Minha primeira Copa no 'exterior'

Já no elevador ao deixar o hotel em SP na manhã desta sexta-feira, deparei num casal vestido de amarelo, só faltavam as bandeirinhas. Estas sobravam no saguão do hotel, e também na sala do café. Uma TV de 42 polegadas, em volume alto, sintonizada na Globo, reforçava o clima festivo. Uma alegria irritante no ar.

Peguei um taxi, também decorado de verde-amarelo. Eram 10h e eu tinha de visitar uma parente da titular antes de voltar para a república do pampa. Era num bairro a caminho do aeroporto, o Brooklin, longe como tudo em SP.

No caminho, pensava como é a vida: naquele momento, e também agora, eu estaria envolvido com a Copa trabalhando no CP. Nem em sonhos poderia pensar em viajar para o Brasil.

No entanto, naquele momento, eu estava ali, indiferente ao Mundial e só não alheio completamente porque gosto de futebol e também porque o ambiente todo lembrava a Copa e o jogo que haveria em seguida contra Portugal.

A vida é bela, afinal, pensei. Longe do estresse de fazer jornal. Pensava nisso quando chegamos. O parente estava vestido com o uniforme da seleção brasileira, só faltava a chuteira.

Assisti ao primeiro tempo na casa do casal e de amigos dos anfitriões. Para matar a fome, eles compraram sanduíche a metro. Sério. Dois sandubas de um metro cada.

Pela primeira vez eu assistia a um jogo de Copa no exterior, ou seja, no Brasil. Eu fazia de conta que também estava entusiasmado, mas acho que não enganei ninguém.

Um paulista me perguntou lá pela metade do segundo tempo, depois que eu disse que um atacante de Portugal havia sofrido pênalti, empurrado pelas costas pelo Gilberto Silva. “Ele mal tocou no português”, resmungou ele, “não foi nada”. Eu retruquei, não ia me mixar pro paulista (me lembrei da propaganda da Polar, do gaúcho dizendo ‘xispa daqui’).

Aí, ele perguntou se estava torcendo pelo Brasil. Eu disse que era indiferente e ficou por isso mesmo. ‘Só torço pelo Grêmio e pelo Avenida”, enfatizei.

Felizmente, saí no intervalo para pegar o avião. Trânsito tranqüilo, ruas quase deserta. Estava ansioso para deixar o Brasil e voltar aos pagos.

Só de sacanagem, entreguei meu passaporte no chequin. A balconista, muito gentil e meiga, disse que não havia necessidade. É só para viagem ao exterior, ela ensinou, muito educada. E custou a entender quando eu comentei, abrindo um sorriso, para demonstrar minha felicidade, carregando no sotaque gaudério:

“Pois é, estou voltando para o meu país, o Rio Grande do Sul’.

Pelo que vi do primeiro tempo, o Brasil mereceu vencer. No segundo, só consegui observar alguns lances, havia poucas TVs no Congonhas e eu estava meio atrasado.
Sinceramente, acho que não perdi nada.

Acho que ninguém perde nada deixando de assistir aos jogos do Brasil.

Não há encanto, arte, magia, criatividade. O Brasil ficou igual aos outros. Previsível. Só a Argentina ainda tem momentos daquele futebol que eu gosto.
Mas ainda fico com a Holanda.

SAIDEIRA

Walter está deixando o Inter. Parece que andou aprontando de novo. Desse jeito, apesar de muito bom atacante, logo estará jogando em times de segunda categoria. Pena.
SAIDEIRA

O Aprendiz decretou que o grande Ozeia é titular na zaga gremista, e que Mário Fernandes terá de disputar lugar na lateral.
Tudo o que eu tinha a dizer sobre esse treinador eu já disse.

FECHANDO A CONTA

Fui num bar muito legal no centro, Ipiranga com Avenida São João (lembrei da música Sampa do Caetano), o Bar Brahma. Lotado, muito chopp e de quebra um show do Guilherme Arantes. Isso na quarta-feira.

Ontem, fui conhecer os botecos da vila Madalena, lugar da boemia. A Cidade Baixa deles.

Agora, tudo é mais caro. Dá muito estrangeiro ali, europeu, norte-americano e até gaúchos.

Uma caipira de cachaça comum: 13 reais. De vodka boa: 16 reais. Chopp é cinco pilas pra cima. O outro alimento, os sólidos, também são muito mais caros em comparação com POA. Decidi que não reclamo mais dos preços daqui.

Estou pensando num reajuste nos preços do boteco…