Grêmio sai do sufoco

O placar de 2 a 0 esteve presente nos jogos da dupla Gre-Nal neste final de semana. No sábado, o Inter foi batido por 2 a 0 pelo Vasco, interrompendo sua séria de vitórias; ontem, o Grêmio alcançou o que precisava: vencer para poder respirar, sair do sufoco e dar tempo para Julinho Camargo trabalhar e acertar o time.

A vitória foi fundamental, mas ignorar o modo como ela aconteceu é um erro que pode custar caro mais adiante. O Coritiba foi superior no primeiro tempo e merecia ter feito ao menos um gol. Um gol que não aconteceu por causa de Marcelo Grohe, que teve uma tarde do nível das melhores atuações do titular Victor.

Marcelo Grohe era o único obstáculo de Marcos Aurélio que correu livre leve e solto desde o meio de campo, após falha grosseira de Neuton (jogador que admiro muito). A torcida emudeceu. Um gol naquele momento seria uma calamidade. Mas Marcelo fez uma defesa salvadora, sinalizando que ali atrás era com ele, e que bastava o ataque fazer a sua parte, ou seja, atacar.

Penso que ali o time começou a ter vergonha na cara para jogar com ímpeto, mais bravura e mais emoção. No intervalo, Julinho corrigiu o posicionamento do time, que ficou mais firme atrás e passou a acertar mais os passes no meio e os lances ofensivos, com Douglas mais preciso e Douglas mais arisco, infernizando a zaga.

Escudero, que a mim não agrada porque parece acionar uma usina nuclear para acertar uma jogada, até que foi bem. Foi dele, aliás, o chute que resultou na única defesa difícil do goleiro do Coritiba, um chute rasteiro no canto direito, após jogada de Leandro.

Gilberto Silva, que fazia sua estreia perante a torcida, deu mais tranquilidade ao time. E foi além disso.

No futebol, as vitórias acontecem por caminhos estranhos, tortuosos, imprevisíveis. O primeiro gol é uma prova disso.

O zagueiro pela direita, Mário Fernandes, pegou um rebote pela ponta esquerda de ataque, e cruzou com a precisão que faltou aos jogadores mais habituados a isso, um cruzamento forte, saindo da zaga e indo ao encontro dos jogadores que atacavam. Um cruzamento perfeito, a la Valdomiro Vaz Franco. E quem apareceu? Gilberto Silva, um volante de contenção.

Tenho a impressão que foi o primeiro gol que vi Gilberto Silva marcar em sua carreira (é claro que ele marcou outros, mas poucos, sem dúvida).

Então, um gol inusitado, quase mágico, para furar o bloqueio do Coritiba.

Depois, quando o time paranaense ameaçava o empate, André Lima, de atuação ruim (justificável pela longa parada), teve categoria para receber a bola rolada por Leandro e que Douglas deixou passar, enganando a marcação, e colocar no canto.

Sobre Douglas: ele esteve mais interessado. Como todo o time, cresceu no segundo tempo. O ideal seria encontrar um esquema que não fosse tão refém de um jogador como ele.

Os melhores: Marcelo Grohe, Leandro e depois Gilberto Silva.

Resumindo: o Grêmio foi mal no primeiro tempo, muito mal. Ouvi os torcedores preocupados no intervalo falando nas emissoras de rádio. No segundo, e aí crédito para Julinho, que estreava diante da torcida, o time melhorou, mas deixou claro que precisa evoluir muito para ambicionar uma vaga na Libertadores. Se melhorar mais um pouquinho, afasta a ameaça do rebaixamento, mas precisa melhorar esse pouquinho. Título eu descarto completamente. Aí, só milagre.

O mesmo vale para o Inter. Não vejo futebol nos dois clubes para brigar pelo título, até porque o Corinthians está disparando e não dá sinal de que irá cair.

