Pasárgada e a decisão de Renato

A entrevista do Renato após a vitória por 2 a 0 sobre a Chapecoense, resultado que ainda permite sonhar em ultrapassar o ‘melhor segundo lugar na história do Brasileiro por pontos corridos’ (acho que agora entra ‘o melhor terceiro…’), indica que é forte a possibilidade de ele ficar.

Aliás, se ele seguir no Grêmio vai deixar muito colorado furioso, basta ver a campanha que se percebe em alguns setores da imprensa gaúcha para que ele volte a curtir intensivamente as areias do Leblon.

Ah, aqui ele não consegue ir a restaurantes porque será muito assediado pelos fãs – dizem os arautos vermelhos, que falam na saída de Renato desde que ele aqui desembarcou para recuperar e lustrar a imagem do Grêmio.

Bem, nessa entrevista, Renato insistiu e ficou alguns minutos discorrendo sobre os jogadores que ele lançou ou lapidou nesses dois anos, ajudando a engordar os cofres do tricolor.

Falou tanto sobre isso que cheguei a lembrar do Luxemburgo, que costumava dizer que era um técnico barato pelo volume de recursos captados pelo clube com a venda de jovens revelações.

Técnico caro é técnico perdedor, que não resiste três meses, e não ajuda a formar jogadores para serem negociados ali adiante.

Dizem que Renato quer 1 milhão de reais por mês. Este valor o Abel Braga recebia no Fluminense uns dois anos atrás.

Não estou defendendo a permanência do Renato. Até penso que seu ciclo pode ter se encerrado. Gostaria que ele ficasse, seria um problema a menos para a próxima temporada em que teremos a dupla competindo na Libertadores.

Imagine começar o ano com um técnico novo cuja cabeça poderá ser pedida ainda no decorrer do Gauchão.

Lembro que o Felipão na segunda metade dos anos 90, depois de ganhar quase tudo no Grêmio, sentiu que haveria a decadência do time com a venda dos melhores jogadores e saiu fora. Ele e Fábio Koff saíram quase ao mesmo tempo.

O futebol é assim. Quem pode, e sabe, aproveita a onda e surfa nela. Quem não sabe, pega livros e vai estudar futebol, relações humanos e, em especial, como lidar com duas dezenas de egos inflados no vestiário.

Renato é intuitivo, e bom observador. Um grande técnico de futebol. Ele aparentemente quer ficar, até porque aqui, mesmo não sendo Pasárgada, Renato é amigo do Rei e admirado por todos os gremistas, com exceção de meia dúzia de rabugentos que nunca estão satisfeitos.

ANDRÉ

André chegou aqui quase como unanimidade. Poucos questionaram sua contratação. O mesmo vale para Marinho.

Dois bons reforços, em tese, que até agora estão longe de repetir seus melhores momentos na carreira.

O melhor seria negociá-los, mas depois do que fizeram aqui dificilmente o investimento será recuperado.

É preciso investir neles para reduzir o prejuízo. Com sorte, eles até podem ser úteis em 2019. O futebol é uma ‘caixinha de surpresa’, já dizia Dino Sani.

 

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