A decepção de Sobis e a máquina de moer ídolos

Rafael Sobis foi surpreendente ontem à noite, no Beira-Rio. Surpreendente ao menos para mim, que não esperava tamanho empenho de um jogador tão identificado com seu ex-clube diante de 45 mil torcedores que um dia vibraram com os gols de Sobis.

Não duvido que a atuação digna, profissional e competente de Sobis num jogo tão importante para o Inter tenha contribuído para Sobis ser mais um a ser triturado pela máquina de moer ídolos colorados.

Confesso que vi poucos minutos do jogo em que o Inter bateu o Tigres por 2 a 1. Quando liguei a TV a tela mostrava D’Alessandro de braços erguidos no gramado, e a torcida exultando. Pensei que era o Inter entrando em campo. Não, recém havia ocorrido o gol dele, o primeiro gol do Inter. Em menos de cinco minutos. Desabei no sofá e fiquei mais alguns minutos diante da TV, olhos esbugalhados com a ruindade do Tigres, ao menos naquele momento. Em seguida, o segundo gol. Em ambos os gols, descuidos amadorísticos de um time que teoricamente deveria trabalhar pelo empate, que seria um ótimo resultado para o visitante. 

Foi mais ou menos nesse período que Sobis foi para cima de Geverson, o lateral de Dunga, após levar uma entrada maldosa por trás, lance para cartão amarelo. Pensei com meus botões: o Sobis está cavando uma expulsão para ajudar o seu time do coração. Sim, paranoia minha, teoria da conspiração, sim. Estou envergonhado por pensar tão mal do Sobis, que depois se revelou um jogador perigoso para o Inter, inclusive fazendo a jogada do gol do Tigres, um gol que só vi hoje, porque desliguei a TV assim que o Inter abriu vantagem de 2 a 0 em menos de dez minutos.

Então, me parece que eu e a torcida colorada projetamos a atuação de Sobis da mesma forma. Não esperávamos um Sobis tão interessado em vencer o ex-clube.

A diferença é que eu aplaudo a atuação de Sobis, que, na verdade, nada mais fez do que cumprir sua obrigação profissional. Já o colorados ficaram indignados, se sentiram traídos.

O fato é que Rafael Sobis, herói de duas Libertadores coloradas, saiu de campo vaiado e ouvindo xingamentos de tudo que é tipo. Ele visívelmente ficou chateado, decepcionado. “Vaia é normal, xingamento não”, disse ele, ressentido.

Agora, Sobis não precisa ficar assim tão magoado. Ele passa a integrar a galeria dos ídolos que em algum momento foram massacrados pela própria torcida. No Inter, a lista é extensa, e tem alguns nomes graúdos, por exemplo: Dunga, Falcão e Fernandão.

Ídolos gremistas também já sofreram tratamento um tanto cruel e com certeza ingrato. É o caso, acreditem!, de Renato Portaluppi, Felipão e até Fábio Koff. Nada menos que o trio mais vitorioso da história do clube. Mesmo assim, é evidente que o Grêmio trata melhor seus ídolos na relação com o Inter.

Mas faz parte: o torcedor em geral é um moedor de ídolos, que somente são ‘absolvidos’ com a morte. E aí passam a ser reverenciados até o fim dos tempos. 

O JOGO

O Tigres levou dois gols de forma ridícula. O primeiro, então, foi um absurdo. Abriu-se uma clareira diante da grande área, D’Alessandro ficou completamente livre para chutar. Depois, o gol de Valdívia, que só aconteceu porque desviou no caminho. Mas vale. Depois, o Tigres equilibrou. Teve, bem no começo do segundo tempo, uma expulsão que me pareceu justa pelo que vi na internet, mas isso se o zagueiro mexicano já tivesse um cartão amarelo. Vermelho direto, nunca. Não fosse a expulsão, acredito que o Tigres até virasse o placar. Teria ocorrido, ainda, um pênalti contra o Inter, mas esse lance eu não vi nos compactos do jogo.

Previsão: se as arbitragens continuarem com seus erros humanos só contra os rivais, o Inter será campeão da Libertadores. Se pararem os erros humanos, o Inter vai entrar numa espiral negativa com consequências inimagináveis.

Grêmio consegue complicar classificação na CB

Não sei o que é mais revoltante, se a derrota diante do Criciúma – eu disse Criciúma – em plena Arena, ou a satisfação de alguns gremistas, que querem ver o time focado no Brasileirão sem nenhuma chance de título e/ou na Sul-Americana com suas viagens longas e desgastantes enquanto disputam a competição nacional sabe-lá em que situação mais adiante.