O polêmico dirigente remunerado e a 1983 na série 'Gre-Nal é Gre-Nal'

O Grêmio empilha gente para trabalhar no futebol. Agora, além de Antônio Vicente Martins e seus dois diretores, mais Alexandre Faria, que será o único remunerado.

Em sua última gestão, o presidente Paulo Odone contratou para essa função o Mário Sérgio…

Alexandre vem de dois trabalhos, digamos, polêmicos. No Atlético Mineiro e no Fluminense. Em ambos os resultados não foram dos melhores. Só por esse aspecto fica difícil entender a sua contratação.

Ele assumiu no Atlético no ano do centenário do clube, em 2008, dia 20 de maio. Foi apresentado junto do técnico Gallo, o que podemos considerar que atenua sua responsabilidade pelo fracasso que se seguiria. A não ser que ele tenha indicado o técnico, o que, neste caso, aumenta sua responsabilidade.

Curiosidade: trabalhava no Atlético como auxiliar o Marcelo Oliveira, hoje vice-campeão da Copa do Brasil pelo Coritiba, e que estará no Olímpico neste domingo.

Recordar é viver: Marcelo Oliveira é o nome que sugeri no meu twitter para o lugar de Renato Portaluppi.

Cinco meses depois, no dia 20 de outubro, a imprensa mineira anunciou:

“O Atlético-MG demitiu nesta segunda-feira o diretor de futebol Alexandre Faria e o gerente das categorias de base Felipe Ximenes. A decisão foi tomada por Afonso Paulino, ex-presidente do clube, que, apesar de ser conselheiro, está assumindo poderes no departamento de futebol. Paulino alegou que Alexandre Faria também atua como empresário de jogadores e que, portanto, não teria a idoneidade necessária para comandar o futebol alvinegro”.

– Não estamos falando em momento algum que ele tenha cometido, com a venda ou compra de jogadores, alguma irregularidade. O que nós entendemos é que um agente de futebol não pode ser diretor de futebol – disse Afonso Paulino, que criticou também o trabalho na base, o que resultou na demissão de Felipe Ximenes, o mesmo que o Grêmio tentou contratar.

Em entrevista à Rádio Itatiaia, reproduzida pela Gazeta Press, Alexandre Faria rebateu:

– Obviamente que uma pessoa ser agente de jogador e diretor de futebol é algo absolutamente inconcebível. Então, é mais uma acusação falsa que ele faz, que ele vai ter que provar que eu sou agente, pois eu não sou.

É preciso destacar que o Atlético Mineiro vivia um momento complicado, em campo e fora dele. Estava sem presidente. E havia uma eleição marcada para pouco mais de uma semana.

No Fluminense, o trabalho de Alexandre Faria também deixou a desejar. O time escapou por pouco do rebaixamento. Ele foi contratado em dezembro de 2008, antes de Parreira. O time começou muito mal no Brasileiro. Parreira caiu e entrou … Renato Portaluppi, que não conseguiu reerguer o time na competição. Alexandre caiu dia 2 de agosto de 2009. Renato  um mês depois, com o Fluminense na lanterna.

Nos quase oito meses de Alexandre Faria como coordenador de futebol, o Fluminense conquistou 15 vitórias, 12 empates e teve 15 derrotas.

Ao deixar o clube, Alexandre deixou uma carta aos torcedores. Destaco uma frase:

–  Na vida, trabalhamos para obter resultados. No futebol, precisamos de resultados imediatos para poder trabalhar.

COLETIVA

Na coletiva de hoje no Olímpico, em sua apresentação à imprensa, Alexandre Faria tratou de não revolver o passado. Ao ser perguntado sobre as acusações de ‘picaretagem’ no Atlético Mineiro, ele deu uma volta, e ficou por isso mesmo. Eu esperava que ele refutasse com veemência. Mas ele preferiu um discurso mais ameno, algo como ‘dizer não dizendo’.

