Enquanto Zé Roberto não vem

Quem viu Geraldo, 38 anos, correndo, driblando, defendendo e articulando – este sim é articulador de carteirinha – não tem por que duvidar que Zé Roberto, 37 anos, não pode fazer o mesmo no Grêmio, evidentemente com mais qualidade e sabedoria, e sem aquelas frescuras que adornam o cabelo do meia do Fortaleza.

Zé Roberto, quando estiver com 45 anos, provavelmente aposentado, ainda estará jogando mais que o Marco Antônio. Eu, por exemplo, aos 45 era imbatível como quarto zagueiro do time do Correio do Povo. Meu apelido era Baresi (quem não conhece, pesquise).

(Beto Almeida, grande treinador a espera de uma grande oportunidade, participou como convidado de algumas das nossas peladas. Ele costumava dizer, suspirando: “Se eu tivesse um cara como o Ilgo pra jogar de líbero, eu me consagraria”. A modéstia me impede de ir adiante).

Mas enquanto Zé Roberto (se tudo não passar de mais uma jogada da direção para distrair a torcida) não vem, o Grêmio tem o glorioso Marco Antônio.

E não é que MA, que eu tanto critico, marcou um golaço?

No restante do tempo, porém, continuou jogando verticalmente, mas pra trás e raramente pra frente, e para os lados. Driblar um marcador, partir pra cima dele, nem pensar. É claro que seus passes são certeiros. Só erra passe o jogador tecnicamente ruim mesmo, ou aquele que arrisca umas enfiadas. Quem joga pra trás ou pro lado, quase não erra. Por isso, os incautos dizem: “É, mas ele tem o passe preciso”. Pode ser preciso, mas não é o que o time precisa. O time quer mais de um articulador.

Escrevo isso porque ouvi na Gaúcha uns neófitos votando no MA como melhor do jogo por causa do gol.

Se eu fosse convidado a votar, ficaria com Fernando. Esse guri vai longe, joga muita bola. Espero que não seja convocado pra seleção.

Depois, num segundo plano, Edílson, Souza e Marcelo Moreno.

Mas tem outro na lista, que deixei para esta linha porque ele merece diante dos agravos dos corneteiros que frequentam este boteco:

VICTOR. Aos 40 minutos do segundo tempo, ele protagonizou a defesa mais bonita e sensacional do ano: bola quase no ângulo, visão encoberta, um salto acrobático, mãos firmes desviando a bola que rumava feliz para as redes.

Se, repito, SE, o Grêmio conseguir algo de mais significativo neste ano será porque tem aquele que é o melhor goleiro em atividade no país.

Feita a devida e merecida provocação, é louvável que Luxemburgo tenha escalado o time de maneira a não sofrer gol, e só depois arriscar. Tivesse feito isso no Gre-Nal, talvez o finalista hoje fosse o Grêmio.

Agora, aos fatos: o Grêmio soube neutralizar o Fortaleza no primeiro tempo. Teve duas chances de gol, marcou dois gols. Aproveitamento de 100 por cento.

No segundo, o Fortaleza ameaçou muito mais, e até mereceu fazer um golzinho. Victor não deixou.

O time continua jogando um futebol precário se considerarmos que o objetivo é o título. Mas conseguiu o que mais interessa, que é a vitória, e uma vitória quase impossível de ser revertida no Olímpico.

Portanto, o Grêmio está na próxima fase da Copa do Brasil – será contra Bahia ou, de preferência, contra a Portuguesa. Se Luxemburgo não inventar mais, metendo o pé pelas mãos, como fez no Gre-Nal, o time pode encorpar e ir adiante na competição.

Se Victor continuar salvando e o ataque seguir com um aproveitamento elevado, tudo pode acontecer.

Ninguém está impedido de sonhar numa competição mata-mata.

OSCAR

O Inter continua fazendo de tudo para ficar com Oscar. No treino de hoje colocou o mancebo a treinar entre os titulares, dando um sinal para a CBF que era hora de colocar o Oscar no BID. A CBF nem deu bola. E agiu certa. A justiça do trabalho se mostrou a favor do jogador, mas há a justiça desportiva a ser considerada. Enquanto a situação não ficar muito bem esclarecida, é difícil que Oscar volte a jogar. O Inter quer ficar com Oscar, mas quer pagar muito menos do que ele vale. Este é o problema. Pague os 17 milhões que o SP quer e, pronto, terá Oscar de volta ao time.

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