A derrota por 1 a 0, num raro lance de ataque dos catarinenses, pode ser revertida. Esse Criciúma é ruim, é um time que pediu para ser goleado. E não escaparia de uma derrota, talvez até por goleada, se a pontaria dos meias, laterais e atacantes do Grêmio não fosse tão ruim. Foram chutes péssimos de média, curta e longa distância. E quando houve acerto no belo gol de Pedro Rocha – talvez o melhor do time nesta noite -, um bandeirinha pouca prática tratou de anular, marcando impedimento. Se corrigir a pontaria com muito treinamento o Grêmio liquida o tigre na próxima terça.

Restou, ao menos, uma lição desse jogo frustrante para os gremistas que vislumbram na Copa do Brasil a melhor oportunidade de título ainda neste ano: a prova de que o Grêmio não pode ambicionar nada enquanto não tiver alguém com mais competência para fazer gols, aproveitando as inúmeras situações de ataque que são criadas desde a chegada de Roger Machado. Cabe à direção tomar providência imediata para contratar um atacante experiente, goleador.

Se possível, cabe à direção também manter Rodolpho, embora isso seja tão difícil quanto continuar na Copa do Brasil depois da decepcionante atuação diante do tigre catarinense. Um tigre cometeu o crime. Vamos ver como se sai o outro, o mexicano.

Por fim, meus parabéns a todos os gremistas – felizmente, não muitos – que torceram de ‘sangue doce’, pouco se importando com o resultado, alguns até torcendo pela eliminação da Copa do Brasil porque acham que a Sul-Americana é mais fácil. Sim, há quem pense dessa forma. O futebol é empolgante também por isso: aceita tudo.

 

Concentração total no Criciúma e na Copa do Brasil

Percebo em alguns setores um certo relaxamento em relação à Copa do Brasil.

Foco total no Brasileirão. O torneio fica em segundo plano, um estorvo. Seria ótimo para observar reservas, poupando alguns titulares para o que seria mais importante: o Brasileirão.

Também acho que o campeonato nacional tem mais status, tem mais representatividade. Mas a consequência é a mesma: a Libertadores.

Não concordo com essa tentativa de negligenciar a Copa do Brasil, algo que o Grêmio ao que parece não está fazendo. Há quem lembre que uma eliminação agora diante do Criciúma é compensada por uma vaga na Copa Sul-Americana, na qual também há chance de Libertadores.

Sou da opinião que o Grêmio, que não ganha quase nada há 14 anos, precisa ir com tudo em todas as competições. Mais do que isso: tem obrigação de brigar pelo título e, a propósito, de nunca entrar em campo pensando no empate fora, o tal um pontinho que o cornetadorw ataca com ferocidade.

Neste momento, considero a Copa do Brasil mais fácil de conquistar que o Brasileirão.

Todos estão vendo – ou deveriam ver – que o grupo atual é insuficiente para conseguir performance de alto nível numa competição tão longa e desgastante. 

Se o Grêmio tivesse, por exemplo, as condições do Atlético Mineiro, eu pensaria diferente.

Na condição atual – perdendo o capitão Rodolpho -, vejo o Grêmio em condições de ambicionar no máximo uma vaga no G-4. Título nem por milagre. Respeito a empolgação de alguns, mas título do Brasileirão está fora de cogitação. 

Hoje, não tenho dúvida de que a Copa do Brasil está mais ao alcance. Sei que há adversários fortes pela frente, o próprio Criciúma tem condições de complicar, ainda mais se o time de Roger Machado não for a campo com a mesma determinação que mostrou contra o Vasco e na maioria dos últimos jogos.

É importante que a torcida ‘compre’ essa ideia e vá à Arena pensando no título da Copa do Brasil.

Afinal, com apenas oito jogos é possível voltar a comemorar um título nacional e lotar de novo a Goethe, espaço inaugurado pelo tricolor e depois copiado pelos de sempre.

Portanto, concentração total pelo título da Copa do Brasil. O resto fica pra depois.

TIGRES

Pois o adversário do Inter está tão concentrado que deixou para trás um atacante.

Não levo fé nesse time mexicano. Ainda mais que um de seus destaques é Rafael Sobis.

Não consigo imaginar o Sobis fazendo gol no Inter. Não consigo. 

