A voz do dono e o exemplo de Cavenaghi

O vice de futebol do Grêmio pegou pesado. Antônio Vicente Martins decidiu encarar Renato depois que o técnico fixou prazo, publicamente, até esta quinta para receber reforços.

Renato escancarou sua ansiedade, seu desespero, sua sede de reforços. O técnico nada mais fez do que refletir o pensamento da torcida.

Um assessor do futebol chegou a comentar que a direção não trabalha sob pressão, sugerindo que o ultimato de Renato era descabido e inoportuno.

Bem, Renato está trabalhando sob pressão desde que assumiu, em agosto passado, quando o time parecia rumar para a segundona de novo.

Quem não quer trabalhar sob pressão não pode ser jornalista, por exemplo. Nem policial, nem bombeiro, nem bancário, nem controlador de voo, nem piloto. Ou dirigente de futebol.

Se não quer trabalhar sob pressão que volte para a arquibancada. Até seria interessante que a direção ficasse mais próxima da torcida para saber direitinho o que ela pensa de isso tudo.

Os doutos do futebol tricolor saberão o que pensa o torcedor de uma direção que desperdiçou mais uma Libertadores pela imprevidência, falta de planejamento e de competência, imitando a direção passada.

Os que estão no poder hoje criticaram muito os que estavam no poder na Libertadores de 2009. Os que antes pressionaram, hoje não querem pressão.

Não suportam que o treinador extravasse sua tensão, sua preocupação com o rumo da equipe, e o seu próprio.

Renato sabe que a torcida é impaciente e que na hora da derrota quer a cabeça de alguém, mesmo que seja um treinador tão vítima quanto ela torcida.

Uma derrota diante do Botafogo pode criar o clima apropriado para mudanças. Renato disfarça com seu jeito brincalhão, que parece não pensar antes de falar, mas é visível sua insatisfação.

Ele já deu inúmeros recados. Falou de cascudos, cascudinhos e tudo o mais só para dizer que o time precisa de qualidade. Deu força para o grupo que tem, tentou dar moral para quem não tem grande futebol.

Se Renato está aborrecido, com a direção não é diferente. O constrangimento é geral. A cada diz mais me convenço que Renato vive um processo de fritura desde janeiro.

Na entrevista forte que deu hoje, AVM disse que tolerava as manifestações de Renato por considerar o treinador um sujeito bom caráter, que não fala determinadas coisas por mal. Mas deixou a escapar que às vezes tem vontade de rir do que Renato diz.

Será que Renato vai rir quando souber que é capaz de provocar esse tipo de reação de seus comandantes?

Não sei, mas AVM, até hoje sempre tão sereno e tolerante, parecia mais um boneco de ventríloquo.

Parecia a voz do dono.

Faria melhor se dedicasse o tempo gasto na entrevista para buscar os atacantes que sonegou a Renato, ao Grêmio e à torcida desde a saída do goleador da equipe, Jonas.

Tempo para isso ele e seus companheiros tiveram mais do que o necessário.

Talvez estivessem mais preocupados em rir.

SAIDEIRA

Cavenaghi foi digno. Foi à direção e pediu para sair, já que não está sendo aproveitado. Fosse outro, como muitos, ficaria ali, acomodado, só passando no caixa no final do mês. Mas Cavenaghi não é como a maioria.

O ato do argentino me lembrou aqueles ministros japoneses que se matam quando flagrados em falcatrua.

Aqui, os ministros quando descobertos com a mão na botija fazem cara de ofendidos e fica tudo por isso mesmo. Deixam a coisa esfriar e logo estão de volta lépidos e faceiros, e cada vez mais habilidosos para tomar o dinheiro público.

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