1983: nada pode ser maior

Um vídeo bem-humorado e muito bem produzido brinca com os ’10 anos sem título do Grêmio’, lembrando que o último grande título foi o da Copa do Brasil de 2001, comemorado nesta sexta-feira.

O vídeo está no YouTube.

Acho legal esse tipo de brincadeira criativa. E entendo a motivação dos colorados para dedicar parte do seu tempo para produzir esse vídeo.

Afinal, quem ficou 23 anos vendo o Grêmio reinar absoluto como primeiro e único campeão mundial de clubes tem todas as credenciais para querer devolver tanto tempo de inveja, desespero e sofrimento.

Mais de duas décadas. É tempo. Não duvido que os autores da gozação sejam jovens que cresceram vendo os gremistas festejarem ano após ano o mundial. Aposto que desde criancinha frequentavam o Beira-Rio e não entendiam por que o nome Internacional se o clube era apenas ‘nacional’.

Cresceram assim, com esse sentimento de inferioridade. Eu senti isso na pele na década de 70. É realmente muito doloroso.

Imagino que crianças gremistas estejam sofrendo muito nesta década. É claro que há compensações, como a derrota colorada para o glorioso Mazembe. Mas o jovem gremista quer mais que vibrar com a desgraça alheia. Quer festejar títulos grandiosos de seu próprio clube.

Mas, ao contrário do guri de dez anos do vídeo, o guri gremista gosta de futebol. A fase ruim só faz aumentar essa paixão pelo futebol e, principalmente, pelo Grêmio.

Foi assim com os colorados que ficaram 23 anos esperando por um título das Américas e do Mundo.

Eu mesmo brinco com esse mar vermelho de 23 anos de lágrimas e decepções.

No ano passado, lancei a cerveja 1983 justamente para brincar com esse vazio existencial que eu percebia nos meus amigos colorados, muitos deles colegas que passaram pela redação no Correio do Povo nesses 23 maravilhosos anos da vida de todos os gremistas.

Por isso, nós entendemos essas brincadeiras. Eu, particularmente, me divirto, especialmente porque o Grêmio sempre será o primeiro clube gaúcho a conquistar o mundial.

E nada pode ser maior.

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