Então, estamos assim: uma aposta num treinador inexperiente em time profissional de ponta e uma aposta num diretor remunerado com um currículo recente ruim, sem os tais “resultados imediatos” tão necessários para seguir trabalhando.

Será que ele pensa que aqui não precisará de resultados imediatos? Aqui, os resultados são pra ontem.

PREVISÃO

Ouvi um comentarista esportivo dos mais conceituados afirmar que o jogo contra o Coritiba é fácil, coisa para fazer 5 a 0. Só pode ser para colocar pilhar no adversário.

O Coritiba por detalhes não foi campeão da Copa do Brasil. Ficou 20 e tantos jogos invicto. Tem um time entrosado, muito diferente do Grêmio, onde a maior parte dos jogadores está se conhecendo agora, na metade da temporada. Prevejo jogo muito difícil. Na verdade, se o Grêmio conseguir um empate estará de bom tamanho, apesar da necessidade urgente de recomeçar a vencer.

SERIADO NA RBS

É neste sábado, depois do Jornal do Almoço, a estreia da série Gre-Nal é Gre-Nal. A cerveja 1983 estará nas mesas do bar onde se desenrola o primeiro episódio. A gravação foi no Konka. O botecodoilgo tava fechado na hora, ehehe.

As sombras da zona de rebaixamento

O Grêmio até que jogou bem. Levou 2 a 0 do Cruzeiro, um resultado normal e aceitável, em outras circunstâncias.

O que me assusta é que o Grêmio jogou bem e mesmo assim perdeu. Teve mais escanteios, mais posse de bola, ficou boa parte do jogo no campo do adversário, mas não fez o essencial: o gol.

O Cruzeiro foi mais objetivo. Uma objetividade que o Grêmio teve com Renato Portaluppi no Brasileirão passado, e que raramente repetiu nesta temporada, com o mesmo treinador.

Além de um toque de bola pouco produtivo, o Grêmio teve contra si dois chutes de muita felicidade do argentino Montillo, que assumiu a artilharia do campeonato. Montillo, dois chutes, dois gols.

Quando essas coisas acontecem fico assustado, quando tudo dá certo para o adversário… Já vi esse filme, seguidamente demais para o meu gosto. Percebo as sombras da zona de rebaixamento se aproximando do Olímpico.

É evidente que o time mostrou melhor posicionamento em campo. Pareceu mais organizado, embora o meio-campo tivesse jogado junto pela primeira fez. Mas isso atribuo ao experiente Gilberto Silva, que formou boa dupla com Fábio Rochemback, apesar do desentrosamento natural.

Marquinhos também teve boa movimentação, mas sem encontrar seu melhor espaço no campo ofensivo. Já Escudero explicou por que Renato o escalou poucas vezes. Falasse português, estaria jogando no Cerâmica.

Na frente, Leandro foi o grande destaque. André Lima ainda está fora de sua melhor condição, falta de ritmo. Mas não vai jogar muito mais do que jogou contra o Cruzeiro.

Se o Grêmio tivesse vencido, os oportunistas de plantão diriam que foi graças ao Julinho Camargo. Assim como não teve responsabilidade na derrota, Julinho não teria mérito maior em caso de vitória.

Se Renato tivesse continuado, contando então com Gilberto Silva para colocar ordem na casa, duvido que conseguisse resultado melhor. Até porque do outro lado estaria Montillo em noite iluminada.

Então, é preciso esperar pra ver se Julinho Camargo conseguirá armar um time mais equilibrado e mais agudo no ataque. Se eu já era cético antes do jogo desta noite, mais agora ao ver que o único atacante realmente de qualidade da equipe é um guri de 18 anos.

GANGORRA

Enquanto o Grêmio patina em campo e afunda no campeonato, o Inter consegue sua terceira vitória seguida no campeonato. Sofreu para vencer o lanterna, mas venceu, e isso é o que importa. De nada vale jogar bem, ser superior ao adversário em boa parte de um jogo, se o resultado não aparece no placar.

