A última chance de Duda

Escrevo quando torcedores gritam fora Duda, fora Meira, e atacam os ex-dirigentes Fábio Koff e Cacalo por terem influenciado decisivamente para a eleição da diretoria atual.

Os dois gostam muito de dar pitaco na gestão, mas na hora de trabalhar, arregaçar as mangas para ajudar o seu ungido são mais escorregadios que muçum ensaboado.

A derrota por 2 a 1 para o Fluminense está dentro da normalidade. Antes imbatível no Olímpico, o Grêmio virou saco de pancadas desde que perdeu para o poderoso Pelotas no Gauchão. Técnico? Silas.

Desde então, o Grêmio que não ganhava fora, passou a perder também em sua casa.

Desde maio estou convencido de que Silas não é treinador para o Grêmio. Defendi sua contratação, e fiquei ao seu lado nos momentos iniciais, quando já era criticado, por entender que ele estava começando e precisava de tempo.

A eliminação da Copa do Brasil deveria marcar a demissão de Silas. Na verdade, ele deveria ter saído antes. Com um treinador mais experiente, o Grêmio não teria levado três gols do Santos no Olímpico, o que acabou determinando sua eliminação logo em seguida, na Vila Belmiro.

A partir daí, a direção tricolor colocou em risco a campanha no Brasileiro ao manter Silas. Seria o momento, também, de trocar o comando do futebol. O tempo passou e a situação só ficou ainda mais grave.

Neste momento, 18h30, o presidente Duda dá entrevista coletiva. Anuncia que ‘libera’ Meira e Duda devido à situação atual.

Há boatos de que Renato Moreira assumirá o futebol. Duda, porém, diz que o assessor de Meira, Guerra, assume o posto interinamente. Sobre Renato, Duda diz que não existe nada de concreto.

Outro boato dá conta que Tite será o treinador. Sou a favor. Mas não acredito porque haveria uma questão mal resolvida entre Tite e Paulo Paixão.

Minha sugestão, se não puder ser Tite, é Dunga. É o tipo do profissional que assumiria rapidamente o controle do vestiário, que é talvez o maior problema hoje do clube.

Mas existem outros nomes: Paulo Bonamigo, por exemplo. Talvez fosse o caso de conversar com Geninho.

O importante é que seja um treinador que goste de armar um time que privilegie a marcação forte no meio de campo, fundamental no futebol de hoje. Nesse time, portanto, não pode jogar com dois meias que não marcam, porque não querem ou porque não sabem.

O melhor momento do Grêmio foi com Adilson, Willian Magrão e Maylson, com Douglas mais liberado. Silas abriu mão disso. Ele gosta de jogar com dois meias. A própria direção investiu em jogadores para a meia, sinalizando sua preferência, ou por falta de conhecimento mesmo.

Terminou o ciclo de Silas e a era Meira, um dirigente que deu contribuição ao clube, mas que chegou ao seu limite, conforme já havia escrito anteriormente.

SAIDEIRA

Silas disse que não foi contatado pelo São Paulo, desmentindo notícia nesse sentido. O problema é que usou como argumento a palavra ética. O SP tem ética, não entraria em contato com um técnico com contrato em vigor com outro clube, disse ele. Ora, logo o SP, que se atravessa em tudo que é negócio?

QUESTÃO DE ORDEM

Em seu último jogo, Silas deu uma oportunidade de verdade para o garoto Roberson. Mas foi preciso não ter ninguém mais para colocar, a exemplo do que ocorreu com Neuton. Roberson entrou e mostrou que tem condições de disputar um lugar no time, ou ao menos ser melhor aproveitado.

No mais, Silas já vai tarde. Assim como Meira.

Eles saem deixando uma terra arrasada. Havia um time ajustado até maio.Lembro que fui atacado aqui por sugerir a demissão de Silas e a saída do Meira três meses atrás.

A realidade é que no oitavo mês do ano ninguém mais sabe qual o esquema do time e qual a escalação ideal. Jogadores incontestáveis passaram a ser questionados. As individualidades mais luminosas se apagaram, consequencia do trabalho que agora chegou ao fim, ainda há tempo de evitar a queda para a segunda divisão.

Resta agora torcer para que o presidente Duda acerte na escolha dos nomes que irão assumir neste momento de tanta dificuldade.

Duda não pode errar.

O que Duda decidir agora vai determinar a maneira como ele entrará para a história do clube que ama.

É a última chance de Duda.

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