Dá gosto ver o Grêmio jogar

O Grêmio mostrou que a derrota diante da Chapecoense foi um acidente de percurso. Bateu o Vasco de Celso Roth por 2 a 0 ao natural, confirmando seu favoritismo perante um time que está seriamente ameaçado de cair.

Agora, se ficou claro que perder para o esforçado e digno time de Chapecó foi um ‘crime’, também ficou comprovado, ao menos pra mim, aquilo que praticamente todos os gremistas, ao menos os mais sensatos, avaliam: o Grêmio com o técnico Roger Machado tem um time forte, mas falta grupo para almejar o título.

No jogo anterior, o Grêmio sentiu muito a falta de Wallace. Edinho se esforçou, mas não tem a mesma qualidade, nem o mesmo vigor físico. A dupla Wallace/Maicon tem sido talvez o ponto mais forte do time, protegendo a defesa e também saindo de trás com uma bola mais limpa para Douglas, Luan e Giuliano.

Fora isso, o gol da Chapecoense talvez não tivesse acontecido se Rodolpho, muito bem entrosado com Geromel, estive em campo. Geromel e Erazo, que considero um zagueiro de bom nível, não têm o mesmo entrosamento que a dupla titular. E esse é um problema. Contra o Vasco, o sistema defensivo não foi muito exigido, em parte pela crise que atinge o clube de Euricão. A perda de Rodolpho poderá resultar em consequências nefastas ao time, ao menos em termos de briga pelo título.

Independente disso, a atuação tricolor contra o Vasco mostrou que o time está começando a alcançar maturidade. Não fosse isso, as dificuldades contra o Vasco, que tem bons jogadores, seria muito maiores. O time superou o trauma de perder da modesta Chapecoense e também mostrou que pode vencer com a camisa tradicional, que estava escanteada por causa da série de vitórias com a camisa de design diferenciado e que está provocando muita inveja nas redondezas. Estou convencido de que se o Grêmio seguisse vencendo nunca mais seria utilizada a camisa tricolor. Superstição é isso. Faz parte.

Sobre Luan não há muito mais o que dizer. Ele continua exagerando nos dribles e segue chutando mal. Mas é uma alegria ver esse guri jogar. Tempos atrás escrevi que o Grêmio não tinha nenhum jogador que a gente poderia dizer: “Vou à Arena para ver o fulano jogar”. Hoje, nós temos. Temos Luan Show.

Fico pensando como irá reagir o time quando não puder contar com Luan, por lesão ou suspensão. Um baita problema. Vale o mesmo para Giuliano, que, para mim, foi o melhor na partida contra o Vasco. Luan fica em segundo lugar porque foi individualista demais em vários momentos.

A metida de bola que Giuliano deu para Pedro Rocha fazer o segundo gol é coisa de provocar inveja em Douglas, que até jogou bem, mas não está mais conseguindo ser feliz nas enfiadas de bola.

Giuliano, além de jogador diferenciado, mostra que é um cara legal. Nas entrevistas, fez questão de ressaltar que a jogada do gol começou com uma roubada de bola de Edinho. É o tipo de atitude, de comportamento, que aglutina, que soma. É assim que nasce um grupo unido e vencedor. Giuliano é bom também fora de campo.

Então, nesse quadro começa a reluzir o futebol de Pedro Rocha. O guri jogou demais. E o gol que marcou é coisa de atacante experiente, frio, cruel, que espera o goleiro dar o bote para meter por cima, de bico. Coisa de gente grande. Coisa de goleador nato.

Esse é o Grêmio que Roger conseguiu armar em tão pouco tempo. Pode não ganhar nada – tem também a Copa do Brasil nesta terça-feira -, mas ao menos hoje a gente pode dizer que dá gosto ver o Grêmio jogar.

INTER

O time reserva do Inter foi melhor que a encomenda. Somou três pontos fora de casa e se afastou da zona de rebaixamento. Foi 2 a 0 sem muito esforço. Esse time do Joinville é ruim por demais de conta. Não sei se joga sempre assim, mas é um time que realmente não tem condições de jogar na série A. O resultado tranquiliza o ambiente para o jogo contra o Tigres.

O curioso é que todos os titulares e seus reservas imediatos estão aptos a jogar na quarta-feira. Até Alex voltou a treinar. O planejamento de Aguirre está dando certo, ao menos nesse aspecto. Calam-se as cornetas vermelhas da imprensa gaudéria.

