Bee Gees, Cabral e bairrismo

Ainda ontem ri de uma frase do Cláudio Cabral, no final do programa na rádio Bandeirantes. Não me lembro qual, mas eu ri. Estava no trânsito.

Hoje de manhã, soube de sua morte. Foi assim de repente, não mais do que repente.

Não convivi com o Cláudio, mas sempre o admirei. Frases curtas, inteligentes, humor ácido. Era colorado, mas batia para todos os lados.

Se não era imparcial o tempo todo, era honesto em suas opiniões, e isso é o que importa no jornalismo.

O jornalismo esportivo perde em qualidade. Assim como perdeu com a morte de seu pai, o Cid, outro gigante da crônica esportiva.

Há uma frase maravilhosa do Cid no vestiário do Inter, na sala de imprensa mais exatamente (se é que ela ainda está lá por causa da obras), em que ele diz que nunca revelou publicamente qual o seu clube porque sempre acreditou na inteligência do torcedor. Ele era colorado. Mas também honesto e crítico.

Se eu fosse mais criativo não escreveria que a chuva que cai sobre o Rio Grande é como se o sábado estivesse chorando.

O sábado não chora, mas eu estou triste.

BEE GEES

Há um ano eu me preparei para comprar ingresso para o show de Robin Gibb em Porto Alegre. O show foi cancelado por motivo de doença do músico. Hoje, ele está em coma, perto da morte.

Robin e seus irmãos Barry e Maurice (falecido) fazem parte da minha vida.

O grupo deles, o Bee Gees, foi trilha musical da minha adolescência, mais até que os Beatles.

Para muitos, foi um grupo menor, com músicas simples, fáceis.

Para mim, o Bee Gees foi, e continua sendo, o máximo.

O sábado é choroso, sim. E eu estou melancólico.

Vou parar de escrever para assistir a um DVD dos Bee Gees, que será para sempre uma das trilhas sonoras da minha vida.

PROVINCIANISMO

O caso Oscar escancarou o provincianismo de boa parte da imprensa gaúcha. Não é por coloradismo (em alguns casos, também é), porque haveria a mesma reação se fosse com o Grêmio.

Felizmente, alguns cronistas agora estão admitindo que o SP está no seu direito. Tem mais é que lutar por um jogador que ele revelou.

Tem mais é que cobrar o valor que considera compatível com a qualidade do jogador.

Fosse o contrário, qual seria o comportamento da imprensa gaúcha?

Dizer que Oscar tem direito de trabalhar é correto. Mas ele pode trabalhar também no SP, nada o impede.

Nessa história, só tem um perdedor no momento: o SP.

O Inter desfrutou do talento de Oscar e Oscar conseguiu se projetar a ponto de ser um selecionável.

Já o São Paulo só perdeu.

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