Renato refém de sua ideia de futebol

Renato ficou refém de sua própria ideia de futebol e escravo de sua vaidade.

Só isso explica a insistência em uma proposta de jogo que dá sinais concretos de desgaste.

Tudo tem uma prazo de validade, ainda mais no futebol. O esquema de Renato baseado na marcação e na vitalidade dos laterais e dos volantes, e na doação defensiva dos atacantes,  já não funciona.

A bola que antes entrava faceira e dócil, sob a benção dos deuses do futebol, hoje se rebela. Teimosa, reluta em encontrar as redes.

Renato fala em sorte. Antes, quando o gol saía apesar da escassa produção ofensiva, Renato não falava em sorte. A sorte que sobrou em alguns jogos, agora está ausente. Já resultou na eliminação da Copa do Brasil e na perda do segundo lugar, e ameaça até a vaga para a Libertadores/2014.

Renato é um vencedor. Tem estrela. O mesmo vale para o presidente Fábio Koff. Mas chegou a hora de providências importantes para ajudar a ‘sorte’.

No jogo do Mineirão essas medidas já poderiam ter sido tomadas. Por vaidade, por orgulho, mais do que por convicção ou teimosia, Renato parece determinado a morrer com a sua ideia de futebol.

Só isso explica, em parte, a não entrada de Zé Roberto e Elano, juntos, no decorrer do jogo contra o Cruzeiro.

Aos 20 minutos do segundo tempo, ele poderia ter escalado os dois. Desconfio que não o fez por um motivo: vai que dá certo.

Se os dois entram quando o Grêmio está perdendo por 1 a 0 – e o Atlético PR se distanciando no segundo lugar com vitória sobre o SP – e o time reage, Renato teria que dar o braço a torcer, e talvez repensar a sua concepção atual, e até circunstancial, de futebol.

Renato arriscou tarde e errado. Redescobriu Maxi Rodriguez, que andava esquecido em algum armário no vestiário, e insistiu com Mamute. Esqueceu Elano e Zé Roberto, que poderia dar um toque de qualidade ao time.

Renato nem pode alegar que poderia prejudicar a marcação, porque os volantes do Grêmio já não marcam com a mesma eficiência, já que o Cruzeiro saía da defesa para o ataque praticamente sem ser importunado.

Então, não perderia em marcação e talvez acrescentasse ofensivamente. Perdido por um, perdido por dois.

O Grêmio não fez o gol – e aí mérito do goleiro Fábio, confirmando que o ataque gremista está consagrando os goleiros rivais ultimamente com a ajuda dessa bola volúvel, infiel – e, de quebra, levou dois.

Os 3 a 0 foram injustos. Mas quem disse que há justiça no futebol?

Cabe agora a Renato refletir sobre o que está acontecendo com a sua equipe e, com humildade, fazer as mudanças necessárias.

Está mais do que claro que faltam peças de reposição no ataque, em especial para Barcos. A alternativa é recuperar a qualidade na armação, mesmo que isso resulte em algum prejuízo em termos de marcação.

BICICLETA

Para finalizar, será que só eu vi infração no gol de Borges? Houve um tempo em que dar uma bicleta ameaçando rasgar o nariz do adversário era jogo perigoso. Se Pará mete a cabeça naquela bola…

INTER

Ao vencer o Botafogo por 2 a 1, em Caxias, o Inter afasta de vez a fantasma do rebaixamento. Clemer armou bem a equipe, que não jogou grande coisa, mas jogou o suficiente para fazer 2 gols, o que já dá uma certa inveja.

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