Os ídolos fabricados e os espontâneos

Pouco importa se os 10 anos de Inter sejam, na verdade, um pouco mais que nove (houve uma pausa para o River Plate nesse período). O que interessa é forjar um ídolo colorado a qualquer custo, o que, no meio de tanta carência, não é tão difícil e até dispensa uso de PDF.

O eleito, como todos estão fartos de saber pela abundância de material em rádio, TV e jornal, além das redes sociais, é o sr . D’Alessandro.

Uma idolatria perigosa, porque ninguém sabe o que o ídolo vermelho pode aprontar. A ameaça de repetir o ‘pular da barca’ de anos atrás está descartada, porque se ele o fizer ninguém vai se importar.

Um ídolo natural, erigido pelo clamor popular poderia ser o autor do único título mundial do clube, o Gabiru. Que falta de sorte!, lamentam ainda hoje os colorados loucos para idolatrar alguém, digamos, mais representativo, alguém que fosse motivo de orgulho como é Renato para os gremistas.

Foram os gols sobre o Hamburgo, em 1983,  que projetaram Renato Portaluppi como maior ídolo da torcida gremista, ou da imensa maioria dos tricolores. Foi justamente o principal jogador do time, não alguém que entrou de penetra na festa e acabou sendo protagonista.

O fato é que não foi necessária nenhuma campanha para Renato ser aclamado e sacramentado como ídolo tricolor.

Uma posição consolidada agora com os quatro títulos conquistados pelo Grêmio em menos de dois anos com Renato como treinador. Tanto que em breve Renato vai virar bronze na Arena.

Numa comparação – como se pudesse haver comparação -, terá o argentino, mesmo com todos os seus pendores de marqueteiro, capacidade de repetir fora de campo o sucesso (relativo, é verdade) alcançado nos gramados?

D’Alessandro nesses nove anos teve sucesso mesmo foi no Gauchão, onde ele é Rei por razões muito conhecidas. Teve a Libertadores de 2010 e uma Sul-Americana. E só.

Até o Tarciso, com seu jeito discreto, fez mais que o D’Alessandro, conforme andei lendo nas redes sociais. Jogou mais vezes, fez mais gols e conquistou mais títulos importantes.

Em contrapartida, o argentino foi um dos participantes do maior vexame do século, a derrota para o Mazembe, no Mundial de 2010. Devo ao D’Alessandro essa alegria, uma das maiores que tive no futebol.

Uma alegria tão grande que acabei criando as cervejas MAZEMBIER e KIDIABA, intragáveis para os colorados mais fanáticos.

Bem, não tenho dúvida de que D’Alessandro é um ‘ídolo’ fabricado como contraponto (tudo vira Gre-Nal) a um ídolo natural, espontâneo, nascido no coração de cada gremista.

Por isso, eterno.

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