Rei na barriga

O sujeito que tem o rei na barriga não consegue ficar em paz, não sossega. Precisa sempre provocar alguém, medir forças, mostrar uma superioridade que ele acredita possuir sobre tudo e sobre todos.

Talvez não seja o caso do presidente Paulo Odone, mas é o que parece.

Mais uma vez ele aproveitou uma situação banal, simples, para fustigar um dos nomes mais importantes da história do Grêmio.

Ao chamar Caio Jr. para o palco (pelo jeito sempre precisa ter um palco em eventos com a presença do presidente tricolor) durante um jantar festivo, ele alfinetou Renato Portaluppi. Disse que aquele momento só era possível porque Caio Jr. havia concordado com os treinamentos em Bento Gonçalves, e que só não acontecer no ano passado porque o técnico de então, Renato, não havia concordado.

Confesso que também considerei a negativa de fazer pré-temporada em Bento uma atitude antipática. Afinal, Renato tem raizes na cidade.

Até agora eu não sabia por que Renato havia tomado essa decisão. Hoje eu sei:

ele não queria dar palco para o presidente.

Ao contrariar o presidente, Renato aumentou o clima já tenso, para não dizer hostil, que havia entre os dois já no começo dos trabalhos, e que contribuiu para os maus resultados do time em toda a temporada.

Renato desafiou um sujeito que tem o rei na barriga, que, além de tudo, demonstra ser rancoroso.

O Grêmio começa a temporada de forma estimulante para o torcedor.

Odone tem recebido o reconhecimento disso, mas não parece satisfeito.

É preciso provocar alguém, mas não pode ser qualquer um. Tem que ser um ídolo.

Uma pena.

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