O casamento e as bananas

A frase do empresário Jorge Machado é um soco no peito, ou, pior, um joelhaço nas partes baixas.

“O casamento entre Grêmio e Roth deve continuar”, diz Machado, o homem por trás das principais, talvez todas, as principais ações do futebol gremista já há algum tempo.

O Grêmio parece refém de Machado. Nada contra o Machado, um empresário de prestígio, sério, astuto. Não fosse Machado, seria outro.

Há muito tempo, e cada vez mais, os clubes dependem desses intermediários. Já era assim antes da famigerada Lei Pelé. Só piorou.

Já profetizei que vai chegar o dia que os empresários mais fortes, aqueles que conseguem colocar pelo menos dois ou mais jogadores nos principais clubes, um dia conseguirão manipular resultados. Se é que já não o fazem…

Mas o que me incomoda agora é o que contém a frase de Machado, que fica ecoando como uma ameaça.

Quando Roth começou a tirar o time do atoleiro, cheguei a chamá-lo de professor. Professor Roth. Ele conseguiu colocar ordem no galinheiro. Mas aos poucos, conforme previam seus críticos mais duros e não tão flexíveis como eu, o time foi desandando. Hoje, o aproveitamento de Roth é de 45 por cento.

Decididamente, não é um aproveitamento que dê sustenção à permanência de qualquer treinador, mesmo considerando que o grupo do Grêmio não é dos melhores, tem certos vícios, jogadores que acham que são tão bons que podem jogar quando querem – e quase nunca querem.

Renato Portaluppi, com um time semelhante, para não dizer pior (quando apertava ele apelava para Clementino e Clementino resolvia), fez muito mais. Então, não há por que duvidar que  um outro treinador conseguisse melhores resultados.

Mas a direção parece mesmo inclinada a continuar com Roth. O Inter não manteve Roth depois do fiasco naquele que ficou conhecido como o Mazembe Day (ainda dá tempo de escrever a sua história sobre esse momento maravilhoso para uns e terrível para outros). Por que o Grêmio não pode fazer o mesmo?

Roth exerce fascínio nos dirigentes da dupla Gre-Nal. Em quase todos. Uns se envergonham de admitir em voz alta, mas deixar escapar murmúrios de admiração por Roth.

Assim, depois da frase do Machado, Celso Roth não continua no Olímpico se não quiser.

Ou se perder o Gre-Nal de forma humilhante.

Se bem que quem sobreviveu à humilhação imposta pelo modesto time do Congo supera qualquer coisa.

Bem, conforme escrevi anteriormente, ao continuar com Roth o Grêmio sabe que está contratando pelo menos dois treinadores.

O segundo assume ali por abril ou maio.

BANANAS

O Inter enfrenta o Flamengo em crise, é o que a imprensa gaúcha faz questão de manchetear. O Botafogo também estava em crise, e continua.

Na reta final, o Inter deu liga. Nem tanto o time em si, mas deu liga com os astros, os deuses do futebol. Por isso, se encaminha para garantir uma vaga na Libertadores.

Só quem pode impedir isso é Ronaldinho Gaúcho. As voltas que o mundo dá. O odiado RG, agora supostamente flagrado descascando banana na internet, terá neste domingo a torcida dos gremistas. Não de todos, mas de boa parte.

Depois, se vencer, só o Grêmio poderá impedir sua classificação. No Beira-Rio lotado, colorido de vermelho.

O Grêmio já faz duas ou três rodadas joga por banana, o que pode ocorrer de novo no Gre-Nal, dependendo dos resultados da rodada deste final de semana.

É isso, o Grêmio virou mesmo um pequeno coadjuvante de uma competição em que deveria ser protagonista.

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