O Inter teve ao menos esse mérito. Somou mais três pontos e agora está na ponta de cima da tabela. Oscar, que Falcão um diz relegou a um segundo plano, voltou da seleção para salvar o time.

O sucesso do Inter agrava ainda mais a situação do Grêmio. Afinal, a gangorra Gre-Nal é permanente, e eterna.

Já o Atlético Paranaense justificou porque é lanterna. Renato terá muito trabalho para recuperar o time.

Se conseguir, vou gostar de ouvir e ler seus críticos, esses que se uniram e deram respaldo para que Paulo Odone provocasse seu pedido de demissão às vésperas de contar com alguns reforços.

VOLVER

Se o presente é este, amargo e cruel, e o futuro aponta para dias mais cinzentos que o céu depois da erupção do vulcão chileno, nada como um recuo no tempo.

A realidade me obriga a voltar ao passado. Recebi hoje um e-mail com o link para algo que eu, traído pela memória, julgava ser obra de ficção, mas não, o lance realmente existiu.

Renato cruza, Jardel marca. Depois, Jardel ainda faz outro gol, um golaço. Ele mesmo admitiu posteriormente que tentou cruzar e a bola foi lá junto de onde a coruja dormia no tempo em que ainda era traquilo ir aos estádios de futebol.

Confiram. Ah, impróprio para colorados ranzinzas e invejosos.
http://globoesporte.globo.com/videos/bau-do-esporte/v/bau/1549591/

Mano e a sua ânsia de agradar

O técnico Mano Menezes parece preocupado em provar que é o oposto de seu antecessor, que deixou o cargo de treinador da Seleção carregando o estigma de retranqueiro.

Dunga foi criticado duramente por convocar volantes em excesso, mas principalmente por não levar dois talentos que surgiam: Neymar e Ganso. O segundo acabou se lesionando antes da Copa, mas nunca foi lembrado pelo treinador.

Eu mesmo critiquei a convocação de Dunga e o modo de armar o time.

Aí chegou Mano, todo simpático com a imprensa (ao contrário de Dunga), sempre acessível, e já largando com um time ofensivo. Claro, Ganso e Neymar no grupo, e mais do que isso, agora como titulares.

Com o tal ‘quarteto maravilha’ formado por Robinho, Ganso, Neymar e Pato, e apenas dois volantes para marcar, era previsível um futebol agressivo, sempre em cima da zaga rival, criando chances e mais chances, e marcando uma profusão de gols.

Afinal, são quatro jogadores dos mais talentosos, mesmo descontando que Robinho está em decadência há algum tempo.

Mas o time ofensivo mostrou contra a ‘poderosa’ Venezuela que não é diferente daquele ‘retrancado’ de Dunga na Copa do Mundo, que ainda teve contra si adversários de maior gabarito.

Não se trata de uma defesa de Dunga, que realmente cometeu alguns equívocos em sua convocação, mas o tempo está provando que a atual geração não é essa ‘brastempo’ todas que muitos apregoam.

Alexandre Pato, por exemplo, tem nas mãos, mais ainda nos pés, a oportunidade que sempre esperou de afirmar-se como titular do ataque, o dono da camisa que já foi de Ronaldo e Adriano. Mas, afora alguns momentos de brilho, deixou a desejar, como todos os seus companheiros.

O melhor da Seleção a meu ver foi Lucas, ex-Grêmio, que marcou e correu muito para cobrir os espaços amplos que o time ofereceu aos venezuelanos, que, se fossem um pouco melhores, teriam vencido a partida. Gostei também do Lúcio, um zagueiraço.

Fora isso, só decepção. Ganso foi burocrático, mesmo descontando que volta de lesão. Neymar muito alegre, faceiro, mais inclinado a aparecer do que a ser útil para o time.

