Um dia iluminado: o Mazembe Day

Que belo dia!

E pensar que exatamente há um ano eu acordei angustiado, preocupado, nervoso, tenso. Resumindo: borrado mesmo, com todo o respeito porque este é um boteco família.

Pressentia que o Inter seria campeão do mundo de novo. Tanto esse sentimento me atormentava que criei, em agosto, logo depois que eles venceram a Libertadores pela segunda vez porque até espirro do Giuliano resultava em gol, a cerveja 1983.

E por que a 1983? Para lembrar aos desmemoriados de todas as colorações que o primeiro clube gaúcho campeão do mundo é e sempre será o Grêmio, queira a Fifa ou não. Os colorados esperaram (sofreram) durante 23 anos para chegar lá. O primeiro é sempre o primeiro. Depois, vêm os outros.

Um segundo título mundial do Inter seria insuportável. Já antevia o riso escancarado de meus ex-colegas colorados da redação do CP, Rádio Guaíba,, Zero Hora, etc.

Mas passou. Os deuses africanos, com seus tambores e suas mandingas seculares, auxiliados pela soberba que acometeu os colorados de chuteiras e de bandeiras, salvaram aquele 14 de dezembro de 2011.

É inesquecível aquela festa de despedida no Beira-Rio na exibição de um filme que encalhou. Inesquecível lembrar o capitão Bolívar, então festejado pelos colorados, prometendo uma festa ainda maior na retorno de Dubai e tendo como resposta gritos e aplausos. Êxtase total dos colorados. Quase um orgasmo coletivo.

Covarde, confesso que não vi nem ouvi o jogo. Se pudesse, teria me escondido debaixo da cama como criança assustada. Mas fui trabalhar. Só estranhei o silêncio na cidade, nas ruas quase desertas.

Lá pelas tantas, me esforçando para não ligar o rádio na minha sala só pra dar uma conferidinha, um gremista abre a porta e pergunta com um sorriso safado:

– Sabe quanto tá o jogo?

Nem respondi.

– Eles estão perdendo. Tá 1 a 0…

Arregalei os olhos.

– Tu tá de sacanagem. Como é que o Inter pode estar perdendo do Mazembe, isso não existe.

De repente, me enchi de coragem. Liguei o rádio. Ouvi uma narração chorosa, quase escorriam lágrimas do aparelho tamanha a choradeira. Quase uma transmissão de velório. O defunto era o Inter.

Fiquei animado, mas logo me lembrei que sou pé frio nessas secações de jogos importantes. Quando fui desligar o rádio o narrador gritou gol. “Viu?, quem manda se meter a besta?, eles empataram. Empataram e agora vão virar”, pensei, reclamando de mim mesmo.

Mas de repente pareci ouvir violinos lânguidos, um coro de anjos, música celestial. Era o narrador, com a voz quase desabando:

– … é gol do Mazeeeembeee, 2 a 0. O Inter está sendo eliminado pelo Mazembe, inacreditável…

Bem, aí eu não me contive. Abracei um colega gremista, o Fred, aquele que veio me diz que estava 1 a 0 para o Mazembe. E caí de joelhos, mãos para o céu.

– Deus é Pai, Deus é Pai!

Patético!

Mas o que se há de fazer? Sentia-me leve, feliz.

A última vez que tive uma reação assim foi em 1983. Não preciso dizer a razão.

Atravessei a noite e a madrugada daquele distante 11 de dezembro trabalhando em estado de graça para fazer uma edição especial da revista Goool comemorativa ao título de campeão mundial do Grêmio.

O primeiro título de campeão mundial conquistado por um clube gaúcho.

Quando saí da redação, ao lado do saudoso amigo Paulo Acosta, que beijou a tela da TV na repetição do segundo gol do Renato, já era dia.

Um dia iluminado como este 14 de dezembro de 2011. O Mazembe Day.

Escutem e se deleitem:

http://tvider.com/view/72808

SITE DO MAZEMBE DE NOVO

Nous avons publié quelques témoignages de ces supporters du Gremio de Porto Alegre, grand rival de l’Internacional, qui ont vécu l’exploit congolais comme un cadeau du ciel. Ce mercredi, au Bar Box 21 de la cité du Rio Grande do Sul, ils vont se retrouver pour fêter le premier anniversaire du succès de Mazembe. Plus de 250 internautes ont soutenu l’opération. Et ils vont dîner en buvant de la Mazembier blonde ou de la Kidiaba brune, les deux bières artisanales créées par Ilgo WINK, l’homme des médias.

Pour montrer votre sympathie à nos amis brésiliens, vous pouvez aussi aller sur la page spécialement créée sur facebook pour l’occasion et intitulée « Mazembe Day ». Glissez-leur un petit commentaire en français, en swahili, en anglais, peu importe. Voire même en portugais comme « Dahle Gremio ! » (« Allez Gremio ! ») ou « Abraço a todos os Gremistas ! » (« Accolade à tous les Grémistes ») par exemple…

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