O silêncio dos secadores

Quando terminou o jogo, vitória de 2 a 0 sobre o Bahia, fiquei com a mesma sensação que tenho quando saio do consultório do dentista sem ter sentido toda a dor que eu projetava. Não é que não doeu?, pergunto a mim mesmo, ainda incrédulo.

Foi assim que me senti. Imaginava uma noite de sofrimento. O silêncio de Falcão me incomodava, me preocupava. Acho que superestimei o treinador Falcão, e seu time, claro. Ao mesmo tempo, talvez tenha subestimado demais o time de Luxemburgo.

O fato é que um outro silêncio me deixou confortado, feliz mesmo. Não ouvi o foguetório dos meus vizinhos colorados, que podem não ser maioria na zona, mas são mais ruidosos, mais espalhafatosos. Hoje, silêncio total.

A vitória silenciou os secadores.

A classificação do Grêmio à semifinal da Copa do Brasil é algo que merece ser comemorado. Que venha o Palmeiras, que venha o Felipão, que venha o Valdívia com aquele bigodinho que me faz lembrar o amigo Alfredo Possas, lá do Correio do Povo.

Quem chega à semifinal de uma Copa do Brasil com um time tão limitado quanto esse do Grêmio é capaz de tudo. É capaz até de ser campeão. Alguém duvida? Eu duvido, mas não aposto uma Mazembier nessa minha dúvida.

O Grêmio está crescendo como equipe, como conjunto, apesar de individualidades absurdamente insuficientes como o ‘articulador’ Marco Antônio e o lateral Pará. Um lateral com tamanha limitação – o Maikon Leite vai fazer festa por ali – ainda é suportável, mas um meia, um cara que tem a missão de armar jogadas, precisa ser mais talentoso, mais criativo, mais eficiente.

Enquanto o Grêmio tem Marco Antônio, o Palmeiras vem com Valdívia. No restante, os dois times se equivalem. Será um jogo difícil, tudo pode acontecer.

Resta torcer para que ninguém mais se lesione, que a lesão de Edilson não o impeça de continuar na Copa do Brasil, e que Kléber ainda possa enfrentar o Palmeiras.

Se o Grêmio está crescendo, o Palmeiras também está. Se o Grêmio tem Luxemburgo, o Palmeiras tem Felipão.

Os dois times precisam de um título nacional. Os dois treinadores precisam provar que continuam vencedores, que não estão superados, como dizem alguns apressadinhos.

No jogo contra o Bahia, não vi ninguém se destacando muito individualmente. Se eu tivesse que destacar alguém, seria o Miralles. Fez um gol e deu um passe preciso para Moreno.

Mas o ponto forte, sem dúvida, é a equipe como um todo. E aí, mérito do Luxemburgo.

Falta qualidade na equipe, mas sobra aplicação e vontade.

Mas pelo que vi até agora, o Palmeiras não está muito diferente, embora tenha um articulador de verdade.

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