Grêmio é o RS na Libertadores/2014

O Grêmio está na Libertadores de 2014. Nada mais justo.

Depois de passar metade do campeonato no G-4 seria um crime perder vaga na Libertadores, mesmo a ‘indireta’.

Mas por que não estou comemorando efusivamente?

É claro que estou contente. O futebol gaúcho terá um representante na Libertadores. O outro ficou pelo caminho há muito tempo e hoje espera pela última para ter certeza absoluta de que não será rebaixado.

Mas falta alguma coisa. Falta confiar mais nesse time, gostar mais do seu jeito de jogar. Falta empolgação com esse time armado – e parece mesmo um time ‘armado’ para o combate – pelo técnico Renato.

Gostava mais daquele outro, o de 2010. Levava mais sustos, sem dúvida, mas aquele time atrevido, ofensivo e ousado no qual até Clementino entrava e dava certo, me deixava mais satisfeito.

Ao vencer o Goiás por 1 a 0, quase não senti emoção. Quase não vibrei, mas mais uma vez fiquei irritado com alguns lances.

Faço uma lista dos jogadores que ficaram devendo: Pará, Alex Telles, Vargas e Kleber. Barcos também me irritou, mas fez o gol, e o gol absolve até condenado à pena de morte.

O melhor, disparado, foi Rodolpho. Bressan também esteve seguro. Souza mais uma vez em alto nível. Ramiro, além da jogada do gol, foi o guerreiro incansável de tempos atrás.

Zé Roberto incorporou o modo de jogar da equipe. Tornou-se um operário, apesar do seu talento superior. Mas cansou, porque não tem mais a idade do Ramiro.

Por fim, o goleiro Dida. Deixei para o fim porque eu vendo o Grêmio jogar, com marcação forte, obcecada, sinto-me como o Dida: um espectador. Não são poucos os jogos em que Dida quase não foi exigido. Cito dois em especial: ambos pela Copa do Brasil contra o Atlético PR.

Então, o pouco trabalho de Dida é um reflexo do esquema de Renato. Hoje, assisti ao jogo quase tranquilo, digo quase porque a vantagem por 1 a 0 é sempre inquietante. O Grêmio perdeu pontos importantes nos últimos minutos. Fora isso, o esquema de Renato se me irrita na frente, me deixa tranquilo no sistema defensivo. Eu sei que vou levar poucos sustos, ou nenhum, como aconteceu hoje na Arena.

Está aí outra vantagem do esquema de Renato, que joga primeiro para não levar gol: a gente quase não leva susto.

Sim, a gente se irrita, mas os resultados vão acontecendo, os pontos sendo somados, e no final das contas o saldo é mais do que positivo.

Poderia ser melhor? Sem dúvida. Poderia ser melhor para tantos outros clubes também, mas a maioria caiu pelo caminho ou morreu na reta de chegada, como o Botafogo.

Chego ao final da penúltima rodada convencido de que o mesmo treinador, Renato, com dois ou três jogadores com mais qualidade, teria sido campeão.

Renato herdou um grupo que não foi montado por ele – e esse é um dado que não pode ser desprezado.

Apenas um jogador do time titular foi indicação do Renato. Unzinho, conforme lembrou-me o Baldi, que apareceu aqui no boteco, sábado, para comprar as cervejas campeãs: Rodolpho.

Depois da atuação de hoje, elejo Rodolpho o melhor jogador do Grêmio. E isso não é bom.

Normalmente o melhor é um meia ou um atacante.

Exatamente o que mais falta a esse time tão criticado do Renato, que, com a vaga garantida, tem tudo para continuar no clube, desde que faça proposta realista.

INTER

D’Alessandro abriu a boca após o empate com o Corinthians, um bom resultado para o Inter.

Deu a entender que não fica em 2014 se o Inter não fizer time capaz de brigar por grandes títulos.

É o tipo de coisa para ser dita numa reunião com os dirigentes. Mas aqui D’Alessandro pode dizer tudo que é considerado normal. E isso que havia uma lei de silêncio imposta pelo clube para os jogadores não dessem entrevista.

Sem contar que ele tem contrato em vigor.

O presidente Luigi garantiu que o argentino não sai.

‘Enquanto eu for presidente, ele fica.’

Está aí uma promessa difícil de cumprir.