Caio Jr, Roth e Dorival

A comemoração colorada é ruidosa aqui na minha rua, no meu bairro, e imagino em toda a cidade, em todo o Estado. Parece até que voltou a conquistar o título brasileiro depois de 32 anos. Mas não é uma festa exagerada. Faz parte da nossa nova realidade: comemorar uma vaguinha aqui, outra ali, a fuga do rebaixamento…

Tivesse o Grêmio vencido o clássico e também garantido vaga na Libertadores de 2012, a festa seria igual.

O Inter foi melhor que o Grêmio, não muito, mas foi melhor. O suficiente para terminar o campeonato na frente. Ao Grêmio coube o triste papel de um figurante que tinha como maior objetivo na última rodada atrapalhar a vida do maior rival.

É como aquele cara que está a fim de uma mulher, mas não consegue, e por isso tenta impedir que alguém a conquiste. É pouco. O Grêmio é maior que isso, embora já há alguns anos sucessivas direções tentem torná-lo menor por falta de competência.

No Gre-Nal, o Grêmio foi valente. O resultado mais justo seria um empate. Estou esperando até agora que a RBS repita o lance em que Miralles levou um encontrão dentro da área, aos 18 do segundo tempo, logo após o gol colorado. Miralles reclamou falta. Eu vi um encontrão. Vuaden, perto do lance, mandou a jogada seguir. Um lance que merecia repetição da TV. Eu fiquei em dúvida.

Por que a TV não repetiu a jogada? Minutos depois, Índio ergue os braços ao seu estilo carinhoso e derruba Miralles, fora da área. O argentino pediu falta. Quem conhece Índio sabe que ele gosta muito de enfiar o braço na cara do atacante para impedir sua passagem. Mais uma vez nada de repetição. Estranho.

A mim ficou a impressão de que Carlos Simon tem um legítimo sucessor em grenais: Leandro Vuaden. Entendam como quiserem.

D’Alessandro fez a diferença. Foi o melhor do jogo. Pelo Grêmio, Fernando e Victor. Tem gente que quer melhorar o Grêmio começando por tirar Victor. É de enlouquecer. Se há uma posição em que o time está bem servido é a de goleiro. A campanha irregular de Victor é reflexo da irregularidade do time, não causa.

Aqueles que atacam Victor isentam, por exemplo, Douglas. Alguém viu Douglas em campo? O melhor dele foi um escanteio em que a bola bateu na trave. Ele esteve omisso a maior parte do tempo. Outro que não jogou nada: Rochemback. Mas este ao menos lutou.

Depois do jogo, entre vaias e palavrões de tudo que é tipo, o presidente Odone confirmou Caio Jr. como treinador.

Não é pra comemorar, nem pra lamentar. Interessante que Odone revelou que há algum tempo foi procurado pelo Caio, que se ofereceu para treinar o Grêmio, que seria um sonho pessoal, profissional. Espero que o critério, se ele existe, para contratar Caio não tenha sido a vontade de trabalhar no ex-clube. Espero que a decisão seja resultado de muita análise, muita reflexão.

É o que espero, mas eu sei que não é assim. E isso não é um bom sinal.

Mas ao menos uma coisa boa, ou melhor, duas: Roth está fora (até quando?) e Dorival continua (até quando?).

Ah, Roth pegou o time em 11º e entregou em 12º. E pensar que cheguei a chamá-lo de professor, iludido por alguns resultados positivos.

Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra.

CAMPEÃO

Outra coisa boa neste final de domingo: Tite campeão brasileiro. Desde que ele saiu que peço sua volta ao Olímpico. É o melhor treinador que o Grêmio teve neste século. Estou feliz com a sua vitória. Ser campeão com o Corinthians não é pouca coisa. Só Tite mesmo sabe o que teve de passar para conseguir o título. Está em boas mãos.

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