Chapecoense rompe série vitoriosa do Grêmio

Até Bruno Rangel saltar completamente desmarcado e fazer o gol que deu a vitória à Chapecoense nenhum gremista estava aceitando o ponto fora de casa, ainda mais no embalo de uma bela sequência de cinco vitórias. 

Ai do Roger Machado se tentasse fechar mais o meio de campo e garantir o empate amigo! Eu mesmo só pensava numa coisa naquele momento, antes do gol: os três pontos. Ficar satisfeito com um empate contra o modesto clube catarinense? Nunca! Nunquinhas!

Nos minutos que se seguiram, diante da palidez ofensiva tricolor, tudo o que os gremistas queriam era aquilo que pouco antes desprezavam com todas as suas forças: o pontinho fora.

O futebol tem dessas coisas, aparentemente contraditórias. Faz parte. O torcedor sempre quer a vitória, e só admite o empate quando a derrota se aproxima com cara de inevitável.

O técnico gremista errou ao substituir Luan, a não ser que o meia/atacante estivesse sentindo alguma lesão. Pouco antes ele havia sofrido uma falta e ficou estendido no gramado. 

Se foi opção técnica/tática trocar um lapidador de diamantes pelo força bruta de Mamute estamos diante de um erro. Mamute deveria ter entrado no lugar de Pedro Rocha. Ou, se o negócio era mesmo apostar todas as fichas na vitória, trocar pelo Edinho, que passou o jogo trotando diante da área. Alguém lembra de um desarme do Edinho? Deve ter ocorrido, claro, mas eu não lembro. Roger poderia ter colocado, também, o Mamute no lugar de Douglas, que foi bem marcado e quase não teve espaço para enfiar a bola, e quando o fez errou. Agora, nunca sacar Luan para colocar Mamute.

Depois, Braian e Fernandinho. Substituições naturais diante das circunstâncias. Mas que não deram resultado, até pelo pouco tempo que eles tiveram para jogar, e quanto o time realmente já não acertava mais nada diante de um adversário que armou um ferrolho na frente da área.

Foi uma derrota evitável. Pelo primeiro tempo, era possível sair vencedor. Num lance só a bola encontrou a trave duas vezes. Mas no segundo tempo o time não se achou em campo. Marcelo Grohe fez duas defesas milagrosas. Depois, não conseguiu o evitar o cabeceio/chute de Rangel, um centroavante aipim, ou mandioca que está mais na moda depois da saudação da presidente Dilma. O gol foi a prova de que um centroavante mandioca quando bem explorado pode fazer toda a diferença.

Sábado, é dia de fazer o Vasco do nosso ‘amigo’ Roth pagar os três pontos perdidos em Chapecó. Wallace, que fez muita falta, estará de volta. O problema é Rodolpho, que está mesmo indo embora.

D’Ale tenta desviar o foco da crise técnica

O inquieto D’Alessandro soltou o verbo em seu portunhol característico para pedir que os torcedores do Inter, um tanto acabrunhados pela série de resultados negativos e atuações preocupantes – para eles, colorados -, parem de ouvir rádio e ler jornais, e sigam seu exemplo: joguem playstation com o filho.

O camisa 10, que não é bobo, muito ao contrário, só esqueceu de sugerir aos colorados que não olhem a tabela de classificação do clube no Brasileirão, competição que o Inter não vence desde 1979 – e lá se vão 35 longos anos. Trinta e cinco. Lembro-me que o presidente Piffero, em atividade misteriosa na Europa, prometeu que neste ano o Inter brigaria pelo título do Brasileirão, onde o time milionário que montou está a 3 pontos da zona de rebaixamento e a 10 pontos da liderança.

Ao culpar a mídia esportiva de estar exagerando nas críticas – todas, aliás, pertinentes -, D’Alessandro chama ‘o jogo para si’, como costuma fazer dentro campo. Tira o foco do time e, principalmente do treinador amigão, sempre disposto a dar folga para os jogadores, em especial o líder do grupo. Como não defender o técnico que o poupou de uma desgastante e chata viagem cheia de escalas a Recife?   

O problema é que D’Alessandro acabou assumindo um compromisso perante o torcedor. O compromisso de mostrar que o time está bem e que, apesar dos últimos insucessos, tem tudo para se recuperar no Brasileirão e, especialmente, buscar o tri da Libertadores, e que tudo o mais é coisa da imprensa.

Agora, o argentino enfezado vai ter que começar a mostrar jogo já a partir desta quarta-feira, contra um Flamengo que vem aí disposto a cometer um crime. Se não conseguir, as vaias ouvidas domingo poderão ocorrer de novo, só que mais intensas. E aí, irritado, D’Alessandro talvez volte a ameaçar, com as veias do pescoço dilatadas, que pode ‘pular da barca’ se a torcida estão tão insatisfeita.

