O ano em que o Grêmio jogou sem centroavante

O Campeonato Brasileiro se arrasta rumo à linha de chegada. O Cruzeiro já é campeão faz tempo e agora faltam definir detalhes como vagas para a Libertadores e os rebaixados da vez.

É o que sustenta esse campeonato morno que agora se presta mais para acordos e conchavos para livrar a cara de uns e afundar outros. A vitória do Vasco sobre o Cruzeiro, por exemplo, está sob suspeição pelo que falou Júlio Baptista ao Cris em meio ao jogo.

O fato é que o Brasileirão agora vive de migalhas de emoção.

Ao torcedor gaúcho, que há anos não comemora um título brasileiro, sobrou muito pouco.

Grêmio e Inter, que entraram na disputa como candidatos ao título, fracassaram de novo.

Ao Grêmio ainda resta o consolo de disputar as migalhas, ou seja, vaga para a Libertadores de 2014. Ao Inter, nem isso. Seu elenco milionário afundou.

Os dois times têm em comum, além de uma folha de pagamento absurdamente desproporcional ao futebol que apresentaram na temporada, o fracasso de seus centroavantes.

Damião, o matador, o goleador que nos delírios do presidente Luigi e de parte da mídia poderia render aos cofres do clube uns 25 milhões de euros, está quase virando moeda de troca.

Já o Grêmio caiu nos tropeços, escorregadas e quedas atabalhoadas de seu centroavante. Barcos, o dos 28 gols marcados pelo Palmeiras em 2013, abusou de perder chances de gol.

Mostrou mais aptidão para atuar na zaga do que no ataque.

Se eu tivesse que resumir o que foi o Grêmio no Brasileirão/2013 escreveria o seguinte:

O ano em que o Grêmio disputou um Campeonato Brasileiro sem centroavante.

Pode ser exagero, mas é o que sinto neste final de domingo depois de passar 90 minutos me irritando com os passes errados, a falta de intuição para antever a jogada e chegar para concluir o lance, a capacidade de estar sempre onde a bola não está.

Enfim, até a doação, o esforço e a combatividade de Barcos que antes até me comoviam, hoje só me irritam.

Eu cansei de ter um centroavante peleador. Eu quero um centroavante goleador.

E não adianta alegar que ele recua muito para ajudar na marcação, que é sacrificado pelo esquema. Isso até aconteceu no começo, mas não é o que tem ocorrido. Nos últimos jogos ele só marcou a saída do adversário. No mais, ficou brigando com os zagueiros e a bola.

Depois de tanto tempo sem marcar gols, Barcos merece o banco de reservas. Talvez se entrar no segundo tempo ele apresente mais qualidade, mais faro para o gol.

E aí fica escancarado um erro de avaliação da diretoria: não há um reserva experiente para a camisa 9.

Há uma frase, acho que do falecido técnico Ênio Andrade, que sintetiza a importância de um centroavante, de um homem de área, de uma referência. É mais ou menos assim:

Quem tem dois tem um, quem tem um não tem nada.

O Grêmio, hoje, não tem nada. O Grêmio não poderia ter começado o Brasileirão apenas com Barcos, confiando em Lucas Coelho ou em Mamute como opções.

O Grêmio já perdeu a chance de brigar pelo título pela falta de gols, pela incapacidade monumental de fazer gols, e agora corre o risco de perder a vaga direta à Libertadores/2014 porque não sabe fazer gols, não tem quem faça gols.

Se depender de gols de seu centroavante, de seu ‘ goleador’, a vaga será perdida.

De qualquer modo, o Grêmio já chegou longe demais sem centroavante.

O Inter que o diga.

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