Douglas, fim de um ciclo

Desde os seus tempos de Corinthians que admiro o futebol de Douglas. Tenho um amigo, conselheiro do Inter, que indicou Douglas para Fernando Carvalho quando ele ainda jogava no Criciúma.

Soube que Felipão rejeitou Douglas quando ele recém começava a jogar no time de cima do Criciúma. Acontece.

Hoje, conhecendo melhor esse jogador, firmo a convicção que Douglas não tem condições de exercer uma função de tanta responsabilidade num time de futebol. Talvez ele nem queira ser o centro do time, o cérebro, o articulador, o cara que recebe bolas e as encaminha com talento para que resultem em gol.

O melhor momento de Douglas no time foi quando ele tinha perto dele um jogador que dividia essa responsabilidade de criação ofensiva. Com Jonas o futebol de Douglas se iluminou, brilhou tanto que ele chegou à Seleção. Ali ele com certeza brilharia ainda mais porque haveria outros talentos ao redor. Mas Douglas não teve tempo, porque em poucos minutos cometeu aquele erro já conhecido de todos os gremistas, armando contra-ataque do adversário por excesso de soberba, de auto-confiança.

Sem Jonas, Douglas ficou como uma andorinha solitária querendo fazer o verão. Quando percebeu que afundaria com o time tratou de preparar sua saída, sua volta ao futebol paulista, de preferência ao Corinthians.

Douglas não quer ficar no Grêmio. Cabe ao Grêmio fazer o melhor negócio possível com ele. O talento de Douglas vai fazer falta, não sua negligência, seu distanciamento, seu pouco envolvimento com o clube que lhe paga e que, indiretamente, abastece sua geladeira de long neck.

Douglas ao lado de Kleber, Douglas Costa e Moreno, por exemplo, tem tudo para jogar mais e melhor. Mas está mais do que claro que ele prefere jogar futebol em outro lugar. Por outro lado, boa parte da torcida já não o suporta. Enfim, é hora da separação.

Cabe ao Grêmio buscar um substituto. Eu gostaria que fosse Montillo ou Ibson. Mas há outros bons nomes por aí, é só pesquisar.

Agora, é fundamental que Caio Jr participe desse processo e que as contratações não sejam feitas com base nos interesses de empresários, mas dentro de critérios que cabe ao treinador e à direção estabelecerem.

Se Caio Jr foi contratado porque estava disponível e porque manifestou há algum tempo desejo voltar ao seu ex-clube, conforme revelou o presidente Odone, não a partir de uma avaliação criteriosa, como seria de esperar, é imprescindível que a partir de agora cada passo seja calculado e estudado minuciosamente.

Caio Jr já disse que quer um time com mais velocidade, como exige o futebol atual. É a partir dessa premissa que ele e a direção devem montar o time.

E um time com mais velocidade e realmente competitivo passa pela saída de Douglas, que já faz algum tempo está com um pé fora do Olímpico.

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