O caso Vargas e a imprensa

Ouvir todos os lados de uma história é um princípio básico do jornalismo, do bom jornalismo, aquele que preza pela exatidão e honestidade da informação.

Foi o que destacou o diretor de futebol Rui Costa, hoje, ao criticar reportagem do jornal ZH sobre o acidente envolvendo o atacante Vargas, que estaria sendo convidado a pagar os 300 mil do carro que locou e destruiu num acidente no Interior do Estado há um mês.

Só apareceu a versão da empresa que locou o veículo – custo mensal, segundo a reportagem, de 15 mil reais. Nos grandes clubes é assim, o dinheiro entra fácil, de montão, e sai mais fácil ainda. E isso vale para clubes, jogadores, etc.

O que mais me chamou a atenção nessa história nem é o fato de o Grêmio e o jogador não terem sido ouvidos, e até nem sei se o repórter não tentou.

O principal de tudo é um sujeito pagar 15 mil mensais de aluguel de um carro que ele poderia comprar, porque dinheiro para isso não lhe falta.

Para quem não leu: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/esportes/gremio/noticia/2013/07/vargas-sera-intimado-a-pagar-r-300-mil-por-carro-capotado-4201053.html

Outro aspecto que chama a atenção, e que está provocando indignação entre os gremistas nas redes sociais, é que essa lambança toda só apareceu depois de Vargas marcar os dois gols da vitória sobre o então líder do campeonato, o Botafogo.

Como o acidente – ocorrido em Casca, dia 16 de junho – aconteceu há bastante tempo, seria natural que esse tipo de assunto tivesse vazado para a imprensa dias após o ocorrido.

Está claro que foi a locadora de veículos quem recorreu à imprensa na ânsia de pressionar para receber o que julga ser do seu direito. O normal, no entanto, seria a empresa entrar com ação judicial, sem fazer escândalo.

No site do Grêmio, Rui Costa questiona dados da reportagem assinada pelo repórter Luís Henrique Benfica.

Mas observa, principalmente, que não foram ouvidos os outros entes envolvidos, prevalecendo apenas a versão da empresa.

O fato é que esse tipo de situação pode perturbar o profissional. Vejam o caso do goleiro Diego Cavaliere, que falhou bisonhamente contra o Inter e que estaria enfrentando um sério problema pessoal.

O clube tem mesmo é que se preocupar e buscar uma solução imediata, mas nunca ajudando a pagar o estrago feito pelo seu atleta. Aí seria paternalismo demais.

A imprensa, é certo, tem mais é que exercer a boa prática de ouvir todos os lados, mas cabe ao jogador de futebol, com toda a sua exposição pública, ter um pouco mais de cuidado com o que faz nas horas vagas.

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