Damião e o favoritismo colorado

O Inter é o favorito. Bicampeão da Recopa, candidato ao título do Brasileiro, o Inter vai para o Gre-Nal de domingo como favorito.

Mas o Grêmio não é zebra, ao contrário do que pensa o presidente Odone, numa declaração que desvaloriza o time que ele próprio contribuiu para montar. Lamentável.

Pode despontar um favorito em qualquer Gre-Nal, mas o rival nunca será zebra.

Zebra, por exemplo, era o Mazembe, um pequeno clube oriundo do ‘poderoso’ futebol africano, responsável pela felicidade gremista no final do ano passado.

No Gre-Nal, como em qualquer jogo de futebol, nem sempre vence o melhor. É um jogo apenas,são 90 minutos, nos quais uma bola lançada na área de forma despretensiosa pode determinar o vitorioso.

O Inter está melhor, e isso, de maneira abrangente, já há meia dúzia de anos, pelo menos. Oito títulos internacionais desde 2006 comprovam a supremacia vermelha no Rio Grande do Sul.

Pontualmente, o Inter também está melhor. Tem tudo para vencer o clássico, especialmente porque vive um momento de tranquilidade e com elevada auto-confiança, muito diferente do Grêmio.

Tempos atrás escrevi que a diferença principal e decisiva entre os dois clubes se deve a apenas um jogador: Leandro Damião. Cada vez mais isso é confirmado, consolidado.

Escrevi, também, e alguns botequeiros devem lembrar, que o Gre-Nal começa com 1 a 0 para o Inter. Damião sempre faz o seu. Tem sido assim. E não vejo como isso possa mudar neste domingo. Só há uma maneira: Damião não entrar em campo ou se lesionar logo no começo.

Assim, o jogo começa com 1 a 0.

Portanto, o Grêmio já sai correndo atrás. Cabe ao técnico Celso Roth transmitir serenidade ao time para buscar o empate e tentar a virada. Com ajuda da torcida isso é possível. Mas o torcedor precisa ser paciente, compreensivo. Aceitar a ruindade e o nervosismo de uns e outros. Cobrar apenas muito empenho, nunca qualidade.

Já é um bom começo: aceitar que o outro é superior como equipe. Repito, como equipe.

Individualmente, nome por nome, há uma certa paridade, um equilibrio. O problema é que numa posição crucial, a de centroavante, a diferença é brutal, um abismo.

Damião é infinitamente superior aos jogadores que o Grêmio conta para o ataque.

Mas como o Grêmio pode enfrentar esse time mais ajustado e entrosado e que tem Leandro Damião?

Só vejo uma maneira: jogar com três zagueiros. Os três em cima do Damião. Está bem, dois podem ser suficientes.

Vilson, Gilberto Silva e Ed Carlos (tem nome de cantor da Jovem Guarda): esta é a zaga.

Na laterais, Mário Fernandes e Bruno Colaço (dizem que os clubes italianos o comparam a Roberto Carlos, incrível).

No meio: Fernando, FR e Douglas.

Na frente, Miralles e um dos dois grandalhões, é só jogar a camisa pro alto.

Leandro fica para o segundo tempo pra pegar os velhinhos da zaga mais cansados.

Viram como é fácil? Nem precisa treino secreto.

Agora, não esquecendo: o Inter começa com 1 a 0, porque Damião vai fazer o seu. A não ser que

saia da campo mais cedo, muito cedo.

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