Os matemáticos e os favoritos do Brasileirão

Os matemáticos do futebol estão com as calculadoras, digo, as barbas, de molho. Andam cabisbaixos, tristões.

O Brasileirão despreza a matemática. O virtual campeão de hoje, com 90% de chances de título, pode ficar até sem vaga na Libertadores.

O virtual rebaixado de repente renasce e acaba ficando até com vaga na Sul-Americana.

No Brasileirão vale a velha máxima gaudéria: não tá morto quem peleia.

Os exemplos são muitos. O Grêmio do ano passado lutava para não cair. Aí, despencou do céu o São Renato, que não apenas tirou o Grêmio do poço da desmoralização eterna como o colocou na Libertadores. Tivesse chegado três ou quatro rodadas antes perigava ficar com o título.

São Renato. Hoje, não são poucos os que o apedrejam. Futebol é assim. A santidade não resiste a resultados ruins.

O futebol, por outro lado, é capaz de santificar o demo, o mais horrível dos seres. Odiado por todas as torcidas. Alvo de chacota e ovos podres.

Celso Roth é um exemplo. No ano passado, levou o Inter ao título da Libertadores. Depois, mergulhou o clube nas profundezas do inferno ao ser eliminado pelo Todo Poderoso Mazembe.

A torcida gremista que gritava ‘fica Roth’ para provocar os colorados, hoje não aceita perder Roth, o santo da hora.

Futebol é assim. Tem sua lógica ilógica.

Dentro desse raciocínio, que pode ser resumido na antológica e definitiva frase ‘futebol é dinâmico’, ouso afirmar que até o Grêmio tem chance de conquistar uma vaga na Libertadores – não que isso signifique grande coisa a julgar pelo que tem feito dela seus dirigentes.

Teoricamente, o Grêmio, com um jogo a menos, poderia estar com 33 pontos (tem 30), à frente do Coritiba e atrás do Palmeiras, que tem 34. E a apenas 4 pontos do Fluminense, o quinto colocado.

Hoje, vejo apenas dois clubes como praticamente garantidos no grupo que irá disputar a Libertadores: Corinthians e São Paulo. Os dois figuram desde o início no G-4. O Time do Tite ficou de fora apenas na primeira rodada. Depois, assumiu a liderança, que mantém há bastante tempo. O SP nunca saiu do G-4.

Esses dois estão na Libertadores de 2012, não tenho dúvida disso. O SP ainda tem a vantagem de contar em breve com Luís Fabiano.

Todos os demais não conseguem manter-se muito tempo. O Flamengo do ‘disque-dentuço’, por exemplo, chegou a brigar pela liderança e agora soma derrotas.

O Botafogo teve seu momento, mas caiu na real quando levou 5 do Coritiba. Já o Fluminense entrou numa fase de vitórias. O ameaçado Abel começa a mostrar serviço. O Vasco anda assanhado, mas já tem lugar garantido na Libertadores porque é o atual campeão da Copa do Brasil.

Considerando o potencial dos times, com uma pitada do meu desejo, constato que as vagas restantes (duas ou três) vão ficar, pela ordem de favoritismo, com:

Flamengo, Fluminense, Inter e Grêmio. Não levo fé no Botafogo nem no Palmeiras.

O Gre-Nal da última rodada pode decidir quem vai e quem fica.

E o título? Acho que fica com o Corínthians. Afinal, quem ganha um estádio do ‘presidente’ Lula pode ganhar tudo o mais que vier pela frente.

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