Dida, três vezes Dida

Antes dos pênaltis, Dida foi até a beira do gramado para abraçar um Renato tenso e agitado. ‘Deixa comigo, chefe’, deve ter dito esse goleiro que é mais que um goleiro, é uma lenda.

E Dida passou a escrever mais uma página em sua trajetória de vitórias logo no primeiro pênalti. Barcos, um jogador vivido, rodado, sentiu o peso da responsabilidade e chutou para a defesa do goleiro Walter.

Aumentou a responsabilidade do goleiro gremista, a melhor herança deixada por Luxemburgo. O experiente Danilo cobrou e viu Dida crescer em sua frente. Defesa de Dida.

Depois, o promissor Alex Telles cobrou na trave esquerda. Romarinho cobrou e venceu Dida.

O Corinthians estava em vantagem quando o patinho feio fez o que o veterano Barcos e o garoto de ouro não conseguiram: mesmo nervoso, ele fez o gol, voltando a dar esperança à torcida que enfrentou a noite chuvosa para apoiar o time.

Na cobrança de Edenilson, mais uma vez Dida brigou e evitou o gol. Foi aí que apareceu Elano. O jogador que teve seu nome gritado pela torcida durante boa parte do jogo e que vem amargando a reserva com elevado profissionalismo deu a resposta que seu talento impõe. Gol.

Alessandro, capitão corintiano, foi para a quarta cobrança do time e não se intimidou: empatou tudo.

Na quinta cobrança, Kleber esbanjou categoria e tranquilidade. Na verdade, uma tranquilidade apavorante. Walter vai defender, pensei eu, assombrado por mil demônios.

Gol de Kleber.

Ficou tudo para ser decidido entre dois velhos companheiros de Milan: Alexandre Pato e Dida. Pensei: Dida deve conhecer todas as manhas de Pato. Vai defender.

E Pato fez a alegria gremista. Deu uma cavadinha mal aplicada e Dida defendeu com a facilidade que só os grandes goleiros conseguem passar a cada intervenção.

Classificado, o Grêmio encara o Atlético Paranaense, que eliminou o Inter com o empate por 0 a 0 em Curitiba.

Não terá seus três atacantes: Kleber e Barcos receberam o terceiro amarelo, e Vargas foi expulso.

Vargas é  um atacante perigoso, mas é um inconsenquente. Um jogador inconfiável. Ele perdeu duas grandes chances de gol. As melhores chances da partida. Na primeira, cruzada da direita, do Kleber, ele teve tudo para marcar, mas chutou muito alto com a goleira escancarada.

No segundo tempo, em outra jogada de Kleber, o melhor do jogo nos 90 minutos, Vargas entrou livre pela direita e chutou na rede pelo lado de fora. Foram as grandes chances de gol da partida.

Depois, Dida salvou a noite e justificou plenamente sua contratação, calando corneteiros não definitivamente, porque são poucos os torcedores que têm humildade para recuar em suas opiniões, mesmo quando um goleiro defende três pênaltis em cinco.

Não me lembro de algo assim.

Dida salvou Vargas, salvou Barcos e salvou Renato.

Graças a ele o Grêmio mantém viva a esperança de um título nacional.

Dida, Dida e Dida. Três vezes Dida.

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