O momento de perder

O Grêmio mais ou menos repetiu o que vem jogando. A diferença é que agora perdeu. A verdade é que o time de Luxemburgo estava vencendo sem convencer, e isso significa que a derrota pode vir a qualquer momento e contra qualquer adversário, mesmo contra um time fraquinho como esse do Pelotas.

O lado positivo é que a derrota aconteceu num momento em que vencer ou perder não muda muita coisa.

Portanto, realmente não me importo com esse resultado negativo. Ainda mais nessa competição que pra mim, em função de onze anos sem título nacional,  não passa de laboratório de testes.

O ruim é que estamos entrando no quarto mês do ano e o Grêmio continua sem um time titular, sem um time convincente, sem um time que levante o astral do torcedor e que permita sonhar com a Copa do Brasil.

Continua faltando um grande zagueiro, alguém inquestionável, que imponha respeito até quando o serviço de alto falante do estádio anunciar seu nome.

E isso me faz lembrar, com muita tristeza, no maior de todos: Airton Ferreira da Silva. Airton nunca foi apenas Airton. Sempre foi um zagueiro com nome e sobrenome como deve ser um zagueiro de verdade: Airton Ferreira da Silva. Ele está doente, muito doente. Pena. Eu só o vi jogar uma vez ao vivo, foi contra o Lajeadense, no estádio Florestal. Eu tinha uns dez anos. Tirei uma foto ao lado dele. A foto foi publicada na Folha Esportiva. É uma lembrança que tenho dele nesse momento difícil.

Mas voltando à dura realidade do futebol atual: falta um volante que bata quando tem que bater e que jogue quando tem que jogar. Nem precisa jogar tanto assim, basta ficar na frente da zaga e cobrir os laterais.

Falta um articulador de qualidade, criativo, talentoso, que mostre ao Marquinhos, ao Marco Antônio e todos os demais como se mete uma bola numa área povoada de adversários.

Sem esses três jogadores o Grêmio não irá a lugar algum, nem à final desse segundo turno do Gauchão.

Contra o Pelotas, o Grêmio levou o gol aos 2 minutos, quando a zaga ainda está sonolenta, talvez distraída. Ninguém pode ser responsabilizado por esse gol, nem o Victor que alguns amigos querem ver pelas costas e que, cegos pela intolerância, nunca enxergam as defesas milagrosas que ele faz.

Se Victor tem que sair, quem pode ficar?

Hoje, eu vi apenas um jogador diferenciado em campo: Fernando. Depois, o Souza. Em terceiro, pelo esforço, Facundo.

No segundo tempo, Edilson se destacou. E quando Edilson se destaca é porque o nível está rasteiro demais. Hoje, entre Gabriel e Edilson, fico com o segundo para enfrentar o Ipatinga.

Este sim um jogo em que perder é um verbo que não pode ser admitido, mas que, sem dúvida, é possível de ser conjugado por esse time que não entusiasma ninguém.

FECHANDO A CONTA

A zaga ‘reserva’ do Grêmio não foi melhor nem pior que a ‘titular’. O Pelotas teve poucas chances de gol, menos do que outros times anteriormente contra a tal zaga titular.

Isso mostra que o não existe uma zaga titular de verdade. Eu penso assim.

O Grêmio teve maior volume de jogo, como costuma acontecer, mas segue com problemas no penúltimo passe, no último passe. O time jogou grande parte do tempo nas imediações e dentro da área do Pelotas. E não conseguiu fazer um golzinho sequer.

No primeiro tempo, o goleiro do Pelotas quase não trabalhou. No segundo, principalmente, no final, ele se destacou. O Pelotas cansou e o Grêmio foi pra cima no abafa.

O Beto Almeida soube armar seu time. Como sempre.

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