Falta ao time de Mano um volante: Fábio Rochemback. Um jogador capaz de marcar e organizar o meio de campo. Ibson seria outro nome interessante. Ganso, pelo jeito, ainda é muito imaturo para assumir tanta responsabilidade sozinho.

O fato é que Mano, na ânsia de mostrar que é diferente de Dunga para agradar a imprensa do centro do país, está na realidade se violentando como treinador. Afinal, Mano sempre gostou de um esquema mais fechadinho e menos faceiro. Em outras palavras, mais equilibrado, como deve ser.

JULINHO

O novo treinador do Grêmio começou a trabalhar. Prevejo que seu prazo de validade é curto, mas torço por ele. Até porque um eventual fracasso colocará o Grêmio de novo em situação delicada no Brasileirão.

Por outro lado, a saída de Julinho Camargo do Inter servirá para Falcão mostrar que, ao contrário do que dizem os fofoqueiros e corneteiros de plantão, é ele mesmo quem arma e organiza o time.

Vamos ver. Temos muitas emoções pela frente.

Uma carta fora do baralho

Vou torcer pelo Julinho Camargo. Afinal, é um sujeito trabalhador, mais de 20 anos no futebol, sempre à espera de uma grande oportunidade. 

Agora, não acredito que ele vá dar certo como treinador do Grêmio. Sua experiência com treinador de equipes profissionais é quase zero.

Com tanto tempo de futebol é lógico que aprendeu alguma coisa, muita coisa, não duvido disso.

Ele deve ter suas qualidades para ser lembrado pelos doutos do futebol tricolor. O problema é que durante os cinco anos em que Julinho trabalhou na base gremista ninguém as percebeu, ao menos a ponto de cogitar seu nome para assumir o time principal. E oportunidades para isso não faltaram.

Por falar em cogitação, Julinho era uma carta tão fora do baralho que ninguém sequer murmurou seu nome. E quem o fizesse, num bar, numa roda de samba, numa redação de jornal, num velório ou num aniversário, seria logo taxado de louco. Ou de colorado querendo afundar o Grêmio.

O curioso é que agora, depois do baque inicial que todos sofreram, leio alguns articulistas de respeito referendando a contratação do auxiliar de Falcão. Não falta sequer um ‘tem o perfil vencedor do Grêmio’.

Uma coisa é vencer nas categorias de base, outra muito diferente é subir e trabalhar com as cobras criadas pronta pra dar o bote, gente malandra, com estrada e normalmente sem a mínima vontade de assimilar novos conceitos, ensinamentos, porque pensam que já sabem de tudo.

Ouvi a entrevista coletiva de Julinho. Percebi que parecia intimidado, o que é até aceitável diante das circunstâncias, mas não senti muita firmeza. Acho que ele será atropelado no vestiário.

No artigo anterior escrevi que a direção gremista usava a tática do bode fedorento na sala, lançando vários nomes detestados pela torcida, para mais adiante anunciar o rejeitado Celso Roth, mas que acabaria sendo recebido com alívio.

Não veio Celso Roth, mas veio aqueles que muitos consideram (como o meu amigo Francisco Coelho) um filhote do Roth.

Vou torcer pelo Julinho Camargo, até porque seu fracasso vai colocar o Grêmio no caminho da segundona, e agora não dá mais para chamar Renato Portaluppi, como aconteceu no ano passado.

Vou torcer pelo Julinho. Mas convencido de que foi um erro monumental dessa direção, um erro que pode custar muito caro.

Como dizia o velho Dino Sani: o futebol é mesmo uma caixinha de surpresas.

Depois dessa, só mesmo uma Kidiaba, escura e encorpada, para atenuar o frio e esse misto de indignação e perplexidade.

Inter ensina, Grêmio não aprende

O Inter está para perder seu goleador (Damião). E o que faz o Inter? Traz outro atacante para o lugar (Wellington Paulista, que gosta de fazer gol no Grêmio).

O Grêmio perdeu seu goleador no começo do ano, às vésperas da Libertadores sempre tão sonhada. E o que fez o Grêmio? Nada.