 

ÍNDIO CONDÁ

No local onde o Inter levou 5 a 0 recentemente, o Grêmio tem tudo para consolidar sua posição no topo da tabela, e quem sabe até assumir a liderança. Será quase como jogar na Arena. Há muitos gremistas em Chapecó.

A Chapecoense faz boa campanha e tem conseguido alguns resultados surpreendentes – nenhum, porém, como a goleada sobre o Inter no Brasileirão passado.

Se o Grêmio conseguir manter a pegada e a compenetração que vem apresentando, ganha o jogo.

Wallace é um desfalque importante, mas Edinho já mostrou que pode dar conta do recado.

Roger Machado é mesmo um milagreiro.

Grêmio marca território na ponta de cima

Há algum tempo venho dizendo que os ventos estão mudando. A nau gremista navega a pleno em águas tranquilas, levada por ventos fortes e constantes. E ainda sob a benção dos deuses do futebol.

Antes que alguém pense que tenho bola de cristal ou algo parecido, informo apenas que estou sempre atento aos sinais. Não acredito em coincidências. As coisas acontecem com um objetivo, que muitas vezes não identificamos de imediato. 

Até pouco tempo atrás percebia sinais que encaminhavam o Inter para o tri da Libertadores. Hoje, os sinais indicam outra realidade. Quais sinais? Ora, estão muito claros, e não tem a ver só com o desempenho dentro de campo.

No caso do Grêmio, desde a posse de Roger como treinador que todos os sinais apontam para o crescimento do time. Tudo dá certo, como se Roger tivesse o dom de transformar pedra em ouro. Jogador inconfiável em jogador útil e até importante.

Foi o que vimos na Vila Belmiro. O volante Edinho, ainda fora de forma e com ares de superado, parece ter renascido. Antes do jogo, eu escrevi que se o Grêmio vencesse o Santos com Edinho de titular seria um sinal poderoso de que o Grêmio vai ser campeão brasileiro neste ano de 2015, afastando de vez este ciclo perverso de derrotas e frustrações.

O Grêmio não apenas venceu o Santos por 3 a 1 como poderia ter aplicado uma goleada estrondosa no clube de Pelé. Aliás, conforme escrevi a propósito de Inter x Santos, é ruinzinho esse time do Santos. E isso em nada desmerece a vitória construída com gols de Pedro Rocha, Gallardo e Mamute.

Percebem os sinais: Edinho voltou ao time e voltou bem, nada de especial, mas executou bem sua função e, no final, ainda deu o passe para o terceiro gol, o da tranquilidade. Fora Edinho, temos o Gallardo. Quando Gallardo faz uma boa partida, com alguns lances de brilho, e ainda faz gol, é outro sinal de que o time está abençoado. São agora cinco vitórias seguidas. E tudo isso sem um goleador.

Méritos para Roger Machado. O time está bem armado, bem estruturado e, o que também é importante, está com sorte. A expulsão de Geuvânio foi uma coisa inusitada. Prestem atenção, outro sinal aí. O fato é que tornou o jogo mais fácil. 

Então, quando o time está arrumado, as individualidades crescem. É o que está acontecendo. Há uma energia positiva. Com isso, todos ganham mais confiança e acabam produzindo mais.

No jogo deste domingo em que o Grêmio marcou território na ponta de cima, muitos jogadores foram bem, mas ninguém superou Giuliano. Ele tem conciliado aplicação tática, combatividade, entrega e qualidade técnica. Chega a ser comovente seu esforço. Merecia ter feito ao menos um gol. Depois dele, Luan, Wallace, Marcelo Oliveira e a dupla de área. Pena que Rodolpho pode mesmo ir embora, proposta irrecusável.

Douglas voltou a errar passes em demasia e a errar chutes a gol, mas de um modo geral deu boa resposta. É preciso frisar que Douglas errou passes de bola metidas para pifar o companheiro. Não aqueles lances de bola para o lado ou recuadas. Estou ansioso para ver como vai se sair Maxi Rodrigues nessa função do Douglas. Ou mesmo o Lincoln, que deve estar sendo preparado por Roger, que de bobo não tem nada.  

Roger Machado: o Grêmio lançando outro treinador para o mundo.

