O Grêmio e as escolas de samba

Pior que o futebol do Grêmio contra o São José só mesmo desfile das escolas de samba de Porto Alegre durante um temporal.

As fantasias desmancham, os carros alegóricos trancam e se desfiguram, os passistas não sabem se sambam ou se nadam e a bateria atravessa.

A diferença é que esse pessoal enfrenta o infortúnio com brio, garra, raça e coragem. Não faltam nobreza e altivez.

Tudo o que o Grêmio sempre esteve e abandonou em algum ponto do caminho ao fundo do poço.

Perder para o São José é quase uma calamidade. Perder praticamente sem exigir maior esforço do goleiro rival é uma calamidade.

O time projetado para começar a temporada é uma caricatura. Será mesmo que a dupla Paulo Odone/Paulo Pelaipe acreditava que as contratações iniciais seriam suficientes?

O Grêmio perdeu por 2 a 1. Considero o resultado justo. Vi um pênalti em Kleber no meio do segundo tempo, quando ele foi puxado por trás. Foi um lance confuso. Desculpo o juiz  Pierre. Até porque como exigir muito de um juiz que estava dando cartão amarelo para Gilberto Silva quando a falta havia sido cometida pelo estreante Souza, que alertou o Pierre para o engano ridículo, já que o lance foi claro.

Além do mais, Pierre é o mesmo que não deu aquele pênalti clamoroso do Bolívar no jogo contra o meu Avenida.

Hoje, teve ainda o gol anulado do André Lima, mas aí o erro foi do auxiliar.

Independente disso, o Grêmio não mereceu resultado melhor. Paralelamente, os reservas do Inter venciam o Pelotas.

Tempos atrás escrevi, e repeti, que o Grêmio tinha seis titulares. Os outros cinco não passavam de reservas de um time realmente competitivo e que busca voos mais elevados.

No Passo d’Areia, o time teve apenas dois titulares: Victor e Kleber. Os outros quatro titulares não jogaram: Fernando, Mário Fernandes, Júlio César e Marcelo Moreno.

Os melhores do time nessa tarde quente e sufocante, a partir do sistema defensivo: Gabriel, Souza e Leandro. Gabriel apoiou, fez boas jogadas. Souza entrou e mostrou que tem condições de ser o sétimo titular como segundo volante. Leandro entrou muito bem, provando que é um diamante a ser lapidado com carinho e cuidado.

Leandro fez mais em 45 minutos que o Kleber em 90. Kleber não tem conseguido vitórias pessoais. Parece que não consegue driblar nem um poste. É claro que se trata de um grande atacante, mas por enquanto seu futebol é modesto. É evidente que faltam meias de qualidade, mas faltam também para o Leandro, que ainda assim teve alguns lances de ousadia e brilho.

Esse Marco Antônio parece um zumbi em campo. Ele some do jogo, não desarma, não cria. Enfim, uma decepção. Acho que logo logo estará de volta à Portuguesa, onde ele é adorado.

A esperança agora é que os novos reforços tenham mais samba no pé. Caso contrário, o futebol gremista continuará sendo muito parecido com o desfile de uma escola de samba gaúcha durante uma chuvarada.

Ainda é cedo para um julgamento definitivo, até porque as peças de que dispõe são modestas, mas Caio Jr. demonstra não estar preparado para comandar essa ‘escola’ na avenida que leva ao título do campeonato gaúcho e muito menos ao título da Copa do Brasil.

Bem, somente um milagre pode impedir que o Gre-Nal na quarta-feira não seja de cinzas para Caio Jr.

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