O ocaso de um sistema que encantou o país

Saí da Arena, terça à noite, muito irritado com a derrota diante do Libertad. A irritação deu lugar à tristeza, à melancolia. Não sei se o Grêmio será campeão da Libertadores – começo a duvidar muito -, mas de uma coisa tenho certeza: o futebol que encantou o país, e conquistou até a simpatia de rivais, está moribundo.

Não vi nesse jogo contra os paraguaios nenhum resquício, por exemplo, daquele Grêmio que conquistou a Copa do Brasil de 2016 sob o comando de Renato Portaluppi, e depois conquistou a América jogando bola. Sim, esse Grêmio jogava bola, os outros jogavam futebol.

Sinto saudade desse time. Um time que tocava a bola, cansava, irritava os adversários, minava o moral dos jogadores. Por vezes, cansava até a mim, que cobrava lançamentos longos e cruzamentos da linha de futebol, em vez de ficar tramando a bola, costurando uma teia de aranha para golpear e engolir o rival.

Mais títulos só não vieram por essas coisas do futebol. Negociações de jogadores (Arthur) para manter girando a roda financeira do clube e decisões dos cartolas e de arbitragens suspeitas, além de um ou outro equívoco na formação do grupo.

É duro perder em função dessas coisas, mas faz parte.

O que dói mesmo é ter essa sensação que me aflige depois que vi o jogo contra o Rosario e, principalmente, esse contra o Libertad.

Não me incluo entre aqueles que parecem sentir prazer, uma satisfação interior profunda, em sempre detonar os melhores do time, desprezando as circunstâncias de um jogo e a qualidade do entorno, ou seja, de alguns integrantes do resto do time.

Por pior que tenha sido o desempenho técnico e tático do time, o Libertad chegou três ou quatro vezes na área gremista. Perdeu um gol logo no começo e depois, num contra-ataque, fez o gol da vitória.

Aqueles que culpam a dupla de volantes deveriam refletir sobre isso. O setor não estava tão vulnerável assim, mesmo com o time assumindo mais riscos no final porque buscava ao menos o empate.

O fato é que em outros tempos, a vantagem seria revertida até com facilidade.

Mas o Grêmio que estava em campo não era mais aquele Grêmio. Era um time vestindo o manto tricolor e jogando um futebol comum, banal e, cá entre nós, feio, ainda mais para quem já desfrutou do melhor.

Teria muito a escrever sobre os jogadores e as decisões de Renato, mas penso que tudo já foi dito neste blog pelos companheiros de jornada. Prefiro encerrar por aqui com uma pergunta:

Por que tanta insistência com camisa 9 estilo aipim quando o próprio Renato começou a se consagrar como técnico priorizando atacantes ágeis, velozes e ecléticos?

Outra pergunta:

Por que não colocar Jean Pierre quando sacou Vizeu, avançando Luan. Por que trocar seis por meia dúzia?

Vejo nisso o ocaso de um sistema vitorioso e encantador. Vai deixar saudade.

Pensem nisso enquanto lhes digo, até amanhã (frase de encerramento do Sergio Jockymann, brilhante radialista/jornalista/escritor. E colorado.

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