INTER

Já os sinais que vêm do Beira-Rio indicam um Inter em meio a águas turbulentas. E já faz algum tempo. O técnico Diego Aguirre insiste em sua estratégia e com ela está afundando no Brasileirão. Neste domingo, levou 3 a 1 do Atlético Mineiro, considerado por muitos, eu inclusive, o melhor time/grupo do campeonato. E isso que Atlético estava sem meia dúzia de titulares. Na verdade, o Inter escapou de goleada.

O time misto do Atlético bateu o Inter em pleno Beira-Rio. Aliás, na Libertadores isso não aconteceu porque o Inter estava bafejado pela sorte.

Não duvido que Aguirre perca o emprego antes do jogo contra o Tigres. Aconteceu com o uruguaio Fossatti por muito menos…

 

Ausência de Maicon: problema para Roger

A suspensão de Maicon criou um sério problema para o técnico Roger Machado. Em meio à euforia da vitória sobre o Cruzeiro, pouca gente se tocou de que Maicon não tem, no momento, um substituto próximo do seu nível de técnica e experiência.

O resultado é que o Grêmio corre o risco de enfrentar o Santos, na Vila Belmira, com um meio de campo capenga. Wallace e mais um.

Quem são esses ‘uns’? Edinho, Araújo e Arthur.

Assim, olhando de fora e considerando o momento e o passado recente eu, de cara, afastaria Edinho. Pode ser preconceito, mas eu penso que o tempo de Edinho passou. Começar o jogo com ele é arriscado demais, porque é um jogador que ficou muito tempo quase inativo, apenas treinando, e isso pesa para qualquer atleta, principalmente para os mais velhos. 

Então, descartaria Edinho, mas vejo que ele está cotado e que tem defensores na imprensa, alguns por gratidão pelos serviços prestados ao Inter.

Entre Arthur e Araújo, fico com o segundo. Arthur tem apenas 18 anos e se não me engano entrou num ou outro jogo. Sem brilho. Aliás, brilho faltou também para Araújo nas vezes em que foi escalado. Mas tem um pouco mais de experiência que Arthur e é um jogador da função: primeiro volante.

Com qualquer um dos três, ao que tudo indica Wallace ficaria com a atribuição de sair mais para o jogo, fazendo as vezes de Maicon.

Outra possibilidade seria colocar Marcelo Oliveira no meio, colocando um lateral. Júnior parece que está deslumbrado com a súbita ascensão. Resta Marcelo Hermes, que foi bem contra o Avaí e é um lateral muito aplicado na marcação.

Entre as alternativas propostas, eu ficaria com Marcelo Oliveira no meio, que é onde os jogos são decididos.

Quem ganha o meio de campo, normalmente ganha o jogo.

Agora, confio na capacidade de avaliação de Roger, que, além de inteligente, tem todos elementos necessários para tomar a decisão mais adequada.

Eu, por não ter todas as informações, estou em desvantagem. 

Mas, assim no olhômetro, fico com Marcelo Oliveira no meio de campo.

MAXI

Boa notícia: Maxi Rodrigues está apto a jogar contra o Santos, domingo, 16h. Está aí um jogador que fascina boa parte dos gremistas. Eu mesmo não esqueço os belos gols que marcou, coisa de craque. A experiência do uruguaio no Chile parece ter sido útil. Maxi seria um jogador mais completo. Por completo, entenda-se, jogador que também marca, combate e, depois, se tiver pernas e fôlego, ainda cria jogadas de ataque. Maxi tem condições, em tese, de tomar o lugar de Douglas mais adiante, embora Douglas esteja dando uma resposta que eu pensei que ele não mais pudesse dar. Douglas hoje é um jogador mais comprometido, e isso é muito bom. O problema é que o ritmo do futebol exige cada vez mais um preparo físico de batedor de carteira. 

TOSTÃO E DUNGA

Trecho extraído da coluna de Tostão na Folha de S. Paulo:

“A primeira divisão do futebol está nos grandes times da Europa (Barça, Real, Bayern e outros). O futebol que se joga no Brasil é, com boa vontade, da segunda divisão.

Falta à seleção um técnico com experiência e sucesso na primeira divisão. Colocar Dunga ou outro treinador brasileiro é o mesmo que pôr um técnico da Série B do Brasileirão em um dos grandes da Série A, sem passar por trabalhos intermediários. Evidentemente, esse é apenas um de dezenas de problemas”.