É um exemplo simples, objetivo, claro, que ajuda a explicar por que o Inter deste começo de século é muito superior ao Grêmio.

A qualidade dos dirigentes está fazendo a diferença. Mudam alguns nomes, a estrutura permanece, a filosofia se solidifica. Os resultados aparecem, mesmo que a médio ou longo prazo.

O Inter superou uma crise causada pela derrota diante do Ceará em pleno Beira-Rio e conseguiu se recuperar. Antes disso, festejou o título gaúcho na casa do Grêmio.

O Inter somou duas goleadas seguidas. O Grêmio, dois resultados negativos, com atuações constrangedoras.

A balança do futebol gaúcho eleva o Inter, rebaixa o Grêmio.

Enquanto a direção colorada saboreia seu momento de paz, que talvez nem dure muito tempo, a direção gremista, depois da precipitada demissão do técnico Renato Portaluppi, tateia no escuro em busca de um treinador.

– Estamos construindo um perfil -, disse o vice Antônio Vicente Martins, que teria sido eleito presidente do clube em 2008 não fosse a intervenção de Fábio Koff (que eu e muita gente criticou). AVM, o candidato de Paulo Odone, acabou perdendo para Duda Kroeff.

Quer dizer, a atual direção chegou ao meio do ano sem um ataque de respeito, condizente com a grandeza do clube, e também sem um perfil do técnico que deseja. Vai ‘construir’ um perfil.

E assim vai o Grêmio…

TREINADORES

São muitos os nomes, mas no final vai dar Celso Roth. Eles colocam o bode na sala: Cuca, que recentemente agrediu Renteria e caiu diante do Once Caldas em pleno Mineirão.

Diego Aguirre? Por favor…

Depois outro bode: Dunga (da onde alguém tirou que o coloradíssimo Dunga seria bem recebido pela torcida?).

De nome em nome, todos desprezados pela torcida, o Grêmio acabará ficando com aquele que todos sabem de quem estou falando.

Mas esse também tem elevado índice de rejeição. Ocorre que o tempo vai aparando arestas, a repulsa diminui…

Foi assim que Paulo Odone fez com Renato: não deu um ataque e deixou o tempo se encarregar do resto.

Esperasse mais uma rodada, com os reforços na mão, Renato talvez começasse a vencer de novo, e aí já não daria mais para demitir o ídolo.

Ruim com Renato, pior sem ele

Não tenho bola de cristal, mas o próximo treinador do Grêmio não ficará até o final do Brasileirão.

Por que? Eu pergunto e explico: os técnicos disponíveis são perdedores de carteirinha ou alguma aposta. A frase que abre este post só perde a validade se for contratado o Felipão, o Tite, ou o Muricy. Não necessariamente nesta ordem.

Cogitam no nome de Diego Aguirre, técnico do Peñarol. É um bom nome se ele puder trazer consigo toda a garra que caracteriza o futebol uruguaio e injetá-la em jogadores como o Douglas, por exemplo. Ele não vai fazer isso, porque é impossível. Portanto, se vier, será um desastre.

Adilson, Cuca e ele, Roth, estão disponíveis. Dando sopa como se diz por aí. Parece que Odone admira muito o Cuca. Não duvido, mas não consigo entender como é que alguém possa admirar o Cuca.

Sei que a direção não me lê, pois se me lesse teria contratado alguém para o lugar de Jonas lá em fevereiro, e não teria disputado a Libertadores com Lins e Viçosa no ataque. Mesmo assim, dou a minha sugestão:

Marcelo Oliveira, técnico do Coritiba. Não é um nome queimado diante da torcida e uma aposta com alguma chance de dar certo em função do excelente trabalho que fez com um time mediano.

Para encerrar, aquilo que tenho dito há muito tempo se confirmou: a direção queria ver Renato longe do Olímpico. Só começou com ele a temporada com medo da torcida, já que Renato havia levado o time à Libertadores.

