambos executam a mesma função, embora Marquinhos não seja conhecido como articulador de contra-ataques para o adversário.

Então, cabe a Renato, agora, impor-se como treinador, mostrar autoridade e decidir quem são os titulares, porque acomodar interesses e vaidades só leva a um caminho: a derrota, a humilhação.

O Grêmio, ontem, perdeu e foi humilhado. 

Não vou fazer como muitos que agora jogam pedra no Renato pela experiência que fez. Foi uma tentativa válida. Não deu certo.

Renato corrigiu no intervalo – só acho que quem deveria ter saído seria o Lúcio, que estava deixando a bola escapar sob seus pés, e não o Neuton.

O fato é que a mudança melhorou um pouco o time, que buscou o empate e começava a equilibrar a partida.

Mas aí havia um Douglas no meio do caminho.

E como se não bastasse, um bandeirinha incompetente que não marcou impedimento no terceiro gol.

O aspecto positivo é que o jogo trouxe algumas lições. Cabe agora ao Renato mostrar que é um bom aluno, fazendo o dever de casa com coragem e sabedoria.

FUMAÇA DO VULCÃO PAIROU SOBRE O BEIRA-RIO

O Inter continua sem vencer em sua própria casa. Saiu vencendo por 1 a 0, mas permitiu a virada do Palmeiras. Depois, no finalzinho, Damião, sempre ele, foi lá e salvou o pescoço de Falcão.

Fico imaginando o que seria do Inter se Mano Menezes tivesse convocado Damião para disputar a Copa América.

Falcão foi chamado de burro quando sacou Oscar. Aliás, Oscar é sempre o primeiro da lista de Falcão para sair do time. O Tinga se arrasta, mas quem sai é o Oscar. Treinadores, treinadores…

A realidade é que a dupla Gre-Nal foi mal na rodada. O Grêmio foi pior, claro. Mas o Inter, jogando em casa, tinha a obrigação de somar três pontos. O Palmeiras não é mais aquele faz tempo.

Do jeito que vai a coisa, a dupla se encaminha para ser figurante no Brasileirão.

A esperteza dos técnicos e os livros 'didáticos'

Os treinadores são uns espertalhões. Primeiro, que ganham muita grana passando por grandes especialistas; segundo, porque acham que nós somos bobos.

Falcão não é diferente. Tampouco o Renato.

Falcão precisa encontrar um lugar pro Oscar. Mas tem o Bolatti voltando. Quem sai? Um problemão, mas um problemão daqueles bons, porque é melhor administrar excesso de bons jogadores do que um amontoado de jogadores razoáveis.

Agora, é preciso saber lidar com a qualidade, porque boleiro quanto melhor  e valorizado mais determinado a não abrir mão do espaço conquistado, ou ganho de bandeja por ser de fora, não prata da casa.

O que fez Falcão diante do dilema: eliminou o problema. Ou seja, Bolatti, com seus 26 aninhos, apareceu com overtraining -sim, na hora de inventar desculpa esse pessoal é criativo. Nem o falecido criador do overlappin, o Cláudio Coutinho, faria melhor.

Traduzindo antes que o Carrião apareça, o argentino está com fadiga por excesso de jogos. Uma fadiga providencial que requer afastamento da equipe por alguns jogos. Depois, quando um dos volantes titulares – Tinga ou Guinazu – se lesionar ou for impedido de jogar por alguma outra razão, Bolatti volta lépido e faceiro.

Da mesma forma se o esquema com dois meias ‘criativos’ não funcionar como funcionou contra o modesto América Mineiro. Falcão, queira ou não, é obrigado a jogar com dois meias. A mídia quer, a torcida exige.

Já o Renato sai por outro lado. Não criou nenhuma lesão. O que ele fez: tratou de acomodar os melhores.

Mário Fernandes, que está arrebentando como lateral-direito, continua na equipe. Gabriel, o titular, teria que entrar no time ou ficar no banco. Mas a lógica dos técnicos passa pela acomodação.

O que faz Renato? Escala Gabriel no meio-campo. Teremos, então, dois laterais-direitos. Ah, e dois esquerdos, porque Lúcio vai jogar ali ao lado do Neuton, que também está merecendo continuar na equipe.

Como não tem nenhum atacante que possa entrar no carteiraço, Renato vai começar com apenas um, o Viçosa, que realmente merece continuidade pelo menos enquanto não aparecer alguém melhor e mais experiente.

Os treinadores são espertos, mas a gente ‘estamos ligado’, conforme escreveria um sujeito depois de ter aulas com os livros do Mec. O mesmo sujeito, aprendendo pela cartilha de matemática da casa do ministro Haddad – essa cria do Genro está batendo todos os recordes de besteira desde o governo anterior, e com o nosso dinheiro – poderia finalizar este texto sobre a esperteza dos treinadores dizendo:

– Afinal, 2 mais 2 não são 5?

SAIDEIRA

Agora, sobre o esquema que o Renato está improvisando: acho que ele está certo em começar com um atacante de ofício. A alternativa seria o Lins. Aí não dá, não é mesmo?

Se o Leandro estivesse em condições de jogo, aí Renato poderia ser criticado. Mas o guri sofreu lesão muscular -mais um. Esse negócio não acaba nunca no Olímpico. Quem será o próximo a ter estiramento?

Renato aproveita e reforça o meio para enfrentar o líder São Paulo. 

FECHANDO A CONTA

Grande rodada: Falcão x Felipão e Renato x Carpegiani.

GORJETA

Atenção: saiu mais um lote da 1983, tipo Pilsen. Faça como Renato e Falcão e se agilize. Estoque limitado.