A afirmação de Roger e as dúvidas sobre Aguirre

O goleiro Fábio, que contra o Grêmio é sempre um gigante – aliás, por isso mesmo eu o escalei no meu time, o Alfredo, no Cartola – impediu uma vitória mais serena do Grêmio. Talvez até um 3 a 0, como o sofrido pelo Inter em Pernambuco, contra o Sport, time treinado pelo filho do Nelsinho Batista, odiado por todos os colorados da imprensa gaúcha só porque um dia deixou o Inter para trabalhar no Corinthians, dizendo que estava indo para um ‘clube grande’.

Luan, depois de Fábio, foi o grande nome do jogo. Luan cada vez mais consolida seu nome como o principal jogador do Grêmio e do campeonato brasileiro.

Agora, Luan não é um goleador. Ele teve chances para marcar ainda no primeiro tempo, mas chutou colocado quando deveria dar uma paulada. Ah, craque não dá paulada. Não, craque sabe a hora em que deve chutar colocado ou forte, porrada mesmo. Luan vai aprender. Agora, dá gosto ver Luan jogar. Um menino que não se esconde, chama o jogo, assume e bronca, e sempre com talento. Por vezes, perde a bola, mas a retém o tempo necessário na maioria das vezes. Não, ele nunca se livra da bola. Craque em formação.

Luan tem dois ótimos coadjuvantes: Giuliano e Douglas. Esqueçam aquele Douglas indolente, tipo xícara de chá com as mãos na cintura gorda. Douglas é outro jogador. Quem o critica hoje, o faz pelo passado, não pelo presente. Ou seja, preconceito puro. Ideia formatada, imutável. Ainda acho que um jogador mais dinâmico poderia ser mais útil, mas por enquanto Douglas está dando conta do recado. Ou será que ele não tem contribuição nessa campanha excelente do técnico Roger. Quatro vitórias seguidas. Aliás, os três pontos desta noite foram obtido graças ao pênalti sofrido por Luan e batido por Douglas.

Os três pontos passam por esse pênalti. Felizmente o zagueiro Bruno Rodrigues fez a falta sobre Luan dentro da área. Se Luan chutasse a gol, aquele chutezinho colocado, provavelmente Fábio o defenderia. Felizmente, houve o pênalti.

No segundo tempo, o Cruzeiro equilibrou o jogo. Mas as melhores chances ainda foram do Grêmio. Lembro de uma do Marcelo Oliveira entrando em diagonal e batendo forte para outra grande defesa do Fábio – aposto que ele vai tomar frango no próximo jogo. Sabem por que Marcelo ficou livre para marcar? Porque o ‘aipim’ Braian Rodriguez levou consigo a marcação num deslocamento inteligente. Os ‘aipins’ também pensam, ora vejam só!

Agora, assim como não considero o uruguaio um jogador inútil, como muitos pensam, acho que Roger errou. Quem deveria ter entrado é Mamute, que tem a velocidade do Pedro Rocha e a força física do Braian. Penso até que Pedro Rocha deveria ter saído mais cedo.

Por fim, é urgente resolver a questão da lateral-direita. Gallardo não tem condições de ser titular. Outra coisa, Rodolpho é um gigante. Não pode ser negociado. Um grande time, um time campeão, se forma com um grande goleiro, um grande zagueiro, um grande volante (Wallace) e um grande atacante, este ainda está faltando.

AGUIRRE

O Inter perdeu um jogo perdível, ainda mais com essa política de poupar uns e outros. O problema foi levar 3 a 0. Não duvido que neste momento tem gente cogitando a demissão do uruguaio.

Gente lembrando o que Fernando Carvalho fez em 2010 em plena Libertadores. Trocou o uruguaio Fossati por Celso Roth, que recém havia assumido o Vasco da Gama. A história se repete como farsa.

Qualquer coincidência não é mera semelhança. Ou o contrário.

Seleção parece jogar com onze ‘macunaímas’

O problema da Seleção Brasileira é de caráter. Se ‘Macunaíma, o herói sem nenhum caráter’, de Mário de Andrade, é o símbolo de um povo em busca de sua identidade, a Seleção Brasileira, hoje, simboliza a apatia da grande maioria da população diante de sucessivos escândalos que corroem a economia do País e dos fracassos do outrora melhor futebol do mundo.

Precisamos, agora, encontrar a identidade do nosso futebol.

Em outros tempos era mais fácil, ou não tão difícil vencer a maioria dos vizinhos e os europeus. Nossa técnica superior prevalecia. Hoje, essa técnica já não é tão superior – até os japoneses, coreanos e outros evoluíram.