Com a saída de Jonas, principal nome do Grêmio e até hoje sem substituto à altura (Miralles pelo que vi joga menos que o Jonas), e com a lesão de André Lima, Renato foi obrigado a jogar com jogadores de time de segunda divisão.

Criticam o Renato por insistir com Lins e Viçosa. Mas quem no grupo é melhor? Leandro, sim, mas ele se lesionou. Além disso, ficou claro contra o Avaí que é um guri que precisa de tempo para seu futebol amadurecer. Deve ir entrando aos poucos para não ser queimado.

Então, a direção conseguiu o que queria: transformar Renato de quase unanimidade em um treinador questionável.

Sou da seguinte opinião, diante da carência de treinadores:

Se é ruim com Renato, pior sem ele.

Lanterna esquentou a noite no Olímpico

O ‘Mazendaço’, citado no artigo anterior, aconteceu. O lanterna esquentou a noite fria no Olímpico.

O Avaí fez o que se previa: ficou fechado atrás e explorou contra-ataque. A defesa se impôs ao ataque gremista, o meio-campo manteve marcação dura e o ataque foi ágil e veloz. Teve ainda a felicidade de marcar o primeiro gol no começo.

E aí começam os problemas: a zaga deixou o adversário cabecear livremente, sem pressão, para fazer 1 a 0. A falha maior foi de Mário Fernandes, que teve condições de interceptar o cruzamento, mas ficou parado olhando.

Mário Fernandes só pode jogar como líbero num esquema de três zagueiros, ou de lateral-direito. Fora isso, é reserva.

Rafael Marques a meu ver é titular. Até porque vira e mexe está salvando o time. Tem garra, tem brio, capacidade de indignação e alguma qualidade. Não fosse ele, com seu gol no minuto final, a noite seria trágica.

Gabriel não jogou nada. Bruno Colaço fez o possível, considerando sua juventude e limitação técnica.

No meio, Willian Magrão foi quase uma calamidade. Pior que ele apenas o  Douglas. Mesmo considerando que o meio estava congestionado, eles poderiam jogar melhor. Magrão ao menos teve vontade.

Douglas tem um agravante: foi expulso quando o Grêmio buscava o empate, deixando o time também com dez jogadores. A expulsão não foi por uma falta, uma disputa de bola. Foi por reclamação ostensiva e descabida.

Renato deve aproveitar e armar um time que não precise mais desse jogador. Se não souber fazer isso, que peça as contas.

Ah, na entrevista coletiva, Renato chamou Douglas de craque. Aí fica difícil.

F. Rochemback foi de novo o melhor do time, o melhor em campo. Agora, precisa se controlar. Agrediu um adversário quase no final, naquele esforço gigantesco em busca da reação. Já tinha o amarelo e poderia ter sido expulso. Foi na cara do bandeirinha que anulou dois gols do Grêmio, sendo que ambos os lances foram absolutamente discutíveis. Ele decidiu os dois contra o Grêmio.

Ainda sobre a arbitragem: Mário Fernandes escorregou e caiu com a mão sobre a bola, lance involuntário que alguns colorados da crônica esportiva estão querendo dizer que foi pênalti.

O pênalti sobre Escudero, que entrou bem diante do horror que era o time, pode não ter existido. Mas não dá pra condenar o juiz, que errou para os dois lados.

Leandro e André Lima lutaram. Sentiram a falta de ritmo. Além disso, o espaço para eles era restrito demais. Sempre com dois ou três marcadores.

Miralles entrou muito bem. Mostrou que é um jogador de atua pelos lados, mas que aparece para concluir.

Não há dúvida que o time tende a crescer. Ainda mais com Gilberto Silva e mais um atacante de qualidade.

A partir daí é tudo com Renato. Cabe a ele mostrar que o desempenho que teve no Brasileirão do ano passado, quando tirou o Grêmio do atoleiro, não foi casual e fortuito, como acreditam seus críticos.

