Sofrimento à distância

Retornando da folga – estava tão desligado que só fiquei sabendo da anunciada derrota do Inter na Bolívia no meio da manhã de quarta-feira de cinzas, publico o comentário que recebi faz dois dias do Gustavo, a quem entrego as chaves do boteco pelo menos até o jogo contra o Passo Fundo, esta noite. Gustavo Medeiros é analista de negócios em TI e que mora em Colonia, na Alemanha.

De longe, ele acompanha o Grêmio, porque não há distância que consiga afastar um gremista do seu clube. De minha parte bem que tentei esse afastamento, mas o RW não me deixou. Através do cornetadorw.blogspot.com.br acompanhei tudo o que se passou por aqui nesses dias carnavalescos. Bem, com vocês o Gustavo:

Me expulsei

Talvez por morar do outro lado do Atlântico, onde notícias do Grêmio são raras, seja fácil, para mim, “desligar” do Grêmio.
Não escuto corneta de ninguém na rua. Quando divido o elevador com algum vizinho, mesmo estando com a camisa do Grêmio, o máximo que nos comunicamos é alguma bobagem relacionada com o tempo. Mesmo na rua, quando alguém reconhece a camisa, normalmente sou lembrado pelo clube que revelou Ronaldinho. Ultimamente tenho evitado sair com a camisa do Grêmio, por dois motivos, o frio, obviamente, e a corneta, ai sim, sobre o 1 x 7 para a Alemanha. Se eles soubessem que o técnico do meu time foi o técnico do Brasil nessa Copa…
Meu filho está com 11 meses, e ensaiando os primeiro passos. Lá estou eu, segurando ele pela casa, ajudando para que aprenda a caminhar. Cai, bate a cabeça, a perna as vezes dá uma falseada, fica sem força e lá vai ele para o chão. As vezes chora, mas na maioria das vezes está dando risada e feliz, porque está aprendendo algo novo, e sente a confiança do pai junto a ele. Em nenhum momento, por mais que ele tenha dificuldade em aprender, pensei em abandonar o campo, deixar ele por si só. Sei que ele precisa de mim.
Não, isso não é uma analogia barata com o abandono de campo do Felipão.
Imagina aquele garoto, alçado a titular para um time de enorme prestígio e torcida, no mundo inteiro, jogando seu quinto jogo, ou menos, profissionalmente, perdendo em casa, para um time inferior tecnicamente, nos últimos minutos, buscando de qualquer maneira o empate. Falta ou escanteio para o Grêmio, o guri vê nessa oportunidade em empatar o jogo, afinal, estamos falando do Grêmio, o time que não desiste, ou não desistia nunca, o guerreiro, aquele que podíamos esperar algo até que o juiz apite o fim do jogo. Então, esse guri, com tudo isso na cabeça, vê que pode ser a oportunidade para ele, olha para o banco de reserva, buscando uma última orientação, onde se posicionar, quem bate? O que ele vê é um banco vazio, seu técnico resolveu sair antes, deixou ele por si só.
Tenho profunda admiração pelo o que o Felipão fez para o Grêmio, em um passado não tão distante, como também tenho essa admiração pelo Dr. Fábio Koff. Porém o futebol mudou mundo daqueles tempos para cá. Muito mesmo. Não se faz mais um time campeão juntando meia dúzias de “refugos” de outros times e mesclando com meia dúzia de jovens promissores.
O Grêmio que o diga, sai ano e entra ano, e parece que vamos encontrar um novo Dinho, um novo Jardel, um novo Paulo Nunes, um Adílson, um veterano Mauro Galvão. Que vamos contratar 3 estrangeiros, e será um dos maiores laterais direitos da história do clube, que outro paraguaio, vai tomar conta da zaga. E por ai vai.
Não, esse mundo não existe mais. Precisamos olhar para a frente.

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