Precisamos muito mais do que dribles e lindas jogadas, até porque nossos adversários também driblam e fazem belas jogadas.

A diferença é que eles, nossos antigos fregueses de caderno, ou sem caderno, fazem algo mais.

Nada dessa bobagem de que nossos jogadores usam tatuagens demais ou que estão desgastados, como se os outros, esses que já não tremem diante da ‘amarelinha’, não usem tatuagens em abundância e igualmente não estejam cansados. Nem os árbitros que antes nos ajudavam, hoje nos tratam de igual para igual – ora vejam só! -, num sinal muito claro que estamos nos aproximando do fundo do poço.

Se não tomarmos cuidado, podemos ficar de fora da próxima Copa do Mundo. Alguém duvida? Imaginem como ficará uma rede Globo, que já comprou os direitos do Mundial… 

A diferença que vi, por exemplo, entre jogadores paraguaios e brasileiros, é o caráter. Assim como na Copa do Mundo, continua faltando temperamento, fibra. Está faltando aquilo que Dunga andou criticando num adversário: jogar por um prato de comida. Jogar como Dunga sempre jogou e hoje não consegue transmitir aos seus jogadores. Falta fibra, energia e gana de vencer. Tudo isso sobra nas seleções que vi nesta Copa América. Seleções que, como o Brasil, são formadas por jogadores que atuam na Europa.

Os jogadores estão refletindo em campo o caráter dos nossos comandantes, em todos os setores e instâncias.

Como incutir nesses jogadores a vontade de jogar por um prato de comida, jogar com doação e garra, se o escudo que eles usam na camisa é de uma entidade como a CBF, que tem um ex-presidente preso por corrupção no futebol. E mais: eles olham para o lado e dão de cara com um dirigente que até pouco tempo fazia negócios com jogadores, conforme lembrou o sempre craque Zico.  São apenas dois exemplos negativos. Há muito mais. 

Poderia citar o técnico Dunga, sempre protagonizando situações constrangedoras, inclusive para ele próprio, mas principalmente para o futebol brasileiro, como aquele bate-boca com um argentino, conforme registrado no blog cornetadorw. É essa a postura de um técnico da Seleção Brasileira, seleção que segundo os ufanistas de sempre representa a pátria verde-amarela?

Os jogadores, é visível, entram em campo como o funcionário que acabou de bater o cartão ponto de entrada e só espera passar 90 minutos para pegar o paletó e bater o ponto da saída do expediente. Eu não os condeno. Tampouco torço por eles. Aliás, cada vez mais cresce o número de pessoas que não estão nem aí para a seleção.

Então, esse grupo indolente, macunaímico, ainda teve a infelicidade de ser comandado por dois treinadores em má fase – vamos deixar assim. Felipão na Copa e Dunga agora. Os dois já realizaram bons trabalhos na Seleção. Mas agora fracassaram, e por culpa deles também. Os dois não souberam montar equipes competitivas quando perderam Neymar. O que é um atestado de incapacidade. 

Essa questão do caráter avança também sobre alguns analistas. Uns tratam de blindar Dunga sabe-se lá por que. Os mesmos que detonaram Felipão hoje amenizam com Dunga sob o argumento, pífio, de que falta time. Não posso acreditar que estão grenalizando um assunto tão sério. 

Não aceito a tese de que falta qualidade. Devo concluir, então, que a qualidade do time paraguaio é superior a do Brasil? Óbvio que não. Há ótimos jogadores, o que falta é, principalmente, recuperar em cada jogador o antigo orgulho de vestir a amarelinha. 

Já seria um bom começo, mas não é fácil, porque não há indicativos de que a estrutura do futebol brasileiro sofrerá qualquer alteração.  

Até lá vamos continuar jogando como onze macunaímas, um time em busca de sua identidade.

GRÊMIO

O técnico Roger faz um bom trabalho. Surpreendente até, porque não ganhou reforços. A auto-estima dos gremistas aumentou. É visível.

O torcedor está começando a acreditar que algo especial pode acontecer.

Há entusiasmo. Confiança. Esperança. Por isso, acredito que a Arena, apesar do horário ingrato, terá mais de 30 mil gremistas a empurrar o time contra o Cruzeiro. 

Uma vitória colocará o time em posição de liderança do Brasileiro, coisa que poucos acreditavam até poucos dias atrás.

Ah, esse time do Roger já provou que tem caráter. Pode faltar um pouco mais de futebol, mas caráter tem de sobra.