Em busca de um Dener na Copa SP

Vejo muita gente entusiasmada com o time júnior do Grêmio na Copa São Paulo. Antes da vitória contra o Goiânia, havia mais descrença do que esperança. Eu mesmo manifestei aqui preocupação com o que via.

Confesso que a goleada sobre o time goiano me deixou mais animado e me fez refletir: não estarei sendo exigente demais? Pensei, pensei e pensei. Li várias opiniões, principalmente dos parceiros de copo e de paixão clubística.

Pois eu continuo descrente. Já fui mais otimista em relação à gurizada em outras competições  e me quebrei.Ninguém nesse time me empolga. Ninguém. Vejo uns três ou quatro jogadores nota 7 ou nota 8, no máximo. Não sei se subindo aos profissionais vão aumentar ou diminuir essa nota.

Por exemplo, gosto dos dois laterais, o Raul e o Júnior. Penso que eles merecem chance no grupo principal, ao menos para observação.

No meio de campo, Arthur me agrada. Na frente, vejo potencial no centroavante Luís Felipe. Tem ainda o meia Iago, driblador, inquieto.

Está no último ano de júnior, e se não estourou até agora…

Os mais talentosos são promovidos com 17 ou 18 anos.

Enfim, os jogadores que citei chamaram a atenção também de muita gente, o que demonstra, ao menos, que não podemos todos estar enganados.

Agora, repito, não vejo nenhum jogador diferenciado nesse tipo. Aliás, nem nos outros pouco times que vi jogar.

Não sei se é uma crise técnica ou se está prevalecendo a vontade de empresários em algumas escalações. O fato é que se o futebol brasileiro depender essa geração sub-20 vai demorar a se recuperar. Um indício disso é a seleção do Galo – que não poderia estar comandando a base da seleção brasileira -, que levou um laço dos uruguaios neste final de semana.

Posso estar sendo rigoroso demais, mas é que quando penso em Copa São Paulo de imediato vejo um neguinho de pernas finas e ariscas encantando a todos aqueles que apreciam a arte maior do futebol: o drible.

Gostaria de ver alguém assim como o Dener, mas isso está cada vez mais raro, porque hoje no futebol prevalece a violência combinada com a complacência nojenta das arbitragens, amparadas no mantra dos pernas de pau: o futebol é jogo de contato. Contato, sim, mas não porrada.

DENER

Foi campeão da Copa SP, em 1991, pela Portuguesa. Eleito o melhor do torneio.

Em 1993, tive participação na vinda de Dener para o Grêmio, de tanto que queria vê-lo de perto.

No ano seguinte, no Vasco, ele morreu, vítima de acidente de trânsito.

Aqui uma amostra do talento desse jogador que nos deixou tão cedo:

ARRASCAETA

De jóia do futebol uruguaio, Arrascaeta foi reduzido a pó abaixo do Mampituba depois de confirmado o que se previa: o fracasso da tentativa do Inter em sua investida.

No início de dezembro sua contratação já era dada como certa aqui graças ao ‘generoso’ empresário Sonda, sempre festejado por suas ajudas ao Inter.

O fato é que o Inter perdeu o jovem uruguaio para o Cruzeiro. Essa é a notícia, nunca o fato de o clube ter ‘economizado 10 milhões de reais’. Mas que economia seria essa se era Sonda quem bancaria a transação?

Eu duvido que qualquer jovem realmente talentoso do Uruguai ou da Argentina venha para o futebol brasileiro.

Os bons mesmo vão para a Europa com 17 ou 18 anos.

No final das contas, acho que o Inter teve sorte.

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