Mazendaço e 'o Sala'

O presidente do Avaí fala em demissão em massa se o time não começar a ganhar; o capitão do time, Marcinho Guerreiro, bateu de frente com o técnico Gallo (dois jogos, duas derrotas), e está afastado. O Avaí é lanterna, com apenas um ponto conquistado.

O Grêmio enfrenta esse clube em crise no Olímpico nesta quarta, às 19h30. Está aí um jogo traiçoeiro.

Se o Grêmio vencer, não terá feito mais que a obrigação. Situação similar a do Inter contra o Figueirense, domingo. Se empatar ou se perder…

O jogo pode ser um divisor de águas para o time de Renato Portaluppi, que, abusando de seu lado fanfarrão, promete que o torcedor que for ao Olímpico sairá satisfeito. Ele não tem como prometer isso só porque terá a volta de André Lima e talvez a estreia do Miralles. Os dois voltam de lesão, estão sem ritmo de jogo e com entrosamento zero.

Mas Renato está tão feliz em poder contar, finalmente, com atacantes de verdade – a primeira vez desde a saída de Jonas e a lesão de André Lima – que já promete coisas que estão fora de seu alcance.

De certo mesmo, é que será uma noite muito fria. Mas uma noite que pode esquentar se Renato não conseguir armar sua equipe de maneira adequada para enfrentar um adversário ferido e que vem disposto a reagir no Brasileiro. É bom não esquecer que o Avaí foi eliminado nas semifinais da Copa do Brasil pelo atual campeão, o Vasco. O time catarinense merece, portanto, mais respeito.

Afinal, não queremos um ‘mazendaço’ no Olímpico.

O SALA

É assim mesmo no masculino. O Sala de Redação fechou 40 anos. O programa não é mais o mesmo.  Lembro-me vagamente dos primeiros programas, comandados por seu idealizador, Cândido Norberto. Paulo Sant’Ana começou a se projetar ali, ele que já se destacava em programas de debates como o Conversa de Arquibancada, na antiga TV Piratini. Gesticulava muito, falava com entusiasmo de seu Grêmio. Dava pau nos árbitros do Gauchão, e sofria com o Grêmio naquele início dos tenebrosos (para nós gremistas) anos 70.

Pouco tempo depois, surpresa!, ganhou uma coluna na ZH. Foi uma bomba. Afinal, ele não era jornalista. Era um torcedor alçado à colunista. Um estranho no ninho. Um dia ele largou em sua coluna o time de cada jornalista esportivo. O pessoal queria o fígado dele. Nessa época eu sequer havia começado o curso de jornalismo. 

Sant’Ana tornou-se o principal nome do programa Sala de Redação. Muitos colorados foram escalados para enfrentá-lo. Um a um, foram caindo pelo caminho. Sem Sant’Ana, o programa perdeu muito de seu brilho, mas segue com a minha sintonia. Com respeito aos demais participantes, o programa cresce e se ilumina quando ele reaparece, o que é cada vez mais raro.

O Sala, agora, perdeu o ‘Professor’, que está pendurando as chuteiras. Não por vontade própria. Ele ainda terá alguns espaços no rádio e no jornal. Infelizmente, é assim. A fila anda. Nada é para sempre. Mas é inegável que o jornalismo esportivo gaúcho perde qualidade sem o mestre Ruy Carlos Osterman.

O ciclo de ouro do rádio-esportivo gaúcho está chegando ao fim. Antônio Augusto, Armindo Antônio Ranzolin, Lauro Quadros, Pedro Carneiro Pereira, são nomes que recordo agora rapidamente. 

Outros nomes surgiram nesse meio tempo, ‘cascudinhos’ que cresceram e juntaram-se aos ‘cascudos’, e agora os substituem. Mudam os nomes, mas o importante é que o rádio gaúcho continua vibrante e digno.