Época de tiroteio na crônica esportiva

Esta é uma época boa de trabalhar na crônica esportiva. É nome de jogador voando pra tudo quanto é lado.

É época do chute. Eu cansei de chutar. Diante do menor indício, lá estava eu tascando mais um cogitado na lista tanto do Grêmio como do Inter.

Às vezes, se eu gostasse de um jogador para reforçar o Grêmio e sabia que havia carência na posição, lançava o nome nas páginas do jornal. Sem o menor constrangimento.

Foi assim, por exemplo, com Paulo Egídio, um ponta-esquerda dos melhores que já vi. Lancei seu nome do nada. A ideia repercutiu no Olímpico e poucos dias depois ele estava contratado.

O Dener. Tenho participação na vinda do Dener, um dos melhores jogadores que já vi. Melhor que o Neimar. Na minha opinião, claro.

Um empresário me bateu que o Dener poderia sair facilmente da Portuguesa, a Lusa como gosta de dizer o meu amigo Chico Izidro.

Entrei em contato com o presidente da época, Fábio Koff. Ele gostou da ideia e disse que ia investir na vinda do Dener.

É claro que o Correio do Povo deu a notícia com exclusividade.

É, portanto, uma época de tiroteio, metralhadora giratória. Tem gente que atira tanto que só pode acertar. E aí sai cantando marra. “Viu? Dei um furo na concorrência”.

É a obsessão pelo furo. Cansei de dar furo na Zero Hora. Levei alguns, é verdade, mas um número insignificante.

Nesta manhã, entra o apresentador na rádio Guaíba, enfatizando que eram 9 horas e 8 minutos. Repetiu o horário. Parecia o ex-deputado aquele.

E chama o repórter Igor Póvoas, que anuncia a contratação do argentino Miralles pelo Grêmio. Não sei se outra emissora deu antes, acho que não.

Mas o furo em rádio é complicado. Na outra emissora o sujeito pode entrar minutos depois e anunciar que é em primeira mão. E fica por isso mesmo. Ele sabe que largou atrás, mas o ouvinte não tem como saber. Então, ficam os repórteres no ar destacando o ‘furo’.

Miralles parece ser um bom reforço. O Grêmio precisa urgentemente de dois atacantes titulares.

Felizmente, Borges está indo embora. É a garantia de que não teremos mais pênalti batido nas nuvens.

Se for embora numa troca pelo Marquinhos, melhor ainda.

No ano passado, quando o Grêmio contratou todos os jogadores ruins do Avaí, e desprezou Marquinhos por exemplo, eu lamentei. Gosto do estilo do Marquinhos. Pode substituir Douglas ou jogar ao lado dele.

A direção do Grêmio começa a se mexer. E isso é positivo. Pena que não fez isso antes da Libertadores.

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