Ao ritmo da gurizada, Grêmio vence e convence

Quando, aos 27 minutos, Éverton marcou mais um dos seus golaços, eu, extasiado, olhos arregalados diante da TV, murmurei arrebatado:

-Meus Deus, e eu vivi para ver isso. Eu vivi para ver isso.

Certo que Éverton já marcou gols tão ou mais bonitos, gols que são obras de arte esculpidas com agilidade, técnica, velocidade e talento incomum.

O clima tenso, o Grêmio dominando e a imagem do jogo anterior na Arena, onde o time paraguaio jogou assim, fechado e explorando a bola longa. Temia que a história se repetisse.

O golaço de Éverton jogou todo temor para longe, o que contribui para toda a emoção que me invadiu naquele momento.

Importante destacar, por dever de justiça, a contribuição de André, que impediu a movimentação de um zagueiro e viabilizou a metida de bola de Alisson na medida para o endiabrado Éverton envolver a zaga e superar a muralha Martin Silva.

Aliás, não fosse esse goleiro, a vitória seria muito mais tranquila. Cabe registro, também, que Paulo Victor foi impecável. Foi exigido apenas duas vezes, mas dois lances de quase-gol.

Paulo Victor, desacreditado no Flamengo, incorporou Marcelo Grohe no Grêmio. Como escrevi tempos atrás, Renato é o rei Midas do futebol. PV apenas confirma essa constatação.

No segundo tempo, com os paraguaios ameaçando o empate, Renato deu a estocada mortal. Ele ia colocar Luan, mas ao perceber que Alisson estava por demais desgastado (outra bela atuação), optou por Pepê para manter a marcação no setor direito e ainda contar com uma arma para contra-ataques em velocidade.

Não seu outra, aos 38, Pepê arrancou em velocidade do setor defensivo e tocou para Éverton, deslocado pela direita. Éverton traçou uma diagonal para o centro, venceu uma dividida com Piris e ficou à vontade para fulminar o goleiro paraguaio.

Já nos acréscimos,Martin cometeu o ‘crime’ de impedir um golaço de Jean Pyerre , ao desviar a bola que ia rumo ao ângulo esquerdo. O gol seria um prêmio à atuação iluminada desse jovem craque.

Outro craque que está sendo lapidado por Renato é Matheus Henrique, um fenômeno. Um clone de Arthur. Os dois crescem a cada jogo. São ‘imexíveis’.

Por fim, mais uma referência ao Éverton, que é o melhor atacante em atividade no país. Só não digo que ele é o melhor jogador hoje no futebol brasileiro porque seria desmerecer essa dupla que já está na história do futebol gaúcho: Geromel e Kannemann.

Correndo, e crescendo, por fora: MH e JP.

Passando a régua: além da vitória de lavar a alma e matar secador, que grande atuação do Grêmio. Que grande atuação!!!

E tudo no embalo da gurizada. ‘Gurizada medonha’, como repetia um vencedor de bilhetes de loteria na rua da Praia tempos atrás.

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