Ameaça: muralha de edifícios no entorno do BR

Está em gestação um projeto escabroso que deve parir um monstrengo na orla do Guaíba, mais exatamente no entorno do Beira-Rio.

O grupo de empresas gaúchas que têm um plano B para o Inter quer erguer inúmeros edifícios na área em troca de reformar o estádio sem custo, conforme revelou o ex-presidente Vitório Piffero.

Notem bem: sem custo, gratuitamente. O que dá uma ideia do valor dessa área que compõe uma das vistas mais bonitas da Capital. Se o projeto for adiante, será aprovado na Câmara e na Prefeitura, tudo em nome de manter a Copa em Porto Alegre, mesmo que exista um estádio novinho em folha como alternativa.

A área em questão está hoje legalmente em poder do Inter, que até poucos anos atrás a ocupava irregularmente. A área era da cidade, mas havia sido tomada para uso particular do Inter.

Os nobres edis, com aval da prefeitura, aprovação mais essa doação. Em troca, o Inter manteria um projeto social de práticas esportivas (futebol para crianças carentes. Baita negócio. Para o Inter, não para a cidade, como se vê mais do nunca agora.

Mas que área é essa que o Inter ganhou assim de mão beijada?

Em 13 de janeiro de 1997, iniciei uma série de reportagens no Correio do Povo revelando que a prefeitura -prefeito Pont e vice Fortunatti- se debruçava sobre áreas que Grêmio e, principalmente, o Inter ocupavam de forma irregular.

Para erguer o Beira-Rio e o Gigantinho, o Inter recebeu 14 hectares da prefeitura. Aos poucos, foi avançando aqui e ali, chegando a ocupar até aquele ano um total de 31 hectares, comprovadamente, segundo afirmou na época o Fortunatti, encarregado do assunto.

E isso que não estou contabilizando outros 8 hectares doados para o Parque Gigante

Meses depois, a prefeitura enviou tratores para derrubar cercas e muros erguidos pelo Inter em espaços que pertenciam ao município, ao povo gaúcho, a gremistas, colorados, ateus, cristãos, ciclistas, homoafetivos, negros, brancos, etc.

Lembro que o falecido Paulo Rogério Amoretti postou-se diante das máquinas e evitou a queda do muro colorado. E ficou por isso mesmo.

Até há alguns anos, uns três ou quatro, foi finalmente oficializada mais uma doação ao Inter.

Essa área, agora, poderá servir para uma ‘nobre’ causa: garantir a Copa em Porto Alegre, e no Beira-Rio, claro.

Em troca, então, teremos um paredão de arranha-céus junto ao Guaíba.

A Copa vai durar um mês, a muralha de concreto será eterna.

Vamos deixar isso acontecer?

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